Cronista do Gastronomix
Sempre achei a transmissão do Oscar uma cachaça mal tomada. Poderia até
ser divertido para quem estava lá entre a extravagância do tapete vermelho e os
babados da festa pós-estatueta. Para mim, era enfadonho. Caía em sono profundo
antes que a tradutora da TV Globo tentasse fazer o impossível: explicar as piadas
dos apresentadores. Alguém já riu delas?
Nem quando Fernanda Montenegro teve o prêmio surrupiado por aquela
atriz que tem o nome de genérico, consegui algum tipo de ânimo. A minha
lembrança mais lúdica da Noite de Gala da Academia, a que guardo entre os mimos
da vida, é a da cantora Björk, deslumbrante, vestida de “cisne”, numa ação guerrilha
contra os devaneios da alta-costura que ronda o milionário “red carpet”. Quer
saber? Bati muito abacate em intenção à monumental caretice da festa do Oscar.
Céus, o que são aqueles números musicais? E os agradecimentos intermináveis?
Toda vez que começava um, visualizava o Coelho Branco de Alice correndo pelo
palco e dizendo: “Ai, ai, ai... Vou chegar atrasado demais!”
Antes que me entreguem o troféu Framboesa de Ouro na categoria “mal-humorado do ano”, devo confessar que essa #chateação do Oscar é datada. Como se diz na Bahia, “passou’. Agora, conto nos dedos os dias para a tão esperada transmissão da cerimônia. Tornou-se, aliás, divertidíssima, um programaço, daquelas de avançar, sem culpas, a madrugada de segunda...
“Alto lá!”, interrompe-me um imaginário e marrento leitor desta crônica, que dormiu antes do apresentador Neil Patrick Harris aparecer fazendo gracinhas de cueca. “A festa do Oscar”, vocifera o indignado, “continua a mesma chatice do século passado!”
Ah, isso é uma meia-verdade, meu antigo leitor. Sabe, a voz do Oscar
continua a mesma, mas os seus cabelos”... Ou melhor, lembre-se daquele corinho
de grupo de amigos bêbados em fim de festa, “O Oscar não é mais aquele, olha a
cara dele”. E isso se deve a multidão que tira um sarro minuto a minuto nas
redes sociais. Aliás, a Academia deveria dar uma estatueta para o criador do
melhor “meme”. Não se pode mais assistir a um evento-porre como o Oscar sem
estar on-line. Muda toda a percepção ao acompanhar as interações da audiência
no Twitter, por exemplo.
Cher estaria, enfim, redimida. Quem não se lembra daquele remoto Oscar
de 1986, quando ela apareceu fazendo a linha viúva negra desvairada. Espantada,
a mídia oficial não conseguiu qualificar o modelito. Não há dúvida que muita
gente o fez com maestria. Em muitos cantinhos do universo, devorou a roupa da
moça em 140 caracteres. Só que naquele tempo , o comentário ficou entre quatro
paredes. Ah, The Oscar goes to ... Todos que hoje fazem das redes sociais um
inferno de Dante.
A cobertura espontânea, mundial e colaborativa da festa organizada pela
liga dos vovôs e vovós de Hollywood é como um botox na face enrugada da
cerimônia. De tanta brincadeira que surge, o sisudo Oscar está a cara do
boneco Ken.
O que são os memes da Meryl Streep, que explodiram após a atriz mais indicada vibrar com o discurso feminista da amiga (e rival) Patrícia Arquette? Há um em que ela grita: “Eu não sou o Laerte” (exagero compará-la a nossa fofa de saias). Em outro, cobra o risole de frango, que pediu há horas. Faltou um assim: “Pare de olhar como se escreve impeachment no Google!” Ou outro: “Deixe FHC descansar em paz”.
E os vestidos? Sem os memes, eles passariam quase off-white. Aliás, alguém é capaz de explicar aquelas luvas vermelho-radiativo que adornavam a agora lírica Lady Gaga? Não faltaram comparações. A diva pop virou uma diarista ou a nossa desejada camponesa do leite Moça. Dizem que 25 pessoas participaram da criação do figurino. O que queremos saber é quem colocou a cereja (ou melhor, a luva) no bolo de Gaga? Há apostas de que foi alguém a mando da endiabrada Madonna. Teoria da conspiração? Hollywood adora. Nós também...
E os vestidos? Sem os memes, eles passariam quase off-white. Aliás, alguém é capaz de explicar aquelas luvas vermelho-radiativo que adornavam a agora lírica Lady Gaga? Não faltaram comparações. A diva pop virou uma diarista ou a nossa desejada camponesa do leite Moça. Dizem que 25 pessoas participaram da criação do figurino. O que queremos saber é quem colocou a cereja (ou melhor, a luva) no bolo de Gaga? Há apostas de que foi alguém a mando da endiabrada Madonna. Teoria da conspiração? Hollywood adora. Nós também...
O abacate desta coluna vai para...


























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