segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

EU RECOMENDO // O charme do La Tartine


Bruna Caram (*)
Convidada especial do Gastronomix


“Recomendo o charmosérrimo bistrô La Tartine, na Consolação, em São Paulo. Pequeno, colorido, aconchegante, com pratos típicos deliciosos, entradinhas ótimas, saladinhas nada óbvias (eu, que sou vegetariana, não sofro falta de variedade), preço justíssimo e, frequentemente, um acordeonista! (nada evasivo, lindíssimo, discreto como o resto)! Não dá vontade de ir embora mais - até por isso (e pelo tamaninho) é preciso chegar cedo. Vale a pena.”

La Tartine
Rua Fernando Albuquerque, 267
Cerqueira César – São Paulo (SP)
Telefone: (11) 3259 2090

(*) Bruna Caram é cantora da nova geração da MPB. Sua avó materna, Maria Piedade, era cantora de rádio nos anos 50, e seu avô paterno, Jamil Caram, é violonista (7 cordas). Começou a estudar piano aos oito anos e, aos nove, já fazia serenatas como integrante dos Trovadores Mirins. Integrou ainda os Trovadores Urbanos dos 15 aos 19. O primeiro CD Essa Menina foi lançado no fim de 2006 pela Dabliú Discos no Brasil, e em 2007 pela JVC no Japão. Veja mais sobre ela no site
www.brunacaran.com.br

domingo, 6 de dezembro de 2009

ABOBRINHAS // Calabresa light


Luciano MilhomemColunista de Alimentação Natural do Gastronomix

"Quando a gente pensa que não se surpreende com mais nada, lá vem surpresa! Uma lanchonete do Terraço Shopping, em Brasília, apresenta-se como tipicamente “light”. O letreiro, o visual da loja e o buffet de saladas (ainda que modesto) dão realmente a impressão de um fast food saudável (na medida em que fast foods podem ser saudáveis...). O cardápio, porém, logo escancara a contradição. Oferece quase tudo que se encontra em lanchonetes convencionais. Pior: uma das opções é pizza de calabresa com provolone. Se isso é light, não sei mais o que é light. Sempre achei essa palavra significasse “leve” em inglês. Mas desde quando calabresa e queijo provolone são leves?

Felizmente, nem todas as contradições do mercado gastronômico prejudicam os adeptos da comida vegetariana – essa, sim, costuma ser leve (ou “light”). É preciso observar com atenção. Muitos dos calóricos restaurantes self-service (lá vem o inglês de novo) tem adotado o sistema de preparo de saladas por um cozinheiro ou cozinheira que reúne os ingredientes – sobretudo folhas –, mistura tudo, tempera e coloca molho, sempre ao gosto do freguês. Quem experimenta pela primeira vez descobre duas vantagens: o prazer de uma salada caprichada e a sensação de saciedade, que evita exageros nos pratos quentes depois.

Agora, para os vegetarianos ortodoxos, a melhor pedida é mesmo o Parque Ecológico Terra Viva, a apenas 45 quilômetros da Rodoviária de Brasília (coração da cidade). Ali, o hóspede aprecia comida caseira deliciosa e 100% lacto-vegetariana. O arroz e as massas em geral são sempre integrais. A culinária combina receitas brasileiras e indianas. Mas é preciso tomar cuidado. Os pratos são tão saborosos que, apesar de naturais, podem atiçar o apetite. Há mesmo rodízio de pizza a lenha. Do mesmo forno, aliás, saem também pães macios e quentinhos, alguns recheados com passas. Uma boa manteiga de leite derretida sobre eles completa o sabor. Ninguém resiste.

Vegetarianos politizados, atenção! Os adeptos da candidatura de Marina Silva para presidente da República tem espaço VIP no site da campanha:
www.movimentomarinasilva.org.br. Trata-se do grupo “Vegetarianos (atuais e futuros) que apóiam Marina Silva”. Quem coordena é a simpática Eliane Veggie (o apelido não nega). Na caixa de recados do grupo, há várias dicas interessantes tanto para o militante, que faz do vegetarianismo uma causa, quanto para o diletante (como eu), que simplesmente acha a comida natural muito mais leve (ou light) e saborosa que as demais. Fica a dica. Até a próxima!"

P.S.: Novembro não teve crônica nova. Imprevistos já superados. Peço desculpas ao leitor.

(*) Luciano Milhomem é jornalista, mestre em Comunicação pela Universidade de Brasília (UnB) e não ingere carne de bípedes e quadrúpedes há dois anos e meio.

sábado, 5 de dezembro de 2009

GASTRONOMIX // À mesa com Alice e Joca Pontes


Sábado à noite, dia 28. O friozinho de Brasília se contrapõe ao clima borbulhante da capital com a exibição no Jornal Nacional do vídeo do governador Arruda recebendo uma graninha. Entre o tilintar das taças de vinho, as mesas do Alice Brasserie ecoavam as notícias de política.

Na nossa, o chef pernambucano Joca Pontes – o convidado da chef anfitriã Alice Mesquita para a quinta edição do Mesa dos Prazeres – estava mais preocupado com os preparativos do jantar da noite. Em tempo: o projeto que a proprietária tocou em 2009 para comemorar o Ano da França no Brasil, promovendo o intercâmbio gastronômico de chefs, continua em 2010. Notícia quente e boa.

Pontes é poço de calma. Morou três anos na França estudando gastronomia, mas fez um pouco de cada coisa na vida antes de se dedicar às panelas. Foi músico, fez Administração, Direito e teve loja de roupa. Há nove anos trabalha no ramo. E já é proprietário de cinco estabelecimentos em Recife: duas creperias La Plage, a sanduicheria Ricotta!; o bistrô Villa e o restaurante Ponte Nova, onde exerce uma cozinha autoral.

Fernando (em pé), Alice e Joca Pontes

A cozinha de Joca Pontes, 34 anos, é madura e contemporânea. Ele usa ingredientes regionais com técnicas francesas de preparação e dá um toque de mordenidade nas combinações. Quando aceitou o convite de Alice já sabia que o público da capital tinha fama de exigente, mas diz que não se intimidou. “A estrutura daqui é muito boa, o que me dá segurança em preparar o jantar”. O staff de Alice conta com 12 pessoas.

O jantar servido fez sucesso. Os 70 lugares do restaurante estavam lotados. O tricampeão Nelson Piquet não foi rápido o suficiente para garantir lugar entre os comensais. Ele chegou ao local quando não havia mais lugares. Terá de ir à Recife para experimentar os sabores que flutuaram na boca.

A intensidade dos ingredientes de cada prato foi ressaltada pela harmonização, que ficou a cargo do sommelier Fernando Rodrigues, da Grand Cru (loja especializada em vinhos e espumantes). A cada prato, uma surpresa. Até vinho da Nova Zelândia foi servido. A noite seguiu adiante com bom papo e excelentes sensações.

Veja o que foi servido. O menu custava R$ 125,00 por pessoa. Para mim, o melhor prato foi o robalo.

Camarões grelhados pincelados com melaço de caju, arroz Jasmine com
amendoim cozido e torrado, gengibre e passas brancas, saladinha de
acelga com cenoura temperada com calda de acerola e pimenta

Filé de Camurim (robalo) grelhado na manteiga de doce de canela,
jerimum assado no garfo com gengibre e leve toque de azeite
de pimenta, emulsão de coco com bacalhau

Sobrecoxa de perdiz confitadas e Supremes grelhadas ao agridoce
de jambo roxo, pirão de leite e chips de mandioca


Bolo de macaxeira com raspas de limão verde de Dona Maroca assado,
sorvete de manjericão com canela, passa de caju em calda levemente
aromatizada com cachaça flambada e mel de engenho


Alice Brasserie
SHIS QI 17 Comércio Local - Ed. Fashion Park
Lago Sul - Brasília (DF)
Telefones: (61) 3248 7743 e 3248 7699
Site:
http://www.restaurantealice.com.br

Villa
Rua da Hora, 330
Espinheiro – Recife
Telefone: (81) 3246 2902

Ponte Nova
Rua do Cupim, 172
Graças - Recife
Telefone: (81) 3327 7226

La Plage
Rua Professor Rui Batistas
Boa Viagem – recife
Teleofne: (81) 3465 1654

Ricotta - Academia R2
Rua Bruno Veloso 528
Boa Viagem – Recife
Telefone: (81) 3326 6456

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

DRINK_ME // O efeito de um drink, descubra o seu


Por Juliana Raimo

Em festas e eventos, o que mais se comenta entre os amigos é o que vou beber, não posso misturar, vou ficar só no Whisky… A ideia de não misturar é correta, mas o que faz o efeito “ressaca” na verdade é o exagero, claro! Mas para mascarar e não assumir que bebemos muito no dia anterior, normalmente, a frase no trabalho é: “também, eu misturei!”

Algumas bebidas apesar de terem uma base de álcool diferente são até complementares. Este é o caso da cerveja com a tequila, por exemplo. Existem drinks com estes dois componentes que são deliciosos. Ou até iniciar a noite com um shot de tequila e, depois, continuar na cervejinha.

Outro fato importante é descobrir qual bebida alcoólica te faz bem ou te deixa menos mareado ou até te traz um estado de ânimo desejado naquele momento.

No meu caso, os espumantes me derrubam no segundo copo. Já os destilados - à base de Vodka -, posso tomar a noite toda, ou quase toda! Os Gins, por serem fortes por si só, derrubam qualquer um tomado em grande quantidade.

Pensei em sugerir um trio de drinks para começo meio e fim de uma noitada. No Sonique Bar, em São Paulo, junto ao barman Ricardo Bassetto, escolhemos as seguintes opções:

1 – Tradicional Drink Aperitivo: Negroni
(à base de Gin, Campari e Vermouth Tinto)

Aqui a ideia é tomar apenas um para abrir a noite. Como este drink não é doce é uma ótima opção para não enjoar logo de cara.

2 – Long Drink: Orange Soda
(à base de vodka, suco de laranja, gengibre e club Soda)

Este seria o drink para segurar a noite, pois é mais leve e refrescante. Podemos considerar dois copos (ou três, se você for forte para bebida).

3 – Sicilian Martini
(à base de Gin, infusão de suco de limão siciliano e suco do próprio limão)

Este é para finalizar a noite em alto estilo. Os drinks servidos no copo Martini são mais glamourosos e este tem o adocicado na medida certa. Recomendado uma taça apenas.

Ao fim do evento, pode ter certeza que você não ficará naquele estado lamentável que sempre nos arrependemos no “day after”!

Sonique Bar
Rua Bela Cintra, 461
Consolação – São Paulo
Site:
www.soniquebar.com.br
Média dos drinks de R$ 16 a R$ 20

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

GASTRONOMIX // Pausa para o almoço em SP


Nessa segunda, estive a trabalho em São Paulo. No famoso, bate e volta. Acordar às 5h para voltar à Brasília às 21h. É puxado, cansativo, mas tem suas compensações. A melhor delas é poder desfrutar do momento do almoço entre amigos: Anderson Borges (designer desse blog), Juliana Raimo (colunista de drinks do Gastronomix) e seu namorado Mau. Atualizamos o papo pessoalmente e comemoramos o fato das revistas Gula e Gosto – dois clássicos da gastronomia – terem citado e indicado o blog Gastronomix em suas edições de novembro. Chique!!!

Saí de meu compromisso e encontrei com eles em Higienópolis, perto dos Jardins. Aí, me entreguei na mão deles. Anderson, Ju e Mau me levaram para a charmosa Mercearia do Francês. Que graça! O restaurante tem um ar leve, com desenhos em preto e branco em algumas paredes, uma varanda com umidificador (ninguém merece o calor que está fazendo no mundo) e detalhes no teto de chita – aquele tecido florido bem brasileiro.


Todos foram de menu executivo. Entrada, prato principal e sobremesa por R$ 29,50. Bem justo. Havia duas opções de entrada: salada verde e uma sopinha de abobrinha. O louco aqui foi o único a pedir a sopa (quente). Depois, não reclama, né?

O prato principal veio a nado. Uma truta aberta com casquinha crocante e molho de maracujá, com arroz branco, batatas sauté e metade de um tomate assado. O tempero da comida estava ótimo.

Para sobremesa, um brownie com calda de café e sorvete de creme. Achei o tamanho na medida para não sair do almoço com a sensação de fastio. Vale a dica para quem for à SP ou estiver por lá para um almoço saboroso. A única crítica é que o atendimento poderia ser mais rápido. Foi atencioso, mas um pouco lento.

Mercearia do Francês
Rua Itacolomi 636
Higienópolis – São Paulo (SP)
Telefone: (11) 3214 1295
Site:
www.merceariadofrances.com.br

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

AO PÉ DO OUVIDO // Caçando tesouros

Por Rosualdo Rodrigues

2004 foi um ano tão ruim pra mim que a coisa mais feliz que aconteceu foi encontrar o disco Brief shop, de Scheila Nichols, na Berlim Discos, um sebo lá do Conic, por R$ 11,00. Sério, não é exagero. Tanto o ano foi extremamente ruim quanto encontrar o tal disco foi um acontecimento realmente feliz. Acho que todo mundo que é apaixonado por música tem histórias assim, de como descobriu um disco que não conhecia ou encontrou uma raridade por uma pechincha. Ouvir apenas o que todo mundo ouve não tem graça. Queremos mais. Tesouros escondidos.

A Scheila Nichols eu descobri na trilha do filme Alta fidelidade. Ela cantava Fallin’ for you. Gostei demais e perguntei a algumas pessoas expert em música pop se tinham ouvido falar dela. Ninguém sabia de nada. Não havia nada da cantora lançado no Brasil. Por isso foi uma surpresa quando, tempos depois, encontrei o disco e a preço tão em conta. Melhor ainda: é todo tão bom quanto Fallin’ for you.

Recentemente tive outra felicidade dessas. Encontrei um The best of Andy Williams na Livraria Cultura por R$ 14,90. Nunca tinha ouvido falar em Andy Williams até ir ao cinema em Lisboa, lá por 1900 “and late”, e ouvir Music to watch girls by em um comercial de carros. Um amigo que estava comigo encontrou, no dia seguinte, um CD coletânea dele com a música. Eu não comprei na ocasião e nunca mais vi nada igual, até recentemente. Andy Williams é um cantor inglês dos anos 50/60, bem cafona, o que os britânicos classificiam de easy listening mas aí reside o charme de ouvi-lo hoje em dia.

Agora, história mais curiosa é a do meu exemplar da trilha sonora do filme O fundo do coração. Peguei o CD emprestado de um amigo e gravei algumas músicas em um fita cassete (sim, ainda!). Estava ouvindo a tal fita voando para Natal (RN), a trabalho e pensando como adoraria encontrar esse disco pra comprar. Não é que em uma loja de discos do Alecrim (bairro comercial da cidade) encontrei um balcão cheio da trilha de O fundo do coração por um preço que hoje seria algo como R$ 5,00?

Entre os discos-surpresa que encontrei recentemente tem um CD editado pela HMV, mega store de discos britânica, que traz versões de novos cantores e grupos para músicas conhecidas como Man in the mirror, de Michael Jackson (por James Morrison), Rehab, de Amy Winehouse (porFrankmusic) e I drove all night, de Roy Orbison (por Maccabees), e Dancing in the dark, de Bruce Springsteen (por Amy McDonald. Esta, a melhor de todas). Imperdível para quem, como eu, adora “releituras”.

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

GASTRONOMIX // Tagliatelli ao molho de damasco


Pelo segundo ano consecutivo, uma amiga minha me pede para que eu faça o jantar do seu aniversário. Confesso que é uma honra grande. No primeiro ano, a festa se deu para seis pessoas, escolhidas a dedo. Esse ano, ela queria que fossem 20. Nada contra colocar mais caldo nas panelas, mas cozinhar para pequenos grupos me dá um prazer imenso. A comida sai personalizada, com esmero. Dá para finalizar cada prato: do primeiro ao último. Ela fechou com um grupo de 10. Tá bom.

E assim, foi. Como sairia do trabalho para depois encarar a cozinha, resolvi fazer algo um pouco mais prático. Optei por uma massa – no caso, tagliatelli – com um molho de damascos, camarão e nozes salpicadas. Para enfeitar o prato, dois fios generosos de molho teriaki (molho da culinária japonesa agridoce). Estava eufórico, pois, na minha cabeça, tinha criado o prato. Com certeza, alguém já o fez antes. Mas era primeira vez que reunia os ingredientes num prato. E essa sensação é muito boa.

Vamos ao que interessa:

Tagliatelli com molho de damasco
Ingredientes (15 pessoas)
- 2 cebolas picadas
- 3 caixinhas de creme de leite
- 3 colheres de manteiga
- 1l ½ de leite
- 3 colheres de sopa cheia de farinha de trigo
- 400g de damasco
- 2 kg de camarão
- Suco de 1 limão siciliano
- 2 dentes de alho bem picadinhos
- Queijo parmesão
- Pimenta do reino
- Sal

Preparo

- Coloque a margarina na panela e, quando estiver totalmente derretida acrescente a cebola, o sal e a pimenta. Deixe a cebola ficar transparente, acrescente as caixinhas de creme de leite. Deixe cozinhar por 1 ou 2 minutos, para pegar o gosto

- Coloque o leite (com a farinha de trigo dissolvida para não empelotar). Mexa bem até o molho começar a ter uma consistência mais firme. Paciência, viu.

- Tempere os camarões com limão, sal, pimenta e alho. Dê uma passada neles rapidamente na frigideira com azeite. Separadamente, bata 300g de damasco no liquidificador com um pouco do leite ou com um pouco de água. Vai formar um “suco” consistente

- Quando o molho estiver com forma mais firme, coloque os camarões. E por último, o “suco de damasco”. Mexa bem. Regule o sal e a pimenta a gosto. Deixe ferver de 5 a 8 minutos.

- Desligue o fogo, escorra a massa que pode ser preparada paralelamente. Misture o molho ao tagliatelli. Monte no parto. Para finalizar, salpique as nozes trituradas, queijo parmesão e, caso você tenha em casa, dois fios de molho teriaki. Caso não tenha, não se descabele. Saboreie.