segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

EU RECOMENDO // Joia asiática do coração de NYC

João Villaverde (*)
Convidado especial do Gastronomix

Quem visita Nova York precisa fazer ao menos um passeio fora dos vários e vários pontos turísticos. Sem pestanejar, caro leitor, indico um: a Union Square. Como morador de NYC nesses tempos de dólar a quatro reais (e subindo...), escrevo essas linhas com grande certeza do que estou falando. Na Union Square, o leitor desse texto encontrará a cidade como ela era há 100 anos, com os prédios centenários sendo ocupados por tudo o que o século XXI tem de melhor: restaurantes com especiarias de todo o mundo a preços justos, uma feira com produtos orgânicos oriundos do próprio Estado de Nova York, quatro quadras (da 14th até a 18th Street) da Broadway voltadas a lojas de design de interiores (a preços camaradas), além da melhor livraria da cidade - a Strand, fundada em 1927.
É nessa região que o leitor encontrará uma joia chamada Republic. O restaurante de culinária asiática (especialmente vietnamita) tem tudo o que você pode querer: fica instalado no térreo de um edifício de apartamentos construído há quase 90 anos, tem iluminação baixa, mesas individuais e para até seis pessoas no começo, próximos ao janelão e mesas comunitárias ao fundo do salão, e decoração minimalista. A comida é bb (boa e barata) e a carta de bebidas é daquelas que te faz anotar os ingredientes do que está tomando para tentar repetir em casa.

Começamos (eu e minha esposa, Bárbara) com as bebidas. Ela escolheu o Asian Basil Lemonade (suco de limão natural, lima, manjericão asiático e açúcar) e eu fui de Vietnamese Iced Coffee (café expresso gelado com uma pitada de leite condensado). As bebidas custaram cerca de 4 dólares cada e todas podem levar ainda uma dose de sake (ou saquê). Há uma série de entradas no menu e se você for decidido a ficar somente nelas, será bem feliz. Mas recomendo fortemente a focar nos pratos principais porque eles são muito bem servidos. Mesmo. 
Bárbara decidiu pelo Seared Marinated Salmon (com limão, arroz com uvas passas, cenouras picadas e nabo). Optei pelo Vietnamese Beef (Noodles de trigo, carne de panela especialmente macia, tomates, cebolinha, broto de feijão e cenoura). Os pratos variam de 13 a 16 dólares e, repito, são muito bem servidos. Se você estiver com muita fome e pular a entrada, ainda assim ficará muito satisfeito.

A comida é servida sem demora, como de costume em NYC, mas não é super rápido. O atendimento solícito torna a experiência ainda melhor. Quando descobrimos o Republic, na companhia do amigo Daniel Omaki (que é fotógrafo e morou em NYC antes de nós), o atendimento fora espetacular. Voltamos um mês depois e a regra se manteve. Tudo isso torna a experiência ainda mais agradável. O Republic fica aberto até a madrugada e é possível experimentar as combinações de drinks que a casa oferece. Há um balcão largo que percorre quase todo o espaço do restaurante, onde é possível se acomodar sozinho, se for o caso.

***
E já que a experiência gastronômica fica completa quando o ambiente externo ao restaurante funciona tanto quanto a dinâmica interna, reforço a sugestão por uma boa caminhada pela Union Square, que fica na Broadway entre as ruas 14 e 15. Há uma estação de metrô dentro da praça (a 14th Street - Union Square, que faz parte da linha amarela). Na própria 14th vale visitar o número 11 no lado East. O prédio que você encontrar serviu de sede para a Biograph, o primeiro estúdio de cinema dos Estados Unidos. O cinema não começou em Hollywood (Los Angeles, Califórnia), mas em NYC e a Biograph foi a responsável pelos primeiros filmes americanos, dirigidos por D.W. Griffith (jogue no Google e no Youtube para assistir. Indico fortemente "The Musketeer's in Pig Alley", de 1912, filmado ali mesmo).

Descendo seis quadras, na 8th, vale visitar o Eletric Lady Studios, criado por Jimi Hendrix em 1970 e onde grandes grupos (como KISS) gravaram discos clássicos. Mais uns cinco minutos a pé, na esquina entre a Grove Street e a Bedford Street, está o prédio onde ficava a casa de Monica Geller, personagem do seriado Friends.
Republic
37 Union Square W,
Nova York – Estados Unidoos
Telefone: +1 212 627 7172

(*) João Villaverde é jornalista e está radicado em Nova York desde janeiro de 2016 como pesquisador na Universidade de Columbia. Estuda na School of International and Public Affairs (SIPA). Nos últimos 5 anos trabalhou em Brasília, para onde voltará quando a experiência em NYC terminar. É repórter de O Estado de S. Paulo, o "Estadão". Foi finalista do Prêmio Esso Exxon-Mobil de Jornalismo em 2015 e ganhou os prêmios de Melhor Reportagem da Agência Estado (2014) e do Estadão (2015). Viciado em cinema e fã de carteirinha do Bar da Dona Onça (SP).

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

NOTÍCIAS // Guatemala pelas mãos de David Lechtig

O projeto Aprenda espanhol cozinhando: Sabores del Mundo Hispânico 2016 já está na sua quinta edição. A parceria entre o Instituto Cervantes e o chef David Lechtig, da Rede El Paso, sempre traz novidades e um pouco da rica cultura da América Latina. Neste ano, o projeto estreia 30 de março (quarta) com a riqueza e os encantos dos sabores da Guatemala.

As aulas acontecem sempre no Instituto Cervantes e as inscrições devem ser feitas no local. A taxa é de R$ 80,00 e as vagas são limitadas a 30 pessoas. Os alunos vão aprender e degustar com Lechtig um menu completo de pratos típicos do país onde ele foi criado.  “Será uma aula deliciosa, na qual revisitarei e compartilharei os pratos que faziam parte do meu cardápio trivial, na infância”, explica o chef que morou por 15 anos, na capital do país.

A Guatemala é o berço da civilização Maia e possui uma gastronomia tão rica quanto antiga. No dia a dia, o milho é o ingrediente coringa das refeições, com as tortillas, enchiladas, chuchitos e tamalitos. Além do milho, a pimenta e o feijão são iguarias que se destacam. Sem falar nas sobremesas, como os buñuelos, muito parecidos com os brasileiríssimos bolinhos de chuva.

 Confira o menu:
Entrada
Enchiladas Guatemaltecas tortillas de milho crocantes, cobertas com legumes num tempero típico, queijo e ovo.

Prato Principal 
Hilachas  fiapos de carne bovina, servidos no molho de tomate, pimenta, alho e coentro. Acompanha batatas em cubo e tortillas;

Sobremesa
Buñuelos , bolinho de trigo embebido em calda de melado, anis e vinho branco.

Como o nome do projeto indica, toda a dinâmica é dada na língua espanhola.O Aprenda Espanhol Cozinhando de 2016 será realizado em mais sete aulas e contará ainda com  as participações de chefs latinos e artistas plásticos, que ajudarão a fomentar os encontros com a cultura hispânica.
  
Aprenda Espanhol Cozinhando: Sabores del Mundo Hispânico
Menu Guatemalteco com o Chef David Lechtig
Dia 30/03, às 18h30
Local: Instituto Cervantes Brasília – 707/907 Sul
Valor: R$ 80,00 (vagas limitadas).
Informações: 3242-0603

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016

DRINK_ME // Pirajá: essa Nega é minha e ninguém Tasca

Juliana Raimo
Colunista de Drinks do Gastronomix

Em épocas carnavalescas, nada melhor que voltar às origens e buscar e alimentar a alma e o ânimo com a velha e boa caipirinha nacional. 
Entre um bloco e outro recomendo, parar no já consagrado bar Pirajá para saborear a caipirinha Nega é minha e ninguém Tasca, a base de Nega Fulô Jequitibá mesclada com rapadura mineira e limões Tahiti e Siciliano – receita abaixo.
Caso seu roteiro não passe por pinheiros / faria lima, volte com calma em outro dia pois vale a pena.

Pirajá lança seus pratos EZécutivos e parceria com mercearia Mestre Queijeiro

O bar Pirajá, esquina carioca de São Paulo, acaba de ganhar novidades bem botequeiras em todo seu cardápio. A principal dela acontece na hora do almoço, já que o bar incluiu um menu executivo à moda da casa pra alimentar a alma dos famintos de plantão.

Nomeados de
EZécutivos (todos a R$ 39), os pratos acompanham saladinha de entrada e doce caseiro com queijo de sobremesa. Um dos destaques é a Coxtelinha Maravilha, costelinha de porco marinada e cozida no chopp da casa, que acompanha arroz branco, farofa de banana da terra, espinafre puxado no alho e óleo e o clássico caldinho de feijão; outra opção, a Carne de Sol à Cavalo (foto à esquerda) é servida com ovo, baião de dois e dadinhos de queijo coalho.
Outra grande novidade é a parceria entre o Pirajá e o Mestre Queijeiro, que rende à casa alguns petiscos novos, ideais para acompanhar o chopp e as caipirinhas caprichadas da casa. O Pastel Velha Guarda (R$ 28,), por exemplo, de tão exclusivo e artesanal é servido somente às quartas-feiras. Leva carne seca desfiada e queijo Serra da Canastra maturado na Cachaça Pirajá Velha Guarda e acompanha vinagrete de repolho. Uma opção de muitas com os deliciosos queijos do Mestre.

 Essa Nega é minha e ninguém Tasca
- Nega Fulô Jequitibá mesclada com rapadura mineira e limões Tahiti e Siciliano
- 50 ml de cachaça Nega Fulô Jequitibá
- ½ limão Tahiti
- 10 ml de suco de limão Siciliano
- 2 colheres de bar de rapadura ralada

Modo de preparo
: Macere os pedaços de limão Tahiti com o suco de limão Siciliano e a rapadura em um copo longo, acrescente gelo quebrado até ¾ da capacidade do copo e a dose de Nega Fulô Jequitibá.
Misture até que haja uma homogeneização de todos os ingredientes. Complete o copo com gelo quebradoO.
Guarnição
: Raspas de rapadura e 1 gomo de limão Siciliano.

Bar PirajÁ
Av. Brigadeiro Faria Lima, 64 – Pinheiros
Telefone: (11) 3815-6881
Funcionamento: 2ª a 4ª, das 12h à 1h. 5ª das 12h às 2h. 6ª e sáb., das 12h às 3h. Domingo, das 12h às 20h.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

POR AÍ // O encantador Trindade

Gustavo Pereira
Colunista de Gastronomia do Gastronomix

 Minas Gerais, Belo Horizonte e seus encantos. A terrinha de ladeiras proporciona alguns momentos especiais. E, conduzido pelas mãos de dois grandes chefs Fred Trindade e Felipe Rameh, este encanto só aumenta a cada garfada. 

Há tempos procurava esse sentimento em algum restaurante da capital mineira. O Trindade foi indicação de um amigo jornalista que me disse que eu seria louco se não fosse conhecer. Dito e feito, já voltei várias vezes.
O Trindade é, na verdade, uma síntese do que se anda fazendo quando se fala em boa gastronomia no Brasil. Ingredientes de qualidade, produtos com origem, carinho nos preparos e dois grandes talentos comandando uma equipe trabalhadora. Tudo isso somado a um ambiente acolhedor. Essa é a famosa equação do “ganha-ganha”. Ganha o cliente e ganha o restaurante.  
Lá, você tem vontade de ficar durante o dia todo batendo papo e experimentando todos os pratos. Com menu mineiro e de leve sotaque português, o restaurante promove uma esbórnia gastronômica com toque contemporâneo. Todos os pratos caseiros ganham um clima sofisticado por lá. Prepare-se para comer bem da entrada a sobremesa. 
De entrada, nada mais justo que experimentar os dadinhos de tapioca, inspirado no prato-assinatura do chef Rodrigo do Mocotó. Há também as coxinhas recheadas com pato e os crocantes pastéis de angu. Embalados com uma pimentinha, caem super bem!

Não se esqueça de começar os trabalhos com uma caipirinha, com cachaça mineira e, de preferência, com limão capeta, aquele da casca laranja. 

No diversificado, porém enxuto, cardápio de pratos principais, várias interrogações vão aparecer na sua cabeça na hora de escolher. Se não puder dividir um leitãozinho com acompanhamentos mineiros, opte pelo arroz de pato ou de polvo, incrivelmente bem preparados e com sabor intenso. Aliás, sabor é essencial na gastronomia mineira e o restaurante deixa sua marca como o melhor da capital. 
De sobremesa, prefira tudo que leve doce de leite, o carro chefe do restaurante. Eles servem um créme brulee de doce de leite que, como dizem os mineiros, é bom demaissssssssssssssssss da conta.

Ir para Belo Horizonte e não beber é quase um insulto para os mineiros. Então, se jogue, aproveite. Coma e beba sem culpa. Ahhh, e de preferência, faça sua reserva na varanda!

Trindade – Sabores do Brasil
R. Alvarenga Peixoto, 388
Lourdes, Belo Horizonte
Telefone: (31)
2512.4479

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

NOTÍCIAS // Novo Graciliano abre dia 17 em BH

A qualidade do restaurante Graciliano já é uma marca conhecida e reconhecida do público mineiro. A novidade é que, depois de 10 anos com uma unidade do Pátio Savassi, o empresário Carlyle Ferreira resolveu ir para um espaço ainda mais aconchegante. Ele e sua equipe inauguram no dia 17, após o Carnaval, a nova unidade num cantinho mais charmoso da Savassi – Rua Orange. 
O Graciliano Savassi traz muitas novidades, além do tradicional buffet de almoço, sobremesas e café colonial. A unidade contará com uma padaria, onde os clientes poderão comprar pães artesanais, bolos, financier e toda a linha de pâtisserie do Restaurante para levar para casa.

Seguindo os moldes da hotelaria internacional, aos finais de semana e feriados, será servido um Buffet completo de café da manhã, já implantado no Graciliano Belvedere. 
Os produtos sairão do forno diretamente para a mesa de café da manhã. Além do tradicional pão de queijo e broa de fubá, o Restaurante oferece o melhor da culinária internacional, como financier, quiches, croissants, tortas, queijos, etc.

A nova unidade também conta com um espaço para a culinária natural e saudável – servindo açaí, omeletes, tapiocas, smoothies e sucos naturais variados que estarão disponíveis em um menu a la carte no período da tarde. 
A proposta do menu é oferecer pratos diversificados que unem o tradicional ao contemporâneo. Carlyle afirma que o buffet é variado, colorido, equilibrado, sempre pensando naqueles que almoçam fora diariamente, e que precisam de uma refeição saudável, balanceada e com gostinho de comida caseira.Uma das novidades é que o sub chef é libanês, o que indica que o Graciliano terá uma culinária árabe autêntica.

Restaurante Graciliano
Rua Orange, 67 - a dois quarteirões do cruzamento
entre as avenidas do Contorno e Cristovão Colombo
Savassi – Belo Horizonte

terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

post it // 13 cafés em Chiang Mai (Tailândia)

Daniel Bitar
Colunista de Roteiros do Gastronomix

Segunda maior cidade da Tailândia e capital cultural do norte do país, Chiang Mai sempre atraiu muitos turistas devido as centenas de templos que abriga, por ser um ótimo local para se fazer cursos de gastronomia ou para ter contato com a natureza e a fauna local (elefantes, principalmente). Mas Chiang Mai tem outro atrativo que pouca gente desconhece: a grande quantidade de cafeterias. E, devido ao respeito que os tailandeses dali devotam à cafeína, a grande maioria delas serve cafés de primeiríssima qualidade. E não é só isso: elas são muito descoladas.

1.RISTR8TO LAB
15/3 Nimmanhemin road
Muang

2. COTTONTREE
Chang Phueak
 Meuang Chiang Mai District

3. PONGANES ESPRESSO
133/, 204/5 Ratchapakhinai Rd
Mueang

4. FABB COFFEE ROASTERS
Su Thep
 Mueang Chiang Mai District

5. AKHA AMA COFFEE
9/1 Mata Apartment
Hassadhisawee Rd, Soi 3, , Changphuak
Muang

6. NINE ONE COFFEE

7. ONE DAY DRIP CAFÉ
Sri Poom Rd
Sripoom

8. WOO CAFÉ & ART GALLERY
80 Charoenrat Road, Watgate
MuangChiangmai

9. ARTISAN CAFÉ
Mengrairasmee Rd
Mueang Chiang Mai District

10. ARTTITUDE GALLERY

Soi 5, Nimmanhaemin Road

11.JAIBOON
San Klang
San Kamphaeng District

12. BEGIN AGAIN
3 Soi King Phai

13. GRAPH CAFÉ
Ratvithi Lane 1 Alley
Mueang Chiang Mai District

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

EU RECOMENDO // A descoberta de sabores na Índia

Bruno Cusatis
Convidado especial do Gastronomix


Conhecer a Índia é uma experiência que não se esquece por todo o resto da vida. A longuíssima jornada de avião serve para assinalar, incontestavelmente, que se desembarca ali em uma porção diferente do mundo, onde toda uma civilização vive há milênios sob um paradigma diferente do que conhecemos. O trânsito, as roupas, a organização social e, seguramente, as comidas da Índia têm uma dinâmica própria, que marcam a experiência de quem visita.

Ao mesmo tempo em que é fascinante e delicioso, comer na Índia é difícil. Muitos restaurantes nas ruas das cidades são considerados bons para as pessoas de lá, porém não inspiravam confiança, especialmente com relação à limpeza. Por esse motivo, busquei comer em alguns lugares específicos, como bons hotéis. Mesmo sem estar hospedado, eles estão abertos para quem deseja conhecer os restaurantes.

Em Nova Déli, o
Hotel Shangri-La tem um café da manhã muito diversificado. Há cozinhas de todo o mundo ali, já nas primeiras horas do dia. Café da manhã pro gosto europeu, pro gosto norte-americano, muitas opções chinesas e comida indiana, minha preferência na viagem. Do que mais gostei foi lassi, uma bebida feita com iogurte. Por cima, jogam lascas de pistache e de amêndoas que tornam mais gostosa a bebida!
À noite pedi samosas, provavelmente o aperitivo mais conhecido da Índia, no restaurante Tamra. São pequenos pasteis triangulares recheados com batata, ervilhas, pimentões e uma série de especiarias. Foram bem mais picantes que as samosas que comi no Brasil. Aliás, a comida indiana é carregada de condimentos, e cada família e cada cozinheiro desenvolve sua própria masala, sua mistura de especiarias e de temperos para cozinhar. Contaram que já introduzem a picância desde cedo na infância, para adaptar o paladar. Efetivamente, ao final de 15 dias já estava bem mais resistente à comida picante que nos primeiros dias.

Uma entrada muito leve e refrescante é o dahi bhalla, comum no norte da Índia. São bolinhos de grão de bico fritos e mergulhados em água fria. Joga-se por cima coalhada, calda de tamarindo, sementes de romã, pistache, lentilhas, noodles crocante etc. Por sinal, os nomes de muitos pratos indianos foram inéditos para mim e um convite para que eu fizesse perguntas e conversasse com os chefs e com os garçons. Dal, por exemplo, significa lentilha, e aloo significa batata.

Fiquei impressionado positivamente com a atenção e com a amabilidade das pessoas. Em Jaipur, capital do estado do Rajastão, o Jai Mahal Palace é uma antiga residência do rei de Jaipur. Em uma dessas conversas rápidas, o chef, entusiasmado em poder apresentar a gastronomia indiana, amavelmente ofereceu de presente a degustação de alguns pratos.
Entre outras coisas provei dosa, um crepe cuja massa é feita de arroz e lentilhas negras. É montado em forma de cone, recheado com batata e outros legumes e servido com diferentes tipos de chutney. Também comi biryani, um prato que mistura arroz basmati, cordeiro e a infinidade de temperos da masala.

Não é incomum tornar-se vegetariano durante uma viagem para a Índia. A comida vegetariana é substanciosa, e a condimentação é forte o suficiente para que não se sinta falta da carne. Nas poucas vezes em que comi carne, comi frango e carneiro. Quando visitei mercados e armazéns, verifiquei que todo alimento na Índia vem com uma bolinha colorida na embalagem. Se a bolinha é verde, o produto é totalmente vegetariano; se a bolinha é vermelha, o produto tem nos ingredientes algo animal.


Estar na Índia é uma oportunidade de conhecer templos, palácios, fortes, pessoas e histórias que muitas vezes são pouco conhecidos no ocidente. A comida, sem dúvidas, tem papel protagonista nessa experiência. Há uma infinidade de opções no cardápio que vale a pena conhecer. O paladar volta certamente mais rico!

Tamra

Shangri-La’s – Eros Hotel
19, Ashoka Road, Connaught Place
Nova Déli – Índia
Telefone: + 91 11 4119 1010

(*) Bruno Cusatis é formado em Relações Exteriores pela Universidade de Brasília (UnB).