quarta-feira, 8 de setembro de 2010

AO PÉ DO OUVIDO // A volta das que não foram



Por Rosualdo Rodrigues

Para boa parte do público brasileiro, os nomes de Suzane Vega e Nathalie Merchant estão inevitavelmente associados ao pop da virada dos anos 1980 para os 1990. Suzane ainda é mais conhecida aqui pelo seu segundo disco, Solitude standing, de 1987 — de onde saíram os hits Luka, Tom’s dinner e Caramel. Nathalie surgiu como vocalista da banda 10.000 Maniacs, cujo último sucesso foi a versão de Because the night, de Bruce Springsteen, incluída no MTV unplugged da banda, em 1993. Mas muita água passou por debaixo da ponte desde então e ambas continuam lançando discos, embora sem muita repercussão por aqui. Por isso, é uma feliz coincidência que Close-up — Vol. 1 Love songs e (Selections from the album) Leave you sleep sejam lançados no Brasil ao mesmo tempo.

Leave your sleep, o quinto trabalho solo de Natalie Merchant, foi lançado como álbum duplo no exterior, mas chega ao Brasil em versão reduzida, em CD único, com a ressalva na capa: “Selections from the álbum...”. Mesmo assim, 16 faixas bastam para encantar o ouvinte. Inspirada por conversas com a filha pequena, ela musicou textos, especialmente poemas infantis, de vários autores (o mais conhecido é e. e. cummings) ou de domínio popular, e os vestiu com arranjos na maioria acústicos, que ora têm um quê de música antiga — evocada por violinos, flautas e banjos —, ora caem num pop simples, mas que, no inconfundível timbre vocal da cantora, nunca chega a ser trivial.


O site de Nathalie Merchant é bem legal, tem muito o que ver e ouvir. Recomendo em especial vê-la cantando The man in the wilderness na Saint Augustine Church, em Londres, acompanhada pelos violões de Erik Della Penna e Gabriel Gordon e pelo violoncelo de Guy Fishman

http://www.nataliemerchant.com/w/leave-your-sleep/the-man-in-the-wilderness-video


Suzanne Vega tem feito bons discos, que até foram lançados por aqui — caso do ótimo Songs in red and gray (2001) —, mas que não tiveram a mesma repercussão de Solitude standing. O mais recente dela é Beauty & crime, de 2007). Close up é uma boa chance de reencontrar ou conhecer, em novas gravações, algumas das melhores canções da cantora e compositora californiana. Em voz e violão, Caramel, por exemplo, virou uma quase bossa nova; Song in red and gray tem a beleza realçada em arranjo econômico com o violão em primeiro plano, e Marlene on the wall ganha bonito e choroso solo de guitarra.


No geral, todas as canções só tiveram a ganhar com a roupagem acústica. E o melhor é que Close-up — Vol. 1 Love songs é o primeiro de uma série de quatro discos em que ela pretende rever suas músicas divididas por temas. Este, obviamente, é de canções de amor, como diz o título.

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