terça-feira, 3 de outubro de 2017

GRÃO DO DIA // 5 ingredientes inusitados com café

Alex Melo
Colunista de Café do Gastronomix

Já pensou em tomar café extraído das fezes de um pássaro? Ou de tomar café com sal? Bom, por mais estranho que pareça, esses hábitos ou costumes são praticados em diversos lugares mundo afora. Alguns fazem até parte mesmo da cultura de certos países!

Ficou curioso? Confira, então, 5 ingredientes inusitados usados no café que o Grão do Dia separou nesta matéria para vocês!

Como você costuma fazer o seu café? Você irá perceber que os grãos de café podem ser consumidos juntamente com alguns ingredientes esquisitos para a nossa cultura, mas, que porém, fazem parte da rotina de muitas pessoas pelo mundo.

# INGREDIENTES INUSITADOS
 
1.CAFÉ COM SAL
Países, principalmente, como Sibéria, Turquia, Hungria e Etiópia, são acostumados a colocar sal em seus cafés para reduzir a amargura e acentuar o gosto da bebida! Põe interessante nisso, não? Bom para as pessoas que trocam os potes de sal com o de açúcar! rs.

2. CAFÉ COM CARVÃO
Esse tipo de café é consumido juntamente com carvão vegetal quente. Também conhecido como Kopi Joss, e que, segundo os indonésios, é capaz de esquentar até mesmo a alma. Duplamente bom, hein! Já que o carvão é ótimo para neutralizar a acidez da bebida.

3. CAFÉ COM FEZES DE PÁSSARO
O Jacu Bird Coffee é feito a partir dos grãos comidos e expelidos pelo pássaro de mesmo nome de fazendas do Espírito Santo. O produto é desenvolvido a partir dos excrementos do jacu (uma ave que habita zonas de florestas), ganhou o selo de segundo mais exótico do mundo e foi representante do Brasil nas Olimpíadas de 2014.

4. CAFÉ COM QUEIJO
Bom, esse costume é tipicamente praticado entre os suecos e hispânicos. Onde o queijo é diretamente mergulhado no café e não degustado separadamente (fica a observação, rs). Alguns exemplos de queijo bons como tipo de ingrediente: Gouda e Edam.

5. CAFÉ COM LIMÃO
Não pense que isso é coisa de outro mundo. Não Itália e aqui mesmo em São Paulo isso já é bastante praticado. No entanto, muitas pessoas garantem que a receita é ótima para o tratamento de enxaquecas ou dores de cabeça recorrentes e que pode ser ótimo como opção para um grão não tão bem torrado.

Bom, com certeza não são muito de dar água na boca ou de se desejar no primeiro momento, não é mesmo? Rs. Porém, gosto é algo que não se discute, pois cada um tem o seu. Com certeza passaram por critérios de avaliação e tiveram seus motivos para estar nos cardápios de muitas cafeteiras por aí afora! Hehehe.

Que tal experimentar algum deles e descobrir que você faz parte do grupo de apreciadores?!

Vamos lá, let's start! 😊

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quinta-feira, 28 de setembro de 2017

CHAZEIRA // Assinatura de... Chá?

Eloína Telho
Colunista de Chá do Gastronomix
Uma das experiências mais prazerosas da minha vida é comprar chá, sério! Adoro ir à loja, ver todas aquelas latas abastecidas, sentir cada aroma, olhar as misturas, tentar decifrar em forma, cheiro e cor o tipo de preciosidade que vai encantar os sentidos. É mágico, é encantador, é especial. E nunca é igual!

Mas se você quiser se surpreender, sair do lugar comum da escolha própria e consciente, provar coisas novas e inesperadas, uma boa opção é fazer uma assinatura de chá.

Como assim, Bial? Assim mesmo! Por uma taxa, em regra mensal, você recebe, a depender da empresa escolhida, um ou mais exemplares de chás e/ou infusões, para descobrir novidades e conhecer ainda mais os encantos da nossa bebidinha amada!

Um dos clubes de assinatura que tenho - e amo! - é o da Naplee Tea. Criado há um ano pela fofa - sem tanto! - Nata Manchon, que eu tive o prazer de conhecer pessoalmente em uma feirinha em São Paulo, é uma explosão de afeto.

Tudo começou quando essa moça, que trabalhava com moda, já sem muita empolgação, resolveu se reinventar. Como era chazeira por convicção, pensou que podia fazer disso também um trabalho - e trabalhar com paixão é muuuuuito mais gostoso, né? Com o marido, que também é seu sócio, resolveu aprimorar seus poderes alquimistas e empacotá-los, para nos encantar em golinhos, com misturas cheias de propósito, saúde, carinho e muito sabor.
Meu momento Naplee Tea!

Quando você faz a assinatura, recebe um questionário por e-mail, para falar sobre suas preferências, estilo de vida, expectativas. É super legal, porque eles passam a lhe conhecer melhor, para oferecer um produto que tenha mais a cara de quem assina.

A Nata se liga nos mínimos detalhes e você recebe, além de dois pacotinhos de chás/infusões de 30g, uma cartinha fofa, com direito a lacre de cera de antigamente, informações sobre as misturinhas do mês, além de um presente escolhido a dedo, sempre relacionado ao mundo chazeiro (no mês da Páscoa, por exemplo, recebi um chocolatinho com matcha!). Tem até playlist disponível no Spotify, para tornar seu #momentomágico ainda mais inesquecível, que tal? É muito cuidado, meu povo.
Olha como chegam os chazinhos!

Playlists da Naplee.

Além da assinatura, a Naplee oferece uma linha de chás para os chacras e inspirados na ayurveda; desenvolve também blends personalizados. A embalagem de tudo é bem artesanal e traduz o cuidado e a atenção da marca conosco, assinantes e fãs dessa filosofia de vida leve que transcende o alcance da caixinha do mês. A sede da empresa fica em São Paulo, mas eles enviam para todo o país. Chega tudo certinho, sem sustos, e a surpresa é sempre gentil.

Se você se interessou pela ideia, pode conhecer mais no site www.naplee.com ou pelo instagram @naplee.tea. Eles costumam ser bem atentos ao contato por e-mail, então, se tiver alguma dúvida não elencada no site, pode escrever que a Nata responde mesmo, sem demora.

Agora é sua vez de me dizer: gosta de experimentar novos sabores, assim, às cegas? Ou é tipo São Tomé, tem que ver para crer? Conte-me de suas andanças (ou "bebências"! Rs!), compartilhe experiências! Mande fotos, me marque nas redes sociais... Vale tudo para dividirmos o #momentomágico, ainda que virtualmente!

Se quiser me acompanhar pelo Instagram ou Facebook , lá estão as imagens que ilustram na prática tudo o que falamos por aqui, feitas a partir do meu #momentomágico: @chazeira (insta) ou @eloinachazeira (face). Escreva para o eloinachazeira@gmail.com. Te espero lá, pra não morrermos de saudade até a próxima quinta, certo?

Beijos e boas novas experiências! :)

quarta-feira, 27 de setembro de 2017

ALMANHAC // Por que os uruguaios comem tanta carne?

Rosualdo Rodrigues
Colunista de Variedades do Gastronomix

A cozinha uruguaia é formada por influências espanholas e italianas, principalmente, mas, quando se fala em culinária daquele país, a primeira coisa que nos vem à mente são a parrilla e os cortes bovinos assados.

Realmente, nossos vizinhos são loucos por carne — assim como os argentinos e nós brasileiros. E o culpado de tudo isso é um paraguaio, um certo Hernando Arias de Saavedra, mais conhecido por Hernadarias.

Militar, conquistador, colonizador e explorador, foi ele que teve a ideia de ocupar a então chamada Banda Oriental com vacas, no século 17. Até ali, o império espanhol pouco interesse tinha naquela área, desprovida de metais preciosos.
O paraguaio acreditou que podia transformar a região num imenso pasto. Em 1611, levou as primeiras reses. Em 1617, chegou outro rebanho mais significativo, com 100 vacas e alguns touros. Em 1634, a população bovina cresceu mais ainda, com a chegada de 5 mil cabeças de gado.

E os índios charrúas, que habitavam a Banda Oriental desde antes da chegada dos espanhóis, passaram a conviver com vacas e bois. Os homens brancos só iam lá, a partir da Argentina, para fazer rodeios e matar reses para tirar o couro. A carne era descartada. Olha só que desperdício!

Aí, em torno dessa criação, surgiram os gaúchos, que cruzavam a região a cavalo e descobriram que uma “ternera” (rês com menos de um ano de vida) assada não era nada mau. Pronto, se estabeleceu a partir dali o hábito de comer carne. Não só no território que hoje é Uruguai, mas em todo o bioma pampa, que inclui pedaços da Argentina e do Brasil.

Fonte: CEI — Organización de Estados Iberoamericanos.  Foto: isto é uma parrilla (Luiz Ribeiro/123rf)

terça-feira, 26 de setembro de 2017

GRÃO DO DIA // Cafezinho em um coffee truck. Que tal?

Alex Melo
Colunista de Café do Gastronomix

Quer tomar um café em um lugar muito gostoso, com baristas super simpáticos, cafés bem tirados e comida bem caseirinha e muito bem feita?! Opa, pois bem, esse lugar tem um dos cafezinhos mais saborosos da Vila Madalena (e às vezes na Vila Mariana, rs) e é servido em um copinho personalizado! Estou falando do Truck de cafés, Nano Cafés Especiais.

Um dos lugares mais gostosos para tomar cafés especiais acompanhado de comidinhas bem caseiras, preparadas pela proprietária (e uma querida), a Livia Scudeller! Os cafés ficam por conta do marido e também proprietário, Robinson Kimura. Todos muito bem tirados, que fique registrado.
Foto: Edenilso Gavlak, do Cafeinação (@cafeinacao).

Com uma estrutura colorida o truck do Nano Cafés oferece muitas opções em bebidas quentes, bebidas geladas, comidinhas - como o deliciooooso salame de chocolate da Lívia - além de pães de queijo, e também pacotinhos de café em grãos ou moídos na hora.

E segundo a Lívia, 'Nossa missão é bem simples: café e comidinhas de qualidade a preços acessíveis!'. Perfeito! Gostamos muito de tudo isso aí na frase!

O espresso é preparado cuidadosamente com os deliciosos grãos mineiros do Wolff Cafe. E ah, tem café espresso com gotas de chocolate também!!! Fica a dica! As gotas vão bem consideráveis ao fundo do copo.
No atendimento, simpatia não falta! Fiz um curso de degustação e preparo de cafés com eles ano passado durante a Coffee Week Brasil, aqui em São Paulo. E olha, foi uma verdadeira experiência sensorial e de sabores! O curso foi ministrado pela Regina Machado, barista do Sofá Café, que simplesmente manda muito bem nesse assunto!

Durante o curso, tiraram todas as nossas dúvidas em relação aos produtos e forma de preparo! Além  de ter batido um papo super bacana com a Lívia sobre a experiência deles no mercado e o início do sonho de negócio.

Nano, vocês estão de parabéns! As comidinhas nos remetem muito à infância, quando eram preparadas com todo o carinho por nossas avós! E olha, com relação aos preços, fiquem tranquilos, são ótimos pois casam com a qualidade e a excelência dos produtos e do atendimento!
O truck de café fica instalado no Cake Design da Vila Madalena. Mas também dividem a agenda no Food Park da Vila Mariana.

Para conferir a agenda semanal com os locais do Nano, acesse a página do Facebook. Gostaram? Passem lá, mandem nosso beijão para os queridões Livia e Rob, e aproveitem o café com comidinhas por lá.

Não deixem de marcar seus momentos cafezinho usando a #GraoDoDia.

Nano Cafés Especiais
🚩 Onde fica: R. Girassol, 481 - Vila Madalena, São Paulo - SP
(Dica: clique no link do endereço e veja a surpresa que preparamos! Hotéis e acomodações para a região da matéria! 
😋)

Foto: Edenilso Gavlak, do Cafeinação (@cafeinacao).

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segunda-feira, 25 de setembro de 2017

NOTÍCIAS // Os 9 melhores croissants de Brasília

 Sebastián Parasole (*)
Convidado especial do Gastronomix

“Considero-me guloso, ansioso e fanático em querer comer bem e ser bem servido. Depois de três semanas experimentando e recorrendo às ruas de Brasília, consegui detalhar onde são vendidos os melhores e mais respeitados croissants da cidade.

Croissant é uma palavra francesa que significa crescente. Conta a história que durante a Batalha de Viena em 1683, durante a madrugada enquanto os padeiros trabalhavam ouviram o barulho que os otomanos faziam ao cavar túneis para invadir a cidade de Viena, Áustria. O formato em crescente seria alusivo à bandeira do Império Otomano.

Este famoso pão se fabrica desde o século 18, sendo feito de tamanhos e formatos variados, não necessariamente em formato de lua. Foi a Maria Antonieta que popularizou esta iguaria, quando em seu casamento com o rei Luís 16 (França) em 1770, mandou servi-los no jantar antes da cerimônia.

Para experimentar um croissant, devemos levar em conta as caraterísticas básicas: Um croissant deve ser aerado, leve, crocante por fora, dourado e minimamente doce. Não deve ser gorduroso, doce demais ou massudo.

Meus escolhidos são, em ordem alafabética: 
- Cardabelle
- Castália
- Ernesto Café
- L'amor du Pain
- La Boulangerie
- La Boutique
- Laika
- La Panière
- Varanda Pães Artesanais

Observação: A loja Daniel Briand não está na foto, por ser um dos pioneiros em fazer croissant e ser um multiplicador de produtos de boa qualidade em Brasília.

Nunca pensei em determinar qual é o melhor e o pior croissant da cidade. O paladar se educa e o cliente decide. Boa descoberta.

(*) Sebastián Parasole é Coordenador Geral de Gastronomia do IESB.

quinta-feira, 21 de setembro de 2017

CHAZEIRA // Na Rússia, com Ivan-Chá!

Eloína Telho
Colunista de Chá do Gastronomix

Quando a gente resolve se embrenhar no mundo dos chás, toda hora é hora de procurar um novo sabor. Os cafés da manhã dos finais de semana ou encontros com amigos à noitinha se tornam motivo para conhecer os cafés que abriram na cidade; pedacinhos de qualquer viagem se tornam oportunidade de ouro para se procurar utensílios diferentes, misturas exóticas, aquela loja incrível, a xícara perfeita.

E de tanto a gente falar sobre chá, expandir a paixão para além dos limites do nosso paladar, os amigos acabam se envolvendo nessa busca também. Os meus – os melhores, não canso de dizer! – sempre trazem uma nova oportunidade de conhecer culturas, aromas e sabores. Eles viajam e me levam com eles; acabamos buscando juntos a oportunidade de um novo gole, que também é a desculpa para novos encontros. Chá e afeto sempre andam juntos. E isso é demais! J

Dia desses, meu amigo Ronaldo, ao chegar da Rússia, me trouxe uma nova caixinha da felicidade.  “É o Chá do Ivan com menta”, ele disse, enquanto eu olhava assustada as letrinhas que nada me diziam, afinal, ler russo não está nem perto das minhas habilidades! Rs! Depois de provar o sabor, que não consegui associar a nada conhecido (a não ser a menta, suuuuper refrescante!), parti pro São Google, para tentar entender a novidade.
Meu Ivan-Chá com menta, na caixinha.

Ivan-Chá in natura!

De início, descobri que, na verdade, o Chá do Ivan ou Ivan-Chá (Koporsky Tea) é uma infusão. Não vem da Camellia Sinensis, mas de outra plantinha, Epilobium angustifolium. Em Inglês, achei com o nome de Rosebay Willowherb e, em, Português, como Salgueiro Angustifolia ou Salgueirinho. E ela é bem linda, olha só!

Na pesquisa, acabei encontrando a informação de que a Willowherb foi considerada, em 2002, a flor símbolo da cidade de Londres... Da Rússia para a Inglaterra, pra enfeitar os corações! Efeito da globalização, né, gente?

Os russos têm muita tradição no preparo de infusões herbais; a mais importante delas, que foi amplamente exportada como um “chá” nacional russo, é justamente o Ivan-Chá, feito a partir das folhas da planta. Antes mesmo da profusão dos chás chineses e indianos nas sociedades ocidentais, no século XVII, já era exportado para Europa Ocidental como “Chá Russo”, “Koporye Tea” e “Ivan-Chai”; foi o segundo produto mais exportado do país! Cresce especialmente em campos e perto de flores das da Rússia europeia e Sibéria, é colhido entre junho e julho, durante a floração, e pode ser apreciado em ervas frescas ou secas, em processo parecido com o do preparo do chá. Tem quem use suas raízes em um preparo parecido com café (fiquei curiosa para ver) e também em preparos culinários... Boas ideias, hein?

Quanto ao preparo, encontrei um videozinho; se quiser ver, está em https://www.youtube.com/watch?v=bdLe1CGtf8k. Mas atenção: o que eles chamam de fermentação é oxidação, viu, meu povo! Além disso, as flores que acrescentam não são originalmente da planta; são peônias, que usaram para aromatizar naturalmente a infusão, criando um “blend” de Ivan-Chá e peônias, parecido com o que fazem com chá verde e jasmim.

O nome, dizem, foi escolhido por ser “Ivan” o nome próprio mais comum do país, equivalente ao nosso “João”. Mas também há uma lenda associada ao nome da infusão, que encontrei no Blog “Comida Russa de Verdade” (http://comida-russa.blogspot.com.br), e adorei:

“Há muito tempo atrás, numa vila russa morava um moço chamado Ivan. O moço sempre andava vestido com uma camisa da cor de framboesa e passava o seu tempo nos campos e perto das florestas, entre as flores e ervas. Quando os moradores da vila viam a cor de framboesa entre as ervas verdes, eles diziam “Deve ser o Ivan passeando”!". Naqueles tempos a frase era assim, "Ivan tchai khodit!". Tchai (чай) significava "parece que", "deve ser". É homofóno da palavra russa tchai (чай - chá).

Um dia Ivan desapareceu. Mas como ele era bastante solitário e não falava com ninguém, as pessoas nem perceberam. A única coisa que eles lembravam dele era aquela cor que aparecia no meio do verde. Então, quando no lugar onde o moço costumava passear, cresceram as flores da mesma cor, as pessoas continuavam dizendo a mesma coisa, "Ivan tchai". Uma vez as mulheres da vila fizeram uma festa no campo. Elas cantavam e brincavam até a noite e ficaram com frio. Por isso decidiram fazer fogo e esquentar água. Como estava escuro, elas não queriam ir na floresta procurar lenha e pegaram aquela erva para fazer uma fogueira. Algumas folhas e flores caíram na água e quando as mulheres perceberam, experimentaram como ficou. Elas gostaram da bebida e desde aquele tempo o nome da erva é relacionado com chá.”

A infusão preparada, como adiantei, é bastante leve e refrescante, até adocicada. Só provei quente, preparada a 95oC, por 5 (cinco) minutos. Pelo sabor, imagino que deve ficar ótima também gelada. Vou tentar e conto depois!

Para quem se liga no sabor, mas não quer deixar de lado os benefícios (afinal, bebida boa com benefícios é tudo o que a gente quer, né?), passo a relacionar as propriedades comumente associados ao uso; dizem que tem efeito calmante, ajuda a curar os males do estômago e dor de cabeça, tem propriedades antissépticas, baixa pressão, trata do sistema urinário e reprodutor. Possui mais vitamina C do que a laranja e o limão (até seis vezes!!!), pelo que é um ótimo antioxidante. Rico em titânio, níquel, cobre, manganês e lítio, flavonoides e taninos. Li também sobre seu uso em tratamentos de dependentes químicos, especialmente em relação ao uso excessivo de álcool. Não tem cafeína e é um ótimo companheiro pré-sono.

Ufa, quanta informação! Mas achei tão interessante que não podia deixar de compartilhar.
Então me conte, você já tinha ouvido falar do Ivan-Chá? Já provou? Que chás ou infusões exóticos você conhece? Compartilhe aqui também, pesquisamos juntos! :)

Ah, se quiser me acompanhar pelo Instagram ou Facebook , lá estão as imagens que ilustram na prática tudo o que falamos por aqui, feitas a partir do meu #momentomágico: @chazeira (insta) ou @eloinachazeira (face).  Te espero lá, pra não morrermos de saudade até a próxima quinta, certo?

Beijos e bons chazinhos! Ou boas infusões! :)

quarta-feira, 20 de setembro de 2017

ALMANHAC // O primeiro restaurante chique em Nova York

Rosualdo Rodrigues
Colunista de Variedades do Gastronomix

Trinta anos antes de escrever “Fisiologia do Gosto” — livro que até hoje é parte da biblioteca básica de quem pretende estudar a teoria da gastronomia –, o  advogado, político e cozinheiro francês Jean Anthelme Brillat-Savarin (1755-1826) morou por dois anos em Nova York.

Fora para lá fugido da Revolução Francesa. Ali, dava aulas de francês e de violino para sobreviver. Na ocasião, não encontrou na cidade nenhum restaurante que merecesse constar em suas anotações futuras.

Na verdade, à epoca, Nova York estava muito, mas muito longe, de ser o paraíso gastronômico de agora. Já haviam os oyster bars, os bares de ostras, uma tradição local, mas o cenário era de cidade interiorana.

Somente em 1825, mesmo ano em que “Fisiologia do Gosto” saiu na França, é que surgiu o primeiro restaurante mais sofisticado na ainda “pequena maçã”. Percebendo como a cidade estava desprovida de um estabelecimento do tipo, o mercador de vinhos suíço Giovanni Delmonico foi buscar o irmão Pietro, bem-sucedido pasteleiro em Berna.  

Abiram no número 23 da William Street o Delmonico’s. Inicialmente um café, que servia doces, bolos, vinhos, charutos e, grande novidade para os nova-iorquinos, um chocolate espesso e quente.

Seis anos depois, chegou o sobrinho dos dois, Francesco, que afrancesou o próprio nome (para François) e o cardápio da casa. Surgiu então o Delmonico’s Confeiteiros e Restaurant Français. Os suíços revolucionaram o cenário gastronômico local, logo foram copiados e transformaram a culinária francesa em sinônimo de boa comida em toda a América.

Outros restaurantes surgiram na cidade com o mesmo nome em anos posteriores, mas nenhum conseguiu a mesma fama do original — que perdurou até os primeiros anos do século 20.

Fonte: “A Grande Ostra — Cultura, História e Culinária de Nova York” (Mark Kurlansky). Foto: jantar de honra no Delmonico’s em 1906 (Wikipédia)