quarta-feira, 17 de outubro de 2012

AO PÉ DO OUVIDO// Made in Holland


 Saber que Van Gogh cortou a própria orelha e reconhecer um de seus quadros ou ter visto o drama de Anne Frank no cinema ou em livro não faz de ninguém um especialista em arte, cultura e história holandesas. Mas é mais ou menos o que quase todos nós aqui no Brasil sabemos a respeito daquele país, além de que Amsterdã é uma cidade encantadora, onde se compra maconha em bares e grande parte da população anda de bicicleta.

Se falarmos de manifestações culturais ou artísticas recentes, então, vai ser necessário puxar pela memória para encontrar um título de filme, como A excêntrica família de Antônia, de Marleen Gorris, ou Caráter, de Mike van Diem... Por tudo isso, se torna surpreendente o sucesso, pelas bandas de cá, de Traincha (forma mais pronunciável do nome de Trijntje Oosterhuis).

A cantora ficou conhecida aqui no Brasil desde que lançou dois ótimos discos dedicados à música de Burt Bacharach. Parece ter conquistado o público brasileiro, já que, depois disso, foram lançados entre nós mais dois álbuns dela, Sunday in New York, mais jazzístico, e Never can say goodbye, em que ela recria de maneira muito inusitada músicas do repertório de Michael Jackson.



Agora chega mais um, Wrecks we adore, uma amostra do quanto Traincha é versátil e canta maravilhosamente tudo que se propõe a cantar. Neste caso, ela passeia por soul, blues e r&b, em 10 canções originais (de músicos conterrâneos, apesar de todas em inglês) um tanto convencionais, e deliciosas justamente por essa falta de pretensão. Chegam confortavelmente aos ouvidos, para o que contribui imensamente a voz poderosa, limpa, mas sem afetação de Traincha – e afetação é o que tem sobrado nas intérpretes do soul e derivados ultimamente.

Better think twice abre o disco estrategicamente: é a mais ganchuda de todas, tipo “essa é pra tocar no rádio”.  Uma ótima amostra do que você vai ouvir ao longo do disco. E depois da explosiva e super-retrô Hapiness, que vem em seguida, difícil não querer ir até o fim.

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