quinta-feira, 8 de fevereiro de 2018

CHAZEIRA // Três Coroas e o segundo chá! Um Pö Cha!

Eloína Telho
Colunista de Chá do Gastronomix

Na semana passada, começamos a falar de chá com emoção, numa viagem bem especial para Três Coroas. E ainda não acabou! Continuar passeando pelo sul do país é garantir beleza para os olhos, calor para o coração... E surpresas incríveis!

Do nosso encantador “Platoo Café e Jardim”, partimos para o restaurante “Espaço Tibet”, para conhecer a culinária tibetana. 
Espaço Tibet

Fundado em 2011 por Ogyen Shak, um refugiado tibetano, inicialmente com o nome de “Tashiling”, o restaurante é mais que isso; é uma experiência completa.  Da história de vida do criador à decoração externa e interna, conhecer o espaço é, realmente, fazer uma viagem. Para que você tenha uma ideia do que estou falando, compartilho o texto de apresentação de Ogyen, disponível na página do restaurante e também na entrada do lugar:

Tibetano de nascimento, Ogyen Shak personifica um drama que assola seu país há mais de 60 anos: a ocupação da China comunista, iniciada em 1950. Aos 16 anos, encarou uma aventura que parecia possível apenas em filmes. Num grupo com trinta pessoas, atravessou o Himalaia a pé carregando dois irmãos menores. Seu objetivo? Fugir do Tibet em busca de liberdade. Ogyen Shak viu a morte de perto e quase foi colhido por ela. Ao cruzar a fronteira entre o Tibet e o Nepal, foi internado num hospital para refugiados onde permaneceu por um ano longe dos pais ou familiares. Lutou para se recuperar de uma gangrena que afetou suas mãos, braços, pés e pernas e acabou perdendo os dedos de um dos pés. Após sua recuperação, morou num campo de refugiados tibetanos em Dharamsala, na Índia, onde reencontrou os irmãos e precisou trabalhar para sustentá-los. Conseguiu reconstruir sua vida na Índia, exercendo sua especialidade: a arte sacra tibetana. Ajudou na pintura e ornamentação de templos de grandes mestres como S.S. Dalai Lama, Sakya Trinzin e Dzongsar Kyentse Rinpoche. Em 2006, seguindo os conselhos de seu mestre, veio ao Brasil para coordenar a pintura e a ornamentação de um templo de budismo tibetano em Cotia, interior de São Paulo. Quatro anos depois, conheceu sua futura esposa, a gaúcha Adriana Shak que, na época, era moradora do Khadro Ling, templo de budismo tibetano localizado em Três Coroas. Um restaurante parecia ser o cenário perfeito para iniciar a realização do seu maior sonho: divulgar e manter-se em contato com a cultura do seu amado país, terra esta onde um dia, ainda sonha poder retornar.

Ali, tudo conquista. O sorriso da recepção, o jardim incrivelmente bem cuidado, a carinha do Tibet impressa em casa detalhe. E quando a gente, ao sentar, recebe chá preto, com gengibre e limão, de boas vindas... É amor demais pro meu pobre coraçãozinho! 
 Ser recebida com chá é ter certeza de que o negócio vai ser bom!

Não conhecia a culinária tibetana e achei a comida deliciosa! Acatamos a sugestão do dia e nos jogamos no pernil de cordeiro temperado com cravo e anis. Eu, a louca das especiarias, nem me lembrei de que não comia carne de cordeiro (por puro preconceito)... E adorei!

De sobremesa, pedimos mousse de rosas com romã e cassis e a sobremesa do chef, cogumelos shimeji com chip de batata doce, sorvete de creme e ganache de chocolate. Combinações exóticas e incríveis! Mas sobre essas experiências culinárias eu tenho certeza de que serão melhores exploradas, em breve, por Rodrigo Caetano e Daniel Bitar.

A experiência mais incrível mesmo – se é que tem como escolher – chega agora. Louca para repetir a dose do chazinho, pedi o cardápio para checar as opções. E quase desmaiei! Encontrei o “Pö Cha”, um chá tipicamente tibetano, também chamado de chá de manteiga, que leva chá preto, manteiga de iaque (um bicho bem bonito, dá um Google!), água e sal em sua composição.

Nunca pensei que fosse encontrar essa mistura exótica fora do Tibete e ela estava ali, ao meu alcance... Isso é que é surpresa, minha gente! Tomei, curti cada minutinho, amei. É bem denso, salgadinho, diferente e maravilhoso. Sabores desconhecidos que me encantaram a cada gole! Suspiros, suspiros e mais suspiros... 
Meu Pö Cha, lindo e saboroso!

A combinação de novos sabores e – especialmente – um novo e surpreendente chá tornou o dia inesquecível. Foi tudo intenso e, ao mesmo tempo, suave, como os budistas bem sabem fazer. Na saída, ainda passamos na lojinha do restaurante, que tinha porcelanas lindas para o #momentomágico, além de incensos e objetos lindos, cheios de significado.

Se um dia for ao Rio Grande do Sul, não deixe de incluir essa paradinha maravilhosa no seu roteiro. Depois, quero que me conte qual foi a sua impressão, combinado?

Espaço Tibet, em Três Coroas/RS (http://espacotibet.com.br)
Rua Alagoas, 361, Bairro Águas Brancas -  Três Coroas/RS
Telefones: (51) 35465763 e 996783184.
Funcionamento: Quarta a sextas, de 11h45min às 15h; sábados, de 11h45 às 16h e de 20h às 23h; domingos e feriados, de 11h45min às 16h.

Ah, se quiser me acompanhar pelo Instagram ou Facebook , lá estão as imagens que ilustram na prática tudo o que falamos por aqui, feitas a partir do meu #momentomágico: @chazeira (insta) ou @eloinachazeira (face) . Apareça por lá, pra não morrermos de saudade até a próxima quinta, certo?

Beijos e bons chazinhos! Que sejam sempre surpreendentes!

2 comentários:

Elenir Gomes disse...

Que restaurante fascinante....!❤👏👏

Eloína Telho disse...

E vc viu a história de vida do dono? Fascinante!