quarta-feira, 11 de novembro de 2009

AO PÉ DO OUVIDO // Uma moca e um rapaz

Por Rosualdo Rodrigues
De Barcelona (Espanha)


Ela assina Russian Red, mas se chama Lourdes Hérnandez. Canta em inglês, mas é espanhola. Tem 22 anos e está sendo considerada a sensação da cena alternativa madrilenha desde que comecou a fazer shows em 2007. Lançou três singles e, em julho deste ano, o primeiro CD, I love your glasses. Russian Red é o nome de uma cor de batom. A moça gostou e deu o nome ao projeto (soa mais moderninho do que banda), que ela desenvolve junto com Brian Hunt, também espanhol, mas que tem esse nome por ser filho de ingles com espanhola.

Mas indo ao que interessa, que é a musica, podemos dizer que Russian Red é uma mescla de Feist com Cat Power: Isso pode parecer falta de identidade, mas não é o caso. Mesmo fazendo um folk que para alguns pode ser considerado mais do mesmo, Russian Red tem algo que chama atenção. Lourdes tem uma voz marcante, aguda, mas ao mesmo tempo suave, e tem talento para criar belas melodias. Vale a pena ouvi-la. É possível ouvir algumas delas no MySpace da banda, quer dizer, da moca; do projeto ou o que for (
http://www.myspace.com/russianready).

Outra novidade nessa mesma linha, que descobri em minhas incursões pelas prateleiras das FNACs da vida nestes dias de férias é Jay Brannan, conhecido como ator no elenco do ousado Shortbus, de John Cameron Mitchell. Cantor e compositor novaiorquino, ele também tem circulado por um circuito alternativo, mas bem mais amplo que o de Russian Red. Fez turnê recentemente na Espanha e, em dezembro, excursiona pela Austrália. Desse jeito, vai acabar chegando ao Brasil.

Tem somente um álbum, Goddamned. As canções são repetitivas e meio sem sal, mas as letras chamam atenção. Como a de Housewife, em que ele diz que quer ser uma dona de casa, “quero ter um filho dele, usar a alianca dele, ele me enlouquece, eu sou tudo pra ele”... A biografia absurda que ele apresenta no seu site (
http://jaybrannan.com) é outra particularidade do indômito rapaz.

terça-feira, 10 de novembro de 2009

GASTRONOMIX // A confeitaria de Daniel Briand


O Daniel Briand Pâtissier e Chocolatier é um lugar único em Brasília. Localizado na 104 Norte, desde 1995, a pequena portinha com um corredor comprido mudou de cara ao longo dos últimos anos. O bistrô foi ampliado e assim multiplicaram-se os sabores e as delícias feitas pelo seu dono, o chef francês Daniel Briand, da região de Anjou.

Essa era a charada que foi facilmente desvendada pelos leitores do Gastronomix na quinta da semana passada, quando coloquei algumas fotos e pedi que identificassem o local. Foi fácil, né?

O mini-terraço de madeira em frente à loja, onde fica parte das mesas, é um encanto. Há um jardim bem cuidado e teto de vidro com cortinas. O ambiente é de uma antiga confeitaria francesa, mas com toques modernos na decoração. Lá, você pode ler o Le Monde, jornais e revistas brasileiras.

O cardápio é amplo. Dos tradicionais cafés da manhã, mania entre os brasilienses mais refinados, ao simples macarron, os produtos do Briand são de primeira. Os doces são sofisticados no gosto e na apresentação. As receitas seguem a tradição francesa e são feitas com produtos brasileiros e alguns importados. O chef prima pela escolha das matérias primas e pela qualidade de suas criações.

O local serve 18 tipos de tortas diferentes e outros doces também como bombons de chocolate belga o chocolat chaud angevin (com casca de laranja, creme de leite e cointreau), o chausson aux pommes (massa folhada e compota de maçã) e a ruche doreé (mousse de mel e chocolate ao leite). A torta mais famosa delas é a Ópera: massa de amêndoas com camadas de cremes de café e chocolate trufado. Há uma lista de salgados como petit fours, quiches, patês, pães, brioches, croissants.

O café teve sua história e receita contada recentemente pelo jornalista Carlos Wilson de Andrade Filho. A visita de quem é de fora da cidade é obrigatória. Parece que lá o tempo passa mais devagar.

Daniel Briand Pâtissier e Chocolatier
104 Norte Bloco A, 62
Asa Norte - Brasília
Telefone: (61) 3326 1135

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

EU RECOMENDO // O churrasco do gaúcho


Por Moacyr Scliar (*)
Convidado especial do Gastronomix


“O gaúcho é um carnívoro por excelência. Proteína não lhe falta na dieta (infelizmente, gordura também não). O que pode ser um motivo de orgulho: afinal, a proteína é o elemento nobre da alimentação, aquilo que cria músculos e portanto dá poder. Todas as culturas sabem disto, e todas as culturas procuram instintivamente o alimento protêico. Só que procuram equilibrá-lo com o hidrato de carbono: é o caso do “fish and chips” inglês, o peixe com batatas, ou, no caso do Brasil, o feijão com arroz. O gaúcho sempre relutou em adicionar hidratos de carbono ao churrasco; farinha de mandioca tudo bem, para absorver o sumo da carne; também o arroz de carreteiro era aceitável (ver no fim) mas aí já era coisa de pobre.

O Rio Grande do Sul nasceu sob o signo da carne. Inevitável, considerando que a criação de gado foi a sua primeira grande atividade econômica. O gaúcho comia carne pela manhã, ao meio-dia e à noite. Comer não quer dizer necessariamente saborear: era uma refeição rústica, que consistia em abater a rês, enfiar a carne num espeto feito de um galho de árvore e assar esta carne num fogo de chão. “Assar” significava apenas tostá-la um pouco. Os índios comiam-na quase crua, o boi ainda berrando, como se diz por aqui. Eis como o tradicionalista Barbosa Lessa descreve, em versos, a gênese do churrasco:

Quando o gaúcho surgiu,
meio gaudério, vadio,
não tinha pouso nem nada
a não ser o pingo, a estrada
e um bom poncho contra o frio;
bastou um fogo de chão
e a cuia de chimarrão
pra se aquecer de amizade
e ter hospitalidade
neste templo que é o galpão.
Como alimento, o gaúcho
trouxe algo que, até hoje,
faz com que a gente se ajouje
à vida simples, amena:
é o churrasco - temperado
só com o sal e reforçado
com o suco da carne buena.

Mas o churrasco também se sofisticou, graças sobretudo à urbanização. A churrascaria tornou-se o restaurante típico das cidades gaúchas. O churrasco agora era servido em mesas, para as quais eram trazidos os espetos. Podia haver algum uma salada de entrada, e algum acompanhamento sob forma de farinha de mandioca ou de pão, mas isso era tudo.

A arte estava na seleção da carne e na maneira de assar. Em termos de seleção, a maioria dirá que a costela é soberana. Não é uma carne macia, mas quem quer maciez? Certa resistência é necessária. Os dentes têm de lutar contra as fibras, têm de mostrar quem é mais forte. Mas o desfecho desta luta é,naturalmente, mais do que previsível. No fundo, a carne é fraca. Ela resiste apenas o suficiente para aumentar o prazer do gaúcho. Agora: este é o churrasco tradicional. Que acabou sendo influenciado, sobretudo pelos descendentes de emigrantes italianos, que introduziram o conceito de “espeto corrido”, ou rodízio. Trata-se de uma nova fase na história culinária do Estado.

Esta fase é uma vitoriosa expressão da presença italiana no Rio Grande do Sul. Quais as diferenças entre espeto corrido, ou rodízio, e o churrasco habitual? Várias. Em primeiro lugar, o espeto corrido é muito mais diversificado. Tem carne, claro, e carne excelente, mas tem também sopa, massa, polenta... Ou seja: hidratos de carbono em profusão. O que é um amável truque, desses truques tão freqüentes na cozinha do pobre. São alimentos que matam a fome e que não são tão caros quanto a carne.

Esta passa pela mesa, e passa tantas vezes quanto o comensal quiser, mas ela só passa, não fica, o que tem a grande vantagem de evitar o desperdício. E torna a refeição mais variada, mais animada, envolvendo até um desafio quanto à capacidade de enfrentar aquela pantagruélica oferta de alimento. Conclusão: o espeto corrido é um feliz casamento entre o gaúcho e a “mamma” italiana. Finalmente, e já que ir a uma churrascaria é parte obrigatória do roteiro turístico, vários estabelecimentos apresentam também shows de música e dança.”

(*) Moacyr Scliar é escritor gaúcho e médico sanitarista. Em novembro desse ano, recebeu o Prêmio Jabuti de melhor livro do ano com o romance "Manual da paixão solitária" (Cia da Letras) na categoria ficção. É autor de mais de 70 livros e integra a Academia Brasileira de Letras.

domingo, 8 de novembro de 2009

ENQUETE // O melhor molho para salada é ...


Mostarda + mel.
Uma combinação agridoce que cai muito bem com os verdinhos, né?
Pelo menos, foi o que respondeu 63% dos votantes dessa enquete.

Para fazer essa duplinha dar certo é simples: basta juntar duas porções de mostarda para uma de mel. há quem goste de juntar ainda nessa combinação um pouco de zeite, pimenta do reino e sal.

Para os mais práticos, recomendo os molhos prontos. A marca Liza lançou dois novos: um de iogurte e outro de mostarda e mel. São deliciosos. Vem na medida equilibrando a acidez da mostarda com o doce do mel. Ele pode usado também para temperar pedaços de frango e depois colocá-lo no forno para assar.

Em segundo lugar, azeite e sal (27%); seguido pela combinação limão e sal (9%).

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

DRINK_ME // Da coquetelaria à mixologia


Por Juliana Raimo

Este é o novo termo que alguns bares tem adotado para novas técnicas de misturas do álcool presente nos drinks com ingredientes inusitados e criativos.

Na minha opinião, esta técnica não tem certo ou errado e sim bom e ruim. Se um drink estilo Margarita é apresentado com uma “espuma” de Cointreau e é delicioso, voilà! Se um copo de champagne possui esferas “gelatinosas” que estouram na sua boca e te trazem uma sensação inusitada, aprovado!

Sair dos coquetéis clássicos e inovar é o máximo, mas, por ser algo novo, deve-se ter cuidado. Eu ainda não encontrei um local onde eu pudesse falar deste tipo de drink “molecular”. Assim que este tema evoluir, trarei novidades com certeza por aqui.

De alguns artigos que li ultimamente, achei uma receita bem interessante:

Pastilhas de Vodka (receita do grupo Drink Design)

Ingredientes
- 400ml de vodka
- 30ml de licor de amêndoas
- 30ml de licor de damasco
- 30ml de licor de laranja
- 30ml de licor de café
- 1.2g de kanten* em pó

* Kanten: conhecido também como agar agar, é um pó obtido das folhas desidratadas de algas marinhas que serve para criar um tipo de gelatina que não derrete em temperaturas mais altas.

Preparo
Para preparar cada sabor separado, aqueça por vez 100ml de vodka com 30ml do licor escolhido. Adicione 0,3g de Kanten. Misture até dissolver bem e leve ao congelador em uma placa de vidro com borda. Sirva em um prato pequeno.

Seguem aqui alguns bares e restaurantes em São Paulo que praticam a mixologia para você testar e se divertir:

Kinoshita - barman Henrique Medeiros
Rua Jacques Félix, 405
Vila Nova Conceição – São Paulo
Telefone: (11) 3849 6940

SubAstor - barman Pereira
Rua Delfina, 163
Vila Madalena – São Paulo
Telefone: (11) 3815 1364

Kaá - barman Marcelo Vasconcellos
Avenida. JK, 279
Vila Nova Conceição – São Paulo
Telefone: (11) 3045 0043

Fonte: Drink Design:
http://www.drinkdesign.com.br/drinks.php

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

GASTRONOMIX // Vc sabe de onde são essas maravilhas?



Caso não, veja na próxima semana no blog Gastronomix...
E vamos continuar também com a série de lugares bacanas de Berlim, na Alemanha. Ainda tem mais viagem e dicas pela frente. Aguardo vocês.

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

AO PÉ DO OUVIDO // Marisa Orth, cantora

Por Rosualdo Rodrigues
De Valência (Espanha)


Marisa Orth tem uma boa voz. Mas sempre foi mais atriz que cantora. Quando esteve como vocalista da Luni e, depois,da Banda Vexame, interpretava personagens que se manifestavam por meio das músicas, invariavelmente engraçadas. Explorava a sua natural verve cômica em coisas como “Alo” (ou algo parecido), na Luni, em que só falava monossílabos numa conversa telefônica (oi, sim, não, por que, não não... ) ou na versão de “Siga seu rumo”, na Vexame (aquele clássico do Pimpinella: “fora, esqueça meu corpo, esta casa e siga seu rumo...”

Agora, alguns anos e muitas temporadas de Sai de Baixo e Toma lá da cá depois, ela grava o primeiro disco solo. Com “Romance Vol.II”. Marisa quer ser de fato cantora e não uma atriz que canta, li em algum lugar que não lembro. Mas ainda não è desta vez que ela se livra completamente do seu talento humorístico. A começar pelas poses de femme fatale da capa.

Em “Insanidade temporária”, por exemplo, Marisa volta aquela coisa over da Vexame ao cantar na voz de uma mulher que tenta explicar ao marido que matou o marido porque estava de TPM. Cômico, claro. Ou quando ela fala, na introdução de “Sofreª”, de Tim Maia. No original, o cantor dizia praticamente o mesmo texto e, podia-se achar tudo, menos engraçado. Com Marisa, a gente não sabe se ela está falando sério ou tirando onda....

Mas Marisa é cantora sim. O disco tem momentos que provam isso. A interpretação dela de “Amor”, dos Secos & Molhados é um destes. Tem também uma boa versão de Why dont you do right (standard americano gravado já por um monte de cantores, inclusive Sinead O’Connor no disco Am I not your girl). A versão quase literal é muito boa e Marisa cantando tem tudo a ver. Mesmo a citada Sofre, passada a fala do inicio, mostra uma Marisa cantora “a sério”.

Mesmo quando canta “a sèrio”, Marisa Orth faz um disco divertido. Para dizer o mínimo. Romance Vol. II tem outras qualidades, o que mostra que, se insistir nessa direção, Marisa logo logo poderá ser apontada como cantora. E não só uma cantora bissexta e engraçadinha.