sábado, 22 de fevereiro de 2014

ABROBRINHAS // Malhadores “naturebas”

Luciano Milhomem
Colunista de Alimentação Natural do Gastronomix

Por malhar periodicamente, ter personal trainer para fazer musculação e apreciar aulas de corrida e de bicicleta, ouço com freqüência a mesma pergunta: “O fato de você não comer carnes não atrapalha seu desempenho na malhação e no ganho de massa muscular?”.

Levei a mesma questão a minha nutricionista anos atrás, quando parei de comer carne, e ela me garantiu que não havia nenhum problema no fato de eu não consumir proteína animal e malhar, desde que eu compensasse a proteína da carne com suplementos, como o famoso Whey Protein (do qual nunca gostei, aliás). A propósito, esse produto vale parênteses.

Na imprensa, há notícias recentes de que o dono de uma loja de suplementos em Londrina, Félix Bonfim, mandou avaliar as principais marcas de Whey Protein do mercado. O resultado é preocupante: das 28 marcas avaliadas, 53%, ou seja, 15 delas apresentaram no laudo uma variação na tabela de composição ou tiveram suas fórmulas alteradas.

Em todo caso, há opções, felizmente. Fato é que malhadores que seguem dietas sem carnes ou sem outros produtos de origem animal precisam adotar hábitos alimentares especiais. 

Como se sabe, quanto mais intenso for o treino, mais calorias ele exige. Segundo os especialistas, devem-se buscar essas calorias em alimentos ricos em carboidratos, com pouca gordura e adequados em termos de proteína. Dietas à base de vegetais, portanto, são excelentes para malhadores, por conterem muito carboidrato e pouca gordura.

Outra vantagem desse tipo de dieta é o fato de ela ser rica em vitaminas, minerais e antioxidantes, nutrientes que ajudam o corpo a utilizar energia e proteger-se do estresse dos próprios exercícios, como afirma interessante artigo do Comitê de Médicos por uma Medicina Responsável, sediado nos Estados Unidos.

Grãos, frutas e verduras são ótimas fontes de carboidrato. Conforme a intensidade do exercício, o consumo de carboidrato deve ocorrer durante a recuperação, entre 30 minutos e duas horas após a atividade física, quando a síntese do carboidrato (glicogênio) atinge seu máximo. Alimentação rica em carboidratos, com nível de moderado a elevado de índice glicêmico, fornece fonte imediatamente disponível de produção de glicogênio. 

Quanto às gorduras, os especialistas afirmam que gorduras animais contêm elevado nível de gordura saturada – portanto, é melhor evitá-las, sobretudo atletas.

Sigo com meu leite de soja diário. Tomo cápsulas de BCAA para garantir que, no treino, não haverá perda de massa muscular, e lá vou eu, há 5 anos, sem enfermidades. Cada corpo é um universo diferente, mas penso que meu caso não deve ser o único. Saúde a todos os malhadores! Comam carne ou não.

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