terça-feira, 15 de setembro de 2009

GASTRONOMIX // O encanto do Zazá Bistrô


Era uma casa muito engraçada, tinha teto, chão e umas delícias gastronômicas que só vendo. Ou melhor, experimentando. O local é o Zazá Bistrô, um charmoso restaurante na esquina da Rua Prudente de Moraes com Joana Angélica, no coração de Ipanema.

Na semana passada, estive a trabalho no Rio de Janeiro e pude conhecer lugares bem bacanas que vou descrever para vocês. Na quinta, fui ao Zazá Bistrô com um casal de amigos: Tina Vieira e William Passos. A indicação foi deles. O local é especial, porque foi lá onde rolou o primeiro beijo dos pombinhos...

O ambiente é kitsch e descontraído. A nova decoração para comemorar 10 anos é assinada pelo artista plástico Zemog e parece que você está em casa. Rosas vermelhas de veludo, tecidos coloridos, madeiras, arranjos de bom gosto. O andar superior parece um grande lounge, bem intimista, com mesas baixinhas e tatames para sentar (ambiente abaixo). Destaco ainda a varanda fervida do bistrô, além de um muro verde que foi grafitado pelo grupo Flesh Beck Crew.

A criatividade e a variedade de drinques atraem. Tomamos quatro tipos diferentes: três de vodka e um de cachaça. O local tem uma carta farta de aguardente com mais de 15 marcas. Um dos drinks experimentados foi o Shangri-lá! Sente só os ingredientes: Vodka, morango, cranberry, suco de limão siciliano e hortelã e especial borda de chocolate picante. Uma delícia!!!

Pedimos duas entradinhas. Uma chamada Degustação de 4 delícias (Samosa, tartar de atum, ceviche e tapioca) e brusquetas (quatro unidades: duas tradicionais com tomate e manjericão e duas com brie, mel e nozes). Compartilhamos todas e saboreamos com os drinks pedidos.

Optamos por dividir os pratos principais. Pedimos dois. A cozinha de lá é leve, feita com ingredientes frescos (garante o garçon) e toques orientais e brasileiros. Um mix fusion orquestrado pela própria Zazá, que costuma viajar pelo mundo experimentando sabores e levando as influências para seu bistrô.

Os pratos foram: dupla de atum em sagú de tapioca ao gergelim em creme de wasabi e couve crocante e atum semicru com camarões e cogumelos, servido com arroz jasmim. Tudo bem saboroso. Da próxima vez, vou dessa opção: Rosbife de cordeiro assado e desossado por seis horas com especiarias, sobre ravioli recheado de pure de baroa trufado no molho de iogurte, hortelã e amendoas crocantes (foto acima).

Não fomos de sobremesa. Mas babe em algumas das opções: Rolinhos crocantes com Nutella derretida por dentro e sorvete de mel de abelha com calda de chocolate. (é assado, não é frito!) e Cubinhos de manga marinados com gengibre, hortelã e limão, com farofa super crocante de amêndoas e calda caseira de frutas vermelhas.

Tudo feito com muito esmero, na Rua Joana Angélica, número 40. Imperdível.

Zazá Bistrô Tropical
Rua Joana Angélica, 40
Ipanema – Rio de Janeiro (RJ)
Telefones: (21) 2247 9101 e 2247 9102
Site:
www.zazabistro.com.br

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

EU RECOMENDO // De Le Tartine a Piratininga


Por Márcia Tiburi (*)
Convidada especial do Gastronomix


“É óbvio que em SP tem muitos lugares bacanas pra comer. Mas a gente não quer só comida. Antes de morar em SP, eu frequentava os mesmos dois lugares que frequento até hoje. Apesar de muitas buscas e bons encontros sempre é legal dar notícia dos velhos e bons hábitos. Sugiro portanto, este dois lugares, cada uma pra uma ocasião.

O primeiro é o La Tartine. A meu ver, o lugar mais equilibrado da cidade em termos de charme, preço e sabor. É super agradável em termos de ambiente porque não tem cara de revista de decoração, embora seja naturalmente decorado. Tem um ar de que as coisas foram arrumadas do jeito mais livre e fácil que se podia, sem desleixo, nem hiperarrumação, coisa de que eu, particularmente, não gosto nada.

Pra comer, as entradas são delicadas, os quiches são perfeitos com a saladinha com molho de nozes (nunca vi melhor), assim como os croques. Atualmente tem um acordeonista que toca umas músicas francesas muito cláddicas, o que dá um tom de Delicatessen com Amelie Poulain ao local.

O outro é o Piratininga que fica na Vila Madalena. Já experimentei a carta de comes e bebes toda, mas atualmente estou só no conhaque. Tem pastéis e petiscos ótimos e até saladinhas para os menos avançados como eu. Mas o forte, o imperdível é o trio de jazz. Os caras são ótimos, mas tanto que você nem presta atenção se tem algo funcionando mal”.

La Tartine
Rua Fernando Albuquerque, 267
Cerqueira César – São Paulo (SP)
Telefone: (11) 3259 2090

Piratininga
Rua Wisard, 149
Vila Madalena – São Paulo (SP)
Telefone: (11) 3032 9775

(*) Márcia Tiburi é filósofa e participa do programa Saia Justa, do canal GNT. Acaba de mudar de casa e está sem fogão, mas gosta de boa comida. É mestre e doutora em filosofia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Publicou as antologias As Mulheres e a Filosofia (Editora Unisinos, 2002), O Corpo Torturado (Ed. Escritos, 2004), e Mulheres, Filosofia ou Coisas do Gênero (Edunisc) e os romances Magnólia (2005) e a Mulher de Costas (2006), da série Trilogia Íntima (Ed. Bertrand Brasil). Márcia também é professora do programa de pós-graduação da Universidade Mackenzie. O seu site é
www.marciatiburi.com.br.

sábado, 12 de setembro de 2009

GASTRONOMIX // Onde foram parar os piqueniques?


Por Alcino Leite Neto (*)
Convidado especial do Gastronomix


"Os piqueniques, parece, começaram a ser feitos na Europa entre os séculos 17 e 18, quando se descobriu as vantagens da caminhada ao ar livre e da contemplação da natureza.

Quando eu era criança, nos anos 60 do século 20, eles ainda eram realizados com certa frequência no Brasil, ao menos no interior de Minas Gerais. Seguindo o modelo tradicional, uma toalha era estendida em algum terreno plano e sobre ela eram dispostos os petiscos e refrescos, os quais atacávamos vorazmente, depois do esforço do passeio a pé para alguma serra ou cachoeira.

O segredo de minha mãe, que costumava organizá-los, era não entregar o lanche todo de uma vez à criançada, mas ir apresentando-o aos poucos, numa longa série de guloseimas, o que tornava tudo mais divertido.

Começávamos com as empadinhas de frango (caipira, claro!), servidos (para não quebrarem durante a caminhada) nas próprias formas em que haviam sido assadas. Caso não viessem as empadas, certamente teríamos bolinhos fritos de arroz ou croquetes de carne, para introduzir o regabofe.

Entravam em cena, então, os sanduíches, feitos com pão de forma cortado de viés, depois que se retirava a parte dura da casca, num arremedo de "picnic" britânico. No recheio, fatias de queijo canastra, de salaminho italiano ou de lombo de porco (todos cortados bem finos, o que os deixava mais saborosos). Poderia haver também um curiosíssimo sanduíche de banana fatiada (também em cortes finos), com manteiga e açúcar, o que já introduzia as sobremesas aos guris: bolinhos de fubá, minicocadas, pés-de-moleque e, com muita sorte, marias-moles caseiras caseiras.

Posso estar enganado, mas os piquiniques caíram em desuso entre os brasileiros. É uma cultura antiga que se perdeu. Tenho a impressão de que muita gente passou a associar os piqueniqueiros com os farofeiros, o que é puro preconceito.


Numa das viagens que fiz a Berlim, há alguns anos, fui convidado para o aniversário de uma amiga alemã. O convite era estranhíssimo para mim: a festa seria no Tiergarten, um dos grandes parques da cidade, e às sete horas da noite. Fui até lá, imaginando que tudo se passaria num restaurante do local. Ao chegar, encontrei uma turma de umas dez pessoas sentadas em grandes panos esticados no solo, com pequenas mesinhas de plástico, repletas de quitutes. Era um piquenique, num recanto do parque, cercado de árvores e do aroma forte de mato.

Quando anoiteceu (era verão, e isso ocorreu bem tarde), os alemães acenderam lanternas na forma de lampiões, e continuamos ali, nos regalando com vinhos, cervejas, sanduíches de vários tipos, doces, além de frutas secas e frescas. De repente, as lanternas foram apagadas, cantamos o parabéns no escuro e devoramos (para não contradizer o ambiente tão grimminiano) uma "Schwarzwalder Kirshtorte" _o famoso bolo floresta negra.

Há toda uma cultura do piquenique que valeria a pena ser recuperada no Brasil, com sua sociabilidade amena e despreocupada, resgatando ao mesmo tempo a "gastronomia" do piquenique, com seus petiscos que precisam ser ligeiros, variados e, sobretudo, tão deliciosos quanto o passeio."

(*) Alcino Leite Neto é 49, é editor de Moda da Folha, jornal onde exerceu anteriormente as funções de editor da Ilustrada, do Mais!, de Domingo e de correspondente em Paris. Alcino escreve o blog Ilustrada na Última Moda (
http://ultimamoda.folha.blog.uol.com.br/).

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

DRINK_ME // Manuchxa’s in Manhattan


Por Juliana Raimo

Cada um de nós está em uma fase de vida, com mania de fazer alguma coisa ou possui um hobby. Como um dos meus hobbies mais fortes, além de jogar tênis e fazer pilates, é preparar e falar de drinks, estou no momento Whiskey. Nota: a palavra é com “e”, pois para preparar tanto o Manhattan quanto o Whiskey Sour usamos as bebidas de procedência americana ou canadense. Já o Whisky escocês termina com “y”.

Este fim de semana dediquei um incrível drink a uma talentosa amiga: Manuchxa Leite, vocalista da banda 2 Coins and a Bomb Shell. Em homenagem às suas cerejas tatuadas na perna, apelidei o drink de Manuchxa’s in Manhattan. Vamos ao que interessa!

Manhattan

Ingredientes
- 50ml de Whiskey americano (ou canadense)
- 30ml de Vermouth Tinto (rosso)
- 2 gotas de Angostura Bitter
-1 cereja (fruta ou em compota)

Preparo
Preparar no copo misturador (mixing glass) e servir no copo martini (short drink) previamente gelado. Decorar com uma cereja.

Outras versões do Manhattan valem a brincadeira:

Dry Manhattan – mais seco

Ingredientes
- 50ml de Whiskey americano (ou canadense)
- 30ml de Vermouth Dry
- 2 gotas de Angostura Bitter

Preparo
Preparar no copo misturador (mixing glass) e servir no copo martini previamente gelado. Acrescentar um zest de limão sobre a superfície do coquetail.

Perfect Manhattan – seco e doce

Ingredientes
- 40ml de Whiskey americano (ou canadense)
- 20ml de Vermouth Tinto (rosso)
- 20ml de Vermouth Dry
- 2 gotas de Angostura Bitter
- 1 cereja (fruta ou em compota)

Preparo
Preparar no copo misturador (mixing glass) e servir no copo martini previamente gelado. Decorar com uma cereja

- Dica 1: Para taças maiores prepare o drink com 80ml de Whiskey. Manter o restante.
- Dica 2: Não coloque um palitinho na cereja pois a idéia é comer a cereja ao final do drink.

Fonte:
- Ophicina de Martinis no Lola com Mestre Derivan
(Informações no email: drinks@ogicenografia.com.br com Juliana Raimo)
- Inspiração: Manuchxa Leite, vacalista da banda 2 Coins and a Bomb Shell
(
http://www.myspace.com/2coinsandabombshell )

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

AO PÉ DO OUVIDO // Rock com sotaque português

Por Rosualdo Rodrigues

Acaba de sair no Brasil o disco fantástico de uma banda de rock portuguesa. O disco se chama Catalogue raissoneé; a banda, Clã. Eles já tinham participado de uma coletânea brasileira, chamada Eu não sou cachorro mesmo, em que várias bandas regravavam sucessos populares dos anos 70. Escolheram Tortura de amor, de Waldik Soriano. Uma bela gravação, que não tem nada de brega.

Imagino que nove entre 10 brasileiros não botam fé numa banda portuguesa de rock. Claro, há certo preconceito. Muitos ainda veem Portugal como um país antigo, que só combina com fado e vira. Mas é bom lembrar que Lisboa e Porto são cidades modernas, onde circulam pessoas antenadas. Aliás, muito mais próximas das grandes capitais européias do que nós.

Por isso mesmo, embora não chegue aqui com a mesma intensidade que a música brasileira chega lá, a música portuguesa é cheia de coisas novas e interessantes. Caso do Clã, que combina vigor roqueiro com boas melodias, letras que podem soar inusitadas aos nossos ouvidos e uma ótima vocalista, Manuela Azevedo, de voz delicada, à moda de Fernanda Takai, mas com mais atitude e visceralidade (sem demérito para Takai, que é boa a sua maneira).

Mas, independentemente disso, vale lembrar que mesmo o fado há muito deixou de ser somente Amália Rodrigues. Que o digam Marisa, Mísia e Antònio Zambujo, principais representantes de uma vertente mais moderna do gênero, ao qual incorporam elementos de jazz, música brasileira e outras influências. Marisa ao vivo é uma das coisas mais emocionantes que alguém pode testemunhar em termos de performance musical. Mísia, radicada em Paris, tem um visual exótico, uma presença igualmente forte. Zambujo é muito influenciado pela música brasileira, põe no fado a leveza da bossa... E nem falemos do óbvio: Madredeus e Teresa Salgueiro.

Aliás, é curioso, mas fado me abre o apetite, sempre me lembra boa comida e vinho. Tem coisa mais portuguesa?

terça-feira, 8 de setembro de 2009

GASTRONOMIX // Curiosidades gastronômicas II

A pedidos, segue um pouco mais sobre outros mistérios desvendados da gastronomia. Saber que o croissant não é francês é um choque para maioria dos habitantes desse planeta. Carla Bruni que me perdoe: a verdade dói, mas precisa ser revelada.

STROGONOFF

Prato de origem russa. Seu nome original é Strogonov. No século XVI, na Rússia, os soldados levavam sua ração de carne, cortada em nacos, em grandes barris, debaixo de uma mistura de sal grosso e aguardente para preservar. Coube a um cozinheiro do czar Pedro, o Grande, que era protegido do general Strogonov, melhorar e refinar a mistura. Com a Revolução de 1917 e a emigração dos russos brancos, a receita chegou a França, onde foi refinada, chegando a forma atual.

MOLHO BÉCHAMEL

Diz a lenda que tal alquimia foi idealizada pelo marquês Louis de Béchameil (1630-1703), um financista francês , especialista em agricultura e assessor do rei Louis XIV. Na verdade , na Itália, o molho já existia desde o século 14, uma especialidade da região de Cesena, nas imediações do mar Adriático sob o nome de Balsamella. O marquês, efetivamente, apenas utilizou a coisa antiga numa receita de frango. Provavelmente motivado pela coincidência incrível das nomenclaturas, assumiu o molho como seu.

CROISSANT
Vários autores afirmam ser o croissant originário de Budapeste. Sua forma seria uma referência à lua crescente da bandeira otomana e lembrança da vitória húngara sobre o invasor turco em 1686.

CREME DE CHANTILLY
O universo deve o creme a um doido fantástico, Fritz Carl Vatel (1635-1671). Um doido que morreu cedo, aos 36 anos de idade. Aliás, um doido que se suicidou a fim de não se desonrar. Um empregado de salão, rigorosamente suíço, Vatel provocou a atenção dos senhores da casa palacial de Chantilly e, jovem ainda, pelo seu charme e pela sua competência, ficou famoso nas cortes da França.Impossível desvendar se a preciosidade aconteceu propositadamente- ou acidentalmente. Verdade que o leite da região de Chantilly, onde Vatel se alojou aos 27 anos de vida , era mais gorduroso e , por isso mesmo, mais apropriado à bateção que o transformaria numa pasta vaporosa e densa. Melhor: depois das suas experiencias iniciais, ao resultado da sua combinação, Vatel adicionou açúcar. Maravilha . Imbatível maravilha, o creme Chantilly.

CHAMPAGNE
Surgiu em 1668, quando Dom Pérignon, abade de Hautvillers, observou que o vinho das uvas da região de Champagne desenvolvia uma fermentação secundária, produzindo pequenas bolhas e gás. Isso, até então, era considerado algo a evitar. Dom Pérignon, ao contrário, resolveu favorecer e controlar essa fermentação. Criou assim o que se chama a técnica champenoise.

Fontes usadas: "Comida e Civilização" de Carson I.A.Ritchie; Livro "De caçador a gourmet" de Ariovaldo Franco; "A cozinha Clássica" de Silvio Lancellotti.

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

RECEITAS // Trufas de castanha de caju

Trufas de castanha de caju

Ingredientes- 1 lata de creme de leite sem soro
- 350 g de chocolate ao leite
- 350 g de chocolate meio amargo
- 3 colheres de sopa conhaque ou rum
- Chocolate em pó para cobrir as trufas

Preparo
Derreta os chocolates juntos, pode ser no microondas. Misture o creme de leite, até obter um creme homogêneo. Adicione a bebida, misture bem, acrescente a castanha e transfira para uma vasilha rasa, leve à geladeira até firmar. Modele as trufas e passe no chocolate em pó.