sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

DRINK_ME // Entre letras e drinques

Por Rosualdo Rodrigues
Na semana do troca troca

Achei um livrinho capaz de agradar tanto a quem gosta de drinks quanto a quem gosta de literatura. E mais ainda a quem gosta dos dois. Ou mesmo a quem só quer saber de uma leitura leve, divertida e ainda assim inteligente. Chama-se Guia de Drinques dos Grandes Escritores Americanos. Disse “livrinho” porque é pequeno mesmo e num primor de concisão reúne histórias, frases e trechos de obras de 43 escritores norte-americanos para mostrar a relação deles com a bebida. E traz ainda, claro, as receitas dos drinques que cada um mais apreciava.

Dorothy Parker (quem ainda não leu Big Loira e Outras histórias de Nova York corra agora atrás de um exemplar e veja como uns bons goles podem inspirar um escritor), por exemplo, gostava de Coquetel de Champanhe. Embora tenha escrito: “Gosto de um Martini/ dois, no máximo/ com três, estou embaixo da mesa/ com quatro, embaixo do anfitrião”. Espirituosa ela, que tomava uns drinques como quem bebe água.
Charles Bukovski preferia Boilermaker (mistura de cerveja e uísque). Bêbado ilustre, foi o autor de Crônica de um Amor Louco quem disse que “beber é uma forma de suicídio em que a gente pode voltar à vida e começar tudo de novo no dia seguinte”. Chegado num Gimlet, Raymond Chandler achava que “o homem deveria ficar bêbado pelo menos duas vezes por ano, apenas por princípio”.

Eu falaria do livro por mais dois ou três posts, mas tenho que colocar aqui as receitas, que é o que importa nesta coluna que atrevidamente ocupo por um dia. Na verdade, a titular, a antenadíssima Juliana Raimo, já publicou neste espaço receitas de muitos dos drinques citados no livro. Como o Negroni (preferido de Conrad Aiken) ou o Bellini (adorado por Sinclair Lewis). Escolhi então, apenas dois, para não correr o risco de repetir receitas dadas. Lá vai:

French 75
(preferido de Djuna Barnes)


Popular em Paris entre as guerras, o French 75 recebeu esse nome em alusão a um morteiro de 75mm, de fabricação francesa, usada na Primeira Grande Guerra.

Ingredientes
- 60ml de gim
- 20ml de suco de limão siciliano
- 20 ml de xarope simples ( * )
- champanhe para completar
- twist de limão

Coloque o gim, o suco de limão e o xarope em uma coqueteleira cheia de cubos de gelo. Complete com champanhe. Decore com o twist de limão. Frequentemente, usa-se conhaque em vez de gim.

Gimlet
(preferido de Raymond Chandler)

Foi só depois que Philip Marlowe, personagem criado por Chandler, apresentou o Gimlet no romance O Longo Adeus, que o coquetel finalmente se difundiu nos Estados Unidos.

Ingredientes
- 60ml de gim
- 25ml de suco de limão siciliano
- 5ml de xarope simples ( * )
- gomo de limão

Coloque o gim, o suco de limão e o xarope em um copo misturador cheio de cubos de gelo. Mexa bem. Coe para um copo de coquetel gelado. Decore com um gomo de limão. Também pode ser servido com gelo em um copo old fashioned.

( * ) Receita do xarope simples (comum em várias receitas do livro)
- 1 xícara de açúcar granulado
- 1 xícara de água

Misture o açúcar e a água numa panela sobre fogo médio. Deixe que atinja o ponto de fervura baixo e depois cozinhe até que o açúcar se dissolva completamente. Retire do fogo e deixe esfriar. Guarde numa garrafa ou jarra de vidro bem fechada e refrigere. Guarde por no máximo uma semana.

Guia de Drinques dos Grandes Escritores Americanos
De Edward Hemingway e Mark Bailey.
Zahar Editora. Preço médio: R$ 34.

3 comentários:

Sarah disse...

Apesar de conhecê-lo há algum tempo, ainda continuo me impressionando com sua criatividade, Rosu!!!
Adorei o texto!!!
BEIjooo,
Sarinha.

Rosualdo Rodrigues disse...

Thanx Sarita... Bjo

Rosualdo Rodrigues disse...
Este comentário foi removido pelo autor.