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segunda-feira, 28 de março de 2016

EU RECOMENDO // Um paraíso escondido no ES

Alan De Nadai (*) 
Convidado especial do Gastronomix

Cresci na serra do Espírito Santo, mas hoje não moro mais por aquelas bandas. Troquei de cidade e de estado, então o que não me falta é saudade. Desde que me mudei os invernos sempre me trazem boas lembranças. Recordo-me do fogão à lenha da minha avó. De ajudá-la a pegar a lenha seca e ascender o fogo para aquecer o corpo. Hoje essas memórias aquecem a alma.

No almoço de domingo, legumes e verduras eram colhidos na horta, e o resto feito pelos meus próprios avós, assim, tudo tinha um gosto especial.
Explico isso porque eu poderia falar sobre qualquer restaurante que visitei em algum outro lugar distante, mas tenho paixão por comida caseira. Por isso me lembrei de que meu lugar favorito não era preferido à toa. Ele fica bem perto de onde cresci.

Domingos Martins e Venda Nova do Imigrante são municípios da região serrana do Espírito Santo, possuindo excelentes opções de hospedagem e gastronomia. A principal atração fica por conta da Rota do Lagarto, composta por cafés e restaurantes, que atendem a todos os gostos, e de onde sempre se vê a exuberante Pedra Azul.
De todos que já visitei naqueles municípios, a Fazenda Saúde me encanta pela culinária despretensiosa e tão caseira quanto a da minha avó. Criado pela família Caliman, o restaurante forma um dos vários agronegócios familiares da região e, ainda, divide espaço com a casa da própria família.

O lugar possui um grande salão aberto, sem paredes, o que permite total contato com a natureza ao redor, sendo possível sentir a brisa fria que sopra na montanha. As mesas compridas e de madeira maciça, formadas a partir de troncos rústicos, deixam tudo com um clima bem italiano, como uma grande mesa de almoço em família. A água, que vem direto da nascente, cai em um tanque bem simples na entrada do restaurante, formando uma pequena piscina de água translúcida, limpa e gelada.

O restaurante ainda possui na decoração alguns objetos antigos da própria família, e outros garimpados na região. A comida, simples e saborosa, me leva diretamente para minha infância.
Do leite se aproveita tudo, faz-se o queijo e a puína, saborosíssimos. A polenta forma aquela casquinha no interior da panela, que, com muita criatividade, após aderir ao seu formato, é usada para colocar os deliciosos bolinhos de arroz frito. Come-se até o prato.

O macarrão é de massa caseira, os legumes os mais frescos possíveis. A polenta frita é feita ali mesmo, na chapa do fogão à lenha, onde o almoço é servido.

O bufê é variado, mas permanece o mesmo desde minha primeira visita, há aproximadamente dez anos.
O restaurante possui uma ampla aérea verde externa, composta por um gramado - que mais parece um grande tapete - jabuticabeiras, goiabeiras, palmeiras e eucaliptos. No centro há uma grande lagoa, refletindo tudo que a vê.

Depois do almoço, não pense que acabou o programa. Deitar-se na grama sob a sombra de uma árvore, ou mesmo sob o sol, sentindo-o aquecer levemente suas roupas, é o que tradicionalmente se faz por lá. Eu, por exemplo, estendo sempre minha toalha para aproveitar esse momento de total desconexão com qualquer problema do mundo.

Os donos, que sempre estão trabalhando no restaurante, são extremamente atenciosos, deixando qualquer convidado ainda mais à vontade. Essa simplicidade e receptividade me faz retornar a este restaurante toda vez que volto ao meu estado, toda vez que sinto necessidade de me reconectar com minhas lembranças e com minha infância. Gostaria que todos tivessem esse canto mágico, que engorda e faz tão bem.

Fazenda Saúde
Rod. Pedro Cola, 4
Venda Nova do Imigrante – Espírito Santo
Telefone: (28) 3546-1528


(*) Alan De Nadai é bacharel em direito. 

quarta-feira, 11 de setembro de 2013

GASTRONOMIX// Conexão Vitória-Curitiba

Vieira com limão e rabanete é uma das seis receitas que a chef paranaense Manu Buffara vai levar ao Soeta Recebe, série de encontros gastronômicos mensais que ocorre em Vitória, promovida pelo Soeta Restaurante, que fica na Praia do Canto, na capital capixaba.
Para o jantar marcado para o próximo dia 18, Manu desenvolveu um cardápio que mescla técnicas contemporâneas e sabores regionais. Além das vieiras, ela servirá Chuchu com marinados e queijo colonial; Batata com cará amarelo, isopor de limão e cebolão; Porco com abacaxi e quiabo; Banana da terra com mostarda e melado; e Tronco de chocolate.
O projeto terá mais dois convidados ainda este ano. Em outubro (dia 16), Alberto Landgraf, do Le Épice, de São Paulo, e em novembro (dia 20), Thiago Castanho, do Remanso do Bosque, de Belém do Pará. Cada jantar completo custa R$ 190 e R$ 250 (harmonizado).
SOETA RESTAURANTE
Rua Desembargador Sampaio, nº 332, Praia do Canto, Vitória (ES), 27 3026-4433.
www.soeta.com.br.

sábado, 13 de julho de 2013

GASTRONOMIX// Chefs do Brasil em Vitória

O restaurante Soeta, em Vitória (ES), está desenvolvendo um projeto para incentivar o intercâmbio entre cozinheiros de diferentes regiões. O Festival Soeta Recebe tem levado à casa chefs de todo o Brasil para comandar noites gastronômicas. O próximo a ir é o paraibano Wanderson Medeiros, do Picuí, de Maceió, no próximo dia 17.
O menu preparado por Wanderson, a R$ 190 por pessoa, inclui, na entrada, queijo de coalho flambado com cachaça e laranja; de pratos principais, peixe ao urucum sobre sururu e farofa de castanhas; magret de pato ao sol sobre pirão de leite, e costelinha prensada com purê de jerimum trufado e cebolas ao vinho; e na sobremesa, sorvete de rapadura com fios de mel de engenho e farofa de canela.

Os próximos a participarem do festival do Soeta são Manu Buffara, do Manu, de Curitiba, em dia 18 de setembro; Alberto Landgraf, do Epice, de São Paulo, em 16 de outubro; e Thiago Castanho, Remanso do Bosque, de Belém, em 20 de novembro.

SOETA
Rua Desembargador Sampaio, 332
Praia do Canto – Vitória (ES)
Telefone: (27) 3026-4433
www.soeta.com.br

segunda-feira, 12 de abril de 2010

EU RECOMENDO // O aconchego em Itaúnas


Elisa Lucinda (*)
Convidada especial do Gastronomix


“Adoro ir onde estou agora. Na minha casinha de praia na Vila de Itaúnas, também conhecida como Dunas de Itaúnas. O lugar é paradisíaco e não é óbvio. Trata-se de uma turismo original, ecológico (sem ser chato). De onde escrevo, sinto a lua no meio do céu a lua alta na noite clara e tudo deliciosamente quieto.

Quem estiver afim de dançar forró tem que esperar o dia certo. Em frente de minha casa, temos o Restaurante Sapucaia, cuja entrada de hadock defumado pelo próprio chef, o Itamar, que é um homem visionário e inteligente acostumado a se reinventar.

Dono do bar, ele nos oferece sua criatividade, o bom gosto, o tempero raro e saboroso mais o bom preço. Quer mais? Mais do que isso, é gastar as pernocas subindo a duna se desejar ver mar. Imagine uma beleza com o mar ao fundo de uma estética de deserto? Seu nome é Itaúnas, no Espirito Santo, a 15 quilômetros da Bahia.”

Restaurante Sapucaia
(próximo à Vila Tânia)
Itaúnas – Espírito Santo
Telefone: (27) 3762 5287
Site:
http://sapucaiaitaunas.wordpress.com/

(*) Elisa Lucinda é poeta, escritora e atriz. Jornalista de formação, a capixaba tem vários livros de poemas publicados. Entre eles: O Semelhante; Eu Te Amo e suas estréias; os infantis A menina transparente; Lili a rainha das escolhas; O órfão famoso; O menino inesperado e seus mais recentes livros Cinqüenta poemas escolhidos pelo autor; Contos de Vista
e A Fúria da Beleza.

domingo, 6 de setembro de 2009

ABOBRINHAS // Picolé de chuchu


Luciano MilhomemColunista de Alimentação Natural do Gastronomix

Sempre achei injusto o preconceito contra o chuchu. Bem temperado, ele tem sua graça. É, no mínimo, um prato leve. E cai bem com quase tudo: arroz, feijão, queijo, ovo e, claro, outros vegetais. Sem contar que rende um bom suflê! O mesmo vale para a vagem. Refogada vai melhor, sobretudo de mãos dadas com feijão. Misturada ao ovo, é típica comida caseira, lembra casa da avó.

Bem... Os mais chiques torcem logo o nariz. Não se imaginam pedindo ao garçom vagem refogada na manteiga (uma delícia, aliás) ou salada de beterraba com chuchu. Para esses, há opções mais sofisticadas. Viva a diversidade!

Em Vitória, a simpática capital do Espírito Santo, em vez da tradicional moqueca capixaba, experimentei um desses pratos vegetarianos que encantaria tanto um típico “pode-crer” quanto um esnobe da Nova Era. O nome diz tudo: Veggie (isto mesmo: a forma abreviada de ‘vegetariano’, em inglês). O sobrenome também é metido a besta: Stir-Fry. Colonialismo à parte, o fato é que se trata de um dos pratos mais deliciosos que provei nos últimos tempos. A descrição dele no cardápio ajuda a entender o elogio: “Salteado de legumes variados com toques orientais sobre uma base de vermicelli, servido na panelinha de bambu.” Leva pimenta, mas ela pode vir em dose moderada. É só pedir.

Quem for à capital capixaba – veja só: injustamente criticada como uma espécie de picolé de chuchu entre as cidades litorâneas brasileiras – vai encontrar esse saboroso prato no Café Tabaco (Rua Joaquim Lírio, Pátio Praia 455, Praia do Canto) por apenas R$ 21,90. Para quem não tem planos de ir a Vitória, pode tentar convencer o cozinheiro a fornecer detalhes sobre o preparo. O telefone da casa é (27) 3315 7291.

Mais uma colher de chá para os neo-vegetarianos finos de Brasília (os “macacos velhos” já são habitués do lugar): o restaurante Oca da Tribo (SCES, quadra 2, conjunto 59), além de comida saudável e deliciosa, possui decoração encantadora e muito aconchegante – lembra uma oca mesmo, ainda que seja um tanto chique.

O Setor de Clubes Sul pode ser contramão para alguns em dias úteis, mas certamente agrada em cheio em um almoço de sábado, domingo ou feriado. Tudo, absolutamente tudo, inclusive as sobremesas, é extremamente saboroso. O restaurante também serve carnes, o que me parece uma pena. O buffet vegetariano compensa tudo. Mas é o tal negócio: nem todo mundo descobriu a delícia de uma refeição exclusivamente à base de vegetais – com ou sem chuchu. Sem preconceitos.

Café Tabaco
Rua Joaquim Lírio, Pátio Praia 455
Praia do Canto – ES
Telefone: (27) 3315 7291

Oca da Tribo
SCES, quadra 2, conjunto 59
Lago Sul – Brasília
Telefone: (61) 3226 9880



(*) Luciano Milhomem é jornalista, mestre em Comunicação pela Universidade de Brasília (UnB) e não ingere carne de bípedes e quadrúpedes há dois anos e meio.