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Por Alice Mesquita (*)
Convidada especial do Gastronomix
“Recomendo um lugar super bacana para visitar. É o restaurante Autour Du Saumon, em Paris. Ele fica entre a Île de Saint-Louis e a magnífica Place des Voges. Lá encontra-se uma das quatro casas Autour du Saumon, especializadas na cozinha escandinava.

Esse lugar claro é simpático, mobiliário colorido, elegante e contemporâneo. Foi uma grata surpresa em uma de minhas viagens à França. O cardápio é delicioso e oferece inúmeras opções com salmão fresco e defumado, arenque e ovas acompanhadas de uma variada Carta de Vodkas, Aquavit e aguardentes. Vale uma visita”.

Autour du Saumon
Rue François Miron, 60
Marais – Paris (França)
Telefone: 01.42.77.23.08
Aberto diariamente das 10hs às 23hs.
Site: http://www.autourdusaumon.eu
(*) Alice Mesquita é chef e proprietária do Alice Brasserie, restaurante especializado em cozinha francesa em Brasília. Ela chegou em Brasília em 1964. Na área gastronômica, iniciou seu trabalho em 1994 com o pequeno buffet “Le Bom Repas”. Em 1996, abriu o Restaurante Alice no jardim de sua casa no Lago Norte. Após 11 anos, Alice transferiu seu restaurante para o Lago Sul. O Alice Brasserie recebe, desde 2001, a estrela do Guia Quatro Rodas de Boa cozinha. Foi considerado o Melhor da Cidade por quatro vezes pela revista Veja Brasília e por duas vezes obteve o título de Melhor Restaurante Francês e Chef do Ano. Pela revista Gula recebeu, em 2008 e 2009, o prêmio de Melhor Restaurante de Cozinha Francesa da cidade.
A comida contemporânea funciona como um ímã para mim. Ela me atrai bastante. Confesso que das escolhas que fiz em Berlim não tive tanta sorte assim. Os dois restaurantes abaixo são excelentes lugares para uma noite agradável. Não necessariamente uma noite gastronômica, já que a alquimia dos pratos pedidos não estava tão espetacular assim. Também nada que comprometa o momento no restaurante. É só uma observação de uma pessoa exigente, ok.
MORE

É um café, restaurante e bar jovem, moderno e badalado. O tom da casa é vermelho, embora a logomarca seja marrom com rosa. Destaque para a iluminação que valoriza o espaço e deixa as mesas com cantinhos especiais.
Chama também atenção o grande balcão de madeira do bar. À noite, quem quiser só tomar um drink e comer uma entradinha pode se acomodar sem prejuízo por ali. O local ferve. O atendimento é atencioso. A comida é justa e honesta. Nada que deixe na sua memória um gosto de quero mais ou de querer bater ponto no restaurante. Vale o quanto se paga por ela.

O ponto alto do More é a paquera. Para os mais desavisados, vale ressaltar que o restaurante tem predominância do público gay. O restaurante está localizado no maior metro quadrado gay de Berlim. Nessa rua, há restaurantes, cafés, bares, livrarias e lojas de roupa.

Filé de Salmão grelhado com vagem, cubos de batata e legumes
com molho branco pimenta rosa e salsinha (14,50 euros)
CAFE DES ARTISTES

O segundo contemporâneo é mais sofisticado e romântico. O capricho na entrada é um belo cartão de visitas. As margaridas brancas e hortênsias cercam as mesas do lado de fora do restaurante. Ao entrar, uma surpresa. Um grande bar o espera na entrada com um grande lustre de cristal no meio. As paredes são laranjas com quadros azuis em todas elas. 

São três ambientes internos e o pé direito é alto. O atendimento é primoroso. Para começar, fomos de Vinho Ochagavia (Merlot, Chile 2007). Caiu bem suave para esquentar a noite e combinou bem com os pratos pedidos.

Peixe branco com aspargos, legumes e molho (13 euros)

File de Monkfish com risoto de limão (22 euros)
Como falei, os pratos estão bons. Saborosos e bem apresentados. A dica vale pelo conjunto da noite.
More
Motzstrasse 28
Schöneberg - Berlim (Alemanha)
Telefone: 030 236 35702
Site: www.more-berlin.de
Café des Artists
Fuggerstrasse 35
Schöneberg - Berlim (Alemanha)
Telefone: 030 236 35249
Site: http://www.artistico-berlin.com/

Por Juliana Raimo
Os Long Drinks (coquetéis no copo longo ou copo high ball) são pouco conhecidos no Brasil. Claro que os clássicos não, mas atualmente são os Martinis (drinks no copo martini ou taça coquetel) a vedete da vez. Com a chegada do verão e com a intenção de resgatar os drinks refrescantes no copo longo, resolvi falar de Sex on the beach. Um drink que está no site oficial da Associação Brasileira de Bartenders (ABB) e que, pelo menos, de nome muita gente o conhece.
Pesquisando o assunto, não achei algo sólido que o relacionasse com “sexo” ou com “praia”. Mas pensando em sua composição e tipologia, quem o nomeou foi muito feliz. Se pensarmos na fórmula: sucos de frutas + vodka + gelo + praia = sexo, até que faz sentido não?
Com uma cor de dar água na boca, vamos ao drink que combina com o verão e que nos chama para as férias de fim de ano.
Sex on the beach

Categoria: Long Drink
Classificação: Refrescante
Copo ideal: Highball ou Old Fashioned
Método: Montado
Ingredientes
- 40ml Vodka
- 20ml Licor ou Suco de pêssego (licor torna o drink mais doce)
- 60ml suco de laranja
- 10ml Sirop de Grenadine

Preparo
- Montar em copo Long Drink com bastante gelo. Adicione a vodka, o licor e o suco de laranja. Misture bem (com colher bailarina) e acrescente um lance de Grenadine. Decore com uma fatia de laranja e finalizar com canudos.
- Para acompanhar o Sex on the beach, existe um outro drink que é muito fácil de preparar e faz sucesso nas baladas calorentas, o Screwdriver.
Screwdriver
Em homenagem ao meu primo Hegel Braga

Preparo
- 50ml Vodka
- 10ml Suco de Laranja
Coloque os ingredientes diretamente no copo com gelo. Misture lentamente e decore com uma fatia de laranja.
Dica: Para o Sex on the beach, um outro método de preparo, segundo a ABB, é preparar na coqueteleira (método batido) com gelo e substituir o licor de Grenadine por suco de Crambery.

Fontes:
http://www.assbb.org.br/
www.derivanbar.com

Em qualquer Guia de Berlim, você vai ver a indicação do Hackescher Hof. Como dizem, é o restaurante do Ampelman. Esse bonequinho se tornou símbolo para quem vai a capital alemã. O homenzinho de chapéu está presente nos semáforos da antiga Berlim Oriental. É um ícone cult.
O bairro, onde o restaurante está localizado, é descoladíssimo, bem hype. Existe uma galeria quase homônina – chamada Hackescher Höfe – com oito pátios, onde há lojas de moda, artesanato, galeria de arte, gastronomia e até cinema. Bem bacana.
Muitas pessoas circulam pela rua do restaurante o dia inteiro: manhã, tarde e noite. Hof local é amplo, bem movimentado com mesas e cadeiras de madeira. Há um grande balão com um bar onde os garçons bailam com de um lado para o outro.

Eu e Daniel fomos cheios de expectativa para o Hof. Sabia, de antemão, que não era nenhum espaço gourmet, mas até então não tinha lido nenhuma crítica negativa à comida. Penso que talvez o cozinheiro deveria estar de mal humor. Só sei que esse mal humor passou para mim que comi de seus pratos. Primeiramente, pedimos uma cerveja Paulaner. Uma delícia, bem geladinha.

Depois, os pratos. A casa estava cheia e o atendimento, lento. Vocês vão reparar que com os ingredientes dos pratos, a experiência tinha tudo para dar certo.

Lula recheada de camarões e salmão, com vagem e arroz vermelho (16,90 euros)

Porco grelhado ao molho de pêra, abóbora marinada e purê de batata (16,40 euros)
Hackescher Hof
Rosenthaler Strasse 40-41
Mitte – Berlim (Alemanha)
Telefone: +49 302835293
Por Rosualdo Rodrigues
De Barcelona (Espanha)
Ela assina Russian Red, mas se chama Lourdes Hérnandez. Canta em inglês, mas é espanhola. Tem 22 anos e está sendo considerada a sensação da cena alternativa madrilenha desde que comecou a fazer shows em 2007. Lançou três singles e, em julho deste ano, o primeiro CD, I love your glasses. Russian Red é o nome de uma cor de batom. A moça gostou e deu o nome ao projeto (soa mais moderninho do que banda), que ela desenvolve junto com Brian Hunt, também espanhol, mas que tem esse nome por ser filho de ingles com espanhola.
Mas indo ao que interessa, que é a musica, podemos dizer que Russian Red é uma mescla de Feist com Cat Power: Isso pode parecer falta de identidade, mas não é o caso. Mesmo fazendo um folk que para alguns pode ser considerado mais do mesmo, Russian Red tem algo que chama atenção. Lourdes tem uma voz marcante, aguda, mas ao mesmo tempo suave, e tem talento para criar belas melodias. Vale a pena ouvi-la. É possível ouvir algumas delas no MySpace da banda, quer dizer, da moca; do projeto ou o que for (http://www.myspace.com/russianready).
Outra novidade nessa mesma linha, que descobri em minhas incursões pelas prateleiras das FNACs da vida nestes dias de férias é Jay Brannan, conhecido como ator no elenco do ousado Shortbus, de John Cameron Mitchell. Cantor e compositor novaiorquino, ele também tem circulado por um circuito alternativo, mas bem mais amplo que o de Russian Red. Fez turnê recentemente na Espanha e, em dezembro, excursiona pela Austrália. Desse jeito, vai acabar chegando ao Brasil.
Tem somente um álbum, Goddamned. As canções são repetitivas e meio sem sal, mas as letras chamam atenção. Como a de Housewife, em que ele diz que quer ser uma dona de casa, “quero ter um filho dele, usar a alianca dele, ele me enlouquece, eu sou tudo pra ele”... A biografia absurda que ele apresenta no seu site (http://jaybrannan.com) é outra particularidade do indômito rapaz.

O Daniel Briand Pâtissier e Chocolatier é um lugar único em Brasília. Localizado na 104 Norte, desde 1995, a pequena portinha com um corredor comprido mudou de cara ao longo dos últimos anos. O bistrô foi ampliado e assim multiplicaram-se os sabores e as delícias feitas pelo seu dono, o chef francês Daniel Briand, da região de Anjou.
Essa era a charada que foi facilmente desvendada pelos leitores do Gastronomix na quinta da semana passada, quando coloquei algumas fotos e pedi que identificassem o local. Foi fácil, né?
O mini-terraço de madeira em frente à loja, onde fica parte das mesas, é um encanto. Há um jardim bem cuidado e teto de vidro com cortinas. O ambiente é de uma antiga confeitaria francesa, mas com toques modernos na decoração. Lá, você pode ler o Le Monde, jornais e revistas brasileiras.

O cardápio é amplo. Dos tradicionais cafés da manhã, mania entre os brasilienses mais refinados, ao simples macarron, os produtos do Briand são de primeira. Os doces são sofisticados no gosto e na apresentação. As receitas seguem a tradição francesa e são feitas com produtos brasileiros e alguns importados. O chef prima pela escolha das matérias primas e pela qualidade de suas criações.
O local serve 18 tipos de tortas diferentes e outros doces também como bombons de chocolate belga o chocolat chaud angevin (com casca de laranja, creme de leite e cointreau), o chausson aux pommes (massa folhada e compota de maçã) e a ruche doreé (mousse de mel e chocolate ao leite). A torta mais famosa delas é a Ópera: massa de amêndoas com camadas de cremes de café e chocolate trufado. Há uma lista de salgados como petit fours, quiches, patês, pães, brioches, croissants.

O café teve sua história e receita contada recentemente pelo jornalista Carlos Wilson de Andrade Filho. A visita de quem é de fora da cidade é obrigatória. Parece que lá o tempo passa mais devagar.
Daniel Briand Pâtissier e Chocolatier
104 Norte Bloco A, 62
Asa Norte - Brasília
Telefone: (61) 3326 1135
Por Moacyr Scliar (*)
Convidado especial do Gastronomix
“O gaúcho é um carnívoro por excelência. Proteína não lhe falta na dieta (infelizmente, gordura também não). O que pode ser um motivo de orgulho: afinal, a proteína é o elemento nobre da alimentação, aquilo que cria músculos e portanto dá poder. Todas as culturas sabem disto, e todas as culturas procuram instintivamente o alimento protêico. Só que procuram equilibrá-lo com o hidrato de carbono: é o caso do “fish and chips” inglês, o peixe com batatas, ou, no caso do Brasil, o feijão com arroz. O gaúcho sempre relutou em adicionar hidratos de carbono ao churrasco; farinha de mandioca tudo bem, para absorver o sumo da carne; também o arroz de carreteiro era aceitável (ver no fim) mas aí já era coisa de pobre.
O Rio Grande do Sul nasceu sob o signo da carne. Inevitável, considerando que a criação de gado foi a sua primeira grande atividade econômica. O gaúcho comia carne pela manhã, ao meio-dia e à noite. Comer não quer dizer necessariamente saborear: era uma refeição rústica, que consistia em abater a rês, enfiar a carne num espeto feito de um galho de árvore e assar esta carne num fogo de chão. “Assar” significava apenas tostá-la um pouco. Os índios comiam-na quase crua, o boi ainda berrando, como se diz por aqui. Eis como o tradicionalista Barbosa Lessa descreve, em versos, a gênese do churrasco:

Quando o gaúcho surgiu,
meio gaudério, vadio,
não tinha pouso nem nada
a não ser o pingo, a estrada
e um bom poncho contra o frio;
bastou um fogo de chão
e a cuia de chimarrão
pra se aquecer de amizade
e ter hospitalidade
neste templo que é o galpão.
Como alimento, o gaúcho
trouxe algo que, até hoje,
faz com que a gente se ajouje
à vida simples, amena:
é o churrasco - temperado
só com o sal e reforçado
com o suco da carne buena.
Mas o churrasco também se sofisticou, graças sobretudo à urbanização. A churrascaria tornou-se o restaurante típico das cidades gaúchas. O churrasco agora era servido em mesas, para as quais eram trazidos os espetos. Podia haver algum uma salada de entrada, e algum acompanhamento sob forma de farinha de mandioca ou de pão, mas isso era tudo.
A arte estava na seleção da carne e na maneira de assar. Em termos de seleção, a maioria dirá que a costela é soberana. Não é uma carne macia, mas quem quer maciez? Certa resistência é necessária. Os dentes têm de lutar contra as fibras, têm de mostrar quem é mais forte. Mas o desfecho desta luta é,naturalmente, mais do que previsível. No fundo, a carne é fraca. Ela resiste apenas o suficiente para aumentar o prazer do gaúcho. Agora: este é o churrasco tradicional. Que acabou sendo influenciado, sobretudo pelos descendentes de emigrantes italianos, que introduziram o conceito de “espeto corrido”, ou rodízio. Trata-se de uma nova fase na história culinária do Estado.

Esta fase é uma vitoriosa expressão da presença italiana no Rio Grande do Sul. Quais as diferenças entre espeto corrido, ou rodízio, e o churrasco habitual? Várias. Em primeiro lugar, o espeto corrido é muito mais diversificado. Tem carne, claro, e carne excelente, mas tem também sopa, massa, polenta... Ou seja: hidratos de carbono em profusão. O que é um amável truque, desses truques tão freqüentes na cozinha do pobre. São alimentos que matam a fome e que não são tão caros quanto a carne.
Esta passa pela mesa, e passa tantas vezes quanto o comensal quiser, mas ela só passa, não fica, o que tem a grande vantagem de evitar o desperdício. E torna a refeição mais variada, mais animada, envolvendo até um desafio quanto à capacidade de enfrentar aquela pantagruélica oferta de alimento. Conclusão: o espeto corrido é um feliz casamento entre o gaúcho e a “mamma” italiana. Finalmente, e já que ir a uma churrascaria é parte obrigatória do roteiro turístico, vários estabelecimentos apresentam também shows de música e dança.”
(*) Moacyr Scliar é escritor gaúcho e médico sanitarista. Em novembro desse ano, recebeu o Prêmio Jabuti de melhor livro do ano com o romance "Manual da paixão solitária" (Cia da Letras) na categoria ficção. É autor de mais de 70 livros e integra a Academia Brasileira de Letras.