quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

GASTRONOMIX // Risoto de filé picante com figos


Como a blogueira Alessandra Blanco, que escreve o Comidinhas (IG), amo figos. Lembro-me do meu saudoso avô Chico e das nossas idas à feira na Rua General Clarindo, no subúrbio carioca. Todo domingo, quando estava de férias, ele preparava nosso café da manhã – um suco de laranja feito na hora e pão com manteiga – e, em seguida, íamos comprar as caixas de figo. Era uma diversão. Todo mundo o conhecia. Saíamos com os frutos mais bonitos e apetitosos da feira. Depois, sentávamos na varanda da casa dele e devoramos uma caixa cada um.

Esse prato - que vou passar a receita - fiz pela primeira vez para a Tia Georgeth, mãe de um amigo, que acabava de voltar de Londres. Quis recebê-la com algo diferente. Passei no supermercado e fui atrás do que estava mais fresco. Os figos estavam perfeitos. Na hora, fiquei quebrando a cabeça para escolher qual seria o outro ingrediente para o risoto.

Eureca!!!! Para combinar algo com esse fruto tenro, optei por um ingrediente com textura e sabor mais fortes. Pedi filé mignon cortado em tiras. Na minha cabeça, ele tinha de ficar picante. E deu certo. Acompanhe os passos e faça em casa. Serve de 4 a 6 pessoas.

Risoto Georgeth - Filé picante com figos
Ingredientes
- 500g de arroz arbório
- 1,2 kg de filé mignon cortado em tiras
- 1 caixa de figos (6 a 8 figos cortados em quadrados)
- 1 taça de vinho tinto
- 1 cebola média picada
- 1 galho de alecrim
- 1 dente de alho esmagado
- 2 caldos de carne
- 2 colheres de sopa de pimenta calabresa
- azeite
- sal

Preparo
- Tempere a carne com pimenta calabresa, sal e alho esmagado. Se puder, deixe descansar por 1 hora na geladeira para pegar sabor. Em seguida, em uma frigideira quente, coloque um pouco de azeite para passar a carne. Automaticamente, sairá um caldo da carne.Guarde para o risoto. Experimente a carne para saber como está o sabor e regule sal e pimenta.

- Dissolva dois caldos de carne em uma leiteira em 1,5 litro de água e coloque para ferver. Adicione duas pitadas de alecrim.

- Em uma panela grande e quente, coloque quatro fios generosos de azeite. Adicione a cebola e três pitadas de sal imediatamente. Refogue até ficar transparente. Na sequência, despeje o cálice de vinho tinto e o arroz. Mexa até grande parte do vinho evaporar.

- O caldo estará quente. Vá colocando duas conchas desse caldo na panela com o arroz. Mexa sempre. O caldo vai entrando aos poucos no arroz e ele vai inchando. Ponha também aquele caldo que você reservou ao passar a carne em uma frigideira. Repita o processo umas 5 vezes. E experimente para ver se o arroz está sendo cozido.

- Misture a carne ao risoto e mexa. Quando estiver ao dente, desligue o fogo e misture os figos cortados. Mexa levemente. Para encerrar, coloque uma colher de margarina. Ela vai derreter e dar uma leve dourada. Sirva e se quiser, faça um crips de couve para colocar em cima.

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

AO PÉ DO OUVIDO // Duvidosa lista de melhores do ano


Por Rosualdo Rodrigues

É uma balela essa história de lista dos melhores do ano, da década, do século, de todos os tempos… Elas sempre se apresentam como definitivas e elaboradas com objetividade, às vezes também se dizem democráticas (feitas por grupo de críticos ou por votação do público, por exemplo). Mas nada disso funciona quando se fala de música ou de arte em geral, campo essencialmente subjetivo. Listas, portanto, sempre serão incompletas, injustas, por vezes equivocadas.

Por isso mesmo, não me atrevo a escrever aqui uma lista de melhores discos do ano. Mas como esta época é propícia a balanços, vou tentar lembrar alguns discos que fizeram 2009 um ano mais feliz. Evidentemente, tem um olhar (ou ouvido, seria melhor dizer) muito pessoal. A proposta é, então, que cada um faça a sua. Depois você confere onde ela coincide com a opinião dos críticos.

Aliás, o melhor das listas é a capacidade de provocar discussão. São muitos boas, por exemplo, aquelas edições especiais da Bravo! com as 100 obras essenciais de cada segmento da arte. A Rolling Stone Brasil também lançou, dois números atrás, uma relação muito boa das 100 maiores canções brasileiras de todos os tempos. A se considerar, mas não para se levar a sério. Repito, nenhuma lista é definitiva.

Vai aqui, portanto, uma lista bem aleatória de 20 discos que, na minha opinião, fizeram 2009 um ano melhor, sem ordem de preferência:

1 ) Les chanson d’amour, trilha sonora do filme
2 ) My one and only thrill, de Melodie Gardot
3 ) Ciranda mourisca, de Alceu Valença
4 ) Vagarosa, de Céu
5 ) Hein?, de Ana Canãs
7 ) Iê-iê iê, de Arnaldo Antunes
8 ) Peixes pássaros pessoas, de Mariana Aydar
9 ) The pursuit, de Jamie Cullum
10 ) Zii e zie, de Caetano Veloso
11 ) Let it roll, coletânea de George Harrison
12 ) O tempo das palavras… Imagens, de Francis Hime
13 ) Outro sentido, de António Zambujo
14 ) All in one, Bebel Gilberto
15 ) Temperança, de Roberto Corrêa
16 ) Perto, de Olivia Byington
17 ) Pra iluminar, de Leila Pinheiro e Eduardo Gudin
18 ) Catalogue raissoneé, coletânea da banda portuguesa Clã
19 ) ...
20 ) ...

Obs 1: minha memória fica devendo os dois últimos
Obs 2: estou ouvindo muito música brasileira. Cadê o rock'n'roll?

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

GASTRONOMIX // A família beirutiana sabe das coisas


O Beirute é o boteco mais tradicional de Brasília. São mais de 40 anos botando cervejas para gelar. Sem dúvida, é o local mais democrático da capital. Lá, todas as turmas se encontram. Poetas, boêmios, políticos, jornalistas, artistas, funcionários públicos etc dão vida e alma à esquina da 109 Sul. Quem gosta de um bom quibe (R$ 2,50 a unidade), tem amigos e aprecia bater papo, seja bem vindo. É só escolher a mesa para sentar ou, se quiser, pedir uma “viajando” (cerveja servida em copos de plástico) e passear pela calçada mais famosa da cidade.


A história política e cultural de Brasília passa pelos bancos de madeira do Beirute – desde a resistência política nas décadas de 1970 e 1980 (Diretas Já) passando pelo nascimento do rock brasiliense (Renato Russo era um de seus habitues) até discussões quentes sobre o panetonegate do Governo Arruda e Cia. O Beirute é um cenário de idéias e de muita festa.

Além da conversa, o clima é de azaração. À noite (de quinta a sábado), a turma descolada e GLS anima o Beirute. O bar fecha por volta de 2h ou 2h30. Com certeza você saberá, pois os garçons vão recolhendo as mesas e, por fim, as luzes se apagam.

Há espaço para todos e a convivência é extremamente pacífica. O mais interessante é que se você for aos domingos almoçar, vai encontrar famílias inteiras, de vovó a bisneto, comendo os quitutes árabes (especialidade gastronômica da casa).


Os pratos – como o Filé a Parmegiana e o Filé à Osvaldo Aranha, média de R$ 43,00) – servem até três pessoas nem tão famintas. Ou duas muito bem. Há ainda uma lista de tira gostos e pratos árabes, com receitas herdadas dos primeiros donos da casa, de origem libanesa. A cerveja sempre vem com uma capinha de gelo em volta, trazida pelos tradicionais garçons vestidos com um paletó vermelho com o símbolo do boteco.

Em 2008, o Beirute – eleito várias vezes como o melhor boteco da cidade pela Revista Veja - abriu suas portas na Asa Norte. Mas caso tenha de escolher, escolha o da Asa Sul, mais antigo e autêntico. Para os freqüentadores do bar, um apelido carinhoso: família beirutiana. Quem faz parte dela não que mais sair.

Beirute
109 Sul, bloco A, lojas 2/4
Telefone: (61) 3244 1717

107 Norte, Lojas 19/29
Telefone: (61) 3272 0123

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

EU RECOMENDO // Takai em Recife


Por Fernanda Takai (*)
Convidada especial do Gastronomix


“Onde? Vai lá!
Toda vez que alguém me diz que tenho um compromisso marcado em Recife/Olinda, já me animo toda. Além da plateia ser maravilhosa e sempre nos deixar com vontade de voltar, agora outra alegria me faz querer estar por lá mais vezes: a comida boa!Muita gente já descobriu que Pernambuco virou um forte pólo gastronômico no mapa brasileiro.Então vão aqui três restaurantes imprescindíveis:

Due

Os chefs Silvio Romero e Claudia Freyre assinam um cardápio impecável de comida mediterrânea. Recomendo o polvo grelhado com batatas ao murro, deve ter sido o melhor que já comi. Obrigatoriamente deixe espaço para a sobremesa!

Mingus

O dono do restaurante, Nicola, é apaixonado por comida e música, por isso uniu as duas de um jeito especial, num espaço decorado com muito bom gosto. Meu prato preferido (e de muita gente também, claro!) é o camarão em crosta perfumada, risoto de shitake ao molho oriental. -

Ponte Nova


Fui parar aqui uma vez porque coleciono os pratos da Associação dos Restaurantes da Boa Lembrança. Foi uma das melhores surpresas da cidade, o restaurante era um dos mais novos associados e tinha um chef jovem e criativo: Joca Pontes. Comi o imprensadinho de cordeiro ao molho de cerveja preta com arroz com jerimum, couve ao alho com queijo brie... Preciso voltar lá!"

Due
Rua Manoel Borba, 550
Praça do Jacaré
Olinda – Recife (PE)
Telefone: (81) 3429 2956
Site:
http://restaurantedue.com.br

Mingus
Rua Atlântico 102
Boa Viagem - Recife (PE)
Telefone: (81) 3465 4000
Site:
http://www.mingus.com.br/

Ponte Nova
Rua do Cupim 172
Graças – Recife (PE)Telefone: (81) 3327 7226
Site:
http://www.restaurantepontenova.com.br

Fernanda Takai, 38, cantora, compositora, escritora amadora, mãe da Nina e comilona. A mineirinha escreve um blog super gostoso: http://fernandatakai.wordpress.com/

sábado, 12 de dezembro de 2009

GASTRONOMIX // A cozinha afetiva da Rose


Roseli Rodrigues da Costa. Ou apenas Rose. Essa piauiense de Arraial chegou à Brasília com 20 anos. Desembarcou com a família por aqui para tentar a vida. E depois de quase uma década e meia, ela se sente feliz, realizada. Rose cozinha com amor. E desse amor, saem partos muito saborosos como feijoada e galinhada – ambas especialidades dela.

Quem tem a sorte de tê-la como ajudante é a minha amiga Suzana. Rose vai na casa dela de três a quatro vezes por semana e experimenta as novidades que ela gosta de preparar na cozinha. Numa dessas, lá fui eu. De mansinho, pedi a receita da galinhada da Rose.E não é que consegui. Faça passo a passo. É uma delícia para um almoço de sábado.

Galinhada da Rose

Ingredientes
- 1 frango desossado
- 1 kg de arroz
- 400g de pequi
- 5 dentes de alho
- 1 cebola grande picada
- 2 cenouras médias
- 250g de milho
- 1 maço de cheiro verde
- 1 maço de coentro
- 2 tabletes de caldo de galinha
- 2 colheres de chá de açafrão em pó
- azeite
- sal

Preparo

- Tempere o frango de um dia para o outro com alho amassado e sal. Deixe na geladeira

- Em uma panela média, coloque o azeite, a cebola, 3 dentes de alho. Refogue por três minutos e coloque o frango cortado em cubinhos. Coloque o açafrão. Deixe na panela até ficar dourado. Isso deve demorar de 10 a 12 minutos, segundo a Rose

- Ponha os dois tabletes de caldo de galinha e dissolva em 1 litro de água. Deixe cozinhar por 5 minutos. Em seguida, coloque o arroz, o milho, a cenoura e o pequi. Dê uma leve misturada e deixe a panela semi tampada.

- O arroz vai cozinhar. Acompanhe o cozimento por cerca de 20 minutos. Para finalizar, corte o coentro e a cebolinha para decorar o prato. Prontíssimo...Segredo revelado e bom apetite!!!

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

DRINK_ME // Top 10_Drinks 2009

Por Juliana Raimo

No ultimo mês do ano, é sempre bom fazermos um balanço de todos os aspectos das nossas vidas e aproveitar para planejar o ano seguinte. No quesito drinks, pensei em falar dos Top 10. A seleção foi feita baseada em mostrar a diversidade dos tipos de drinks, comentários dos leitores, sensações de quem já provou e do que está em alta no momento. Selecionei dez drinks já tratados no Gastronomix para agitar seu fim de ano.

Bloody Mary
Um ótimo aperitivo e também cura ressaca. Ideal é servir em copo long drink com bastante gelo.

Mojito
Super refrescante, servido em copo longo, ideal para dias quentes.

Negroni
Para o gosto masculino é um drink de sucesso devido ao seu aspecto mais amargo. Ideal para começar a noite e abrir o apetite.

Clara
Para os cervejeiros, uma ótima opção de drink. Super fácil de preparar.

Kir
Para as festas e ocasiões especiais este é o drink perfeito. Para quem quiser incrementar o simples espumante.

Ginger Martini
Para impressionar os amigos, junte gin, licor Gran Marnier e gengibre. Uma alquimia de sucesso.

Margarita
Acho que não tem uma alma que não goste de Margarita. Só os traumatizados com a tequila na adolescencia recusam uma taça.

Porto Fritz
Muito popular no verão Europeu, este drink é facílimo de se preparar e agrada a gregos e troianos. Experimente!

Pisco Sour
Para os que gostam de Pisco, o Sour é a pedida. Um drink que fica entre o doce e o cítrico, é suave e saboros.

Manhattan
Deixar de beber o Whisky puro não é para qualquer um. Muitos acham que qualquer mistura pode estragá-lo. O Manhattan prova que isto é pura caretisse. O Whiskey recebe um particular ao ser misturado com o vermouht rosso.

Vesper_"shaken, not stirred"
Os drinks famosos no cinema são sempre bacanas de se lembrar. Este também pode ser chamado de Cassino Royale.

Batida de Côco
Para praia com os amigos é simplesmente perfeito. Em dupla com a Caipirinha não precisamos de mais nada.

Agradecimentos: a todos vocês leitores!
Receitas: acessem o TAG Drink_Me aqui no Gastronomix.

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

AO PÉ DO OUVIDO // Música de presente

Por Rosualdo Rodrigues

Até há algum tempo as pessoas costumavam, nas brincadeiras de amigo oculto de fim de ano, estabelecer o valor mínimo do presente baseado no preço médio de um CD. Isso porque, na dúvida, o disco sempre era o melhor presente. Não sei se isso ainda funciona, já que o CD anda meio for a de moda, perdeu terreno para o DVD e o mp3. Bom… para mim, ele continua imprescindível. E não creio ser o único. Por isso mesmo, resolvi listar aqui discos recentes que podem servir como sugestão de presente — para amigos ocultos ou explícitos — nesta época natalina.

Nacionais


Mallu Magalhães — Mallu Magalhães
O segundo disco de Mallu reflete o amadurecimento da cantora e compositora. Músicas suaves, agora com alguns ecos de MPB (influência do namorado, dizem), mas ainda fortemente fincada no folk.

Iê iê iê — Arnaldo Antunes
O mais comercial dos discos de Antunes. Levinho, fácil de ouvir, animado, bom de dançar e cantar junto. Uma prova de que música acessível não descarta inteligência.

Vagarosa — Céu
Se achar muito vagaroso à primeira audição, ouça de novo. Um disco cheio de sutilezas e sonoridades interessantes. Uma fusão de música brasileira tradicional e reggae que resulta bem moderna.

Pra iluminar — Leila Pinheiro canta Eduardo Gudim
Eduardo Gudim é um compositor de sambas elegantes, à moda de Paulinho da Viola. E Leila Pinheiro é uma de suas melhores intérpretes. O disco foi gravado ao vivo, com participação do próprio Gudim.

BandaDois — Gilberto Gil
Confesso que este eu nem ouvi, mas já recomendo, porque é possível prever o que pode ser um show de Gil e seu violão. No repertório, músicas de diferentes fases da carreira do baiano.

Internacionais

The fall — Norah Jones
Delícia este que é o segundo disco de músicas autorais de Norah Jones. Ela é mais pop que Diana Krall, por exemplo. Boas baladas, influência country e folk. Tem um segundo disco bônus, Live at The Living Room.

The pursuit — Jamie Cullum
A voz de quem acabou de acordar é o grande charme do cantor britânico, que, como Norah Jones, passeia pelo jazz mas com grande influência pop. Tem uma ótima versão dele para Don’t stop the music, de Michael Jackson, regravada também por Rihana.

Hollywood mon amour — Vários
Projeto do francês Marc Collin, do Nouvelle Vague. Canções de trilhas sonoras de filmes dos anos 1980 ganham recriações cool na voz de Skye, ex-Morcheeba (Call me, A view to a kill), Juliette Lewis (This is not America), Cibelle (Footlose) e Yael Naim (Flashdance What A Feeling), entre outras.

The performance — Dame Shirley Bassey
Shirley Bassey tem um jeito afetado de cantar que a tornou ícone gay. Mas curioso aqui é que ela atualiza seu repertório, cantando músicas de Rufus Wainright, KT Tunstall, Manic Street Preachers e Pet Shop Boys, entre outros.

Reality killed the video star — Robbie Williams
Williams dá a volta por cima com este disco, a começar pela ótima balada Morning sun, depois do fracasso de Rudebox, seu álbum anterior, e de passagens por clínicas de reabilitação para tratar de dependência química.