segunda-feira, 21 de julho de 2014

EU RECOMENDO // Gangnam Style

Por Thiago Poggio Pádua(*)
Convidado especial do Gastronomix
“É verdade que os coreanos comem cachorro?”  É.
Mas isso não significa que você tenha que comer cachorro quando vier a Seul. Não significa sequer que você vai ver a temida sopa de cachorro à venda, a menos que procure com afinco ou tenha algum amigo coreano, provavelmente mais velho, que queira te convencer dos benefícios da proteína canina para sua saúde. E para sua libido (pois é... eles gostam de fazer essa correlação).
Churrasco coreano na grelha e acompanhamentos

Seja como for, eu não posso falar de sopa de cachorro. Não tive coragem de aceitar o convite – ou desafio – de um colega coreano para experimentar esse elixir de testosterona. Aliás, não tive coragem nem de me delongar muito no assunto. No meu hemisfério, são os cachorros que eventualmente nos mordem, e o contrário é meio nauseabundo – quem haverá de discordar?? Mas deixemos em paz o melhor amigo do homem e vamos ao que interessa: comida! 

Nos restaurantes mais refinados, uma pessoa vem à mesa fazer o churrasco
para você; nos mais tradicionais, o cliente tem que se virar

Um dos mais tradicionais pratos coreanos é o churrasco: “Korean barbecue”, como eles divulgam em inglês. O princípio é o mesmo do nosso churrasco – carne e brasa – mas a execução é muito diferente. Nos restaurantes especializados, cada mesa tem uma espécie de pequena churrasqueira a brasa no centro, com uma coifa logo acima, para dissipar um pouco da fumaça. A carne, que pode ser marinada ou não, vem em pedaços finíssimos, para um cozimento rápido.

Os inúmeros acompanhamentos são apinhados sobre o resto da mesa: diversos pratinhos com variados tipos de vegetais condimentados, incluindo o tradicional “kimchi”, prato nacional coreano (uma espécie de conserva apimentada de acelga). Entre os acompanhamentos haverá um prato com folhas verdes, como alface. O jeito mais tradicional de comer o churrasco é embrulhar numa folha de alface um pedaço de carne com os acompanhamentos que quiser. É uma delícia, muito saudável e o paraíso para quem gosta de controlar a ingestão de carboidratos.
Bibimbap e todos os acompanhamentos

Outro prato coreano muito comum é o bibimbap, que significa, literalmente, arroz mexido. Tradicionalmente, trata-se de uma tigela com uma cama de arroz e diferentes ingredientes colocados separadamente por cima. São brotos, folhas e vegetais refogados e temperados. Normalmente, vem também algum tipo de carne, além de um ovo frito.
Bibimbap com vista para tradicionais casinhas coreanas no bairro de Samcheondong

Você mistura tudo, acrescentando molho de pimenta e óleo de gergelim e come com uma colher. Ainda bem, porque os “palitinhos” coreanos (chamados jeotgarak) são feitos de metal, e dominá-los é surpreendemente difícil, mesmo para um exímio freqüentador de restaurantes orientais. Comer arroz com jeotgarak seria vexame na certa!

Numa cidade de 25 milhões de habitantes, são incontáveis os restaurantes servindo qualquer desses dois pratos. Um de que gosto muito, levando em conta a qualidade da comida e o ambiente, chama-se “Maple Tree House”. Há quatro filiais em Seul. Gosto particularmente da unidade de Samcheondong, um bairro onde é fácil flanar durante um dia inteiro, visitando o Museu de Arte Contemporânea, o Palácio Real e as mil lojinhas, galerias e cafés da região (aliás, o que não falta em Seul são cafés; bom para aliviar o paladar da excessiva pimenta que usam na comida!). O site do restaurante (www.mapletreehouse.co.kr/) é todo em coreano, mas se alguém se interessar mesmo, prometo que ajudo a encontrar o endereço.
Maple Tree House
www.mapletreehouse.co.kr
(*) Thiago Poggio Pádua é diplomata de carreira, formado em Direito. Nasceu em Goiânia, em 1979, e, já morou em Nova Delhi e em Buenos Aires, de onde já escreveu duas belas colunas para o Gastronomix.

2 comentários:

Liliam Valadão disse...

Thiago, muito interessante como o arroz marca forte presença em toda a Ásia e aqui no Brasil, mas me surpreendi com o bibimbap, ou mexido...muito similar ao nosso hábito goiano de fazer uma "pesquisa" na geladeira no final do dia e pegarmos tudo o que gostamos e achamos pela frente para agregar à sobra do arroz e ao infalível ovo, para dar cabo da fome. Mexendo os pauzinhos e comendo às colheradas... Muito bom...!

Maria regina do Amaral disse...

Foi bom saber dessas comidas, acho que vou gostar de algumas delas.