quarta-feira, 12 de maio de 2010

AO PÉ DO OUVIDO // Hang the DJ, hang the DJ…

Por Rosualdo Rodrigues

Já repararam que virou moda ser DJ? Se o cara tem 18, 20 anos e está em conflito vocacional, brinca de ser DJ. Se é funcionário público e não aguenta a rotina do trabalho burocrático, busca algo mais excitante sendo DJ. Se é ex-BBB e não canta, não dança, não representa, ser DJ é a saída para aproveitar a fama instantânea. Se é ator do terceiro time da Globo e quer faturar um extra nas badalações noturnas, vira DJ. Se está namorando a Madonna, por que perder a oportunidade de explorar marca tão poderosa? Fatura mais algum sendo DJ….

É lamentável, porque, embora o ofício de discotecar não seja uma profissão regulamentada, existem muitos profissionais sérios na área, gente que une os requisitos necessários: ter cultura musical — o que um cursinho rápido de DJ não dá —, amar música, saber manter a pista cheia, ter domínio para garantir o astral da festa… Quer dizer, não basta “botar música”. A impressão que tenho é que daqui a pouco vamos ter mais gente na cabine do que na pista.

E já que todo mundo pode ser, por que não eu? Aí vão algumas músicas que não iriam faltar no meu set list. Primeiro, cinco na linha “o que é bom nunca envelhece”:

1. Midnight at the Oasis, com Brand New Heavies
2. Sign of the times, de Bryan Ferry
3. Car wash, com Gwen Dickey
4. Don’t stop till you get enough, do Michael Jackson
5. Rock lobster, do B-52’s

E outras cinco mais quentinhas:

1. Salt air (Two Door Cinema Club Remix), do Chew Lips
2. I’m not your toy, do La Roux
3. No you girls, Franz Ferdinand
4. The fame, de Lady Gaga
5. Boom boom pow, do Black Eyed Peas

terça-feira, 11 de maio de 2010

GASTRONOMIX // O toque fusion do Your’s


Sou frequentador do Your’s desde quando o ravióli recheado com damasco tinha outro nome. Hoje, o antigo Sonho virou Ilusões. No entanto, o prato continua um delírio. O restaurante propõe comida contemporânea de qualidade. É
moderninho e, ao mesmo tempo, reservado. Não é o auge da badalação, como o Dudu Bar, mas tem seu charme e lugar na cidade. É bom ir a dois ou acompanhado de amigos.

O ambiente tem tons de preto, branco e vermelho. Há uma varanda com mesinhas na parte de fora do restaurante, o térreo (onde há um bar balcão) e o segundo andar, com as disputadas mesas perto da janela. O cardápio tem a marca do chef Dudu Camargo. O toque fusion das combinações dos pratos são a marca registrada do Your´s e é quase um convite para você experimentar “o lado direito do menu”.


Da última vez que fui lá, pedi uma entradinha simples, mas especial: bolinho de arroz. Vinha acompanhado de azeite temperado. De babar.

O principal foi um risoto de costela de boi desfiada com cebola crocante e chips de mandioca. Uma porção bem servida, o arroz veio no ponto certo e o gosto, sensacional. Como o prato está no festival Sabor Brasil, saiu por R$ 24,90. A carta de vinhos é vasta e os preços variam desde valores mais acessíveis àqueles que só alguns podem pagar.

Para quem quiser arriscar a fazer o risoto em casa, depois de comer presencialmente lá no Your´s, segue receita do risoto:

Ingredientes
Para a costela
- 100ml de azeite
- 2 cebolas grandes
-1 cabeça de alho
- 1kg de tomate maduro
- ½ maço de salsão
- 1 cabeça de alho poro
- 1kg de costela de boi sem gordura
- 100ml de vinho tinto
- ½ l de água, sal
- Pimenta-do-reino

Para o risoto
- 400g de arroz arbóreo
- Caldo do cozimento da costela
-120g de manteiga
- 1 cebola
- 100g de parmesão
- 1/3 de maço de salsinha
- 1/3 de maço de cebolinha
- Sal
- Pimenta-do-reino.

Para a cebola frita
- 4 rodelas de cebola de ½ cm de espessura
- sal, pimenta-do-reino, molho inglês, óleo.

Preparo
Coloque numa panela de pressão o azeite, a costela temperada com sal e pimenta-do-reino para dourar, depois acrescente o alho, a cebola, o salsão, o alho poró e o tomate. Deixe refogar. Coloque o vinho tinto e água e deixe cozinhar por uma hora. Retire a costela, tire as lascas e reserve o molho para fazer o risoto.

Coloque a manteiga, a cebola picada e o arroz arbóreo. Frite um pouco, ponha o vinho tinto e vá colocando, aos poucos, o caldo da costela, sempre mexendo. Quando estiver quase pronto, adicione a costela desfiada e a manteiga. Desligue o fogo e coloque o parmesão, a salsinha e a cebolinha. Tempere o anel de cebola com sal, pimenta-do-reino e molho inglês. Passe na farinha de trigo e frite no óleo.

Your’s
SHIS QI 11 s/n bl I loja, 46
Lago Sul - Brasília
Telefone: (61) 3248 0184

segunda-feira, 10 de maio de 2010

EU RECOMENDO // Cantinho polonês no Rio


Cristina Serra (*)
Convidada especial do Gastronomix


“Minha época preferida no Rio de Janeiro é o outono, que acaba de chegar. A cidade, abençoada por Deus e bonita por natureza, recebe uma luz toda especial que a torna ainda mais maravilhosa. E começa aquele friozinho, hum... ideal para cardápios mais quentes, como o do restaurante A Polonesa.

A oferta é variadíssima, mas sempre que vou lá repito os meus favoritos. Quer saber quais são? A sopa de beterraba com creme de leite fresco, servida numa tigelinha, é imbatível à noite. Além do sabor delicado, é lindo o contraste entre o vermelho encarnado da beterraba e a alvura do creme. Comida pra mim é assim: tem que ser agradável aos olhos e ao paladar. Também tem sopa de cerveja, agrião, funghi e alho poró, entre outras (já tomei e recomendo).

Outra delícia: as panquequinhas de batata com creme azedo (o creme vem numa porção à parte e tem uma consistência um pouco mais sólida que um iogurte). A panqueca é tão gostosa que às vezes nem peço o prato principal (há opções como strogonoff, massas, peixe) e vou direto pra sobremesa: o di-vi-no souflê de chocolate. É comer e agradecer aos céus. Tem dois tamanhos: o menor serve de 2 a 3 pessoas. O maior, 5.

O preparo demora, então, é preciso pedir junto com a comida. O prazer começa com os olhos (sempre eles...). O souflê vem com uma pequena chama dentro de uma casca de ovo. Quando chega na mesa, o garçom apaga. Um charme a mais. Tenho que confessar que já cometi o pecado da gula: comi um inteiro sozinha!!!!! O restaurante é pequeno e aconchegante, de uma família de origem polonesa, e fica quase escondido na rua Hilário de Gouveia, em Copacabana. Dois garçons simpáticos dão conta do serviço. Tudo muito simples, como convém, quando a comida é a estrela do lugar”.

A Polonesa
Rua Hilário de Gouveia, 116
Copacabana – Rio de Janeiro
Telefone: (21) 2547 7379

(*) Cristina Serra é jornalista, paraense de Belém, morou no Rio de Janeiro, Nova York e é repórter da TV Globo em Brasília. Como boa paraense, acha que todo ser humano deveria, pelo menos uma vez na vida, comer um caranguejo tirado na hora, à beira da praia, ou tomar um tacacá, ao cair da tarde, em qualquer esquina de Belém.

sexta-feira, 7 de maio de 2010

DRINK_ME // Shochu + pratos quentes no Nakasa

Por Juliana Raimo

Hoje, vou falar de uma bebida não muito conhecida pelos ocidentais, mas que começa a invadir os bares e restaurantes mais badalados.O Shōchū é um destilado originado no Japão sendo os mais comuns de batata doce ou arroz. Contém 25% de álcool (mais fraco que vodka e whisky e mais forte que vinho e sakê).

Um restaurante onde você pode conhecer este desliado tanto em forma de “shochurinha” (versão da caipririnha) ou na composição de algum drink é o restaurante Nakasa em São Paulo. O Nakasa tem um bar super aconchegante e um lounge de espera bacanérrimo.

Dei uma de Rodrigo Caetano e fui conferir além do drink o cardápio da casa.O bacana que nem todos sabem é que o restaurante abre para almoço sim e criou cinco pratos quentes exclusivos, perfeitos para os dias de inverno que vem por ai. Além dos clássicos combinados de sushi e sashimi há o Nam Pla, o Oishi, o Risoto de Ebi entre outros.

Por R$ 25 experimente o delicioso Nam Pla: camarão e frango com macarrão bifum, pimenta e leite de coco. Este foi a minha escolha.

Uma amiga pediu o Oishi: salmão grelhado com molho de shimeji, mel e gengibre, que estava com uma cara ótima.

Finalizamos o almoço com um sorvete de crème com farofa de gengibre.

Um outro lugar onde pude degustar um drink com Shochu foi o Myny Bar em São Paulo. O drink continha: shochu, blueberrys masseradas , suco de limão siciliano e simple syrup (xarope de açúcar).

Nakasa
Rua Consolação, 3147
Jardins – São Paulo
Telefone: (11) 3064 0970

Myny Bar
Rua Pedroso Alvarenga 1285
Itaim – São Paulo
Telefone: (11) 3071 1166

quarta-feira, 5 de maio de 2010

AO PÉ DO OUVIDO // Sob efeito de "Lady Murphy"

Por Rosualdo Rodrigues

Não bastasse eu estar precisando de um dia com 48 horas e uma semana de 14 dias, às 9h da manhã de hoje eu já tinha perdido de três a zero para "Lady Murphy", aquela senhora que se diverte fazendo as coisas darem errado. Humor de cão. Entojo acima do nível permitido. Por isso, hoje vou me limitar a transcrever comentários que escrevi para o Correio sobre três bons discos. Aí vão:

Battle studies, de John Mayer

O cantor e guitarrista norte-americano apresenta em seu sétimo disco 11 composições próprias que oscilam entre o blues e as baladas românticas. Nenhuma especialmente é espetacular, mas, juntas, resultam em um repertório agradável, confortável na ótima voz e na guitarra afiada de Mayer. Aliás, a produção de Battle studies é toda tão certinha e impecável, que o grande defeito do disco é justamente carecer de um pouco mais de suor, de sujeira. A exceção é Crossroads, que rompe o andamento geral do disco com uma ótima levada funk.

Bossarenova, de Paula Morelenbaum, com SWR Big Band e Ralf Schmid

No vocabulário de Paula Morelenbaum, bossa nova não é uma expressão parada no tempo. A cantora tem virado e revirado o gênero, revelando novas perspectivas e possibilidades. Depois do ótimo Telecoteco - Um sambinha cheio de bossa, Paula se junta à alemã SWR Big Band e ao mastro Schmid e faz o que o título do disco já anuncia. Acompanhada por 16 músicos de sopro e quatro de base, cria uma sonoridade que aproxima clássicos da bossa, como Águas e março e Tarde em Itapoã, de composições de Heitor Villa-Lobos (Modinha), Lennon & McCartney (Blackbird) e Quincy Jones (Soul bossa nova).

Declaração, de Wanda Sá e Roberto Menescal

Feito para comemorar 35 anos de parceria da cantora com o produtor/arranjador (iniciada em 1964 com o LP de estreia de Wanda Sá, Vagamente), Declaração surpreende quem espera só mais um disco de bossa nova. Trata-se de belo exemplar de música minimalista (somente vocal, guitarra e baixo), transbordando intimismo e a intimidade entre Wanda, Menescal e o baixista Adriano Giffoni. Mesmo as regravações (Vagamente, Inútil paisagem…) não soam desnecessárias, principalmente porque elas se renovam nos arranjos e na voz de Wanda Sá, mais encorpada com o tempo.

terça-feira, 4 de maio de 2010

GASTRONOMIX // Só quero chocolate...


Sábado, aquele solzinho gostoso em Brasília, e a hora do almoço chegando. Depois de uma corridinha no parque, nada como uma comida balanceada e um lugar prazeroso para se esbaldar. Opa...Não foi bem assim. A opção foi mergulhar de cabeça em chocolate. E aí, não tem lugar melhor do que a Cacahuá.

Antes dessa tarefa árdua, pedi um bacalhau cremoso, com salada (viu como sou saudável) e purê de batata baroa. O prato do Brasil Sabor, que rola na cidade até meados de maio, é acompanhado por um creme com biscoito, morango, chocolate e chantily – servido em taça de Martini. O preço dos dois é R$ 24,20. Aviso logo que o bacalhau não vem em grande quantidade, exatamente, pelo local oferecer este “combinado” – principal e sobremesa.

Quem já foi a Cacahuá sabe do que estou falando. A loja é bem planejada e tem uma bela apresentação e uma grande diversidade de chocolates (carro chefe). No subsolo, ficam sua própria fábrica de chocolate e a cozinha. Na lateral externa, um deck de madeira e mesas para um lanche e, é claro, um cafezinho com chocolate. Alguns cachepôs com plantas dão certa privacidade ao local, isolando-o de quem passa. Há também um espaço reduzido no piso superior.

No cardápio, opções light. De verdade: quiches de cogumelos; de gorgonzola e nozes e frando com catupiry (preços variam de R$ 8,30 a R$ 9,30). E saladas de folhas e frutos que variam entre R$11,80 a R$17,80. De sobremesa, a campeã é a torta de três mousses (R$ 9,40) – feita com chocolate meio amargo, ao leite e branco com crocante de amêndoa. Outra opção bacana é o café da manhã e da tarde que são bem saborosos (R$ 21,90 e R$ 22,90).

Mas lembro, a loja é de chocolates!!! Então, abre alas para as estrelas como o bombom de mangostim (deliciosa fruta asiática) e a trufa com licor de coco. A cartela de sabores agrada a paladares mais clássicos aos mais ousados.

Há bombons ao leite e meio amargo e também com pimenta-da-Jamaica, chili, canela, gengibre, baunilha e anis estrelado. E recheios que variam de ganache, gianduia com nougat, pistache, castanha-de-caju, amêndoas, champanhe, mel e licores.

Haja corrida no parque para compensar tanta tentação. Vale a pena se lambuzar de vez em quando, né?

Cacahuá
SCLS 207 bloco A loja 37
Asa Sul – Brasília
Telefone: (61) 3443 0430
Site:
www.cacahua.com.br

segunda-feira, 3 de maio de 2010

EU RECOMENDO // O paladar latino em alta


David Leichtig (*)
Convidado especial do Gastronomix


“Em comida mexicana, tenho algumas dicas bem legais: o La Laguna tem comida mexicana contemporânea e fica no meio do parque Chapultepec, uns dos parques mais lindos que eu conheço. Dentro do restaurante, tem um chafariz do tamanho de um prédio de cinco andares, que faz evoluções. Super romântico.

Em termos de comida tradicional, não tem nada como o San Angel Inn (foto) - um casarão antigo que serve a verdadeira comida mexicana de antigamente, com muita pimenta e em louça muito bonita, da época da colônia. Um dos mais caros da cidade o San Angel Inn é geralmente uma opção para dia especial e a Margarita é de subir aos céus.

De comida peruana, meu restaurante preferido em Lima se chama Pescados Capitales - pela originalidade dos pratos, o bom atendimento, a irreverência do cardápio e claro, a boa comida. Mas se querem saber o meu cantinho predileto, mesmo, tem que ir ao Chiclayo, 700 km ao norte de Lima, cidade que briga pelo título de capital gastronômica do Peru e berço da minha família.

Foi lá que começou a ser escrito o caderno de receitas que a minha mãe herdou da minha avó e, agora, guardo com muito carinho. Lá tem um restaurantezinho de chão batido, uma " picanteria" como são chamadas por lá, de nome El Rincon de la Ñusta. É lá que consigo ainda sentir aquele gosto que só se sente quando a gente é criança e nunca se esquece.

No Brasil, adoro o Wanchako (foto acima). E no mundo, os restaurantes assinados por Jean-Georges que misturam comida do pacifico sul e oriental com contemporânea. Um arraso!”

San Angel Inn
Diego Rivera 50 y Altavista
Cidade do México – México
Telefone: 55 56 16 22 22
Site:
http://www.sanangelinn.com/

Pescados Capitales
La Mar 1337
Miraflores – Lima (Peru)Telefones: 421 8808 e 222 5731
Site:
www.pescados-capitales.com/

El Rincon de La Nusta
Avenida Bolognesi 75
Chiclayo - Peru
Telefone: 51 (74) 97 9630 339
E-mail:
restaurantelanusta1@gmail.com

Wanchako
Rua Sao Francisco de Assis 93
Jatiúca – Maceio (Alagoas)
Telefone: (82) 3377 6114

(*) David Leichtig é peruano e tem origem romena e judaica. O restauranter e chef foi criado na Guatemala e lá tomou gosto pela cozinha ao acompanhar as receitas peruanas de sua mãe em dias de festa. É proprietário dos restaurantes El Paso Texas e El Paso Latino (ver Guia Brasília), que servem comidas mexicanas, peruanas e latinas. Muito viajado, David percorreu o sul do México de carro várias vezes. Visitou desde pequeno diversos países da América Central e aprendeu a apreciar sabores e iguarias de cada lugar.