quinta-feira, 9 de outubro de 2014

GASTRONOMIX // 15 bares e restaurantes em Brasília

O Gastronomix preparou uma lista especial caso você queira descobrir o que a capital federal pode te oferecer de prazer... É claro, prazer com comida, tá! São 15 endereços para bons momentos, boa comida e propostas diferentes. Veja qual você prefere.

RESTAURANTES E BARES

1.OLIVAE
Comida de qualidade do chef Agenor Maia e opções com produtos do Cerrado como croquete de capivara com geleia de cagaita e o melhor arroz de pato da cidade. Às terças, têm a Terça Pop, com entrada, prato e sobremesa por R$ 49,00. E nos sábados e domingos, têm carnes e legumes na brasa.

405 Sul, bloco B, loja 2
Telefone: (61) 3443-8775

2. DUDU BAR

Drinks e badalação na varanda mais falada de Brasília. Cardápio com entradinhas para compartilhar e pratos com pegada contemporânea. Prepare o bolso.

303 Sul Bl. A, Loja. 3
Telefone: (61) 3323-8082

3. LOCA COMO TU MADRE
Gastropub, tocado pela chef Renata Carvalho, com comidinhas, drinks e música. Público jovem e animado. Os bolinhos de mandioca com carne seca, servido em porção, são bem sequinhos e crocantes. Carta especial de cervejas também à disposição.  

306 Sul Bloco C, Loja 36
Telefone: (61) 3244-5828


4. INÁCIA POULET ROTI
Mais com cara de almoço. Restaurante especializado em aves sob comando da chef Alexandra Alcoforado. O carro-chefe da casa, o galeto com três acompanhamentos, serve bem duas pessoas. Os preços são amigáveis, mas a trilha sonora pode incomodar um pouco...

103 Sul Bloco B – Loja 34
Telefone: (61) 3225-4006

5. TAYPÁ
A comida peruana do Chef Marco Spinoza é incrível. De quebra, há uma carta com bons drinks. De ceviches a pratos principais, o restaurante oferece opções que mesclam toques de brasilidade às tradições do Peru. Prepare o bolso.

QI 17, Comercial, Bloco G, lojas 208/210
Fashion Park – Lago Sul
Telefone: (61) 3248.0403 / 3364-0403


6. GERO 
Considerado o melhor restaurante da cidade, em termos de regularidade, qualidade da comida e atendimento. O ponto que pode pesar para algumas pessoas é que o Gero fica em um shopping. Mas, dentro do restaurante, você esquece disso. Vale super a pena. Prepare o bolso.

Shopping Iguatemi
SHIN Ca 04 Lote A}
Telefone: (61) 3577 5520


7.FORTUNELLO
Cantinona italiana com grandes porções. Os preços são médios e justos pelo que chega de comida no prato.

 206 Sul, bloco A, loja 06
Telefone: (61) 3297-3232


8. PARRILLA MADRID
Tapas espanholas e grande variedade de vinhos em taça. Rodízio de tapas a R$ 49,00, de segunda a quinta, a partir das 18h. No sábado e no domingo, o rodízio pode ser servido mediante reservas para grupo acima de oito pessoas. 

408 Sul, Bloco D, Loja 01
Telefone: (61) 3443-0698


9 – GRAND CRU 
A dupla de cozinheiros Leônidas Neto e Alexandre Carvalho vem dando o que falar na cidade.  Discípulos do chef Simon Lau (Acquavit), os chefs renovaram o cardápio do restaurante e aprontam bons pratos como o confit de coxas de codorna, redução de uvas e espinafre. Todas às segundas, tem Segunda Harmonizada com entrada, prato principal e sobremesa por R$ 90,00. Para quem optar pela harmonização, mais R$ 82,00. Prepare o bolso.

SHIS QI 09/11 Bloco L Loja 06
 Lago Sul - Brasília
Telefone: (61) 3368-6868


10 – VILA TEVERE
Italiano classudo há 15 anos em Brasília, com jardim de inverno e tijolinhos aparentes, a cara da Toscana. Boas opções de massa, risotos e carnes do sempre cuidadoso chef Flavio Leste. O couvert é imperdível, assim como o chessecake de limoncello.

115 Sul Bloco A Loja 02
Telefone: (61) 3345.5513


11 - EL PASO
É um dos lugares mais alto astral de Brasília. Os dois ambientes são coloridos, bem decorados – o que propicia uma bela experiência. São servidas comida latina e mexicana a la carte e também em formato de bufê selecionado pelo chef David Leichtig. E de quebra, bons drinks.

404 Sul Bloco C Loja 23
Telefone: (61) 3323-4618

110 Norte, bloco B – loja
Telefone: (61) 3349-6820

Terraço Shopping, 1º piso
Telefone: (61)3233-5197


12 - NOSSA COZINHA BISTRÔ
Ambiente confortável e equilíbrio de opções no menu para almoçar e jantar estão à mesa na casa comandada por Otávio Soares e o chef Alexandre Albanese.  Dois pontos altos são a costelinha barbecue servidas com batatas e o cheesecake com calda de goiabada.

402 Norte Bloco C, Loja 60
Telefone: (61) 3326-5207

13 - O BISTRÔ ESCONDIDO
O carro-chefe da casa é o escondidinho. O chef André Carvalho selecionou boas combinações num ambiente leve como o escondidinho de camarão com abóbora japonesa e gratinado de roquefort ou de carne de panela com purê de feijão, queijo coalho e manteiga de garrafa.

213 Norte bloco B subsolo loja 33
Telefone: (61) 3546-7460

14 – JAMBU
O novíssimo restaurante abriu as portas prometendo ser diferente. O chef paraense Leandro Nunes oferece um menu enxuto e criativo - quatro ou oito etapas - com partos como o camarão com iogurte e tucupi feito com dendê e jambu acompanhado de arroz negro.

Vila Planalto, em frente ao balão da L4
Telefone: (61)3081-0900
Facebook.com/JambuRest
 

15- BABY BEEF RUBAIYAT
Bons cortes de carnes e bela vista para o Lago Paranoá. Para os menos carnívoros, também há opções para comer de maneira mais saudável. Destaque para a maciez do superbeef, que passa pela maturação de 21 dias antes de chegar à grelha de carvão.

SCES – Setor de Clubes Esportivos Sul, Trecho 1, lote 1 A
Telefone: (61) 3443-5000

quarta-feira, 8 de outubro de 2014

RECEITAS // Beijinho em versão saudável

Está de dieta e fez cara de nem-te-ligo para o beijinho da foto? Não precisa se reprimir, o docinho em questão é supersaudável. É feito com açúcar e óleo de coco e tem receita criada pelo chef catarinense Reinhard Pfeiffer, especializado em gastronomia ovo-lacto-vegetariana. Reinhard atualmente comanda o Restaurante Expedito, na Lapa, cidade histórica a 60km de Curitiba. No currículo ele traz também uma participação na elaboração do livro “A Cozinha Vegetariana”, de Astrid Pfeiffer, premiado pelo Cookbook Award 2012.

Voltando ao beijinho, a receita é bem fácil. Alguns ingredientes, como o amaranto em flocos e o próprio açúcar de coco, não são tão fáceis de encontrar, mas nada impossível. De qualquer forma segue a receita para quiser colocar as mãos na massa.

Beijinho de batata doce

Ingredientes
1 batata doce grande (255 gramas) descascada e picada grosseiramente
- 6 xícaras de água  (uns 15 litros)
- 1 pera (sem a casca) ralada no ralo grosso
- Suco de ½ limão siciliano (para regar a pera ralada e não escurecer)
- 1 colher (chá) de óleo de coco derretido
- 2 colheres (sopa) de coco fresco ralado (para envolver ou colocar na massa do brigadeiro)
- 3 colheres (sopa) de amaranto em flocos
- 2 colheres (sopa) de castanha de caju bem picada (xerem)
- 3 colheres (sopa) de açúcar de coco

Preparo
- Cozinhe a batata doce até ficar macia (15-20 minutos). Despreze a água.
- Passe pelo espremedor e despreze a parte fibrosa que ficar dentro do espremedor.
- Num bowl, coloque o restante dos ingredientes e leve à geladeira umas 4 horas para firmar.
- Passe um pouco de óleo de coco nas mãos e forme brigadeiros, envolvendo-os no coco fresco ralado.

terça-feira, 7 de outubro de 2014

post it // 4 mini restaurantes

Daniel Bitar
Colunista de Roteiros do Gastronomix


Eles são pequenos (às vezes minúsculos). Acomodam poucas pessoas. A cozinha, geralmente, é aberta para o salão, de onde o chef trabalha à vista dos comensais. E a comida é simples, porém deliciosa. Uma tendência que se tem notado mundo a fora é o surgimento desses mini restaurantes que, embora pequenos em porte, servem refeições criativas e apetitosas. O recérm lançado Guia Michelin Nova York 2015 concedeu a primeira estrela ao Take Root, no Brooklyn, restaurante com pegada vegetariana e que comporta só 12 pessoas. Com duas estrelas Michelin, o Momofuko Ko, do celebrado David Chang, também em Nova York, possui apenas 12 assentos em torno de um balcão. Em suas andanças, o Gastronomix visitou, testou e aprovou 4 mini restaurantes.

1.MAMSELL – VIENA, ÁUSTRIA
O restaurante é um cubículo. A cozinha é ainda menor. E Nora Kreimeyer, que trabalha sozinha, se divide em várias para preparar o menu vegetariano, composto de entrada e prato principal, que muda todos os dias a depender do que sua mãe tem para ser colhido na horta. Sim: a maioria dos vegetais vem da horta da mãe da chef-proprietária.
Gumpendoferstrasse 33
Viena, Áustria
Horário de funcionamento: terça, de 11:30 às 15:00; de quarta a sexta, de 11:30 às 15:00 e de 18:00 às 23:00
www.mamsell.at

2.GRO – ESTOCOLMO, SUÉCIA
Representante da New Nordic Cuisine, o Gro se diferencia dos seus pares por praticar baixos preços e por ser assumidamente simples. A placa é um pedaço de papel escrito "gro" a mão pregado na porta com fita crepe. O menu, um quadro negro pendurado na parede. Garçon? Que nada. Você faz o pedido direto para um dos chefes e paga antecipadamente. Mas a ótima comida, de tão saborosa, parece estar sendo servida em um restaurante de luxo.
Sankt Eriksgatan 67
Estocolmo, Suécia
Horário de funcionamento: terça, de 12:00 às 15:30; de quarta a sexta, de 12:00 às 15:30 e de 18:00 às 22:00
www.grorestaurang.se

 3.RACINES – PARIS, FRANÇA
O que é o Racines? Bistrô? Bar à Vin? Cave à manger? É tudo isso e mais um pouco. Localizado em uma das tradicionais passagens parisienses, o restaurante ostenta a charmosa e aconchegante decoração típica de um bistrô. Embora seja mais conhecido pelos vinhos de alta qualidade (e que, além de servidos no local, são vendidos para levar, a preços ainda mais baixos), serve pratos simples, porém com apuro técnico perceptível. Devido ao sucesso (e ao pequeno salão) do original, foi necessário criar o Racines 2, que tem espaço para acolher mais gente.
8, passage des Panoramas
Paris, França
Horário de funcionamento: segunda a sexta, de 12:00 às 14:30 e de 19:00 às 22:30.
www.racinesparis.com

4.PIPO – RIO DE JANEIRO
É o irmão mais novo do Oro, restaurante de sucesso do chef Felipe Bronze, no Rio. Auto-intitulado boteco de vanguarda, é mais descontraído, mais descomplicado e menos pretensioso que o irmão mais velho. Mas nem por isso deixa de oferecer pratos inventivos e deliciosos, como o caldinho de feijão com espuma de couve. Ou o porquinho laqueado no gengibre e tucupi. Sem falar nos pastéis, mini hambúrgueres... Lugar ideal para um almoço de sábado.
Rua Dias Ferreira, 64
Leblon, Rio de Janeiro
www.piporestaurante.com

segunda-feira, 6 de outubro de 2014

EU RECOMENDO // A Cozinha Palaciana Otomana

Por Andre Degasperi
Convidado especial do Gastronomix


Prepare-se para uma experiência cheia de novas descobertas, em que os ingredientes e suas misturas não são tão óbvios ao paladar ocidental e a forma inusitada e quase sempre surpreendente da apresentação dos pratos vão deixar você ainda mais curioso por uma nova experiência gastronômica. Você vai encontrar pratos elaborados que misturam arroz, frutas e verduras com carne e também com muito peixe.


Para provar o tipo de comida que fazia a cabeça dos sultões – como Imam Bayıldı (‘o imã desmaiou’, berinjelas grelhadas lentamente, com cebola e tomate), dilber dudağı  (‘lábios de mulher’, massa molhada na calda), karnıyarık (‘barriga cortada’, berinjela recheada com carne moída) e Kadın Budu köfte (‘coxas de mulher’, um tipo de almôndega) – vá a um restaurante de culinária otomana tradicional, que prepara receitas saídas diretamente das cozinhas do Palácio Topkapı, a majestosa histórica casa de Sultões em Istambul, hoje o museu mais importante de relíquias do Império Otomano.
Com vista para o Bósforo e para a costa do lado asiático, o Palácio Topkapı foi o lar dos sultões otomanos a partir da conquista de Constantinopla (antigo nome de Istambul), em 1453, até o século XIX. Não é um castelo típico ou mansão, possui grandes e suntuosos jardins de rosas de Esparta, todos testemunhando a absoluta autoridade do sultão sobre os homens.

O local destinado à cozinha imperial dentro do Palácio ocupa uma área com grandes câmaras abobadadas, sendo que cada uma dessas áreas foi designada para uma especialidade gastronômica, como a fabricação de doces, picles, ou o armazenamento de carnes. Havia despensas, armazéns e escritórios para a equipe de funcionários que mantinham registros meticulosos sobre o que era comprado e quanto era gasto.
Centenas de homens, comandados por chefs especiais, viviam e trabalhavam aí, alimentando cerca de dez mil pessoas por dia. A sopa, o pilav (arroz), os pratos de vegetais, carnes, pães e bolos foram, cada um em sua individualidade, desenvolvidos e produzidos por um chef de cozinha, com até uma centena de aprendizes. Eles tinham seus próprios dormitórios, uma fonte de água, uma mesquita e um banho turco à disposição.

Comidas e alguns restaurantes em que você poderá se deliciar com a culinária típica palaciana otomana em sua próxima visita à Turquia, já que não existem lugares similares que sirvam esses tipos de pratos aqui no Brasil.
A "Testi Casserole de Cordeiro" é o destaque do Restaurante Tuğra, um dos mais tradicionais restaurantes de cozinha otomana da Turquia, que é especialmente conhecido por ficar dentro do Palácio Otomano Çırağan é um local ideal para o jantar perfeito ao estilo palaciano. Este prato, uma receita autêntica do Império Otomano, é muito popular entre os frequentadores do restaurante. "Testi" é a palavra turca para "cumbuca de barro", que foi inicialmente desenvolvida para levar água dos poços às casas. A argila vermelha serve ​​para cozinhar carne e legumes em brasa ou em fornos de pedra. Seu uso para fins culinários veio da tradição dos Hititas - um antigo povo da Anatólia (região central da Turquia).

Os ingredientes principais são ombro de cordeiro desossado, molho de tomate, cogumelos silvestres, cebola, alho, pimentão, batatas pequenas e caldo de legumes. Todos os ingredientes são colocados em uma cumbuca de barro, coberta com folha de alumínio. Uma massa de vedação especial é feita à base de farinha para lacrar a abertura superior da cumbuca e então tudo é cozido no forno por cerca de 100 minutos. Quando terminado o preparo, a cumbuca é então aberta quebrando-se o pote de barro com um martelo à mesa, na frente do convidado.
Este prato utiliza-se de um método de cozimento lento para amaciar a carne e também como uma forma preventiva para proteger os sultões de envenenamento.Outro local para se deliciar com a verdadeira comida palaciana otomana é o restaurante Asitane, que fica em Edirnekapı, um bairro mais tradicional e distante da cidade de Istambul.  Aqui, você encontra os pratos por temas, isso quer dizer que você poderá experimentar os pratos que seriam servidos nas festas de circuncisão dos filhos do Sultão Süleyman, Beyazıd e Cihangir, em 1539.
Prepare-se para combinações agridoces de frutas e carnes: kavun dolması é melão recheado com carne moída, arroz, amêndoas, uvas e pistache; nirbaç é um ensopado de carne de cordeiro, almôndegas e cenoura, temperado com coentro, gengibre, canela, romã e nozes moídas.

Restaurante Tuğra
Fica dentro do The Leading Hotels of the World Çırağan Palace Kempinsk
iCiragan Caddesi 32 – Istanbul
Telefone: +90 212 326 4646
Site: http://www.kempinski.com/en/istanbul/ciragan-palace/dining/restaurants/tugra

Restaurante Lil'a

Fica dentro do Museum Hotel, em Uçhisar | Capadócia, Tekeli mah. No:1 
Telefone: +90 (384) 219 2220
Site: http://www.museum-hotel.com/lila-restaurant-cappadocia.htm


Restaurante Asitane
Fica em Edirnekapı, Istambul Derviş Ali Mh., Kariye Bostanı Sk No:6
Telefone: +90 212 635 7997
Site: http://www.asitanerestaurant.com

Leia mais:

- A Comida do Sultão
- Entrevista com Ahmet Kara – Chef do Tuğra

domingo, 5 de outubro de 2014

ENTREVISTA // Ahmet Kara – Chef do Tuğra

GASTRONOMIX - Quais são os princípios da comida Otomana? Qual a sua origem? Por favor, apresente um contexto histórico.KARA - A história diz que foi montado um poderoso time de profissionais para integrar a Cozinha Palaciana Otomana, que foi a campo buscar inspiração e descobrir as mais deliciosas receitas pertencentes aos três continentes dominados pelo Império Otomano. A base da Cozinha Otomana é a mistura exclusiva de especiarias e ervas raras, tais como canela, açafrão, gengibre, cravo, hortelã, cominho, pimenta, alho, sumac (ou sumagre), damasco e ameixa. Pratos otomanos são receitas complexas e demoradas em seu preparo. A maioria deles combina dois ou mais métodos diferentes de cozinha. Fritar em óleo, ferver em água, grelhar, cozinhar sempre em fogo brando ou vapor, eventualmente podem entrar em um prato simples, porque a maioria dos pratos são combinações de vegetais, arroz, carne e molho. O prato Testi Casserole de Cordeiro é um exemplo perfeito disso. É carne de cordeiro com cebola, alho, manteiga, tomilho, cenoura, pimentão e outros. Dependendo da época, mais vegetais podem ser adicionados. Ele é cozido na cumbuca sob fogo baixo por um longo tempo, a fim de liberar o sabor e aroma para a harmonia da carne, temperos e vegetais. A cozinha otomana também é rica e saudável. Alimentos da Ásia, Oriente Médio, Bálcãs e alguns do mundo ocidental enriquem cozinha do Império. O que a torna diferente é também o método de cozimento - "o processo de cozimento é longo e em fogo baixo", com o uso de panelas de cobre e caçarolas.  Ingredientes como o tomate, por exemplo, começaram a ser usados durante o século 18, depois que todas as receitas palacianas originais mudaram dramaticamente e foram ficando com o estilo mais “turco”. Tomate e pasta de tomate são indispensáveis ​​na atual cozinha turca, mas não eram no período Otomano. Não havia a "Mezze" / Hors d'oeuvre na cultura alimentar antes de meados do século 19. O povo turco entrou em contato com essa cultura pela primeira vez agregando os hábitos gastronômicos de países conquistados pelo Império, e agora “Mezze” é essencial para a cozinha turca da atualidade.
GASTRONOMIX - A cozinha Otomana foi de fato criada para alimentar o Sultão ou é apenas uma lenda? Pessoas comuns também comiam este tipo elaborado de comida naquela época?
KARA - 
A maioria dos pratos que servimos no Tuğra são receitas das cozinhas dos antigos palácios. O "Chicken Topkapi", por exemplo foi o preferido do Sultão Murad III, que gostava de estender a iguaria aos seus convidados reais com freqüência. Há também pratos como "Testi Carneiro na Panela", que era o predileto de pessoas comuns, e também pela realeza otomana.

GASTRONOMIX - Quais são os ingredientes mais comuns e principais para preparar os pratos tradicionais otomanos, e por quê? 
KARA - A maioria das especiarias, juntamente com cebola, alho, manteiga e gordura de cordeiro são considerados os ingredientes mais comuns e principais na cozinha imperial. As frutas secas também são comuns em receitas como codorna ou galinha a "mutancana". Como naquela época o açúcar era muito valioso e caro, frutas secas eram usadas na maioria dos pratos em sua substituição. É difícil encontrar uma receita fidedigna aos tempos otomanos, devido à falta de documentação existente hoje em dia.  Isso faz com que o mesmo prato apresente pequenas alterações de sabor em diferentes restaurantes.
GASTRONOMIX - Quais são os sucessos do Tuğra e porque as pessoas gostam deles? Existe um particular mais desejado pelos turistas brasileiros?KARA - Os nossos especiais são: Mezze, Testi Carneiro na Panela, Frango de Topkapi, "Cordeiro Külbastı" e peixe embrulhado com acelga. Eles são muito populares entre os clientes locais, internacionais e pelos brasileiros. As receitas do Tuğra são baseadas em longos estudos sobre os arquivos do Palacio Ciragan & Palácio Dolmabahce. Para atualizar estas receitas, fizemos visitas a antigas cidades históricas, como Konya, Amasya, Gaziantep e assim por diante para pesquisar comida local. Foram estudados e investigados livros de língua otomana e convidamos ainda hóspedes que não têm conhecimento em profundidade sobre esta cozinha para partilhar suas sugestões e opiniões. Detalhes como o local, o tempo certo para degustar e outros fatores mais subjetivos são fundamentais para integrar a verdadeira experiência da gastronomia otomana. Comer em um verdadeiro palácio otomano é uma experiência única, a mais próxima que pode existir do que foi a experiência dos Sultões com a comida. No Tuğra, há uma encantadora vista do Bósforo, onde você pode ver a Hagia Sophia, o Palácio Topkapi, e a Ponte do Bósforo, tudo dentro do Palácio Çırağan.
GASTRONOMIX - Qual bebida você recomenda como melhor combinação para pratos otomanos?
KARA - Não havia álcool na época da cozinha palaciana otomana por motivos religiosos (os muçulmanos não consomem álcool em refeições). Havia "Şerbet" (uma bebida refrescante de origem árabe com especiarias, pétalas de flores e raízes diversas) e "compotas" (espécie de sangrias de frutas) em seu lugar. No entanto, vinhos e “spirits” entraram nos menus no final do século 19, e hoje fazem parte da refeição. Nós possuímos a maior e mais variada adega de Istambul; recomendamos vinhos locais, tintos ou brancos, dependendo do prato. A Turquia se tornou uma grande produtora de vinhos de classe mundial na última década

Entrevista concedida a Andre Degasperi

sábado, 4 de outubro de 2014

EU RECOMENDO // A comida do Sultão

Por Andre Degasperi
Convidado especial do Gastronomix

Diferentemente do que muita gente imagina, a comida Otomana não necessariamente é a mesma coisa que comida turca. A primeira é aquela que era servida nos palácios do Império Otomano aos Sultões e suas famílias, com toda a pompa e circunstância que se imagina, não só na forma, mas no cuidado da mistura exótica e única dos ingredientes para se chegar a um resultado único e peculiar.

Já a segunda, é mais simples e próxima daquilo que conhecemos em restaurantes árabes, libaneses e outros daquela região do Oriente Médio, presentes aqui no Brasil, principalmente na cidade de São Paulo. Para entender melhor os sabores e aromas altamente complexos e especiais da comida do Sultão e de seu legado é importante contextualizar o período histórico em questão.
O Império Otomano começou no século 11, quando tribos túrquicas nômades se fixaram na Anatólia, região central do país que hoje constitui a maior parte da Turquia. Tais tribos ajudaram a difundir a religião muçulmana em terras que até então estavam sob o domínio de outro império, o Bizantino. "O termo otomano deriva do nome Osman, ou, em árabe, Uthman, que existiu durante os séculos 15 e 16, tendo o Sultão como sua autoridade máxima.

O Império Otomano tornou-se um dos estados mais fortes do mundo, que concentrava na época boa parte do Oriente Médio, do Leste Europeu e do norte da África, um grande caldeirão étnico e cultural que influenciou muito a culinária palaciana otomana, sobretudo por causa da tolerância dos otomanos com as tradições e as religiões dos povos conquistados.

De acordo com as histórias contadas ao longo dos séculos, o orgulho que os otomanos sentiam da sua cultura se estendia também à gastronomia. Quando a Imperatriz Eugenia visitou Istambul com Napoleão III, ela ficou maravilhada com o prato típico de purê de berinjela e carne de carneiro, chamado em português de “a imperatriz gostou”.

Um cozinheiro francês que fazia parte da comitiva da Imperatriz logo conseguiu a autorização do Sultão para ter acesso à receita. Foi quando seu colega turco, autor do prato palaciano, ficou indignado com o pedido e expulsou o francês das cozinhas do palácio, justificando-se com a seguinte afirmação: “Como ousa me fazer tal pedido? Um chef imperial trabalha com sua emoção, seus olhos e seu nariz!” Isso diz muito sobre o estilo da Cozinha Imperial Otomana e justifica, assim como em outras ocasiões, os nomes dados aos pratos imperiais:


- Hünkar Beğendi  – o sultão apreciou
- Imam Bayıldı  - o imã desmaiou (ou desmaiado)
- Bülbül Yuvası  - o ninho do rouxinol
- Kadin Budu  - coxa de mulher


Leia mais:
- A Cozinha Palaciana Otomana
- Entrevista com Ahmet Kara – Chef do Tuğra

sexta-feira, 3 de outubro de 2014

DRINK_ME // Cultura etílica internacional

Juliana Raimo
Colunista de Drinks do Gastronomix

Estes dias soube que um querido amigo deixou, há alguns anos , sua carreira de jogador de futebol profissional para se tornar bartender. Esta decisão aconteceu após uma temporada em Londres, onde começou despretensiosamente a fazer bicos de barman na cidade inglesa e se apaixonou pela profissão. Agradecemos a decisão, pois ganhamos um incrível profissional, não só dedicado mais apaixonado pelo que faz, o brasileiro Marcelo Serrano. 

Com 14 anos de experiência na área, é hoje chef de bar da casa Brasserie Des Arts – bairro dos Jardins, SP -  e do restaurante Satay dos mesmos sócios. Por termos vivido um ano de Copa, a 3a edição da carta de drinks foi inspirada em trazer o que há de melhor da coquetelaria de cada canto do mundo, valorizando a cultura etílica. Foi dividida por países, similar a uma carta de vinhos. Passando pela Itália, Canadá e Guatemala entre outros, provamos os drinks abaixo que realmente trouxeram o essencial de cada local:

// The italian job (Itália) R$ 29
Seco / aperitivo
Grappa tagliatela, redução de cerveja escura, grapefruit, suco de limão siciliano e amaro lucano.
Um drink refrescante, servindo em uma taça elegante, possui um leve amargor da fruta que faz o contraponto com o doce da grappa. Muito bom para começar.

// Catedral (Canadá) R$ 29
Licor Chery Hering, bourbon, maple syrup, limão siciliano, gengibre e club soda.
Um coquetel inusitado com o calor do Bourbon e o frescor do gengibre.
Sucesso absoluto!


// Petate Old Fashioned
Petate é o nome da fita de palha q envolve a garrafa do rum zacapa feita pelas mulheres da Guatemala.
Drink Aperitivo, Rum zacapa, Bitter caseiro, sugar syrup e zest de limão tahiti.
Um Drink "quente", extremamente equilibrado, que surpreende aos a,amantes de um claccioco old fashioned. O rum no lugar do bourbon trás um leve adocicado q deixa o coquetel mais acolhedor. A escolha do copo de vidro baixo mas trabalhado é perfeita.

Bar e Restaurante Brasserie des Arts
Rua Padre João Manoel, 1231- Jardins - São Paulo
Tel: 11 - 3061-3326.
Horários de funcionamento normal: Segunda -Terça 19h -0h00; Quarta e quinta (noite) 19-0h30; Sexta, sábado e Domingo (almoço e jantar ) a partir das 12h. Acesso a deficientes.