segunda-feira, 19 de outubro de 2009

EU RECOMENDO // A cozinha afetiva da Silvinha


Por Lulie Macedo (*)
Convidada especial do Gastronomix

“Sou daquele tipo que abastece a geladeira com sucos e café. Não porque não saiba aquecer caldos ou picar cebola, ao contrário. A rotina da redação é que condiciona a vida fora de casa. Almoços e jantares são desculpas diárias para reuniões de trabalho e encontros com amigos. Não à toa tenho meus favoritos espalhados pela cidade. Eleger um só para comentar aqui foi tarefa inglória, e por isso demorei tanto para entregar minha colaboração ao blog – pardon, Rodrigo!

Poderia discorrer em longos parágrafos sobre o Pasquale, pensei, o italiano do coração que serve o melhor tiramissu de São Paulo. Ou gastaria todo verbo recomendando o café da manhã do Le Vin, a salvação dos vespertinos fãs de sanduíche de brie e de um bom expresso. Também poderia passar horas babando o ovo do melhor hambúrguer vegetariano do planeta, o Quitandinha, da Lanchonete da Cidade, e usaria todos os adjetivos que conheço para explicar por que o AK Delicatessen é perfeito do couvert ao cheesecake.

Interior do restaurante Da Silvinha: menu caseiro e gostoso


Mas o leitor não teria paciência para as minhas divagações de gourmet amadora. Pretendo, portanto, ser breve e franca: recomendo com fervor a “cozinha afetiva” do Da Silvinha.

Descobri a expressão há pouco tempo em textos de especialistas que falavam sobre um tipo de comida que remete à infância, a algo familiar, e achei que a frescura casava muito bem com o que a Silvinha (Guimarães Couto, cozinheira e sócia de Leonardo Lessa no restaurante aberto há sete meses em Pinheiros) faz intuitivamente e sem seguir modinhas.

Funciona assim: todos os dias são oferecidos dois ou três tipos de carne guarnecidos por preciosos acompanhamentos fixos: arroz, feijão, couve refogada e farofa de banana. O preço fixo por pessoa (R$ 28,80 a opção completa) inclui ainda entrada (salada verde ou de trigo), suco, uma refrescante gelatina caseira de laranja e um expresso Illy tirado pelo Leo que faz inveja a muito barista metido a besta.

A melhor farofa de banana que já comi, sem exagero nenhum. O sabor das carnes na grelha, o tempero do feijão, a comida que vem à mesa em cumbucas de barro, o clima (e tamanho) de casa da avó. E tem ainda o bolinho de arroz, a batata bolinha, o pudim de leite, o quindim…

Almoçar no Silvinha faz bem ao corpo – comida caseira feita com ingredientes frescos - e a alma. Porque com tanta “magia” gastronômica pipocando a cada esquina (espumas, reduções e emulsões que o digam), muitas vezes, só o que a gente precisa é de um bom prato de arroz, feijão e farofa e do carinho que a Silvinha e sua família colocam ali”.

(*) Lulie Macedo, 33, é jornalista e editora da revista Serafina, suplemento mensal da Folha de S.Paulo.

Da Silvinha
Rua Costa Carvalho 138
Pinheiros – São Paulo (SP)
Telefone: (11) 2501 3219.
Site: http://www.dasilvinha.com.br/

5 comentários:

Daniel disse...

Uau! Texto maravilhoso! E o lugar parece espetacular!

Anônimo disse...

Grande Luciana, você gosta muito de comer bem e continua magrinha.
Certamente vou visitar o restaurante DaSivinha.Bjos.
Aristeu de Macedo

Theo disse...

Hummm... deu fome!

ótimo texto

bj

Mate disse...

Eu fui e amei!!!! O ambiente é acochegante o tratamento então nem se fala! A comida é divina, recomendo muito! bjs Mate

Anônimo disse...

Comfort Food, delícia!