quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

AO PÉ DO OUVIDO// No apagar das luzes de 2011...


Por Rosualdo Rodrigues

Eita, olha só: um dos discos incluídos em nossa lista de melhores do ano não é do ano coisíssima nenhuma. Só depois descobri que Simples, de Jair Oliveira, é um relançamento. Saiu originalmente em 2006 e ganhou reedição agora. Tudo bem: desclassificado (no lugar dele, sugiro o ótimo Nó na orelha, de Criolo), mas merece um post.

A reedição em tão pouco tempo cheira a disco que não repercutiu devidamente e, por isso, ganha uma segunda chance. No caso do Simples, é merecido. Jairzinho não tenta reinventar a roda, mas mostra que aprendeu muito bem, não só com o pai e com tudo que ouviu por aí.

Simples começa com um afro-samba, à moda de Baden Powell, é recheado de músicas bem carregadas de suingue (Tiro onda, Todo dia -- esta com Paula Lima), tem boas letras, produção impecável e o direito a um momento Wander Lee, na docinha Intacto, que Jair fez pra mulher, a atriz Tânia Khalil. A melosidade não desunera a mistura.

Outro disco que merece atenção neste "apagar das luzes" de 2011 é Liebe Paradiso, de Celso Fonseca e Ronaldo Bastos. Trata-se, na verdade, do "remake" de Paradiso, que eles lançaram em 2004. É o mesmo repertório, mas com novos arranjos, novos músicos e participações especiais em algumas faixas.

A melhor delas é a de Nana Caymmi, de cortar coração (pra variar), em Flor da noite. Mas tem também uma charmosíssima aparição de Adriana Calcanhoto (em O tempo não passou), Paulo Miklos criando o momento mais pop do álbum (em Você não sacou), Luiz Melodia todo Melodia em Ela vai pro mar, e Sandra de Sá em Polaróides ("me desculpe a pressa, mas a madrugada me chamou...").

Liebe Paradiso saiu pouco antes de No meu filme, o disco novo de Fonseca -- que acaba de sair --, e, justiça seja feita, é muito melhor do que o inédito.

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