terça-feira, 31 de maio de 2011

GASTRONOMIX // Couvert: uma esperteza dos restaurantes?


Usualmente, o couvert é uma pequena entrada servida nos restaurantes para que os comensais distraiam o paladar até chegar a entrada ou o prato principal. A questão, muito comentada, por quem senta à uma mesa de restaurante é se “essas porções” devem ser cobradas ou devem ser cortesia da casa.

Na verdade, não existe uma regra clara. Cada estabelecimento tem o direito de definir sua política. Muitos não cobram se as pessoas consumirem pratos principais, como é o caso do Beirute (em Brasília) – que serve pães sírios e pastas de grão de bico e berinjela aos que escolhem refeições no cardápio. A política é simpática e agrada.

O que acho bastante desonesto do restaurante é quando o garçom chega à mesa, despacha a manteiga, pão, azeite (whatever) e, quando vem a conta, aquela surpresa: a cobrança do couvert. Muitas vezes, a cobrança por cabeça, o que é ainda mais desagradável. Na minha opinião, é abusiva esta política de não informar que o amuse bouche tem um preço. Me sinto saqueado.

Por isso, minha gente, não tenham vergonha de perguntar se o couvert “estrategicamente” colocado ali na sua mesa é pago. E se for, pergunte, sem constrangimentos, quanto custa. Se o valor é individual ou não?

Claro que se você for seguir algum manual de etiqueta mais conservador, talvez esteja escrito que este tipo de pergunta é deselegante ou pode indicar que você é um tremendo de um pão-duro. Mas se você sabe o valor do seu dinheiro, tenha em mente que está exercendo apenas o papel de consumidor, com regras claras do seu consumo.

Não se intimide. Muitos restaurantes, dos mais renomados, usam essa política da “empurroterapia” para que o cliente se sinta obrigado a consumir mesmo que ele não deseja. E você, o que acha dessa política do couvert: deve-se cobrar ou não?

8 comentários:

Rachel Mello disse...

nunca tinha pensando nisso. como é em outros países? beijos.

Daniel disse...

O curioso é que os restaurantes não se sentem constrangidos em nos empurrar o couvert. Mas nós, péssimos consumidores que somos, nos sentimos constrangidos em negar...

Daniel disse...

Rachel,
tomando por base as últimas viagens que fiz, afirmo que pelo menos nos EUA, em Lima e em Bogotá os restaurantes não cobram pelo couvert.

Raquel Costa disse...

Rodrigo,
Excelente texto e ótima observação. E concordo com o Dani: se os restaurantes têm a cara-de-pau de nos empurrar pães e afins, temos também o direito de perguntar o valor.

Ra, no Chile também não cobram.

Beijos!

Janaina disse...

Em Portugual os restaurantes que cobram colocam um aviso em letras garrafais no menu. Acho a idéia bem respeitosa para com o consumidor.

Dani Guima disse...

O mínimo deveria ser PERGUNTAR se o cliente ACEITA o couvert. Já chegar colocando na mesa, sem nem perguntar é o "ó"!!! Adorei o post, Rô.

marcelo disse...

Oi Rodrigo, sou leitor e fã do blog, e sobre essa questão, acho que cabem várias considerações...

Em alguns países cobra-se, em outros não. Mas, invariavelmente, onde se cobra o couver é mais do que um pãozinho com manteiga e azeite... trata-se realmente de algo mais reforçado, com pates, azeitonas, um queijinho, uns frios... em Portugal são divinos. Então, acho que a pergunta se o restaurante deve ou não cobrar, depende... por um pãozinho com manteiga acho o cúmulo da mesquinharia. Como também acho o fim do mundo quando a gente pede alguma coisa que acompanhe pão ou torradas, e pede para que venha um pouco mais de pão para acompanhar e no final combram a mais apenas pela cestinha de pão. É o fim.

Agora, o que não concordo mesmo é com essa história de cobrar amuse buche por pessoa... se é por pessoa, deveria existir a opção de pedir uma porção só para uma pessoa... normalmente a porção é sempre a mesma, independente de quantas pessoas estão à mesa, e nada é reposto, até porque, ninguém vai ficar repondo couvert, já que a refeição principal já está chegando, né...

Ou seja, cobrar, até que rola, mas mesquinharia e esperteza não.

Ivone Schofield disse...

COUVERT - tem origem na França. A palavra significa talheres de mesa. Na França, século XVII, albergues passaram a servir com talheres, utensílios caros e raros. Como eram embolsados com frequência surgiu uma taxa para repor os objetos. São espaços para os Chefs brincarem um pouco, criarem novas receitas, novos sabores. É uma maneira eficiente de segurar a fome do cliente enquanto é preparado o prato principal. No couvert da La Vecchia, onde se originou, vem: massinha rocante, pasta de beringela, pasta de alho poró, tomate seco, sardella e creme Cheeze.

Significado de Couvert
s.m. Pronuncia-se: /cuvért/. Reunião dos acessórios, instrumentos que são colocados sobre a mesa para apresentar ou servir algo, por exemplo, toalhas, talheres, pratos etc.
Culinária. Pequenas iguarias que são servidas antes do prato ou da refeição principal como: azeitonas, torradas, pão, manteiga.
Conjunto dessas pequenas iguarias ou entradas: três couverts, por favor!
Valor pago por essas iguarias ou por atender o cliente à mesa.
Couvert artístico: acréscimo de um valor na conta pela apresentação artística.
(Etm. do francês: couvert)

Portugal - COUVERT - O cover [ do fr. Couvert ] é uma taxa que o restaurante cobra em acréscimo sobre o custo da refeição e bebida consumidas pelo cliente. Refere-se ao custo do atendimento que a casa oferece ao cliente. Inclui o aparelhamento da mesa (perdas que ocorrem de cristais, louça, baixela; iluminação, decoração, e toda a despesa de manutenção do estabelecimento) tem três significados distintos: custo de salgadinhos que o cliente consome como acompanhamento de uma bebida, enquanto aguarda o prato solicitado e que não é obrigatório; e custo cobrado pelo luxo do restaurante, bar ou boite ou pela alta procura que tem; e terceiro, custo correspondente a numero de arte como piano, apresentação de cantor ou pianista.
Fatias de pão, rissine, azeitonas, cubinhos de queijo são oferecidos para justificar simbolicamente o couvert.