segunda-feira, 18 de setembro de 2017

EU RECOMENDO // Um belo passeio 17 lugares em Lisboa

Cristiana Beltrão (*)
Convidada especial do Gastronomix

Foi um breve feriado lisboeta com milhas e filhos, sem disposição alguma por buscar novidades (exceto as esbarradas), refeições de muitos pratos ou qualquer coisa que tirasse meu foco da coisa linda que é simplesmente estar com eles. Revendo o que já conhecia, tive algumas preciosas alegrias, dignas de nota:

O café do dia no V-60 da COPENHAGEN COFFEE LAB, continua pontapé inicial obrigatório (eles ficam com as viennoiseries, eu com umas dentadas furtivas sem culpa). Fazer nada na Praça das Flores está no pacote.
No quesito descobertas, ficamos com o TAPISCO, de Henrique Sá Pessoa, com pequenos pratos, copos e tal, no Príncipe Real, meu bairro favorito. Viva o choco frito, com maionese de coentros e lima (alegria das crianças), o polvo saboroso e as amêijoas à Bulhão Pato, muito frescas.

O sorvete de pêssegos do Algarve da MÚ GELATERIA (sinto muito aos que viajam agora - já vai estar fora da época em breve), foi certeiro nos momentos de sol a pino. Novidade importante, um cantinho francês em Lisboa de coisas para comer pelas ruas, é a BAGUETTES &CORNETS, com pâtisserie e sorvetes imensos, de matar.
Voltei à Pasteleria ALCOA, das melhores que conheço para doces conventuais portugueses e conheci o pudim São Bernardo. É bom, cheio de muitas gordas gemas, mas ainda prefiro pecar com os pasteis de nata ou um docinho em forma de coração (que ganhou o meu), chamado castanhas de ovos.

No hotel FORTALEZA DO GUINCHO, que tem ambiente (muito) e serviço (um tanto) fora de moda, sempre me encanto com a cozinha e com a carta, excelentes. Tombei pelos carabineiros e pelos micro pepinos em flor que acompanhavam o mexilhão. Delicadíssimos.
Nunca fui ao BY THE WINE com a comida em foco. Adoro os vinhos e em geral me bastam. Se da última visita me encantei pela conserva de perdiz de José Júlio Vintém, desta vez adorei o chuletón para dois, e não sou lá muito carnívora. Mas o que mais gosto, mesmo-mesmo-mesmo, é poder beber a copo um Alambre Moscatel 20 anos.

No SEA ME, que muitos exaltam pelos sushis cheios de cream cheese e outras heresias, sempre gostei do salão animado, ostras, vinhos, peixes e serviço atento e rápido. Provamos um excelente rodovalho inteiro, na brasa, com um Vale da Poupa, branco do Douro.

No CAFÉ LISBOA, continuo encantada com as empadas. Já adorava a portuguesinha, recheada com as carnes, enchidos e a couve do cozido e agora virei fã da de perdiz com arroz de grelos (que são rebentos, talos, seus cabeça-suja).

No BAIRRO DO AVILLEZ, não dei sorte com o lingueirão (cheio de areia) que, sabemos, acontece... mas o que importa é que a equipe contornou com elegância e atenção. Palmas para a açôrda de camarão com gema de ovo. Excelente.
A ganache de chocolate amargo com vinho Madeira 5 anos da CHOCOLATARIA EQUADOR foi golpe baixo. Atingiu-me bem nos quadris e lá ficará, que eu sei.

Provei vários pratos na CEVICHERIA (quarta visita), mas o ceviche puro continua como preferido na simplicidade fresca.

Também no peito, barriga, coxas e o diabo, ficará o bolo de chocolate da LANDEAU (terceira visita com penitência, de joelhos) que sempre tira do sério uma pessoa que não é muito fã de chocolates, mas acha que sim, quando lá está.

GIN LOVERS, claro e sempre, porque com ritual não se brinca. Disse "Rodem vocês pelas lojas! Vão! Consumam!" que tinha assuntos a tratar ali. Nada consumistas, como a mãe (afora comida e vinhos), voltaram de saco cheio e eu já de copo vazio.
E, obviamente, entre um Granit Soalheiro e outro, o adorável Quinta das Bágeiras Garrafeira 2012, e o Nossa Calcário da querida Filipa, não consegui passar sem um bando de vinhos da Niepoort. Foi Coche 2015, Charme 2014 e Batuta, este último com safra 2001, de chorar.
Engordei a mala de presentes n'A VIDA PORTUGUESA, LOJA DAS CONSERVAS e na recém aberta e descoberta d'OLIVAL, com azeites ímpares de pequenos produtores de Trás-os-Montes.

No mais, a alegria das feiras e praças lindas, da gente adorável e o alívio de passear pelas ruas sem medo.

(*) Cristiana Beltrão é empresária e restaurantrice. Responde pelo Grupo Bazzar Alimentos,  restaurante Bazzar e Bazzar Lado B. Também escreve o blog crisbeltrao.blogspot.com com excelentes dicas de onde comer no Brasil e no mundo.  

sexta-feira, 15 de setembro de 2017

DRINK_ME // 5 receitas de Gin & Tonic

Juliana Raimo
Colunista de Drinks do Gastronomix

Recebi alguns amigos em casa e por estar de dieta e resolvi ficar só no Gin & Tonic, pois de todos os drinks é um dos mais lights. Pensei em me aventurar a fazer as releituras que provei no Bar Astor há alguns meses, mas estava sem os ingredientes. Então, bebi o tradicional com Gin, água tônica e uma rodela de limão.

Como este será o meu drink por, pelo menos, mais algumas semanas, busquei recordar as ideias que trazem uma releitura do tradicional drink, para estar preparada para a próxima noitada!

- Marcas de Gin: Gordons, Tanqueray, Buldog, Beefeater, Bombay e Hendrick’s.

Todos os drinks abaixo levam Gin da sua preferência (50ml) e água tônica (completar).

1 – GRAPEFRUIT GIN AND TONIC 

Providenciar: Angostura Bitter(3 gotas), limão siciliano para twist, grapefruit(15ml) e semente de zimbro.

2 – MOJITO GIN AND TONIC 

Providenciar: Rum branco (10ml), gotas de limão tahiti, folhas de hortelã e twist de limão Tahiti.

3 – ORANGE GIN AND TONIC 

Providenciar: Três gotas de bitter de laranja(angostura), suco de grapefruit(fresco) (10ml) e anis estrelado, laranja bahia para twist e canela em pau.

4 – ROSE GIN AND TONIC
Providenciar: Casca de pepino, pétalas de rosas, 01 gota de água de rosas (bebida turca). 

5 – ROSEMARY GIN AND TONIC 

Providenciar: pepino em rodelas e alecrim.

Resumindo a lista de compras para ter em casa em um dia que você irá receber os amigos é:
- 2 Grapefruits
- 4 Laranjas bahia
- 4 Limões Sicilianos
- 4 Limões Tahiti
- 1 pepino
- Alecrim
- Pétalas de uma rosa
- Folhas de hortelã
-1 vidro de água de rosas
-1 vidro de Angostura Bitter (todos tem que ter um destes em casa 
- Especiarias: Anis , canela em pau e semente de zimbro.

 Servir em copo baixo ou em taça de vinho baixa ou taça cognac.

Onde encontrar um Gin & Tonic diferente:

Bar Astor
Rua Delfina, 163, Vila Madalena  tel + 55 11 3815-1364
Funcionamento: de segunda a quinta a partir das 18h; sexta, sábado e domingo, a partir das 12h.

- Créditos das fotos: Leo Feltran

quinta-feira, 14 de setembro de 2017

CHAZEIRA // O chá na cozinha

Eloína Telho
Colunista de Chá do Gastronomix

Eu amo chás e infusões (ahhhhhh, que novidade!!!), especialmente na forma tradicional, folha/flor/raiz/fruta-água-xícara. Mas esses meus amores são tão maravilhosamente versáteis que têm ocupado espaço nas panelas de outro modo: em preparos culinários incríveis!

Os japoneses, devotos do matcha - aquele chazinho verde em pó especial, usado na cerimônia do chá - o tomam como ninguém. E com ele também preparam sobremesas bem interessantes! Usam em sorvete, chiffon cake, pudim...  
Chiffon cake, do restaurante Yuzu-An, em Brasília/DF.
Sorvete de Matcha, do Empório Mikami, em Brasília/DF

Por aqui, já provei - e aprovei, claro! - blondie e brigadeiro de matcha. E no meu curso de Sommelier de Chá (beijos, Dani Lieuthier e Ana Spengler!), fizemos nhoque de matcha, salgado... Só de lembrar, água na boca! 
Nhoque de matcha, com a mesma receita do curso, foto @ceudabocaserie. Detalhes no canal deles do Youtube: youtube.com/ceudabocaserie. Se joga!
Ana e Dani, essas professoras mais que amadas, ainda operaram milagre em minha vida e promoveram minha reconciliação com o "Lapsang Souchong", um chá preto bem defumado, que eu enjoava só de sentir o aroma... Orientada por elas, usei no filé e na sopa de couve flor e... Jesus amado! Descobri um novo mundo! 
Sopa de couve-flor com “Lapsang Souchong” e chantilly de curry. Sentiu o drama?
Meu filezinho lindo! Sou uma mãe orgulhosa! :)

Com o "Masala Chai", meu amor de outra vida, já fiz pão, brownie, cobertura de bolo e sorvete. Em breve, vou partir pro brigadeiro. Pense, dois amores unidos em uma só receita.

Infusões com frutas e flores rendem geleias bem especiais (agora lembrei-me da geleia do meu amigo Fábio, da @fraisconfiture, de capim limão, e suspirei!). E também podem ser utilizadas nos famosos "suchás", preparados de chás/infusões e frutas, em alta entre nutricionistas funcionais.

Se o caso é de uma bebidinha mais consistente, devo dizer que os chás também tem mostrado força na elaboração de drinks. Minha amiga Cláudia me apresentou a uma de suas criações, que leva Chá "Earl Grey" (chá preto e óleo de bergamota), cachaça, pimenta, melado de cana, e eu quase comecei a beber álcool por causa dele, juro! :)

Pensando em tudo isso e já morta de vontade de provar tudo e mais um pouco, passaremos a compartilhar aqui no Gastronomix, além dos chás, teorias e lugarzinhos, receitas maravilhosas que levam nossa bebida-magia no preparo. Vale tudo, sal, doce, sobremesa, drink, suchá... O que a imaginação permitir e o paladar quiser experimentar. Não sou chef de cozinha, mas, como boa taurina, sei bem o efeito que um prato bem feito causa na nossa mente, no nosso estômago, no nosso coração... Por isso, vou arriscar! Você vem comigo nessas experiências? Algo me diz que vamos nos divertir!

Se quiser dividir alguma receitinha especial, envie para o meu e-mail, eloinachazeira@gmail.com. Mande também seu nome, foto, @ nas redes sociais, para que possamos publicar com os devidos créditos, tá?

Ah, se quiser me acompanhar pelo Instagram ou Facebook , lá estão as imagens que ilustram na prática tudo o que falamos por aqui, feitas a partir do meu #momentomágico: @chazeira (insta) ou @eloinachazeira (face). Te espero lá, pra não morrermos de saudade até a próxima quinta, certo?

Beijos e bons chazinhos! Ou boas infusões! Ou receitinhas maravilhosas pra dividir com esse mundão de meu Deus! Ou tudo junto e misturado, que a gente merece! :)

quarta-feira, 13 de setembro de 2017

ALMANHAC // As batatas foram uma espécie de Geni dos europeus

Rosualdo Rodrigues
Colunista de Variedades do Gastronomix

Sabe aquela história da música “Geni e o Zepellin”, de Chico Buarque? Para quem não lembra: por dar para qualquer um, Geni é amaldiçoada pela sociedade, nela jogam qualquer porcaria. Mas no momento em que surge uma grande ameaça e ela é a única que pode salvar todo mundo, passa a ser a “bendita Geni”.

Foi mais ou menos esse o papel da batata na Europa, logo após a “descoberta” da América por Cristóvão Colombo, em 1492. O tubérculo era a base da alimentação dos incas, junto com milho e feijao. Mas quando os exploradores voltaram ao Velho Continente levando a batata na bagagem, os europeus acharam muito estranha a novidade.

Representantes da Igreja consideravam que, por não serem citadas na Bíblia, era bem provável que Deus não queria que os homens as comessem. Os especialistas em hervas simplesmente achavam a batata feia, parecida com as mãos de um leproso. Daí concluírem que quem a comesse iria contrair lepra.
E os botânicos botaram lenha na fogueira com argumentos pretensamente científicos. Classificaram as batatas — que até ali era um dos primeiros tubérculos a serem consumidos como alimento — como integrante da venenosa família da doce-amarga, um arbusto nativo da Eurásia e Norte da África.

Pronto. As batatas passaram a ser consideradas coisa do diabo. Mas quase um século depois, com a fome se abatendo sobre o continente europeu como um Zepelin gigante, a coisa mudou de figura. Na falta do trigo, que era então o esteio da alimentação dos europeus, restavam as batatas. Pois que fossem.

As batatas começaram a ser consumidas por irlandeses e depois em outras partes do continente.  Soldados franceses que lutaram em batalhas em Flandres (norte da Bélgica) e na Renânia (oeste da Alemanha) e na Guerra dos Sete Anos (1756-1763), na Prússia, conheceram o alimento durante as campanhas e, na volta, se tornaram defensores do seu uso no prato.

Pronto, a batata virou o pão dos pobres… E logo, dos ricos também.

Fonte: “Uma História Comestível da Humanidade” (Tom Standage). Foto: 123rf.

terça-feira, 12 de setembro de 2017

GRÃO DO DIA // Primeiro café inclusivo do Brasil

Alex Melo
Colunista de Café do Gastronomix

Com vontade de conhecer uma cafeteria nova em São Paulo, e que tenha uma pegada a mais? Como por exemplo, que tenha inclusão, personalidade e musicalidade em seu ambiente e no seu staff?

Fomos conhecer o café Chefs Especiais, uma nova cafeteria comandada por pessoas com Síndrome de Down, que fica localizada na Rua Augusta quase esquina com a Rua Oscar Freire, em São Paulo. A primeira com esse formato no Brasil, o lugar é uma iniciativa em prol da inclusão, da autonomia e do rock’n’roll (muito presente no design, decoração do lugar e nas fardas dos funcionários com jaquetas de couro e bandanas de rock - sensacional!).
E olha, nossa ida à cafeteria funcionou perfeitamente! O café é uma delicia e bem tirado, o lugar super moderninho e aconchegante, o atendimento super simpático e atencioso. O cardápio é bem simples, com cafés, bolos, salgados, tortas e quiches compradas de parceiros. Tudo ainda bem modesto. Ah, há também a opção de cardápio em braile. Estão de parabéns, e a gente recomenda 100% à todos que queiram conhecer uma cafeteria nova em São Paulo na região do bairro Jardins.

Cardápio: Respeito - Oportunidade - Amor - Inclusão

A cafeteria está instalada dentro de um restaurante, o Como Assim, com lojas colaborativas no estilo galeria composto por produtores independentes, e é apadrinhada pelo chef Henrique Fogaça, jurado no programa Master Chef Brasil e que esteve presente na inauguração. 
Foto: Divulgação/Reprodução Facebook

A ideia e criação do lugar veio de uma ONG chamada Instituto Chefs Especiais fundada pelo casal paulistano Simone Berti e Márcio Berti com o intuito de facilitar a autonomia através de oportunidades como a gastronomia e inclusão social para pessoas com Síndrome de Down, derrubando pequenos grandes preconceitos. Segundo Simone, ela afirma que o visual e tema do café são para dar um ar de independentes e durões aos funcionários, e tirar qualquer pensamento contrário.

Genial e lindo o trabalho, não?!

Chefs Especiais Café
Rua Augusta, 2559, Jardim Paulista, São Paulo/SP.
Site Chefs Especiais Institucional

Não deixem de marcar seus momentos cafezinho usando a hashtag #GraoDoDia. 

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Grão Do Dia
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quinta-feira, 7 de setembro de 2017

CHAZEIRA // O poder da Camomila

EloínaTelho
Colunista de Chá do Gastronomix

Começamos quentes no Gastronomix, diferenciando chá de infusão, lembra? Mas até agora só abordamos de forma um pouco mais específica o chá. Deixamos as infusões/tisanas para um segundo momento e... Tchantchantchantchaaaaaan! A hora delas também chegou!

Para hoje, dia de feriado, que, para mim, pede sossego e acolhimento, escolhi como protagonista de nossa coluna a Camomila, uma flor linda e muito aromática, que costuma enfeitar lanches e cuidados da família brasileira.
 Prazer, sou a Camomila!

Tá nervoso? Camomila. Quer dormir e não consegue? Camomila. Nossa florzinha é sempre lembrada por suas propriedades calmantes. Mas ela vai além. A fitoterapia já relacionou seu uso ao tratamento da saúde feminina (cólica e candidíase, por exemplo), enjoo, má digestão e gases, inflamações na pele e garganta e até diabetes. Ela é singela, pequenininha, aparentemente delicada. Mas tem um poder gigante de nos surpreender. É anti-inflamatória, antibacteriano, anti-oxidante. Cuida da gente por dentro e por fora, quando bebemos a infusão ou a usamos em compressas.

E é deliciosa! Suavemente doce, tem o poder de, na xícara, nos transportar a um mundo de afeto, que conhecemos ainda crianças. Minha memória afetiva me remete aos dias em que estava doente e não podia ir à aula. Ficava em casa assistindo Xou da Xuxa, tomando "chá" de Camomila e comendo pão de queijo da Tidinha, minha segunda mãe! :) 
 Infusão de Camomila em sua melhor forma: na xícara! 

Seu uso não é recomendável a gestantes e pessoas que fazem uso de anticoagulantes (há estudos que dizem que ela reduz a eficácia desses medicamentos). É bom sempre consultar um médico, viu? Alimento pode ser remédio... Mas também pode ser veneno! 😲

Para beber a infusão de Camomila, utilizo de uma a duas colheres de sobremesa da planta seca para 200/250 ml de água. Depois de fervida a água, aguardo um minuto e adiciono a camomila seca; deixo em infusão por  três minutos; coo e pronto! Para utilizar a infusão como compressa, preparo da mesma forma que faria para beber. Depois, aguardo até que a infusão esteja morna (cuidado aqui, pra não queimar a pele!), mergulho um tecido limpo na bebida e coloco sobre a pele. Deixo por alguns minutos e retiro.

Na semana passada, tive a oportunidade de visitar um campo de Camomilas (e só tenho uma coisa a dizer: uaaaaaaaau!). A convite da Farmacotécnica, uma farmácia de manipulação de Brasília, fui até a chácara onde eles mantêm o cultivo orgânico de diversas plantas e ervas medicinais. Fica no Park Way, em um lugar chamado Vargem Bonita. 

Nessa época de colheita da Camomila, a Farmacotécnica desenvolve com escolas públicas do DF, o projeto "Preservar", que envolve essas visitas e explicações - dadas pelos alunos e farmacêuticos da empresa - sobre as ervas, para não deixar a tradição do seu uso se perder no tempo. É um projeto sócio-pedagógico lindo, incrível e muito bem desenvolvido. E mais lindo ainda é o visual da chácara: 
Se a imagem é assim, imagine o aroma! Melhor, não imagine! Corra pra sentir ao vivo! :)

Se você quer ver isso de pertinho, a visitação está aberta até o dia 15/09. É necessário um pré-agendamento, que pode ser feito pelo email eventos@farmacotecnica.com.br. Depois, é só se encantar! :)

Quero agora saber de sua experiência com essa flor tão fofinha. Você tem alguma memória afetiva relacionada a esse "chazinho"? Aquele conhecido aroma te transporta a algum lugar especial? Algo me diz que "vejo flores em você"! 

Ah, se quiser me acompanhar pelo Instagram ou Facebook, lá estão as imagens que ilustram na prática tudo o que falamos por aqui, feitas a partir do meu #momentomágico: @chazeira (insta) ou @eloinachazeira (face) . Te espero lá, pra não morrermos de saudade até a próxima quinta, certo?

Beijos e bons chazinhos! Ou boas infusões! :)

quarta-feira, 6 de setembro de 2017

ALMANHAC // A última refeição de Maria Antonieta

Rosualdo Rodrigues
Colunista de Variedades do Gastronomix

Antonin Carême (1783-1833) é um personagem fascinante da história da gastronomia. Teve uma vida cheia de lances dramáticos — alguns de veracidade questionada, embora contados por ele mesmo — e uma trajetória profissional que revolucionou a cozinha francesa.

O ator e chef inglês Ian Kelly ficou tão apaixonado pelo personagem que escreveu a biografia dele — “Carême — Cozinheiro do Reis”, lançado no Brasil pela Zahar — e depois transformou-a num monólogo para o teatro.
Carême foi responsável por sistematizar e registrar em livros algumas das receitas — de sua autoria ou não — que se tornariam clássicos da culinária francesa. Entre outras, ele, que iniciou a carreira no auge da Revolução Francesa, cuidou de  divulgar a receita do que teria sido a última refeição da rainha Maria Antonieta antes de ser executada.

Pois não é que, no último instante de vida, Antonieta descobriu que a vida não era sopa?

SOPA DE VERMICELLI (*)
- Prepare o consomê usando um frango inteiro — não coloque ossos de boi.

- Adicione cerca de 350g de vermicelli italiano. Deixe cozinhar em fogo brando por 25 minutos
- Sirva numa sopeira com aproximadamente 600g de ervilhas fervidas ou as pontas de aspargos, fervidas com um pouco de açúcar até ficarem num tom leve de verde, e cerefólio fervido.

(*) Vermicelli é um macarrão parecido com o espaguete, só que bem mais fino.

Fonte: “Carême – Cozinheiro dos Reis” (Ian Kelly).
Foto: Kirsten Dunst como Maria Antonieta em filme de Sofia Coppola, “Maria Antonieta” (2007).