quinta-feira, 26 de março de 2009

GASTRONOMIX // Oscar está de volta


1959. Tom Jobim e Vinícius de Moraes estavam em Brasília a convite de Oscar Niemeyer. Ao caminhar pelo Catetinho (na época, residência oficial do presidente Juscelino Kubitchek), eles viram uma fonte jorrando e perguntaram ao caseiro:
– O que é isso?
E ele respondeu:
– Água de beber, camará.
No dia seguinte, Tom e Vinícius apresentaram a música Água de Beber, pela primeira vez, no piano bar do Brasília Palace Hotel, terceiro prédio construído na capital.

2009. Meio século depois, o piano bar transformou-se no restaurante Oscar, que vai abrir suas portas para o público a partir do dia 6 de maio. O desafio de dar nova vida ao lugar foi assumido por Adriana Teixeira e César Serra. Um outro Oscar já funcionou no mesmo lugar, só que a proposta era outra. A ordem da casa é renovação, menos no nome, sempre emblemático.

Para comandar a cozinha, eles convidaram o chef Laurent Suaudeau (veja biografia completa
), que chegou ao Brasil em 15 de dezembro de 1979, quando foi enviado pelo mestre Paul Bocuse para ser chef assistente no Le Saint Honoré, restaurante da rede Méridien, no Rio de Janeiro. Em 30 anos de Brasil, Laurent criou asas e fez um pouco de tudo. Teve restaurante renomado em São Paulo, escreveu o livro Cartas a um Jovem Chef, fundou sua Escola de Artes Culinárias e, depois, de um tempo sem ser “dono” de uma cozinha, vai pilotar as panelas do Oscar. Um prazer para a cidade.

Laurent explicou que a gastronomia do restaurante vai valorizar ingredientes brasileiros e, principalmente, os produtores locais. Mas, é claro, sem perder os laços de sua formação francesa. Na apresentação do restaurante aos jornalistas, nessa terça (24), viu-se uma mostra do que será o cardápio:

Musseline de mandioquinha com ovas de salmão e caviar
Na minha opinião, o melhor prato servido do almoço.

Terrine de foie gras e sua brioche
O dedo francês de Laurent. Eu aprecio. O pão estava quentinho.

Camarões Yemanjá, velouté de coco, arroz proibido, telha de acarajé
Um soteropolitano-francês. O arroz negro contrapôs o paladar dos camarões e de seu tempero

Pato laqueado ao caramelo de laranja e confit de rabanete.
A camada laqueada estava saborosa e o rabanete,
honestamente,
estava longe de aparentar um rabatene. Bem atrevido.

Caju caramelizado, emulsão cachaça, mel de cajuína, sorvete de castanha de caju
Overdose bem-vinda de caju, considerada a fruta perfeita pelo chef Ferran Adriá

O ambiente está elegante e clássico com forte presença do preto e branco. O piano, ao centro, é um dos charmes do Oscar. Haverá música ao vivo às terças e às quintas, cuja programação ficará sob o comando do músico e cantos brasiliense Rogério Midlej.

Destaque também para entrada do banheiro: toalhas de linho e produtos da linha Tânia Bulhões. Um diferencial, com certeza.

Oscar
Brasília Palace Hotel
SHTN trecho 1 conjunto 1 parte A, entre o Lake Side e o antigo Blue Tree
Telefone: (61) 3306 9060

2 comentários:

Anônimo disse...

Putz... os pratos parecem tão apetitosos... Não vejo a hora de provar...

Carlos disse...

Esse pato tá com uma cara ótima!
As sobremesas então...