quinta-feira, 19 de setembro de 2013

30ml // Menos, pessoal. Muito menos

Por Sandro Biondo
Se você faz o tipo que gosta de postar pratos caros no Instagram apenas para ostentar, melhor não continuar lendo este texto, sob pena de se irritar com o autor.
Caso contrário, vamos juntos. Minha singela e despretensiosa opinião sobre a gastronomia atual é que há muita ostentação. Nos empurram garganta abaixo, literalmente, pratos elaborados com fios de ouro; espuma de pitaya com creme de leite de ovelha negra; molho reduzido de Biotônico Fontoura e o que mais for “diferentezinho” e propício para cobrar caro.
Pois o terreno dos cafés também é uma ilha de bom senso cercada de excessos por todos os lados. Como a bebida virou mais que ritual, um comportamento da moda, é de se compreender que haja exageros.
Um exemplo? Você já deve ter ouvido do tal Kopi Luwac, o café mais caro e raro do mundo, extraído das fezes de um marsupial da Indonésia. O quilo do grão passa dos mil dólares e uma dose da bebida não sai por menos de R$ 50.
Provei em viagem recente à Austrália, onde é possível pagar sem se sentir assaltado. De um a 10, eu daria nota 7. Mas a experiência foi libertadora, até por confirmar que temos acesso a grãos muito melhores, mais encorpados, mais ácidos e doces aqui mesmo, no Brasil, por R$ 3 ou R$ 4. Sem contar a bizarrice da publicidade abaixo.
Seguindo nessa mesma linha, inventaram aqui no Brasil, inclusive com apoio da Embrapa, o café do Jacu. Senta, que lá vem a história:
Um fazendeiro do Espírito Santo pediu ao Ibama, sem sucesso, para matar os jacus (para quem não sabe, uma ave bem brasileira), que insistiam em consumir sua plantação de café.
Seguindo o exemplo do bichinho da Indonésia, ele reparou que os jacus também escolhiam os melhores grãos e digeriam apenas a polpa, evacuando os grãos inteiros. Muitas lavagens depois, ali estavam os grãos selecionados pela ave prontinhos para torra, moagem e extração.
Tudo lindo, não fosse o preço. Em cafeterias de Brasília, como o Grenat e o Universal, por exemplo, você não paga menos de R$ 10 por um café que é, no máximo, razoável. Ou seja: vale a experiência, mas não espere sorver o melhor café da sua vida. E se for, conta aqui pra gente, ok? Até a próxima xícara!