segunda-feira, 13 de agosto de 2012

EU RECOMENDO//O erudito e o popular se encontram



Por Alexandre Innecco
Convidado especial do Gastronomix


Ok. Então este espaço é um “blog gastronômico”, e eu sou um “músico erudito”. Espera-se dessas duas categorias, no mínimo, uma certa classe. Quanto ao blog, a classe é inegável. Já a minha, colocá-la-ei à prova, agora.


De volta a Brasília em 2011 depois de dez anos fora, voltei com muita energia, muita sabedoria e pouco dinheiro. Assim, estou adequando minhas aventuras gastronômicas ao meu orçamento, sem qualquer vergonha ou pudor de procurar estabelecimentos que ofereçam refeições saborosas e generosas (meu apetite é tenorístico) por um preço que Rodolfo (o herói ciumento de La Bohème) poderia pagar.


Minha primeira surpresa foi o Kiosky da Rosa, no Cruzeiro. Até podia dizer o endereço, mas não adianta, porque ninguém acha – a não ser que se diga que é “atrás do Corpo de Bombeiros”. Como o nome sugere, o restaurante é abrigado num puxadinho irregular, típico da capital, que pode até ter começado como um quiosque anos atrás, mas hoje é uma enorme área coberta com dezenas de mesas de metal (e outras dezenas fora da área coberta).

Por R$ 14, você se serve de um espetinho de carne ou frango delicioso, feito numa grande churrasqueira a carvão – cuja fumaça se estende por quilômetros (aliás, seguir a fumaça é outro jeito de achar o restaurante). Acompanham o espetinho uma excelente guarnição de arroz, feijão tropeiro, farofa e molho vinagrete. A experiência é bem antropológica, com direito a tudo o que a emergente classe C pode oferecer: celulares tocando música alta, famílias alegres conversando alto, com crianças correndo por todos os lados, e garçons que te chamam de “meu amigo”. Se isso te parece uma filial do inferno, então fuja. Mas eu adorei.

Minha segunda sugestão é ainda mais plebeia que a primeira. É o Cachorro-Quente do Baixinho, na SQS 213. É daquelas carrocinhas que se estabeleceram há muitos anos na entrada da quadra e se firmaram com freguesia formada principalmente por quem quer um lanche rápido no fim da noite. Se não quiser comer de pé, eles têm aquelas cadeiras de plástico que alguém “forte” como eu corre o risco de partir ao meio.


Eles têm dois tipos de cachorro-quente: “na chapa” ou “com molho”. O primeiro significa uma salsicha grelhada com queijo, bacon e todo o sódio que você pode consumir em uma semana. O segundo é mais clássico (praticamente um Beethoven), com a salsicha fervida. Ambos acompanham todo tipo de substância animal, vegetal ou mineral que se possa colocar dentro de um pão com salsicha, incluindo milho, ervilha, batata-palha, maionese, cebola, alho, queijo parmesão e, é claro, ketchup e mostarda. Cada hot dog custa R$ 5 e com dois desses você está pronto para uma noite de pesadelos e azia, mas muita alegria gastronômico-juvenil.

KYSOKY DA ROSA
Ao lado do Bloco B da Q 1303 do Cruzeiro Novo (entrada do Corpo de Bombeiros), 3361-3159
De segunda a sexta, das 17h as 23h30 e sábado das 12h às 17h


CACHORRO-QUENTE DO BAIXINHO
Entrada da 213 Sul
De terça a domingo, a partir das 18h30


(*) Nascido em Brasília, Alexandre se considera típico produto da cidade  – que mistura o internacional com o caipira; o esotérico com o político; a seca de rachar com o dilúvio. Seu currículo errante vai de tenor lírico a cantor popular; de professor de história da música a ator; de empresário nos Estados Unidos a tradutor na África. Atualmente está à frente do Espaço Cultural Alexandre Innecco (ECAI) e ensaia para voltar aos palcos brasilienses na próxima sexta-feira, às 20h, na Casa Thomas Jefferson da Asa Norte, com o espetáculo Tô voltando. Entrada franca. 

Um comentário:

Bruno Couto disse...

Vocês poderiam pelo menos cita a fonte das fotos gente. Essa foto do dog do baixinho eu que tirei e postei no FourSquare. Como foi uma listagem aberta podem pegar, mas n custa nada citar a fonte.
Fica a dica.