segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

EU RECOMENDO // Tóquio em várias etapas

Por Luis Maurício Navarro (*)
Convidado especial do Gastronomix

“Com quase 15 milhões de habitantes e com uma população que alcança mais de 37 milhões de habitantes em sua área metropolitana, Tóquio é considerada a área urbana mais populosa do mundo. Com uma extensão que cobre mais de 8 mil quilômetros quadrados em sua região metropolitana, Tóquio é formada pela junção de bairros, cidades satélites e vilarejos, cada qual com administração própria. Todos os dias, grande parte dessa população lota as zonas centrais nas quais se encontram edifícios de escritórios, sedes de empresas, universidades, lojas e centros comerciais.
Quem viaja a trabalho a Tóquio, dificilmente escapa de passar pelo distrito de Roppongi. Nele encontram-se muitas embaixadas, escritórios de organismos internacionais, sedes e escritórios de empresas e grandes bancos e redes de TV. Ali circula também grande parte da comunidade estrangeira que vive em Tóquio. Para atender a toda essa população que circula pela área, surgiram inúmeros restaurantes, bares, discotecas e até casas de strip tease. Como característica comum de todas as grandes áreas metropolitanas do Japão, devido principalmente à falta de espaço horizontal, os restaurantes, bares e outros locais de entretenimento surgem dentro de edifícios, quase imperceptíveis para aqueles que andam desavisados pelas ruas do bairro.
No entanto, no meio de tantos arranha-céus espelhados, destaca-se o complexo Roppongi Hills, construído em 2003 pelo magnata do ramo imobiliário Minoru Mori. O complexo tem como centro a Mori Tower, edifício de 54 andares com restaurantes, cafés, lojas, escritórios, cinemas, hotéis, um museu de arte, e um terraço na cobertura com uma vista impressionante da cidade. Ao redor, encontram-se jardins, praças, obras de arte e várias outras atrações que tornam a visita ao local obrigatória para quem quer conhecer a Tóquio moderna. Não é obrigatório estar todo o dia no complexo, mas para os que quiserem, existem opções gastronômicas e de entretenimento para todos os horários.

Para aqueles que nunca perdem a oportunidade de ter uma boa vista, a melhor opção é sem dúvida o Roy’s, com suas paredes de vidro e uma vista de perder o apetite, tanto de dia como de noite. No entanto, o Roy’s não chega a ter uma cozinha tradicional japonesa, com um cardápio mais bem ocidental.
Para os que realmente curtem a cozinha japonesa, recomendo um restaurante mais tradicional como o Rokuzo, especialista em frutos do mar, seja na forma do tradicional sashimi, ou mesmo ao vapor e grelhados. Na hora do almoço, eles oferecem um lunch menu bem interessante e relativamente barato, alem de um ambiente bastante mais intimista.
Depois de alimentar o corpo, por que não alimentar também a mente com uma visita ao Mori Museum, situado no 53o andar da Mori Tower. Esse pequeno museu de arte contemporânea caracteriza-se por não possuir um acervo permanente, mas sim mostras temporárias de artistas contemporâneos. Assim, as obras expostas variam de acordo com o calendário de exibição e sempre com novidades. Só o portal de entrada do museu já vale a pena a visita. Depois da visita ao museu, chega a hora de trocar aquelas impressões sobre a exposição e como cada obra lhe afetou. Arte contemporânea tem muito disso.
Recomendo subir então um andar e sentar no Mado Spice café, de preferência no lado oeste e no fim da tarde. Das paredes de vidro do 54o andar, pode-se apreciar o por do sol por trás do Monte Fuji. Imperdível. Alem do que, o Spice oferece, alem dos tradicionais cafés, uma oferta diferente de chás, doces, biscoitos e sorvetes que mais lembram uma pâtisserie francesa e alguns sanduíches, para quem optou por um almoço mais light. Se não estiver muito frio, e mesmo estando, recomendo subir mais um andar, passear no heliporto e ver a vista deslumbrante da cidade.
Para os mais fervidos, que não querem perder tempo indo a hotel, recomendo emendar já no Rigoletto, bar/restaurante que mistura bebidas hispânicas (desde de sangria a drinques com tequila, pisco e outras variedades de bebida da America hispânica) com cozinha ítalo-americana. Lá é ponto de encontro dos estrangeiros e expatriados do bairro e da cidade, que não são poucos. Uma mistura de idiomas e estilos que lembra os bares mais descolados de NYC. A comida não é grande coisa, mas é um bom local pra encerrar o dia e voltar pro hotel um tanto alto e cair na cama, ou mesmo emendar numa boate, mas aí já não recomendo a região de Roppongi. Bom mas essa já é outra história

(*) Luis Mauricio Navarro adora viajar, conhece meio mundo e trabalha no Ministério de Desenvolvimento, Indústria e Comércio.

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