quinta-feira, 31 de outubro de 2013

30ml // Uma biografia não-autorizada

Sandro Biondo
Colunista de Café do Gastronomix

Já que este é o debate em evidência entre os mais e os mais ou menos letrados, vamos engrossar o caldo.

Roberto Carlos e companhia que nos desculpem, mas biografia autorizada é o mesmo que sundae sem cobertura, fevereiro sem carnaval ou sobremesa sem café. 

Aliás, o coitado do café já foi muito mais falado do que qualquer um dos representados por Paula Lavigne e está aí, mais popular do que nunca. O rol de acusações é amplo: arritmia cardíaca, gastrite, úlcera, AVC, síndrome do pânico e até câncer.

Grande parte dos médicos e especialistas já o absolveram, mas em muito consultório por aí ele ainda figura na lista dos fichas-suja, como cigarro, álcool em excesso e drogas em geral. Porém, já falamos aqui dos benefícios da bebida e não cabe ser repetitivo. 
O fruto, originário da Etiópia (que, na época se chamava Abissínia), foi descoberto há pelo menos 1300 anos. Entre as várias lendas que contam o surgimento, a mais saborosa versa que um jovem pastor observou que suas cabras corriam e pulavam euforicamente depois de consumir frutos vermelhos de alguns arbustos. Ali estava algo realmente diferente do comum...

A partir do método da tentativa e erro chegou-se à cadeia de produção que temos hoje: cultivo, colheita, seleção, secagem, torra, moenda, infusão e, finalmente, xícara. Segundo Hugo Wolff, produtor de quem já falamos aqui, café é ciência e artesanato. Mas é mais.
Economia? O fruto foi um dos produtos mais importantes para o desenvolvimento do nosso país, considerado ainda hoje um dos maiores e melhores produtores do mundo. 

História? Barões do café, política do Café com Leite, ciclo do café, etc. Basta ir ao livros - que, aliás, não são autorizados pelas figuras retratadas - para se concluir que somos o país do café, sim senhor. Talvez não da cafeína, porque isso é com os americanos e seus baldes de água suja (perdão, não resisto).

Esporte? Tem também! Os ramos do indefectível Café do Brasil já estamparam até o uniforme da seleção de futebol, que dizem por aí ser a paixão do brasileiro. Depois do café, é claro...