sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

DRINK_ME // Drinks de verão


Por Juliana Raimo

Os drinks de verão estão invadindo os bares e restaurantes da cidade. Um exemplo deste movimento é o recém-criado Clericot, do Bistrô Charlô em São Paulo. Uma espécie de Sangria branca que tem como base o espumante rosê ou vinho branco seco e uma mistura de frutas frescas: abacaxi, laranja, tangerina, morango e maçã.

Clericot (Sangria Branca)


Uma excelente idéia para beber em grupo e aproveitar ainda mais o verão. Vem em uma jarra que serve seis taças bem cheias. O mais gostoso é comer as frutas que ficam embebidas no vinho.

Para os que preferem algo mais forte, a casa serve também uma Sangria de vinho tinto com as mesmas frutas acima. É uma bebida doce refrescante super saborosa. A sugestão do Charlô como entrada é pedir as minicoxinhas da Dadá. Uma delícia!

Sangria de Vinho Tinto

Apesar de ser um costume europeu, os drinks que são compartilhados entre amigos começam a fazer sucesso no Brasil. Para um almoço em sua casa, é algo original, que mantém os ânimos exaltados. E o mais bacana é poder fazer uma jarra bem grande que serve várias pessoas sem ter que passar o dia na coqueteleira.

Bistro Charlô
Rua Barão de Capanema, 440
Jardins
- São Paulo
Telefone: (11) 3088 6790
Site:
www.charlo.com.br/bistro

GASTRONOMIX // Saio de férias, mas o blog continua


Olá meu povo querido,
saio finalmente de férias nesta sexta-feira. Serão 30 dias.
Irei para terras geladas: Inglaterra, Turquia e Itália.

O blog Gastronomix continua com os posts dos nossos colunistas - Rosualdo Rodrigues e Juliana Raimo.
A coluna Eu Recomendo, todas às segundas, também continua.

Pretendo realmente não postar. Preciso descansar. O ano promete. Ano de escrever minha dissertação de mestrado. Mas anotarei dicas desses lugares e vou tirar muitas fotos.

Na minha volta, em março, conto as novidades.

Abraços e fui...

Rodrigo Caetano

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

AO PÉ DO OUVIDO // Para esquecer o fim do mundo

Por Rosualdo Rodrigues

Janeiro de 2010 vai ficar na minha memória como “o mês em que eu não conseguia parar de ouvir La Roux”. O som dessa dupla inglesa é uma das coisas mais deliciosas feitas nos últimos tempos. Um electropop alegre, vibrante, alto astral, com uma forte influência dos anos 80, mas ao mesmo tempo muito atual (digamos que faça um meio de campo entre Gossip e Lady Gaga....)

A vocalista, Elly Jackson, é algo à parte, com seu topete ruivo, batom laranja e estilo meio andrógino. É ela a imagem do La Roux. Mas outra parte importante no processo é Ben Langmaid, co-autor e o homem que mexe os botõezinhos, seguindo a tradição de duplas de electropop dos anos 80 (Pet Shop Boys, Yazoo, Erasure, Softcell...). Os dois chamaram atenção dos ingleses no ano passado e agora concorrem ao Brit Awards (grande prêmio da música britânica) nas categorias de revelação e melhor single (In for the kill). A entrega é em 16 de fevereiro.

Lançado em junho de 2009 na Inglaterra, o disco de estréia do La Roux até hoje não teve edição brasileira nem tem previsão de ter. Há edições importadas, a preço salgado, no site da Livraria Cultura. Mas é possível conhecer a dupla por meio dos muitos vídeos deles no You Tube. O de I’m not your toy – que forma com Bulletproof e In for the kill a santíssima trindade do repertório – é fantástico, inusitado e engraçado, pelo contraste entre a franzina e cool Elly e as barbies negras entojadíssimas que dançam em torno dela.

A propósito, Elly Jackson já avisou que o segundo disco do La Roux não terá nada a ver com o primeiro. “Mudei a forma de cantar. Não foi de propósito, foi algo que aconteceu”, disse em entrevista à BBC. Disse também que não tem ouvido mais coisas dos anos 80 e isso vai refletir no disco. Tem preferido italo disco e soul antigo. Pode ser que seja ainda melhor, pode ser que não.

Na dúvida, é melhor curtir ao máximo esse álbum de estreia, ideal para esquecer que a Terra está à beira de um colapso e a humanidade está sendo tragada por tsunamis, terremotos e chuvas torrenciais. Afinal, se afundar é inevitável, vamos afundar nos divertindo. “This time baby I’ll be buuulleeetprooof...”

Links
Livraria Cultura: http://www.livcultura.com.br/
I’m not you toy no You Tube: http://www.youtube.com/watch?v=ew_c5ewoVQk&feature=fvst

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

GASTRONOMIX // Comida japa mais sofisticada


Toda vez que passava pelo Original Shundi, na 409 Sul, ficava com vontade de entrar naquele templo modernista projetado pelo famoso arquiteto Ruy Othake. Por fora, uma fachada imponente de metal, com uma fonte de água e pedras portuguesas. Por dentro, o espaço (para 100 pessoas) com chão de cimento queimado com projeto minimalista focado no preto e vermelho. As cadeiras parecem cubos. Tudo aquilo, de certa forma, me intimidava. O preço também, confesso.

No dia do meu aniversário, resolvi almoçar por ali mesmo. Me dei de presente essa alegria. Foi tudo de bom. O mito veio abaixo. O preço do belo rodízio de sushi e sashimi é R$ 39,90 – compatível e até mesmo mais barato do que seus concorrentes. O nome do local é uma referência ao Shundi Kobayashi, um poderoso chef japa com 30 anos de cozinha na capital paulista.

O mais legal do menu (e por isso, os preços são mais caros) é que eles servem iguarias importadas e raras entre os japas da capital. Há sushis e sashimis feitos com toro (como os japoneses chamam a carne gorda da barriga do atum), yellow tail, ovas de salmão, de peixe voador, de ouriço-do-mar e outras iguarias exóticas, como barbatana de tubarão, unagui (enguia d’água doce), anago (enguia do mar), shirauo (filhotes de enguia), minipolvo e até água-viva (kurague).

O atendimento é primoroso e, de quebra, você fica um bela vista de um jardim e tem boa música ao fundo. Os detalhes não param por aí: o cardápio é deveras criativo (em formato de LP) e a carta de vinhos é realmente uma carta, que vem dentro de um envelope.

Falei tudo isso agora para dizer que o buffet é bem completo, com peixes frescos e de qualidade.Valeu a pena. Saí de lá feliz, satisfeito e mais velho... Tava soprando velinhas no dia, né?

Original Shundi
CLS 408 Bl D s/n lj, 33
Asa Sul - Brasília
Telefone: (61) 3244 5101
Site:
www.originalshundi.com.br

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

EU RECOMENDO // A melhor paella de Barcelona


Foto: Marco Pomarico

Por Adriana Setti (*)
Convidada especial do Gastronomix

“Você jamais entraria no Envalira caso um amigo não lhe houvesse recomendado. Feinho, coitado, ele se esconde timidamente atrás da fachada menos atraente da Plaça del Sol, no boêmio bairro de Gràcia, em Barcelona. E a porta de madeira, sempre fechada, pode gerar dúvidas: “Será que isso é um restaurante? Está aberto?”.

Não, por dentro a coisa não melhora. A decoração, se é que se pode chamar assim, é espartana e sem charme. Sempre começo a falar do meu restaurante preferido em Barcelona para pratos de arroz pelo lado ruim. Pode parecer estranho, mas é para que me assegure de que nenhum amigo corra o risco de dar meia volta achando que se enganou de lugar. Ou para que aqueles que vêm visitar (eu sempre os levo ali!) não estranhem a escolha.

As melhores paellas de Barcelona saem daqueles fogões. Elas não têm corantes e nem exagero de açafrão. Tendem, portanto, mais ao marrom do que ao típico tom alaranjado. E vêm com aquela crostinha de arroz torrado por cima que só os grandes mestres sabem fazer com delicadeza.

Foto: Sergio Scripilliti

A de marisco, minha favorita, tem frutos do mar em abundância: camarões, cigalas (algo parecido com o lagostim), mexilhões... As porções são apoteóticas, exageradas até mesmo para quem tem o apetite de um bárbaro Huno, algo raríssimo na cidade. No último domingo, eu que não faço feio acabei deixando metade do prato. E meu pai, sempre apto a devorar porções superlativas de comida, também não deu conta do recado.

Nem só de paellas vive o nosso Envalira. Todos os pratos de arroz são gloriosos. O arroz negro, negríssimo como carvão pela farta quantidade de tinta de lula com que é cozinhado ali, é soberbo. O à milanesa, com carne de porco e queijo (e ainda assim incrivelmente leve), é ótimo e original. E as entradas – almejas ao alho, navajas, bolinhos de bacalhau – sempre fazem com que chegar ao fim do prato principal seja uma árdua – e deliciosa -- tarefa.

E sabe que isso é muito triste? Por que as sobremesas do restaurante (oh, como é extensa a lista!) são igualmente gostosas e generosas. A torta de chocolate, densa e cremosa, é um atalho ao nirvana. Dica: Para acompanhar, peça vinho branco galego Albariño e nunca chegue sem reserva.”

Envalira
Plaça del Sol, 13, metrô Fontana,
Barcelona - Espanha
Telefone: 93/218-5813.
3a/sáb 13h30/16h e 21h/0h, dom 13h30/17h.
Paella custa deliciosos 12 euros por pessoa.

(*) Adriana Setti, 33, é jornalista e autora do livro De Mala e Cuia (Ed. Jaboticaba). Mora em Barcelona há dez anos, colabora com diversas revistas brasileiras, como Viagem e Turismo e Marie Claire, e assina o blog Achados (
http://viajeaqui.abril.com.br/blog/achados/) do portal ViajeAqui.

sábado, 23 de janeiro de 2010

GASTRONOMIX // Entradinha italiana


Lá vai mais uma dica super rápida para receber de última hora em casa. Essa entradinha é uma delícia para ser servida com pão bem quentinho. Quase sempre opto por esse “preparo especial” quando estou sem criatividade.

Azeite temperado
Ingredientes
- Azeite
- Aceto balsâmico
- Sal
- Pimenta rosa
- Alecrim

Preparo
Coloque o azeite em um prato, salpique um ramo de alecrim, algumas gotas de aceto balsâmico, sal a gosto e pimenta rosa para aromatizar. Misture e sirva com pão quentinho.

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

DRINK_ME // Entre letras e drinques

Por Rosualdo Rodrigues
Na semana do troca troca

Achei um livrinho capaz de agradar tanto a quem gosta de drinks quanto a quem gosta de literatura. E mais ainda a quem gosta dos dois. Ou mesmo a quem só quer saber de uma leitura leve, divertida e ainda assim inteligente. Chama-se Guia de Drinques dos Grandes Escritores Americanos. Disse “livrinho” porque é pequeno mesmo e num primor de concisão reúne histórias, frases e trechos de obras de 43 escritores norte-americanos para mostrar a relação deles com a bebida. E traz ainda, claro, as receitas dos drinques que cada um mais apreciava.

Dorothy Parker (quem ainda não leu Big Loira e Outras histórias de Nova York corra agora atrás de um exemplar e veja como uns bons goles podem inspirar um escritor), por exemplo, gostava de Coquetel de Champanhe. Embora tenha escrito: “Gosto de um Martini/ dois, no máximo/ com três, estou embaixo da mesa/ com quatro, embaixo do anfitrião”. Espirituosa ela, que tomava uns drinques como quem bebe água.
Charles Bukovski preferia Boilermaker (mistura de cerveja e uísque). Bêbado ilustre, foi o autor de Crônica de um Amor Louco quem disse que “beber é uma forma de suicídio em que a gente pode voltar à vida e começar tudo de novo no dia seguinte”. Chegado num Gimlet, Raymond Chandler achava que “o homem deveria ficar bêbado pelo menos duas vezes por ano, apenas por princípio”.

Eu falaria do livro por mais dois ou três posts, mas tenho que colocar aqui as receitas, que é o que importa nesta coluna que atrevidamente ocupo por um dia. Na verdade, a titular, a antenadíssima Juliana Raimo, já publicou neste espaço receitas de muitos dos drinques citados no livro. Como o Negroni (preferido de Conrad Aiken) ou o Bellini (adorado por Sinclair Lewis). Escolhi então, apenas dois, para não correr o risco de repetir receitas dadas. Lá vai:

French 75
(preferido de Djuna Barnes)


Popular em Paris entre as guerras, o French 75 recebeu esse nome em alusão a um morteiro de 75mm, de fabricação francesa, usada na Primeira Grande Guerra.

Ingredientes
- 60ml de gim
- 20ml de suco de limão siciliano
- 20 ml de xarope simples ( * )
- champanhe para completar
- twist de limão

Coloque o gim, o suco de limão e o xarope em uma coqueteleira cheia de cubos de gelo. Complete com champanhe. Decore com o twist de limão. Frequentemente, usa-se conhaque em vez de gim.

Gimlet
(preferido de Raymond Chandler)

Foi só depois que Philip Marlowe, personagem criado por Chandler, apresentou o Gimlet no romance O Longo Adeus, que o coquetel finalmente se difundiu nos Estados Unidos.

Ingredientes
- 60ml de gim
- 25ml de suco de limão siciliano
- 5ml de xarope simples ( * )
- gomo de limão

Coloque o gim, o suco de limão e o xarope em um copo misturador cheio de cubos de gelo. Mexa bem. Coe para um copo de coquetel gelado. Decore com um gomo de limão. Também pode ser servido com gelo em um copo old fashioned.

( * ) Receita do xarope simples (comum em várias receitas do livro)
- 1 xícara de açúcar granulado
- 1 xícara de água

Misture o açúcar e a água numa panela sobre fogo médio. Deixe que atinja o ponto de fervura baixo e depois cozinhe até que o açúcar se dissolva completamente. Retire do fogo e deixe esfriar. Guarde numa garrafa ou jarra de vidro bem fechada e refrigere. Guarde por no máximo uma semana.

Guia de Drinques dos Grandes Escritores Americanos
De Edward Hemingway e Mark Bailey.
Zahar Editora. Preço médio: R$ 34.