quinta-feira, 3 de abril de 2014

30ml // Café com calma

Sandro Biondo
Colunista de Café do Gastronomix

Sabe aquela cena clássica do cafezinho rápido, no balcão do bar, entre um compromisso e outro no centro de uma grande cidade? Ou das horrorosas máquinas de venda (sim, porque vending machine é o cacete, como diz Ancelmo Gois em sua coluna de O Globo) de espressos, achocolatados e outras bebidas ruins?

Pois bem; saiba que no mundo dos bons cafés as cenas estão cada vez mais em desuso. E que bom que seja assim. Revista Espresso deste trimestre crava na capa o Café sem Pressa como tendência da gastronomia. Graças a Deus, Oxalá, Buda, Alá ou quem quer que lhe represente lá em cima.

A matéria mostra o que todos nós, apreciadores do fruto arábico, já sabemos há tempos: café bom tem de ser bebido devagar, de preferência com um acompanhamento antes, uma conversa durante e outra xícara depois.
O movimento slow food (daí o Ancelmo Gois não pode brigar, porque o estrangeirismo já caiu no linguajar geral) foi criado na Itália em 1986 para se contrapor à moda do fast food, que já se espalhava feito praga do Egito àquela época. A ideia era valorizar o passo a passo e a fruição da comida quase como ritual, o que na verdade ela é. Não lhe parece coincidência demais que a Italia seja a terra de origem do espresso? Eles sabem o que fazem..

Pois o café também é ritual. E dos mais prazerosos, se bem curtido. A liturgia de limpar as papilas gustativas com água filtrada ou com gás, sorvê-lo lentamente para sentir o aroma, a acidez, o sabor pronunciado, o doce escondido por trás do aparente amargor... tudo isso demanda tempo, papo e, quem sabe, um bom bolo de fubá fumegando do forno para acompanhar...
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Um comentário:

Fábio Fonseca disse...

Café é tudo! #adoro
Parabéns pela matéria pessoal!
Código 1 TI