terça-feira, 5 de abril de 2011

AO PÉ DO OUVIDO // O único doido aqui sou eu?


Por Rosualdo Rodrigues

O ator Chico Diaz encerrou domingo a temporada, no CCBB Brasília, de uma peça fantástica, chamada A lua vem da Ásia, adaptação de livro do escritor mineiro Campos de Carvalho. É o monólogo de um homem, em um primeiro momento preso em um manicômio, depois em fuga. Ele conta sua história e tece considerações sobre o ser humano com uma lógica absurda, mas ao mesmo tempo tão cheia de sentido, que o espectador se pergunta se ele é louco ou excessivamente lúcido.

Desde que vi a peça tenho pensado que, na verdade, todos nós temos em nosso espaço mental um canto reservado à “loucura”. É aquele lugar em que nos desobrigamos do que seria a lógica comum para nos entregarmos a pensamentos, divagações, sentimentos, sonhos, sensações ou qualquer coisa do gênero que são só nossos. Tão nossos que não ousamos externá-los, porque muitas vezes não há nem como dizê-los. Ou, se o fizermos, corremos o risco de ouvir: “Ih, o cara endoidou!”. Por isso mesmo, é um espaço de liberdade, mas também de solidão.

E o que a música, assunto desta coluna, tem a ver com isso? Tudo. Música é uma das coisas que mais provocam esses “pensamentos, divagações, sentimentos, sonhos, sensações ou qualquer coisa do gênero” que nem sempre conseguimos partilhar com os outros. Claro, há os amigos com quem dividimos gostos musicais. Mas falo daquilo que se sente quando se ouve uma determinada música e que não tem como explicar. A “viagem” que é só nossa.

Por exemplo: Oceano, de Djavan, foi lançada há 20 anos. Mas até hoje, toda vez que a ouço, sinto um negócio estranho quando ele canta “só sei viver se for por você”. Nem gosto tanto da música, mas quando ele diz isso daquele jeito, sílaba por sílaba... Eu poderia descrever como um desalento, mas não é, sei lá... Candy, do Paolo Nutini, é outra. Essa, se for junto com o clipe, então... Também não sei explicar. Coisa de gente maluca, diriam. Bom, será que eu sou o único doido aqui? Não acredito. Você também deve ter sua listinha de músicas que lhe fazem sentir coisas que você não sabe explicar. E já que este post está viajandão demais e alguém já deve estar pensando “esse aí é doido”, agora vou até o fim e listo aqui 10 músicas que me trazem sensações que eu não saberia partilhar com vocês (devem haver outras mil).

1 ) Oceano, de Djavan 2 ) Candy, de Paolo Nutini 3 ) Dreams come true girl, de Cass McCombs Feat. Karen Black 4 ) Dance to the end of love, com Madeleine Peyroux 5 ) Vilarejo, de Marisa Monte (e todo o Infinito particular, de modo geral) 6 ) Grains de beauté, de Céu 7 ) Don’t let it bring you down, de Annie Lennox 8 ) Weekend without make up, de The Long Blondes 9 ) Serra da Boa Esperança, com Francisco Alves 10 ) Índia, com Gal Costa (… aquele arranjo de Rogério Duprat é uma viagem e tanto. Pena que não encontrei nenhum vído com original)

2 comentários:

Paulo Palavra disse...

Rosu, do que não conhecia, adorei "Dreams Come True". Mas desses todos aí, o que me traz a sensação inexplicável é a Céu. Seja lá com qual música.

Rosualdo Rodrigues disse...

adoro aquela cantora que participa de "dreams come true", paulo. ela tem um quê de decandente que eleva a música... sei lá, não seu explicar. rsrsrs, o "vagarosa" da céu é realmente um disco viajandão... adoro.