segunda-feira, 18 de maio de 2015

EU RECOMENDO // Um olho no prato e outro lá fora

José Mion
Convidado especial do Gastronomix

Salvador, como qualquer metrópole brasileira, cada vez mais sobe alguns degraus em se falando de gastronomia. Opções variadas nunca faltaram de um lado a outro da cidade, mas, pelo menos para mim, uma bela vista para o mar sempre contará pontos extras. Seja num belo dia de sol, num almoço mais tarde, que se estenda ao por do sol, ou até mesmo num dia chuvoso, mais melancólico, alguns restaurantes são meus xodós na capital baiana. Muito além do olfato e do paladar, eles conquistam a visão de qualquer ser humano.
Soa clichê, mas o primeiro da lista é o quase ponto turístico Amado. Moderno por fora – um enorme galpão laranja – e aconchegante e espaçoso por dentro, o restaurante do chef e empresário Edinho Engel – também responsável pelo Manacá, na Praia de Camburi (SP), e pelo Amadinho, na Ceasa do Rio Vermelho, também em Salvador, num clima mais de boteco - é um “must go”. Num dia mais fresco, não pense duas vezes: a ventilada varanda debruçada (e aqui falo literalmente) sobre a Baía de Todos os Santos é convite irrecusável.

Há menos de um ano, o chef Fabrício Lemos, que antes comandava a elogiada cozinha do Al Mare (na Área Gourmet do Salvador Shopping), tornou-se uma referencia e trouxe ao Amado o frescor que estava faltando. Não à toa, tanto o restaurante (Melhor do Nordeste) quanto o jovem chef de 34 anos (Revelação Nacional) foram indicados ao prêmio Melhores do Ano Prazeres da Mesa/Cacau Show este ano.
No cardápio, carnes, peixes e massas que valorizam ingredientes regionais como fruta-pão, banana da terra e quiabo, prática muito adotada por Engel desde o lançamento do espaço, com sabores, no entanto, cosmopolitas. Para os de paladar mais tradicional, não faltam opções e como um bom restaurante, está aberto a adaptar​-se​   ao gosto do cliente.

Ali pertinho do Amado, na Avenida Lafayette Coutinho, conhecida como Avenida Contorno, está também o complexo da Bahia Marina. Por lá, brilham restaurantes como o DAS – vá se estiver disposto a gastar – e Soho – para ver e ser visto.
Com uma pequena varanda que combina harmoniosamente natureza e um cenário de lanchas das mais caras, o Lafayette é outro entre os meus queridos. Comandado pelo chef Dudu Prado, o restaurante acerta das entradas à sobremesa, com variações que agradam a toda a família. Sugestões? Vamos lá: minha entrada favorita é a Casquinha de Siri – você encontra em quase todo restaurante de Salvador, mas em poucos  com esse sabor. A farofa que acompanha o prato – confesso que nunca perguntei quais são os ingredientes para o seu preparo – completa com maestria essa entrada, que é essencial.
De prato principal, o meu favorito são os camarões marinara com risoto de limão siciliano – muito presente em outros pratos também (o limão, não o risoto). Fechando, para amantes de doces mais tradicionais como eu, o petit gateau de doce de leite é imperdível, com o bolinho na consistência sempre correta.

Fechando minhas dicas para o Gastronomix, a convite do Rodrigo, e mantendo minhas sugestões de restaurantes com vista para o mar, está a Ola Cevicheria, o primeiro especializado em ceviches na Bahia. Totalmente despretensioso e com três ambientes completamente distintos (varanda, bar – o meu preferido – e salão), o menu do Ola oferece uma variedade de ceviches dos mais tradicionais aos mais criativos, marinado em tamarindo, por exemplo. Existem opções apenas com camarão, com camarão e peixes, só com peixes, com lula e polvo e com tudo de vez.
Para quem quer curtir o lugar, mas não é afeito a frutos do mar, um pequeno cardápio de opções em massas e carnes dá pro gasto. Entre os três restaurantes citados, é o com melhor atendimento – bastante atencioso e ágil. Minha única ressalva é a carta de drinks, que poderia ser mais extensa. A de vinhos, no entanto, compensa!

Amado
Avenida Lafayete Coutinho, 660
Comércio, Salvador
Telefone: (71) 3322-3520

DAS
Av. Lafayete Coutinho, 1010
Comercio, Salvador
Telefone: (71) 3011-2410

Soho
Av. Tancredo Neves, 3133
Caminho das Árvores, Salvador
Telefone: (71) 3032-6208
Site: sohorestaurante.com.br 

Lafayette
Avenida Lafayete Coutinho, 1010
Comércio - Salvador
Telefone: (71) 3321-0800

Ola Cevicheria
Avenida Sete de Setembro, 3807
Porto da Barra - Salvador
Telefone: (71) 3264-2519

(*) José Mion é jornalista e baiano. 

domingo, 17 de maio de 2015

GUIA // 3 ótimos restaurantes em Tiradentes

A cidade de Tiradentes é conhecida como um berço da boa comida mineira. Lá, há um famoso festival de gastronomia que, usualmente, ocorre no mês de agosto - quando a cidade enche e reúne chefs de todo o país.

A cidade de Tiradentes é calma e traz a história do país na veia, nas suas ruas e casas. Há vários restaurantes e barzinhos, onde os ingredientes locais são bem valorizados, desde as preparações tradicionais às mais ousadas. Perto da praça central tem lojas de cachaça e doces para você equilibrar álcool e glicose...Aproveite e leve essa lista que o Gastronomix preparou para você. 

1. ESTALAGEM DO SABOR
No caminho de chegada a esta cidade mineira, você já encontra as boas vindas: o restaurante Estalagem do Sabor. O chef Vicente Teixeira trabalha com produtos regionais e gosta de dar nomes divertidos a seus pratos como o Mané sem Jaleco, um delicioso mexido de arroz, feijão, ovo, couve, banana e lombo de porco. Comida é fartamente servida e você vai raspar o prato. Acredite!   

Rua Ministro Gabriel Passos, 280
Telefone: (32) 3355.11442. ANGATU 
A cidade também vive de modernidades na gastronomia, mas sem perder o pé na origem mineira. A proposta desse restaurante - que significa “bem-estar, felicidade e alma boa”, em Tupi Guarani -  é valorizar os ingredientes brasileiros.  Com a cozinha exposta para a rua e para o salão, o chef Rodolfo Mayer desenvolve uma culinária criativa-autoral e cria pratos como o filé suíno, molho de cachaça, farofinha de milho, alho assado, ora-pro-nobis e ovinhos de codorna tostados.

Rua Santíssima Trindade, 81
Telefones: (32) 3355.1391 e 9903.5734
Site: angatutiradentes.com/3. VIRADA’S DO LARGO 
Comida mineira de raiz com todo o sabor a que você tem direito. A chef-proprietária Beth Brandão tem um dos restaurantes mais tradicionais e premiados de Tiradentes. Sua comida tem propriedade. O virado da cozinheira e o tutu com lombo e costelinha estão entre os preferidos, sempre servidos em porções generosas.  Beth tem muito orgulho de sua horta em casa, onde colhe couve para o prato e tira do pé os limões galegos para uma saborosíssima caipirinha.


Rua do Moinho 11
Telefone: (32) 3355.1111
Site:
viradasdolargo.com.br

segunda-feira, 11 de maio de 2015

EU RECOMENDO // O fino chá galês da Patagônia

Rafael Fontana (*)
Convidado Especial do Gastronomix

Dentre as influências do País de Gales na porção Sul da Argentina, o chá é sem dúvida a mais saborosa de todas. Além da bebida, sempre intensa, noir e aromática, os acompanhamentos são simplesmente inesquecíveis, servidos nas aconchegantes casas de chá da Patagônia, mais precisamente na província de Chubut.

As tortas doces, muitas delas releituras das famosas tortas galesas, derretem na boca após servir-se do chá tradicionalmente amargo, criando um equilíbrio perfeito no paladar.

O atendimento nos estabelecimentos se destaca pela simpatia e eficiência. Os bules, protegidos por uma capa de lã feita à mão, mantém a bebida sempre quente, levantando uma fumaça perfumada cada vez que o chá é despejado nas xícaras de porcelana.

A bebida caliente cai perfeitamente após um mergulho no mar, para dar uma voltinha entre leões marinhos, ou depois de um passeio entre os incríveis glaciares da Cordilheira dos Andes, duas maravilhas turísticas da região.

GALESES EM CHUBUT
Os primeiros galeses chegaram à Patagônia na segunda metade do século 19, muitos deles fugindo da conversão religiosa imposta pelos ingleses. Encontraram na afastada província de Chubut um clima parecido com o de sua terra natal e por ali se instalaram. Com o passar das décadas, os hábitos e costumes dos colonos se incorporaram à cultura local.

Os imigrantes trouxeram para a região austral uma nova concepção arquitetônica, além de técnicas de cultivo e, claro, o bom e velho chá das cinco. Na realidade, no caso da Patagônia, o chá começa a ser servido a partir das duas da tarde, e se estende normalmente até as 19h30.
Cai bem como sobremesa após o almoço ou como lanche da tarde. Se o horário estiver mais próximo da noite, quem desfruta dos pães, bolos e tortas servidos com o chá costuma até a dispensar o jantar. As porções são generosas, e há reposição sempre que algum quitute acaba. Em uma comparação calórica, chega perto dos cafés coloniais servidos no Sul do Brasil

TORTA GALESA
Dentre as guloseimas delicadamente distribuídas pela mesa das casas de chá da Patagônia, a mais famosa é a torta negra galesa, um bolo de tons escuros preparado artesanalmente pelos chefs da mesma forma que os antepassados o faziam em seus lares, no País de Gales.

Notam-se algumas pequenas variações nas receitas entre uma região e outra, mas os principais ingredientes estão sempre na mistura, entre eles frutas cristalizadas, passas, nozes, mel e uma pequena dose de licor.

A torta negra galesa rivaliza na mesa com uma grande variedade de pães, geleias e doces, alguns deles mais atrativos ao paladar dos brasileiros, como as tortas de framboesa, de creme e de chocolate.


SUA MAJESTADE, O CHÁ
O chá galês servido na Patagônia mantém o aroma encorpado e o fino sabor da bebida originalmente consumida no País de Gales. É composto por um blend de chás pretos provenientes de renomadas regiões produtoras da erva na China, Índia e Sri Lanka, quase sempre empacotados no Reino Unido.
Além do chá preto, algumas bebidas contêm no mix de ingredientes chá verde, chá vermelho e groselha-preta. De sabor delicadamente amargo, entre frutado e defumado, o sabor preenche toda a boca. É geralmente consumido pelos galeses com um pouco de leite. O açúcar fica disponível nas mesas, para quem deseja adocicar a bebida. No entanto, alguns especialistas recomendam que o chá seja degustado puro, para sentir o seu sabor natural.


SUA MAJESTADE, LADY DI
A província patagônica de Chubut reúne a maior colônia de galeses na Argentina, com forte presença nas cidades de Puerto Madryn, Trelew, Rawson e Gaiman, na Costa do Atlântico, além de Trevelin e Esquel, aos pés da Cordilheira dos Andes, perto da fronteira com o Chile. A concentração de súditos da Coroa Britânica motivou a visita a Chubut de uma das maiores personalidades do País de Gales no século 20, a princesa Diana Spencer.

Durante a viagem, ocorrida em novembro de 1995, a princesa de Gales degustou o chá galês na Patagônia, na pequena e tranquila cidade de Gaiman, cuja população conta apenas 4 mil moradores. A casa de chá escolhida para atender a ilustre visitante até hoje mantém intocado o bule usado para servir a princesa, exposto entre fotos que registraram o momento.
A morte de Lady Di, dois anos depois de sua visita à Patagônia, gerou grande comoção à comunidade galesa de Chubut. Todo dia 31 de agosto, data do acidente trágico que a vitimou em Paris no ano de 1997, os galeses da província patagônica prestam homenagens à princesa. Reúnem-se para tomar o chá apreciado tanto por súditos quanto por altezas reais.

Casas de Chá em Chubut

Casa de Té Nain Maggie
Perito Moreno Perito Moreno 179
Trevelin
Tel.: 02945 48 0232
Site: www.patagoniaexpress.com/nainmaggie.htm

La Mutisia
Av. San Martín 170
Trevelin
Tel.:  02945 15548354 / 480165
Site: www.casadetelamutisia.com.ar

Plas y Coed
M. D. Jones,123
Gaiman
Tel: 0280 4491133/154697069

Casa de Té Gaiman
Av.
Yrigoyen, 738
Gaiman
Tel: 0280-441633

Ty Gwyn
9 de Julio,111
Gaiman
Tel: 0280-4491009
Site: tygwyn@tygwyn.com.ar

Ty Te Caerdydd
Finca, 202
Gaiman
Tel: 0280-4491510 / 4491053

Valor
O valor médio, por adulto, varia de R$ 50 a R$ 60. Crianças de 6 a 12 anos pagam metade. Crianças abaixo de 6 anos não pagam.

Horário
A maioria das casas abre apenas no período da tarde até o início da noite. Algumas servem o chá pela manhã. Recomenda-se confirmar os horários nos sites ou por telefone.

(*) Rafael Imolene Fontana é jornalista

sexta-feira, 8 de maio de 2015

DRINK_ME // Tonton, gastro e coquetelaria de qualidade

Juliana Raimo
Colunista de Drinks do Gastronomix

Em uma rua não tão conhecida no bairro dos Jardins, mas super frequentada pelos moradores do entorno – Rua Caconde – este simpático bistrô paulista surpreende.

Além do térreo onde o Chef Gustavo Rozzino já servia uma gastronomia de qualidade (desde 2013), a um custo acessível, acaba de inaugurar o andar superior com um lounge/ bar aconchegante – com ares de pub londrino – e com uma excelente carta de drinks com petiscos. O Tonton “de cima” como foi batizado, tem a frente das coquetelerias o talentoso bartender Plínio Silva.

Plínio entrou no mundo dos coquetéis em 2011. Ele deixou o posto de fuzileiro naval da Marinha, onde chegou a servir na Missão de Paz no Haiti, para investir na coquetelaria depois de um curso no qual se apaixonou pela atividade. Trabalhou com grandes profissionais da área como Sylas Rocha, Pablo Moya, Laércio Zulú e Rodolfo Bob até se tornar responsável pelo TonTon de Cima. “Adoro fazer coquetéis e extrair das bebidas o máximo de sabor, aroma e personalidade”, declara.

Fomos recebidos para uma degustação junto a outros jornalistas, regada a ótimos drinks e serviço impecável. De todos que provei queria dar destaque a três deles que me fizeram virar fâ do bar e do bartender, rsss.
O drink Brameson (R$ 22), que leva Jameson, casca de umburana, arruda, limão cravo e tônica, é um ótimo “aperitivo”. Prepara o paladar para as entradinhas da casa. A umburana trás o inusitado e a brasilidade ao coquetel.
Seguimos com o drink Apple Pie Sour (R$ 28), uma infusão de Bourbon E.W. & Granny Smith, Maple, limão siciliano e vanilla. Apesar de eu particularmente não gostar de drinks doces, este apesar do nome não é nada enjoativo e pelo contrário, sua suavidade e equilíbrio deixou um gosto de “quero mais”.
Finalizamos com o drink Ton Toni (R$ 36), para mim um dos melhores da casa. Leva Gin Tanqueray Ten, Antica Formula, Campari e bitter de chocolate. Um drink mais encorpado e masculino, perfeita sugestão para este início de inverno.

Além dos que degustamos vale também pedir o clássico Old Fashioned (R$ 27), que para os amantes de Bourbon como eu, tem uma perfeita execução (Bourbon, torrão de açúcar, bitter de laranja e maraschino).

Sobre o TonTon:
Depois de nove anos entre importantes cozinhas mundo afora, o chef Gustavo Rozzino inaugurou o seu TonTon. O cozinheiro passou pela Bahia, Camburi (Manacá) e por diversos países, incluindo o Sadler e IPCA, em Milão, e pelo ótimo Jardin des Sens, em Montpellier. De lá, os chefs Pourcel o enviaram para ajudar na abertura de um novo restaurante em Londres, onde passou seis anos entre as grandes mesas inglesas. Foi desse grande leque de inspirações vindas de suas andanças por entre cozinhas que Rozzino trouxe o modelo da bistronomie- boa gastronomia, com ingredientes de alta qualidade a preços acessíveis – para a sua primeira casa. Assim, o cardápio fixo do TonTon é enxuto e dá liberdade para o chef ter uma cozinha autoral variada, com liberdade para mudar seu menu “de especiais” sempre, usando ingredientes sazonais e o que encontra de mais fresco com fornecedores.

TonTon
Rua Caconde, 132 – Jardim Paulista
Telefone: 11 2597-6168
Horários de funcionamento: terça a sexta das 12h às 15h e das 19h30 às 23h; sábado das 13h às 16h e das 20h às 23h30; e, domingos e feriados das 13h às 16h30.

quinta-feira, 7 de maio de 2015

RECEITAS // Abobrinha recheada da Raimunda

Poliana Abritta e Raimunda Sousa Silva
Convidadas especiais do Gastronomix

Ela é a Chef da minha cozinha. E pra mim tem as melhores qualidades de uma cozinheira.

Em primeiro lugar, gosta de cozinhar! Tem uma boa base, é intuitiva com os temperos, curiosa e observadora. 

Faz da cozinha, seu laboratório. E é generosa. Me empresta seu canto charmoso pra de vez em quando cozinhar também.
   
Em plena segunda-feira, ela me serviu essa abobrinha recheada. Com muito prazer, topou dividir a receita com o Gastronomix

ABOBRINHA RECHEADA
Ingredientes
- 250g de carne moída
- 2 colheres de sopa de cebola picadinha
- 1 dente de alho amassado
- sal a gosto
- 1 colher de sopa de azeite
- 1 colher de sopa de cheiro verde
- 1 colher de sopa de alho poró
- 1 colher de sopa de cream cheese
- 5 folhinhas de manjericão picadinhas

Modo de fazer
- Leve a panela ao fogo com azeite, o alho, a cebola e refogue tudo até murchar. Juste a carne e refogue. Deixe secar, mas não muito, e reserve.

- Lave as abobrinhas (tamanho médio) e corte as pontinhas dos dois lados. Corte-as ao meio no comprimento e retire a polpa. Coloque as abobrinhas em uma panela com água fervente e deixe cozinhar por 5 minutos. Retire, mergulhe numa tigela com água com gelo, escorra a água e reserve as abobrinhas.

- Junte à carne reservada, o alho picadinho, o cheiro verde, o sal, o manjericão e o cream cheese.

- Recheie as abobrinhas e leve ao forno (180 graus) por um período de 15 a 20 minutos. 

Ao servir, regue com um fio d o melhor azeite que tiver em casa. 

quarta-feira, 6 de maio de 2015

ME BATA UM ABACATE // O amor de mundos improváveis

Sérgio Maggio
Cronista do Gastronomix

Quando Jonas percebeu a existência de Paula, estava lendo um livro de frases famosas de William Shakespeare. Quando Paula notou a presença de Jonas, ouvia canções pop do Pará no Iphone.

Sentados no metrô, naquelas desconfortáveis cadeiras frente a frente, de quando em quando, eles cruzavam os olhares. Havia um arrepio crescente na pele, uma faísca no ar.

A primeira vez que Jonas observou Paula lia as palavras:

“Assim que se olharam, amaram-se;
Assim que se amaram, suspiraram;
Assim que suspiraram, perguntaram-se um ao outro o motivo;
Assim que descobriram o motivo, procuraram o remédio.”

A primeira vez que Paula fitou Jonas ouvia a letra da melodia:
“Você pode ligar pro meu celular
A hora que você quiser
A proposta está de pé,
Pra você passar o inverno comigo
E se a gente se der bem,
Passa o verão também.”

De pronto, Jonas pensou em se levantar, correr para o espaço central do vagão e, equilibrando-se no vazio, recitar um soneto decorado para todos ouvirem, como se fosse um desses ambulantes clandestinos que desobedecem as regras do metrô e vendem guloseimas baratas aos passageiros. Não teve coragem. Ela parecia perdida em seu mundo alheio.

Impulsiva, Paula sentiu vontade de pegar o IPhone da bolsa, fazer uma selfie com “cara de perdidamente apaixonada” e postar em todas as redes sociais:  #amoraprimeiravista, #excitada, #bocacarnuda, #queroumbeijo, #vidalouca, #paixãoquearrebata, #vidadesolteiratchau,

Conteve-se e seguiu, estação a estação, nesse jogo de olhares cada vez mais intenso.
O trem parece que voou até a derradeira estação. Chegou ao destino final. Ali, Jonas e Paula sairiam pela porta automática e seriam engolidos pela cidade sem tempo para flertes improváveis.

Como última tentativa, ele esperou ela se levantar e deixou o livro cair em sua frente, como uma cena barata de telenovela. Ela riu, tirou os fones do ouvido e balbuciou:

“Tem Facebook?”

Ele balançou negativamente a cabeça. Ela emendou: “Qual seu Whatsapp? Twitter? Instagram? Likendin?” Ele nervoso, com um medo incontrolável de perdê-la, emendou:

“Tenho CEP, RG, CPF, Título de eleitor e algumas dezenas de senhas alfanuméricas”.

E foi assim que Jonas, um homem do século passado, enlaçou-se a Paula, uma mulher do aqui e agora. Dizem por aí que os dois se visitam, mas cada um habita seu mundo. Ela postando cada menu que degusta com ele nas redes sociais.

#pratododiainlove, #vidademulherapaixonada, #namoradotop, #amoremcadagarfada, #romanceatenocachorroquente.
Ele enchendo a imaginação dela com fantasias literárias. Sempre conduzindo Shakespeare aos seus ouvidos:

“As palavras estão cheias
de falsidade ou de arte;
o olhar é a linguagem do coração.”

E foi assim testemunhando esse amor improvável, que fiz uma foto, de uma rosa boiando num lago de água esverdeada, Esta que acabei de postar no meu Instagram: #menospalavras, #maisflerte, #menosvirtualidade, #maisencontro, #menosostentação, #maissinceradade.

E para aqueles que deixaram de acreditar no encontro: #mebataumabacate!

O ABACATE DESSA COLUNA VAI PARA...
 a padaria que resolveu trocar o nome da torta de “nega maluca” para “bolo afrodescendente”.

segunda-feira, 4 de maio de 2015

NOTÍCIAS // Dia das Mães com almoço de Simon Lau

Enquanto não abre sua Casa de Chá no Jardim Botânico, o chef Simon Lau está montando um belo dia das mães ao estilo “Aquavit”. Será no dia 10 de maio, às 13h.  O menu de comidas custa R$ 230,00 por pessoa. O valor inclui espumante de boas vindas, água mineral com e sem gás e 10% de taxa de serviço. Para quem quiser harmonizar, o menu de vinhos custa R$ 140,00 por pessoa.

O pagamento deve ser efetuado antecipadamente e, no máximo, até dia 7 de maio. Informações sobre pagamento será fornecida na hora da reserva. Reservas com Maria Dália: (61) 3369.2301 e 9167.0037 
MENU
Couvert: Sticks de mandioca, Pães do Aquavit, Manteiga trufada, Rillettes de camarão
Espumante

Almoço servido empratado na varanda

Gravad lax servido com aspargos brancos e molho de dill
Felino, Vinã Cobos, Chardonnay, 2012, Mendoza - Argentina

Blinis Demidoff com ovas de salmão
Espumante Cave Geisse Brut, Brasil

Tournedos Rossini com foie gras e trufas
Caranto Pinot Nero Delle Venezie 2013 Itália

Uvas moscatel com creme sabayonne
Araldica, Asti, Piemonte - Itália

Café chá e madeleines