Erika Klingl (*)
Convidada especial
do Gastronomix
“Sempre
gostei de comer. Mas desde que tomei coragem de realizar o sonho de investir na
arte de cozinhar (mesmo que de forma amadora), passei as buscar experiências
gastronômicas em cada esquina.
Sem
querer desmerecer Brasília, fica mais fácil fazer isso nas esquinas de Roma,
Florença, NY,
San Francisco...
Depois
de um tempo, descobri que não estou sozinha nessa minha paixão. Existem pessoas
muito mais focadas e endinheiradas que fazem do turismo em restaurantes
estrelados pelo mundo uma forma de vida. Tem até um britânico chamado Andy
Hayler (foto abaixo), de 50 anos, que já comeu em todos os restaurantes três estrelas
Michelin do mundo nos anos de 2004, 2008 e em 2010. Todos mesmo, até mesmo os
localizados bem longe da Inglaterra como os da China e do Japão.

Bem,
estou muito longe disso. Mas já tive minha experiência em alguns estrelados. E
a primeira coisa que posso dizer é: vale a pena mesmo. Para quem gosta de
comer, é uma experiência para lá de memorável e está nos meus álbuns de viagens
com a mesma importância que os museus que visitei.
Jantar
no Daniel em NY (do chef Daniel Boulud) se iguala, para mim, a experiência de
ter visto a série de latas de sopa Campbell, produzida por Andy Wahrol em 1962,
que está exposta também em Nova York. (Olha eu falando de comida até na hora de
citar uma obra de arte...)
O
meu primeiro contato com restaurantes estrelados aconteceu em julho de 2011.
Depois de meses de economia (já pensando nesse projeto) e planejamento para
garantir as reservas nos restaurantes, fiz uma viagem de 15 dias à Itália e, ao
fim das duas semanas, eu e meu marido acumulamos 12 estrelas em diferentes
casas.

E
isso virou uma espécie de vício. É só ter uma viagem em vista que começo a
economizar e, ao mesmo tempo, parto para o site da Michelin ou para o ranking da The
Restaurant para ver quais são os chefs mais inventivos e mais bem falados.
Em Nova Iorque, ano passado, aproveitei mais uma vez a chance de comer em
grandes restaurantes, seguindo os conselhos do coordenador de gastronomia do
Iesb, Sebastian Parasole. Dia desses, posso escrever sobre cada um deles aqui.
O
lado bom é óbvio. Não há dúvidas da qualidade da comida e do atendimento. Em
compensação, o valor da conta é sempre muito mais alto só por ter pregado na
parede o quadro da Michelin. Aí você me pergunta, vale a pena?
É
claro que come-se muito bem em um restaurante estrelado. Mas o brilhantismo do
chef não depende apenas da(s) estrelinha(s). Por isso, eu recomendo que quem
tiver partindo para uma viagem tipo pé na jaca que busque diferentes fontes de
informação para decidir onde vai.
.jpg)
Parece tiramissu, mas não é. E sim, uma espécie de escondidinho de bacalhau
Vou
dar um exemplo. Em Roma, fomos a um restaurante chamado All’Oro que tinha recém-recebido uma estrela Michelin. Foi o melhor
jantar de toda a minha vida até hoje.
Raviole invertido:o molho de frutos do mar está dentro e do lado de fora,
os lagostins que serviriam de recheio
Polpeta que é, na verdade, um ragu de costela cozido por 8 horas
mas que o chef serve em forma de almôndega
Uma
semana depois, visitamos outros dois estrelados. A Enoteca Pinchori (em Florença) e o Met (em Veneza - foto abaixo), com 3 e 2 estrelas, respectivamente. A comida
estava divina, mas a conta foi o triplo do preço e a experiência não foi
diferente quando se avalia apenas o sabor. É claro que esses dois lugares eram
mais charmosos. Até mesmo pelas cidades onde estão instalados.

Mas
se eu tivesse que escolher um restaurante para voltar, seria o All’Oro. Para se
ter uma ideia, tinha um raviole que era servido de forma invertida. Ou seja, o
recheio estava fora e o molho dentro da trouxinha. Na hora de morder, o suco de
frutos do mar explodia na boca. Nunca consegui fazer aqui em casa. Já tentei
com Agar-ágar e congelando o recheio antes de cozinhar...
Depois
da nossa viagem lá, já recomendei o restaurante para diferentes amigos com
passagens por Roma. E a sensação foi a mesma. Para deixar todo mundo com água
na boca, vou colocar umas fotos... E eu, já vou começar a guardar dinheiro para
a próxima!”
All’Oro
Enoteca
Pinchori
Met
Riva degli
Schiavoni, 4149
Veneza - Itália
Tel. +39 041 524 0034
(*) Erika Klingl é
formada em gastronomia pelo IESB e jornalista.