quarta-feira, 17 de março de 2010

AO PÉ DO OUVIDO // Palavras são só palavras...

Por Rosualdo Rodrigues

Há duas palavras usadas frequentemente quando o assunto é música. E, em minha opinião, levianamente. A primeira é "comercial". Alguém pergunta: "Ouviu tal disco? É bom?". O outro responde assim com cara de quem ouviu e não gostou: "Não muito... Achei muito comercial". A outra é "clássico". Diz-se "isso é um clássico" geralmente para dizer que aquela música tem qualidades insuspeitas.

Só que nem tudo que é comercial é ruim. Por isso não vale usar a palavra como adjetivo para o que não presta. Memórias, crônicas e declarações de amor, de Marisa Monte, vendeu feito banana e é um disco cheio de qualidades. Assim, como o Tribalistas, que ela gravou com Arnaldo Antunes e Carlinhos Brown.

Esses, aliás, são craques nisso. Brown faz músicas de forte apelo, com batidas rítmicas geniais e letras simples (naifes até) mas com ótimo efeito percussivo, lúdico. Cadê Dalila, por exemplo, tem uma letra delirante, viajandona, descrevendo cenas soltas, bem interessante mesmo sem dizer nada. Antunes, então, fez Iê iê iê no ano passado. É ouvir e sair cantando por aí. E é muito bom.

Quanto ao clássico (não confundir com música erudita, que é outra coisa), creio que é algo que permanece no tempo, independentemente de suas qualidades. Eu não sou cachorro não é um clássico do brega, mas é um horror. Maria Magdalena, de Sandra, é um clássico dos anos 1980, e é ruim, datada até o último fio de cabelo. Embora ambas tenham o mérito de permanecer na memória das pessoas.

Portanto, não me venham dizer que "isso é um clássico" e portanto não há do que duvidar. Até porque algo pode ser clássico dentro de um segmento específico, como nos casos citados acima, ou clássico absoluto: Asa branca, de Luiz Gonzaga, Eu sei que vou te amar, de Tom Jobim e Vinicius, e Carinhoso, de Pixinguinha, não deixam sombra de dúvida quanto a isso. Essas não só passam de geração em geração, como servem de referência para o que de bom é feito hoje em dia.

Agora lembrei de uma cena: eu estava numa festa outro dia, pista bombando com gente entre 18 e 30 e poucos principalmente, e aí começa a tocar os primeiros acordes de Sweet dreams, do Eurythmics, e todo mundo grita aquele êeeeeee. Aí pensei: "Caramba! essa música tem quase 30 anos... Isso é um clássico".

10 clássicos absolutos atestados pelo tempo (e citados aleatoriamente):

1. Eu sei que vou te amar, de Tom Jobim
2. Help, dos Beatles
3. Night and day, de Cole Porter
4. Detalhes, de Roberto e Erasmo Carlos
5. Summertime, de George e Ira Gershwin
6. Asa branca, de Luiz Gonzaga
7. O mundo é um moinho, de Cartola
8. Light my fire, do The Doors
9. Boy with the torn in his side, dos Smiths
10. Aquarela do Brasil, de Ary Barroso

2 comentários:

Roberio disse...

Rosualdo, concordo plenamente com você.Escuto muito este tipo de comentario aqui na loja.Vou imprimir copias para distribuir com essas pessoas.Grande abraço.
Roberio

Anônimo disse...

Concordo com-ple-ta-men-te, Rosu!!! Vou usar seus argumentos contra certos "experts", também! Hehehehehe!
Um xeroooo!
Sheila