domingo, 7 de setembro de 2014

NOTÍCIAS// Cerrado Week ocorre de 15 a 21 de set

Que o Cerrado é uma gostosura, disso ninguém duvida. Outros biomas já são e foram explorados gastronomicamente. Agora é a vez do Cerrado se tornar mais conhecido pelo público em geral, já que ele ocupa quase 1/4 do território nacional. Por isso, um grupo de chefs se reuniu para promover a primeira edição do Festival Gastronômico Cerrado Week, tendo a capital como palco. O evento acontecerá de 15 a 21 de setembro e contará com cafés, bares e restaurantes de Brasília e já conta com mais de 30 estabelecimentos confirmados.
“Nosso objetivo principal é ampliar o conhecimento do público sobre o potencial gastronômico das espécies nativas do Cerrado e ao mesmo tempo criar uma demanda regular para esses produtos, fomentando assim toda a cadeia produtiva dos agroextrativistas e cooperativas que utilizam o bioma como sua fonte de renda”, explica Ana Paula Jacques, coordenadora-geral do Festival e co-líder do convívio Slow Food Cerrado.
Para isso, um dos pré-requisitos é que cada estabelecimento crie um prato exclusivo para o festival, contendo, pelo menos, um ingrediente nativo do Cerrado. Serão oferecidos diferentes preparações: desde o prato principal em restaurantes (ao custo de  R$39), até doces ou pães (a R$ 9), passando por petisco (R$ 29) ou lanche ou sobremesa (R$ 19).

RESTAURANTES JÁ CONFIRMADOS
Restaurante Olivae, Trio Gastronomia, Restaurante Mucho Gusto, Objeto Encontrado Galeria e Café, El Paso, Sorbê Sorvetes Artesanais, Bar Godofredo, Alfredo Pizzaria, La Boulangerie, Parrilla Madrid, Oliver, Paradiso, Dom Francisco, Loca Como Tu Madre, Universal, Calaf, Grand Cru, Paneteria D’Oliva, Cartolaria Guara, Jambu, Daorla Showbar e Restaurante,O Realejo, a Komboleria e os oito Restaurante-Escola Senac (MPDFT, CGU, Setor Comercial Sul, Ministério da Justiça, STF, Câmara dos Deputados – Anexo IV, “Restaurante dos Senadores” e Senac Downtown Brasília).
Além da Capital Federal,  estabelecimentos de todos os estados que compõe o Cerrado brasileiro (Bahia, Goiás, Maranhão, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Paraná, Piauí, São Paulo, Tocantins) poderão participar. Já garantiram vaga os goianos Venda do Bento (Pirenóplis), Pitanga Sabor e Equilíbrio (Goiânia) e Restaurante ComTradição (Olhos D’Água) .

O CERRADO
O Cerrado é o segundo maior bioma brasileiro e ocupa quase 1/4 do território nacional (2.036.448 km2), abrangendo o Distrito Federal, os estados de Goiás, Tocantins, Maranhão, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Mato Grosso, Piauí, São Paulo, Bahia, Rondônia e porções de Roraima, Amapá, Amazonas e Pará. O bioma é  conhecido como “berço das águas” ou “caixa d´água do Brasil” por abrigar nascentes das principais bacias hidrográficas brasileiras.Estudos apontam que existem cerca de 15 mil espécies de plantas no Cerrado, além de uma fauna riquíssima, com aproximadamente 300 mil espécies de animais. Mas, segundo dados do Ministério do Meio Ambiente, 132 espécies do Cerrado constam na lista das espécies ameaçadas de extinção.
INFORMAÇÕES
Ana Paula Jacques
Coordenação Geral
Festival Cerrado Week
(61) 8135-3065

E-mail: cerrado@slowfoodbrasil.com
Twitter: @slowfoodcerrado
Intagram: @slowfoodcerrado
Facebook: facebook.com/slowfoodcerrado

quarta-feira, 3 de setembro de 2014

COLHERADA // Pães e bolsas

Erika Klingl
Colunista e Crítica de Gastronomia do Gastronomix

Parece estranho, mas ,desde maio, quando eu penso na Harrods, meu apetite fica aguçado. Não. Não é porque eu sonho com aquelas lindas bolsas de marca ou cremes e perfumes sensacionais. A mais famosa loja de departamentos do mundo, localizada em Londres, tem um setor todo voltado para a gastronomia. E o melhor é que há inúmeros restaurantes lá dentro.
Engana-se quem pensa, no entanto, que por ser um ícone da moda, a comida de lá é light ou em pequenas porções. Na Harrods, come-se incrivelmente bem. Há restaurante de sushi, carnes, sanduíches, uma rotisserie entre outros. Há também a hipótese de se comprar ingredientes para um piquenique num dos parques londrinos ou trazer algo pra casa no fim da viagem.

A primeira vez que fui na Harrods para comprar um perfume, tinha acabado de almoçar. Estava batendo perna no lado do setor de bolsas, pastas e carteiras quando abri uma porta e entrei no enorme setor de alimentos. Sério, parecia que eu estava conhecendo a Incrível Fábrica de Chocolate tamanha a minha emoção. E, com essa descrição, dá para imaginar a minha frustração ao simplesmente não conseguir comer nada lá a não ser um bombom. Não estava com fome. E no dia seguinte, para piorar, ia voltar para o Brasil.
Tudo bem, pensei. Da próxima vez que vier a Londres eu vou lá e me acabo de tanto comer. Dito e feito. De todas as opções escolhi a rotisserie. Pedi um prato que era nada mais nada menos que 1/2 pato com legumes e uma taça de vinho da casa. Totalmente maravilhoso. Tanto que eles dão uma toalhinha úmida e quente para os que quiserem se aventurar e comer os pedaços mais difíceis e ossudos com as mãos. Eu fiquei com vergonha, mas uma senhora chinesa do meu lado mandou ver!
Na saída, ainda levei queijos e pães. Faltou dizer que lá tem padaria que vende pães da grife francesa Poilâine, de fermentação natural, que existe há mais de cem anos na França. Há também patês, chocolates, embutidos e até ingredientes para quem quiser se aventurar no fogão. Vale a visita!

terça-feira, 2 de setembro de 2014

post it // The Line, em Los Angeles

Daniel Bitar
Colunista de Roteiros do Gastronomix

O The Line é objeto deste post por vários motivos. Primeiro, porque é um hotel boutique, instalado num prédio dos anos 50 que fica em Koreatown, um dos bairros mais bacanas de Los Angeles. Além disso, todos os quartos têm janela panorâmica e uma decoração descolada. O hotel conta ainda com uma banca de jornais e revistas internacionais, uma loja – a Poketo –, piscina e serviço de aluguel de bicicletas. Outro motivo é que, apesar de tudo isso, a diária no hotel não é cara. Mas a razão principal para que o The Line figure neste post são seus restaurantes. Concebidos por Roy Choi, oferecem uma comida americana com influência coreana (ou vice-versa!). Para quem não sabe, Roy Choi foi o chef que teve a brilhante ideia de servir boa comida em food trucks! Aliás, o filme "Chef", que anda fazendo sucesso mundo afora, foi inspirado nessa passagem da vida de Choi.

The Line
3515 Wilshire Blvd
Los Angeles – Estados Unidos
Telefone: +1 213-381-7411
www.thelinehotel.com
                                                         Visão dos quartos 
Fachada do The Line
                                                             comidinhas
                                                 restaurante no The Line
                                                                   servido?

sábado, 30 de agosto de 2014

ABOBRINHAS // Gastronomia ao ar livre e bons preços

Luciano Milhomem
Colunista de Alimentação natural do Gastronomix
Já esqueci qual foi meu último piquenique. Comer fora de casa aos fins de semana ou feriados é, para mim e para muitos, ir a um restaurante, normalmente de um shopping center. A tradicional imagem da toalha quadriculada de branco e vermelho estendida sobre a grama, com cestas de vime, copos, pratos e garfos espalhados, parece emoldurada no tempo, como uma pintura impressionista.

Em Brasília e outras cidades onde há grandes parques, há quem organize churrascos, geralmente sobre uma estrutura já montada -- no caso da capital federal, churrasqueiras, mesas e bancos de concreto. O ar livre está lá, mas o bucolismo romântico e elegante dos velhos piqueniques passa longe.

Neste ano, o Parque da Cidade abrigou evento gastronômico ao ar livre à hora do almoço em um fim de semana. Pareceu-me uma boa ideia, mas tive a sensação de estar, mais uma vez, em um shopping center a céu aberto: barracas de comida e bebida variadas (instalações provisórias de restaurantes conhecidos da cidade), pratos em sua maioria banais e mesas insuficientes para a quantidade de pessoas que foram experimentar a novidade. 
Ademais, para quem, como eu, não come carnes, só havia duas opções: um tipo de risoto e pizza sabor Marguerita. Quem me serviu o risoto confessou-me que só criou um de seus pratos sem carne a pedido de clientes vegetarianos carentes de alternativa na feira gastronômica.

Agora, mais precisamente no próximo dia 6, o brasiliense terá nova oportunidade de recuperar ao menos parte do espírito dos antigos piqueniques: a 1ª edição do Tempera Pop Up, festival gastronômico de rua, com a participação de 9 chefs e pratos ao custo de até R$ 20,00.

O Tempera compensará a falta de cestas de vime e toalhas quadriculadas com a presença de mestres da gastronomia brasiliense, como Anderson Ferreira (D’Lurdes), Daniela Loyola (Confeitaria Francesa), Daniel Vieira (4Doze Bistrô), Gil Guimarães (Parrilla Madri), Lídia Nasser (Empório Árabe), Mara Alcamim (Universal Diner e Café Universal), Rosario Tessier (Trattoria da Rosario), Tatiana Lisboa (personal chef) e Venceslau Calaf (Bar do Calaf). Para acompanhar os finos pratos, os estandes do evento disporão também de bebidas alcóolicas, como vinhos e espumantes.

Além dos preços acessíveis, o Tempera invadirá a noite, pois estará aberto das 12h às 22h. Outra novidade do festival é valorizar a gastronomia de fora do coração do Plano Piloto. O chef Anderson Ferreira, que comanda o D’Lurdes (restaurante especializado em comida mineira no Guará) e a chef Lídia Nasser, à frente do Empório Árabe, em Águas Claras, são exemplos dessa iniciativa.
Para os bons gourmets que não apreciam carne, o Tempera também tem poucas, porém tentadoras, opções. Lídia Nasser, do Empório Árabe, por exemplo, oferecerá sanduíche de falafel (bolinho de grão de bico) no pão-folha (a R$ 15,00). Tatiana Lisboa (chef independente) concorre com seu arancini de açafrão-da-terra e queijo (bolinho de risoto de açafrão-da-terra recheado com queijo).

Que fique registrada a sugestão aos chefs da cidade: quem não come carnes também aprecia alta gastronomia. Ainda dá tempo de incluir mais pratos livres de produtos animais no festival. 

Tempera Pop Up
Dia 6 de setembro, das 12h às 22h, no Soul Brasília (Parque da Cidade, Praça das Fontes, Estacionamento 9). Pratos até R$ 20,00. Entrada gratuita.

sexta-feira, 29 de agosto de 2014

RECEITAS // Robalo com tangerina e fettuccine de palmito

O chef Paulo Zaffalão - que já deu uma super dica de um restaurante em Morretes para o Gastronomix - lançou sua apostila com 10 receitas, que podem ser aprendidas em três dias de aulas. Zaffalão trabalha como personal chef e presta consultorias gastronômicas e na reformulação e montagem de cardápios para restaurantes.

Com passagens pelas cozinhas do Hotel Emiliano, Renaissance, Maní e eventos na casa Fasano, ele faz questão de usar em suas receitas ingredientes frescos, orgânicos e super gostosos. O e-mail para quem estiver interessado em aulas é contatozaffalao@gmail.com .   
Clique e amplie a receita que ele passou para os leitores do Gastronomix.

ROBALO AO PERFUME DE TANGERINA E FETTUCCINE DE PALMITO PUPUNHA 

quinta-feira, 28 de agosto de 2014

30ml // O aprendiz e a Bialetti

Sandro Biondo
Colunista de Café do Gastronomix

Dia desses estava pensando: já que eu (assim como muito mais do que 99% dos brasileiros) não posso ter uma máquina de espresso profissional em casa para tomar os tão amados 30 ml a cada vez que desejar, não seria bom escolher uma das formas tradicionais de preparo?

Assim, poderia comprar bons grãos para preparar em casa, com uso do bom e velho fogão e obter o melhor café possível. Claro, desde que o café fosse torrado à boa maneira e com a moagem ideal para o método escolhido. 

Pronto! Defini a cafeteira italiana, bem conhecida por Bialleti (que é o sobrenome do seu criador, lá pelos idos dos anos 1930) como meu modo caseiro favorito de fazer café. 

Daí que chegou a hora de aprender a preparar. Atenção: há muitas imitações da Bialetti em uma loja perto de você, mas aposte na original, que não vaza, não vem com borrachinha ressecada e não costuma dar errado se a receita for bem seguida. Compartilho aqui as dicas que segui, cuja fonte foi a revista Espresso.
1 - coloque água até o limite indicado, que é a válvula que você encontra no reservatório da cafeteira.

2 - coloque o pó de bom café na moagem correta para Bialetti (basta pedir isso ao vendedor de cafés. Se comprar no supermercado procure as marcas que vêm com essa indicação na embalagem). Encha o cesto que serve de filtro mas não comprima o pó. 

3 - ao fechar a cafeteira cuide para que não haja resquícios sobre a rosca, para que não ocorra vazamento durante a ebulição.

4 - e super importante: leve ao fogo baixo. E desligue assim que o café começar a chegar ao compartimento superior. O fogo alto faz a água passar rápido demais pelo filtro, deixando o café amargo. E se deixar muito tempo em ebulição, queima o pó. 

5 - por último, lave sua italianinha depois do preparo, para não manchar o alumínio. Mas pode beber seu café tranquilamente antes. Só não vale deixar para lavar no dia seguinte. 
Pronto, pensei! Preparei o café perfeito na Bialetti. Mentira. Errei, pelo menos, quatro vezes até chegar a um produto razoável. Foi quando consegui seguir todas as dicas acima sem esquecer uma delas no processo...

quarta-feira, 27 de agosto de 2014

COLHERADA // Delícia para o coração

Erika Klingl
Colunista e Crítica de Gastronomia do Gastronomix

Lá em Minas, onde nasci, ainda tem umas vovozinhas que acreditam que marido a gente pega é pelo estômago. Sabedoria popular ou não, confesso que esse quesito pode ter me dado certa vantagem na hora de conquistar o meu, há 12 anos. A ponto do Gustavo ainda se lembrar do prato que eu fiz para a gente no nosso primeiro dia dos namorados...

E ,no mês passado, ele pediu para eu refazer a tal receita que é inspirada num preparo do chef Claude Troisgros de camarão com molho agridoce à base de goiabada. É mesmo uma delícia. Ele serve com endívias, mas eu facilitei a vida e servi os camarões com purê de batata baroa e ficou muito bom. Para dar uma incrementada, servi de entrada vieiras.

Ficou bom demais e, tão importante quanto, não dá trabalho nenhum pra fazer! Seguem as duas receitas.

 VIEIRAS  (para seis pessoas)
Ingredientes
- 600g de vieiras limpas (mas com o coral)
- 5 colheres de sopa de azeite
- 1 cebola média corta em pedaços pequenos
- 1 dente de alho amassado
- 250ml de vinho branco
- 250ml de creme de leite fresco
- sal e pimenta do reino branca
- duas colheres de mostarda Dijon
- salsinha crespa picadinha

Modo de preparo
- Em uma panela média, doure as vieiras em três colheres de azeite. Retire.Na mesma panela, coloque o restante do azeite e acrescente a cebola, o alho e deixe suar.

- Acrescente a mostarda e o vinho branco. Reduza. Acrescente o creme e deixe ferver por 5 minutos. Volte com as vieiras e tempere com o sal, a pimenta do reino e a salsinha.

- Coloque em conchas e leve ao forno para gratinar. Se quiser, coloque farinha de pão ou queijo antes de ir ao forno. 

CAMARÕES COM MOLHO DE BARBECUE GOIABADA (para seis pessoas) 

Ingredientes
- 500g de goiabada cremosa
- Água 50ml
- Gengibre ralado
- Molho tabasco
- 3 dentes de alho picados
- 50ml de molho inglês
- 80ml de catchup
- 24 camarões VG
- Azeite
- Suco de 1 limão
- Sal e pimenta-do-reino a gosto

Modo de preparo
- Em uma panela, derreta a goiabada. Coloque os líquidos (suco de limão, molho inglês, catchup e a água) para ajudar na fervura. Acrescente gengibre, alho, tabasco, sal e pimenta do reino de deixe ferver por uns 5 minutos para concentrar o sabor.

- É preciso provar para ver como vai o equilíbrio dos sabores. Tem que estar doce, salgado, picante e ácido ao mesmo tempo. Se for necessário, coloque mais gengibre, limão ou pimenta.
Deixe esfriar e acrescente os camarões nessa marinada por, pelo menos, 30 minutos.

- Passe por uma frigideira bem quente com azeite e sirva imediatamente.