segunda-feira, 19 de março de 2012

EU RECOMENDO // Colômbia de mil sabores – parte 3


Por Alexandre Albanese e Otávio Soares (*)
Convidados especiais do Gastronomix

Confira as aventuras dos sócios-proprietários do Nossa Cozinha Bistrô em Bogotá. Uma série em três capítulos. Os dois próximos capítulos serão publicados no domingo (18/03) e segunda (19/03). Um relato exclusivo para o Gastronomix!

CAPÍTULO 3

“Recebemos um convite do Chef do restaurante do hotel La Mina Steak House and Lobster. Logo que chegamos, fizemos um tour por todo o hotel, acompanhado pelo anfitrião executive-chef Rafael Suárez. O restaurante La Mina é um dos restaurantes do JW Marriot dessa unidade. O que me chamou a atenção foi um tanque para lagostas que são trazidas de Maine, nos EUA, onde eram mantidas vivas. Confesso que não sou amante das lagostas dessa região. Estive neste estado em 2002 e acho que a lagosta caribenha tem melhor textura e sabor.

O restaurante surpreende pela imponência: arcos gigantes feitos de pedra com iluminação intimista e mobiliário sóbrio com toque de modernidade.

O nome foi dado em homenagem a catedral de sal em Zipaquirá (foto acima) na savana de Bogotá, a catedral foi construída no subterrâneo de uma mina de sal.

O lounge tem um bar com uma carta com 73 tipos de martinis (menção a “calle” 73 onde está localizado o hotel), a adega conta com 350 rótulos de vinho e o somellier, muito orgulhoso, nos informou que chegará a quase 500 nos próximos meses.

Olhamos o cardápio onde o forte eram as carnes e frutos do mar e ficamos impressionados pela variedade e opções. Queríamos provar o que o barman e o Chef acreditam ser o melhor da casa. Como drink nos trouxeram um martini feito com gim e vinho do porto.

A apresentação estava bem bonita, as duas cores não se misturaram na taça. Fiquei impressionado com a beleza. A parte branca de cima do drink era só o gim e a de baixo só o vinho do porto. Achamos muito forte e, na metade da taça, já estávamos falando meio embaralhado. Talvez seja um drink perfeito para os amantes de bebida forte.

Primeiro, nos mandaram um pequeno coquetel de frutas feito com alguns ingredientes e lulo, uma fruta muito comum por lá e uma das razões de querer voltar à Colômbia.

Manteiga, cesta de pães quentes. Tudo quentinho, feito por lá mesmo. Com muito orgulho, o maitre nos trouxe um prato com quatro tipos de “fleur de sel”, o que ficou a nossa disposição durante todo o jantar. Um mimo que poderia ter sido melhor aproveitado se a comida fosse elaborada, propositalmente, com menos sal. Cinco moedores com pimentas variadas também foram disponibilizados (isso eu já acho que aconteceu porque havíamos sido convidados).

Um amouse bouche trazido numa pedra cinza era composto por robalo cru como se fosse um sashimi mais grosso, molho à base de azeite, mostarda e dill foi devidamente colocado sobre o peixe, acompanhados por milho frito e guacamole. Divino!

Já entendemos nesse ponto que de restaurante de hotel eles só tinham o endereço, ou que nós que temos que rever os nossos conceitos. Surpreso com Colômbia, surpreso com o restaurante do hotel.

O próximo prato veio composto por cinco camarões salteado com alho assado, julienne de raiz de erva-doce, cebola caramelada e ao centro molho rouille de pimentão vermelho, DIVINO (meu vocabulário para expressar esse tipo de sensação é MUITO reduzido, vou usar divino várias vezes).

Uma salada com tomates à provençal, muçarela de búfala empanada sobre rúcula e redução de balsâmico foi servida para quebrar um pouco o sabor de peixe e frutos do mar (não que estivesse incomodado com isso). A crocância do empanado feito com panko contrastou com a maciez do tomate e a muçarela derretida ao centro dava o acabamento. O amargor da rúcula e o doce natural da redução do balsâmico também se entenderam muito bem nessa composição.

Next: Lombo de atum selado rapidamente, servido com molho de vinho syraz e chocolate foram a vedete. Meu deusssssssssss, que molho foi esse???? Chamei o maitre à mesa e disse que foi o molho mais saboroso e surpreendente que já provei em minha vida. Tinha uma saladinha de folhas com tomate e pesto que acompanhava, tadinha... Depois daquele molho, nada mais fez sentido na minha vida, nem a saladinha de alface. No dia seguinte, claro, estava caçando o Chef Carlos pela cozinha para roubar a receita. Estará com certeza em nosso cardápio.

Fomos também de entrecote, outra sugestão do Chef Carlos. Queria que provássemos a maciez da carne, segundo a explicação do Executive Chef do Hotel, a Colômbia está desenvolvendo um tipo de carne que está se equiparando ao Angus americano. Pude comprovar essa qualidade no que nos foi servido, extremamente macia, saborosa e suculenta.

Ainda dividimos uma sobremesa que foi um souflé gelado de chocolate branco com tuille de amêdoas que de tão finas pareciam uma hóstia, servido com coulis de frutas vermelhas. Totalmente recomendo a visita ao La Mina. Hasta la vista”!

La Mina
Calle 73 # 8-60 - Cundinamarca
Bogotá - Colômbia
Telefone: (0)1 481 6000b

(*) Chef Alexandre Albanese e Otávio Soares são sócios-proprietários do Nossa Cozinha Bistrô, em Brasília. Clique na página e conheça:
http://nossacozinhabsb.blogspot.com/.

domingo, 18 de março de 2012

EU RECOMENDO // Colômbia de mil sabores – parte 2


Por Alexandre Albanese e Otávio Soares (*)
Convidados especiais do Gastronomix

Confira os dois últimos capítulos das aventuras dos sócios-proprietários do Nossa Cozinha Bistrô em Bogotá. O último capítulo será publicado amanhã (19/03). Um relato exclusivo para o Gastronomix!

CAPÍTULO 2

“Depois da espera, eis que surge o nosso bondinho. Entramos, fecharam as portas e a trapizonga começou a descer, até que.... Parou! Isso mesmo, o treco PAROU!!!!! Fingi que estava calmo e filmei o meu sócio, que não tinha nada de fingimento, o bicho estava em desespero, KKKKKK, foi ótimo!! Foi só um falta de luz temporária, 5 minutos pendurados numa cestinha de pão me pareceram uma eternidade.

Ok, muita aventura para um dia só, isso dá fome! O ponto final do motorista seria no hotel, pedimos que parasse num lugar diferente. Usaquén foi o lugar escolhido, onde comer? Well... Parei na rua e perguntei para uma família que passava qual era o restaurante com a comida mais típica colombiana naquela área (acho legal fazer isso, me sinto meio irresponsável), me recomendaram a Casa Vieja.

O Casa Vieja encontra-se numa rua muito interessante, cheia de bares em volta e manifestações artísticas por todos o lados, tinha até um pub irlandês com dança e música típica na rua, sucesso.

O restaurante é um casarão que muito me lembrou as boas casas do Rio de Janeiro dos anos 80. Lá dentro, um bom número de mesas e decoração sóbria, muita madeira e parede branca. Chegamos tarde, mas pegamos a última música de um grupo que tocava e cantava (não me perguntem o ritmo, estava tudo bagunçado na minha cabeça, mas acho que era uma rumba romântica?????).

Cardápio bem vasto com muitas opções da culinária clássica colombiana. De picada (entrada), fui de morcilla com arepa. É um outro tipo, desta vez feita com farinha de milho branca e passada na plancha (chapa), parece um bolinho chato que acompanhava essa lingüiça feita de sangue e muito alho, DIVINO!!!!

Otávio foi de “arepitas rellena”, “rellena” significa recheada, são as ditas novamente recheadas com carne de porco, ovos e lingüiça com feijão, claro que roubei algumas e amei, meu próximo pet se chamará arepa!

Prato principal: pedi um “ajiaco com pollo” (fala-se “arriaco com poio”) Aliás, pollo é a primeira palavra que vocês ouvirão e memorizarão ainda dentro do avião no Brasil. A comissária da TAM passa com aquele carrinho gritando “pasta ou pollo, pasta ou pollo, pasta ou pollo” ininterruptamente até que você sinta vontade de se jogar dali mesmo. É traumático e inesquecível.

Sim, o Ajiaco é uma sopa feita com milho, frango, batata, creme fresco, alcaparrras, pedaços de abacate e arroz. É um cozidão (lembrando aqui me deu água na boca)! Os sabores se combinam de uma forma única.

O prato do Otávio foi o “puchero santafereño” (foto acima). Um tipo de comida bem rústica estilo carne assada, vem com carne de porco, boi, frango e lingüiça. Os acompanhamentos são banana (plátano), batata, mandioca e molho apimentado. Estava muito saboroso. Fomos apresentados a comida colombiana com muita dignidade. A conta total saiu por uns R$130,00 para os dois, ótimo custo/benefício

Obviamente, depois disso tudo, não pedimos sobremesa, caminhamos pelas ruas de Usaquén, visitamos o Mercado das Pulgas (achei meio fraquinho), vimos vários artistas se exibindo ali mesmo na rua e começamos a nos surpreender com a cidade. Limpeza, organização e a educação das pessoas me chamou muito a atenção.

Ressalva apenas para o trânsito, que me pareceu um dos mais loucos que já vi. Buzinaaaaaaaaaaaa, seta pra lá, carro pra cá... Carro na frente passa pra trás, quase um kama sutra do trânsito, mas parece que eles se entendem. Voltamos ao hotel com sensação de dia muito proveitoso.

Na parte térrea do hotel, tem um Café Juan Valdez - já conhecia essa marca de café da época que morava em Washington DC. Eles tinham uma loja no térreo do prédio da OAS em Downton e faziam muito sucesso pela qualidade do café. O que me surpreendeu foi ter visto o intercâmbio de informações com os EUA, pois em troca de terem levado um bom café para a capital americana, trouxeram a logística e marketing das grandes empresas de lá, essa loja de Bogotá me lembra um Starbucks com upgrade, tudo é muito bem feito. Croissant, bolos, pães, parfaits...

Ainda eles têm uma boutique com a própria marca, fiquei tão apaixonado que trouxe: avental, camiseta (viajei de volta com ela), cafeteira elétrica com pods, café em grão.

O lugar é um charme, tem uma área interna com a boutique e o café com algumas mesinhas mais baixas com poltronas com aquele ar “sinta-se em casa”. Já na área externa eles ocupam com um deck de madeira, mesinhas metálicas e cadeiras de rattan sintético, para os friorentos a casa disponibiliza aquecedores à gás, a cobertura de lona náutica branca e estrutura metálica impressionam pela modernidade que contrasta com o enorme muro de pedra. Juan Valdez é um “must go” em Bogotá”.

Casa Vieja
Av. Jimenez 3-63 - Zona G
Bogotá - Colômbia
Telefone: 342 6752
Site:
http://www.casavieja.com.co

Juan Valdez
http://www.juanvaldezcafe.com/

(*) Chef Alexandre Albanese e Otávio Soares são sócios-proprietários do Nossa Cozinha Bistrô, em Brasília. Clique na página e conheça:
http://nossacozinhabsb.blogspot.com/.

sábado, 17 de março de 2012

GASTRONOMIX // Faça seu próprio sushi


Por Leoleli Camargo Schwartz (*)
Relato de uma aula de sushi

Fã incondicional de comida japonesa – se deixar ele come sushi e sashimi cinco vezes por semana – o meu marido há tempos insistia para fazermos um curso de culinária japonesa. O que era apenas uma vontade acabou se concretizando com aquelas promoções de cupom, que viraram uma febre (ou seria uma peste?) aqui no Brasil.

Terça de noite, eu exausta depois de um dia inteiro de trabalho, e lá estávamos nós, sentados na mesa de num japonês famoso de São Paulo, esperando a aula começar.
O professor chega, dá boa noite a todos e nos coloca de avental e touca numa sala com bancadas de metal aparelhadas com tábua, prato de arroz, pedaços de recheio para sushi e uma enorme faca para cortar peixe.

Começa então a explicar o que seria preciso ter em casa para fazer sushi, sashimi, niguiri, shimeji na chapa, sunomono – aquele pepininho com gergelim servido de entrada – e gari, a conserva de gengibre servida junto com os peixes.

Epa, e o resto dos pratos? Ah, isso faz parte dos módulos II e III, que não estão na promoção do cupom. Eu, que jamais pensei em fazer tempurá ou robatas em casa, me dei por satisfeita: saber fazer sushi e sashimi já está de bom tamanho.

Mal começa a aula teórica sobre a escolha dos ingredientes e lá vem a primeira surpresa da noite: “a receita de sushi que vocês vão aprender a fazer é para 10 pessoas porque o trabalho é o mesmo que dá para fazer para duas pessoas”, diz o professor. Pensei: xi, será mesmo que dá tanto trabalho?

A resposta veio na hora e meia seguinte em que eu fiquei em pé, escutando o professor versar sobre o peixe, a alga, o cogumelo, a faca, a panela e a precisa quantidade de água necessária para cozinhar o arroz que, aliás, exige quantias diferentes de água de acordo com a safra em que ele foi colhido.

E quando eu já estava desistindo de prestar atenção nas orientações para me atracar num pedaço sem graça de kani abandonado no prato à minha frente, começou a aula prática.

Pouco a pouco, e sem que fosse necessário lançar mão da única gota de paciência nipônica que eu devo ter perdida em mim, os ingredientes foram se transformando em comida japonesa de verdade. E a aula ficou surpreendentemente divertida. Em três horas de curso, aprendemos a fazer todas as receitas do módulo I. Aprendemos até a decorar o prato.

Foi aí que eu entendi que o grande barato de fazer sushi e sashimi é a sensação de montar com as próprias mãos aquelas coisinhas coloridas e delicadas que a gente normalmente recebe prontas e fica imaginando como foram feitas. Pelo menos para mim foi assim: um misto de curiosidade científica saciada com uma grande brincadeira de massinha de modelar que (essa é a melhor parte) você pode comer no final.

Se posso dizer que aprendi a fazer sushi e sashimi? A resposta virá quando criarmos coragem para angariar 10 amigos que se disponham a servirem de cobaia para o nosso experimento científico comestível. Enquanto isso não ocorre, só posso dizer que o curso de comida japonesa me ensinou a valorizar um bom restaurante. Agora que eu sei o trampo que dá para fazer oito pecinhas de sushi, juro que nunca mais reclamo do preço do rodízio.

(*) Leoleli Camargo Schwartz é jornalista e editora de Saúde do portal iG (
www.saude.ig.com.br).

sexta-feira, 16 de março de 2012

DRINK_ME // Martinez, de 1887 a 2012


Por Juliana Raimo

Um dos drinks mais antigos da história da coquetelaria, considerado o “avô” dos Martinis (1887), é o Martinez. Alguns dizem que ele foi inventado por um homem chamado Martinez, que uniu o gim com o vermute, outros que Jerry Thomas (considerado o pai da mixologia nos EUA) o criou para um home que viajava para Martinez, Califórnia todos os dias.

Na época, a receita unia um “espirro” de Bocker’s Bitter e dois de licor Maraschino, uma dose de Old Tom gin (difícil de encontrar hoje), um copo de vinho de Vermute Rosso e duas pedras de gelo servido em copo baixo.

Hoje, as suas releituras são feitas com diversos Gins e diferentes tipos de bitter como a Angostura, Angostura Orange ou o Gammel Dansk…

Vamos a uma receita mais contemporânea deste incrível drink que tem 125 anos de história!

Martinez

- 1 dose de Gin
- 1 dose de Vermute Rosso
- ¼ dose de licor Maraschino
- “espirro” de Angostura bitter
- zest de casca de laranja

Preparo
Misture todos os ingredientes, exceto o limão em um mixing glass cheio de gelo. Mexa com uma colher bailarina todos os ingredientes. Despeje em um copo Martini previamente gelado. Finalize com um twist de limão siciliano.

Veja este link que demostra bem o preparo do drink:
http://www.youtube.com/watch?v=YKPuXaunSjI

Em São Paulo, recomendo pedir este drink nas seguintes casas:

- Rest Tutto Italiano, com o barman Marcelo Vasconcellos
Rua Dr Melo Alves, 191
Jardins - São Paulo
Tel: (11) 3061 9639

- MyNy Bar com o barman Marcelo Serrano
Rua Pedroso Alvarenga 1285
Jardins - São Paulo
Tel: (11) 3071 1166

- Bar Numero, com o barman Derivan de Souza
Rua da Consolação,3585
Jardins - São Paulo
Tel: (11) 3060 8361

quarta-feira, 14 de março de 2012

AO PÉ DO OUVIDO/ Da nova safra francesa

Por Rosualdo Rodrigues

A música francesa vai bem, obrigado. Ainda que tenha que evitar usar a língua pátria para poder ultrapassar as barreiras do país. Vejam, por exemplo, os mais recentes discos de artistas franceses a merecerem lançamento mundial (Brasil incluído): os duos Air e Justice fazem música em boa parte sem letra ou em inglês -- o Air ocasionalmente tem uma ou outra em francês -- e a cantora Charlotte Gainsbourg tem cada vez mais inglês no repertório.

Mas esse não é um mal que atinge só os franceses. É incrível a resistência do público do mundo inteiro a tudo que é estrangeiro e não é cantado em inglês – salvo raras exceções. E não é porque não entende que as pessoas não ouvem música em francês ou em que lingua for. Afinal, nem todo mundo entende o que é cantado na língua de Shakespeare, ainda que
toque no rádio, na novela, no bar, na festa e tals. Que o digam os cantores de churrascaria.

Mas, voltando aos franceses, eis três disquinhos que merecem atenção.





Le voyage dans la lune, do Air

No ano passado, Nicolas Godin e Jean-Benoît Dunckel, que formam o Air, foram convidados para criar a trilha sonora para uma versão restaurada e colorizada do curta-metragem clássico do cinema mudo Viagem à lua, de Georges Meliés (aquele de fala o genial A invenção de Hugo Cabret, de Martin Scorsese). Entregue a encomenda, eles decidiram desenvolver um álbum todo inspirado no filme. Em 11 faixas, o Air cria o itinerário de sua viagem com toda a liberdade que o termo "inspirado" permite, indo, como de hábito, do minimalismo new age (Lava) à música eletrônica mais dançante (Parade, o clipe é sensacional).

Audio, vídeo, disco, do Justice

Este é o segundo álbum de estúdio de Gaspard Augé e Xavier de Rosnay, que assinam por Justice. Desde 2003, eles vinham lançando singles e em 2007 lançaram o primeiro CD inteiro, que tem o símbolo de umá cruz como título, e em 2008 o ao vivo A cross the Universe. O Justice explora teclados e programações eletrônicas como o Air, mas é quase sempre mais para cima, e mais convencional também, para tocar no rádio e nas pistas. Civilization é um exemplo desse som mais acessível.



Stage whispers, de Charlotte Gainsbourg

O terceiro disco da também atriz Charlotte Gainsbourg traz oito faixas que ficaram de fora de seus dois primeiros álbuns — 5:55 (de 2006) e IRM (de 2009) — e outras 10 gravadas ao vivo durante a turnê europeia que ela fez em 2010. É um disco que não esconde a cara de colcha de retalhos, mas que mesmo assim vale a pena, principalmente porque tem Terrible angels, Paradisco e All the rain, todas composições que Beck fez para IRM, produzido por ele... E que tem a cara dele (essas não fogem à regra). Nas músicas ao vivo, Charlotte mostra que a voz quase sussurrada não é falta de fôlego, mas estilo (comum, aliás, entre cantoras francesas). Estilo, aliás, ela tem de sobra, seja na tela de cinema ou no palco.

terça-feira, 13 de março de 2012

GASTRONOMIX // Iemanjá!!! Salve a Rainha do Mar


Hoje não é dia 2 de fevereiro. Eu sei...

Resolvi escrever sobre uma receita que fiz - especialmente - para dois jantares. O primeiro jantar foi dedicado à Iemanjá a pedido do casal Tina Vieira e William Passos (foto abaixo). Foi uma delícia! Sente só a energia do casal.

Cheguei ao Rio de Janeiro numa sexta-feira, fizemos as compras nos“fornecedores” da Tina. Ela é praticamente o Manoel Carlos de saia do Leblon (todos a conhecem!). À noite, só alegria...com o casal anfitrião e Mônica Bernades, Luiz Villar e Daniel Bitar.
Cozinhei olhando para o mar azul da janela do apartamento.

Bom... o cardápio foi aprovado. Assim, repeti a dose na casa de Rachel Mello e Gustavo Vinha, acompanhados de Daniel Bitar, Wladimir e Andrea Gramacho. Depois de já testada, a receita segue seu rumo, igual às oferendas à Rainha do Mar.

É muito interessante como a comida está presente na celebração de momentos especiais na vida da gente. E assim foi a noite...uma delícia!

Os dois casais anfitriões perdoaram minha bagunça. Que bom!!! Resultado: o peixe que restou na casa da Tina e William virou café da manhã. E a cobertura para o prato no jantar na casa da Rachel e Gustavo transformou-se em recheio para uma pizza de pão sírio. Viva Iemanjá!!!!

Peixe com cobertura de “tomate especial”, crosta de farelo de pão e purê de banana

Ingredientes (6 pessoas)

Purê de banana da terra
- 1,5 kg de banana da terra
- 200g de manteiga sem sal
- 1caixinha de creme de leite
- ½ limão tahiti
- sal e pimenta a gosto

Peixe com crosta
- 1,5 kg de robalo (cherne ou congrio)
- 1 bisnaga de pão
- 400g Tomate seco
- 4 dentes de alho
- 1 Limão siciliano
- 40g Parmesão
- 1 Pimenta Dedo de Moça
- 1 maço de manjericão
- 3 ramos de alecrim
- azeite
- sal e pimenta a gosto

Preparo

Purê de banana da terra
- Lave as bananas e corte as pontas doos dois lados. Levemente, esfregue um limão para que a banan não fique escura

- Em uma panela com água quente, coloque as bananas para cozinhar com casca e tudo. Deixe em fogo alto por 15 minutos. Espete a banana para checar se elas estão amolecidas.

- Caso sim, escorra a água. Ainda quentes, descasque as bananas com uma faca. Amasse em um recipiente.

- Caso queira uma textura mais “líquida” (tipo mousseline), bata as bananas amassadas no liquidificador com um pouco de água. Transfira para a panela e acrescente a manteiga, creme de leite (opcional) e tempere com sal e pimenta a gosto

Peixe com crosta
- Dentro de um processador (ou liquidificador), coloque o tomate seco, 2 alhos, raspas da casca do limão siciliano, o suco do limão siciliano, manjericão e alecrim (previamente lavados), o queijo parmesão e a pimenta dedo de moça sem as sementes.

- Bata tudo no liquidificador/processador, experimente e regule o sal e a pimenta.

- Você vai precisar usar o liquidificador de novo. Lave-os bem e o seque. Nele, parta a bisnaga de pão com 2 dentes de alho até tudo vire farelo. Reserve-o.

- Corte o filé do peixe branco (robalo, cherne ou congrio) em postas para 1 pessoa. A largira de três dedos. Tempere-os com sal e pimenta. Sele-os rapidamente em uma frigideira com azeite bem quente. Retire e reserve-os.

- Pré-aqueça o forno por 15 minutos a 180ºC.

- Monte em uma assadeira as postas do peixe. Em cima, coloque a pastade tomate e afins. Por último, faça uma camada do farelo de pão e jogue um fio de aziete por cima. Leve as postas de peixe para o forno e deixe por 15 minutos.

- Depois, é só montar o prato e servir.

segunda-feira, 12 de março de 2012

EU RECOMENDO // Colômbia de mil sabores – parte 1


Por Alexandre Albanese e Otávio Soares (*)
Convidados especiais do Gastronomix

Confira as aventuras dos sócios-proprietários do Nossa Cozinha Bistrô em Bogotá. Uma série em três capítulos. Os dois próximos capítulos serão publicados no domingo (18/03) e segunda (19/03). Um relato exclusivo para o Gastronomix!

CAPÍTULO 1
“Fui convidado a fazer um festival gastronômico de comida brasileira em Bogotá (Colômbia). Não posso negar que a primeira ideia que me passou na cabeça foi “Colômbia?”. Errei, errei, mil vezes, errei!!!!! Temos de reconhecer quando somos ignorantes sobre algo. Bogotá é um lugar fantástico! (Clique aqui e assista a um vídeo sobre Bogotá)

Chegamos, eu e Otávio, meu sócio, ao hotel JW Marriot (os hotéis com a sigla “JW” são os “top of mind” da rede Marriott) e nos apresentaram a brigada de trabalho do restaurante onde aconteceria o festival. Não posso negar que me deu um “friaco” na espinha, senti aquela faixa amarela descendo do topo da minha cabeça até meus pés, tipo desenho animado dos bons tempos.

Cozinhamos por seis dias: um coquetel de inauguração do evento para 200 pessoas e mais cinco dias de almoços e jantares. De “churrasquinho de gato” com vinagrete e farofa à xinxim de galinha, tudo foi servido com grande sucesso.

Entre driblar o problema com a altitude (me deram até chá de folha de coca para tomar), as diferenças dos ingredientes (no dia da feijoada, apareceram com repolho achando que era couve, cuidado com o Google translator). A língua que para usar tecnicamente na cozinha se tornara mais complicada que o meu “portunhol”. Tivemos momentos ótimos em alguns restaurantes dessa capital surpreendente.

O primeiro domingo, de folga, o IBRACO (Instituto Brasil Colômbia) nos mandou um motorista para rodar os pontos turísticos mais bacanas. Foi tudo muito rápido, me senti naquelas excursões de promoção : “Conheça a Europa e suas cores, setenta e quatro cidades em 3 dias” “Olha aquela obra de Bot....... “ E lá se foi o Museu de Fernando Botero (um dos meus preferidos), “abraça a lhama para uma foto!” Quase arranquei o pescoço da coitada. O impressionante Museu do Ouro foi checado e admirado.

No final, há há.. Fomos a Mont Serrat, o topo de uma montanha que só temos acesso por teleférico, trenzinho ou caminhando (Ah ta!!!!), fomos de teleférico. Vista linda da cidade, fila de espera de 2 horas para regressar e um coloca e tira casaco danado (a temperatura variava de azul ártico à quente da boca do dragão no intervalo de dois minutos)

Me rendi às arepas (foto abaixo) da tiazinha que as vendia ali mesmo no quiosque, que DELÍCIA!!!!! Era um tipo de panqueca feita de massa de milho amarela e queijo derretido (existem vários tipos de arepas, inclusive feitas com milho branco).

Calma...que ainda tem mais... O melhor da gastronomia internacional da cidade fica nas zonas Rosa, G, T e Parque de la 93. Usaquém e La Candelaria também oferecem bons restaurantes e bares. Nessas áreas, o turista irá encontrar restaurantes com todos os tipos de cozinha, inclusive comida típica”.

GUIA DE ÁREAS GASTRONÔMICAS EM BOGOTÁ
Zona Rosa -
Fica na zona norte da cidade, entre as calles 79 e 85 e as carreras 11 e 15, perto do Centro Comercial Andino.

Zona T - Calçadão em formato de T, onde carros não podem entrar, é a região da cidade onde estão os melhores restaurantes, lojas de estilistas e os mais badalados bares e discotecas.

Zona G - Zona da cidade que foi apelidada de Gourmet. Lá é possível encontrar os melhores restaurantes da cidade de todos os tipos de cozinha.

Parque de la 93 - Os restaurantes ficam ao redor da praça. É possível encontrar todos os tipos de cozinha e bares. Calles 93A a 93B entre carreras 11A e 13.Zona U - Usaquém abriga grande quantidade de bares e restaurantes de comida típica e internacional, espalhados pelas vielas e ruas mais estreitas do bairro e ao redor de uma charmosa praça, onde está localizada uma igreja. Durante o dia, é possível aproveitar o passeio pelo bairro e pelo Mercado de las Pulgas para conhecer a gastronomia do local.

Museu Botero
Calle 11 números 21-93
Cundinamarca
Bogotá - Colômbia
Telefone: (0)3431215

(*) Chef Alexandre Albanese e Otávio Soares são sócios-proprietários do Nossa Cozinha Bistrô, em Brasília. Clique na página e conheça: http://nossacozinhabsb.blogspot.com/.