quarta-feira, 17 de junho de 2009

AO PÉ DO OUVIDO // Pense num cabôco bom!!

Por Rosualdo Rodrigues

Sei que cada região do Brasil tem suas particularidades e isso não é diferente no que diz respeito ao São João. Mas no Nordeste, festa junina autêntica tem que ter três coisas: fogueira, comida de milho e música de Luiz Gonzaga. Aliás, com o crescimento das cidades e a mudança de costumes, pode-se até dispensar os dois primeiros, mas é incrível como, ainda que toque Calcinha Preta e Aviões do Forró, o repertório da festa sempre vai acabar em alguma música de Luiz Gonzaga.

E mais incrível ainda é como, décadas depois, mantêm-se a singeleza de Olha pro céu (música que parece um quadro naif), a força de Asa Branca e a modernidade pop de O fole roncou (se ouvir, preste atenção no baixo na introdução). As músicas de Luiz Gonzaga são como as de Tom Jobim. Gravadas, regravadas e não cansam. Foram feitas para ser clássicos (aliás, sempre digo que, se a música brasileira fosse somente esses dois, já seria muito).

Tanto é que mesmo quem nunca pôs um disco de Luiz Gonzaga para ouvir atentamente já tem a impressão de que conhece toda a obra dele. Mas seu Lula tem discografia extensa, além de uma história de vida fantástica, muito bem contada no livro Vida do viajante – A saga de Luiz Gonzaga, de Dominique Dreyfus (curioso que uma francesa seja autora da melhor biografia do forrozeiro).

Mas, quem quiser aproveitar esse clima junino para se iniciar na obra de Gonzaga, aconselho uma coletânea que acaba de sair pela Som Livre, Gonzagão – Sempre. Baratinho na Cultura: R$ 13,90. Tem repertório básico, apropriado para quem tem a discoteca desfalcada das obras-primas do Rei do Baião. Asa branca, Qui nem jiló, Cintura fina, Baião, Xote das Meninas, Vem morena, Assum preto... Pena que ficou faltando o baixo estiloso de O fole roncou, Sala de reboco, Paraíba, No meu pé de serra

Dez reinterpretações de Luiz Gonzaga:
1 ) Asa branca, com Caetano Veloso
2 ) Olha pro céu, com Ceumar
3 ) Sabiá, com Stela Campos
4 ) Orélia, com Otto
5 ) Macapá, com Gilberto Gil
6 ) Calango da lacraia/ Nega Zefa, Coco Xenhenhem, com Elba Ramalho e Fuba de Taperoá
7 ) Não vendo e nem troco, com Zé Ramalho e Dominguinhos
8 ) O fole roncou, com Nação Zumbi
9 ) Qui nem jiló, com Alcione
10 ) Wandering swallow (Juazeiro), com Bebel Gilberto

terça-feira, 16 de junho de 2009

GASTRONOMIX // Risoto amarelo com camarões


Estava inspirado no dia. Claro, o prato foi concebido e feito para o Dia dos Namorados. Botei o nome de Risoto Van Gogh, uma referência ao amarelo dos clássicos girassóis do pintor holandês.

Uma vez, estava no Rio de Janeiro, na Praia de Ipanema, quando experimentei uma caipiroska de frutas amarelas. Fiquei com aquela idéia na cabeça, pensando em que poderia adaptar aquela mistura para a gastronomia. Na sexta passada, quando corria na esteira da academia, entre uma respirada e outra, veio a idéia: Eureka!

Pensei: vou fazer um risoto de frutas amarelas e camarões. Em casa, cheguei até a pesquisar na internet para ver se havia lago parecido, mas, para minha infelicidade ou para meu desafio, não havia. Chega de blá-blá-blá e vamos à receita. Asseguro, ficou uma delícia e é super leve!

Risoto Van Gogh - com frutas amarelas (manga, maracujá e abacaxi) e camarões

Ingredientes
- 400 g de arroz arbório
- 400 g de camarões sem casca e com rabo
- ½ cebola picada
- 2 caldos de legumes
- 1 manga
- 5 fatias de abacaxi
- 1 maracujá
- Gomos de 1 tangerina
- 100 ml de aceto balsâmico com mel
- 150 g de queijo parmesão
- molho teriaki
- azeite de mandarina
- azeite e sal

Preparo
Antes de começar a fazer o risoto em si, vamos aos preparativos. Dissolva os dois tabletes de caldo de legumes em leiteira e deixe a mistura ferver. Outro procedimento importante é fazer o que chamei de concentrado de frutas amarelas. Coloque e bata no liquidificador o líquido do maracujá com semente e tudo (reserve um pouquinho para depois decorar o prato pingando), as fatias de mangas (reserve umas duas, corte em cubinhos para decorar) e as rodelas de abacaxi. Acrescente dois dedos de água. Depois, coe o líquido amarelo e deixe-o em uma vasilha.

Corte os camarões (reserve quatro para decoração por parto) e passe-os em uma frigideira quente com azeite e um pouquinho do concentrado amarelo. Usei um azeite especial que tenho em casa de gengibre e limão. Mas pode ser um extra virgem bom.

Em outra panela, coloque um pouco de azeite, espere esquentar e acrescente a cebola picada. Misture bem. Adicione três pitadas de sal. Em seguida, acrescente o arroz arbório e mexa para que o grão pegue um pouco do sabor da cebola, azeite e sal.

Ao poucos, vá colocando o caldo de legumes e mexendo. Malhando o braço para que o risoto fique no ponto. Quando for colocar o caldo também vá despejando um pouco do concentrado amarelo. Siga esse processo, com o caldo e o concentrado, até o risoto ficar de al dente para bem cozido. Assim, o arroz vai ficando mais inchado e amarelo, ganhando um toque frutado do mix de frutas

Experimente e veja como está de sal. Caso necessário, coloque mais um pouco. Só tome cuidado porque, na última etapa, quando o risoto estiver no ponto, acrescentamos o queijo parmesão (que já é salgado). Adicione os camarões, mexa bem a panela. Depois, o queijo. Mais uma mexida e pronto. Hora de montar e curtir.

Montagem
Coloque um aro de metal, coloque o risoto ali dentro. Em cima do arroz, bote as mangas e abacaxis picados e um camarão. Ao redor do prato, intercale três camarões e três tangerinas que foram passadas em redução de aceto balsâmico com mel. Pingue algumas gotinhas de maracujá e molho teriaki. Para finalizar, um fio de azeite de mandarina (para quem tiver em casa).
Bom apetite!!!

segunda-feira, 15 de junho de 2009

EU RECOMENDO // A legítima comida brasileira


Por Daniel Piza (*)
Convidado especial do Gastronomix

“O restaurante Brasil a Gosto, em São Paulo. Sempre me inquietei com as possibilidades inexploradas da culinária brasileira, com tantos produtos naturais e receitas regionais que mereciam gerar pratos mais criativos ou sofisticados. Nos últimos anos, felizmente, essa situação começou a mudar. Entre os restaurantes de São Paulo que fazem isso, e por isso até viraram notícia no “New York Times”, está o Brasil a Gosto.

Salão principal do Brasil a Gosto, da chef Ana Luiza Trajano

Na entrada, há pratos como salada de abóbora com queijo da Serra da Canastra; o arroz cateto vem com feijão verde e pupunha; o pirarucu, com batata doce; o frango caipira, com molho de hortelã; e na sobremesa há iguarias como um “Romeu e Julieta” (queijo e goiabada) sem açúcar.

Crisps de tapioca com creme de coco e caranguejo

Fazer uma culinária brasileira, enfim, não é pegar ingredientes estereotipados como a mandioca e misturar a receitas tradicionais de outros países. É fazer combinações consistentes, que mantenham o sabor bem marcante da fonte original. É combinar o laboratório com o satisfatório”.

Brasil a Gosto
Rua Prof Azevedo Amaral, 70
Jardim Paulista - São Paulo
Telefone: (11) 3086 3565
Site:
http://www.brasilagosto.com.br/site/

(*) Daniel Piza colunista de O Estado de S.Paulo e escritor. Assina o blog
http://blog.estadao.com.br/blog/piza. Paulista, Piza nasceu em 1970. Começou sua carreira de jornalista em O Estado de S. Paulo (1991-92). Trabalhou na Folha de S. Paulo (1992-95) e na Gazeta Mercantil (1995-2000). Em maio de 2000, retornou ao Estado como editor-executivo e colunista cultural. É comentarista do canal Globo News e da rádio Eldorado. Traduziu oito livros, organizou seis outros e publicou 14. É casado com a jornalista Renata Piza e tem três filhos, Letícia, Maria Clara e Bernardo.

sábado, 13 de junho de 2009

GASTRONOMIX // Festa Junina Gourmet será no dia 20


Olha que legal. Treze chefs e restauranteurs de Brasília se reuniram para fazer uma festa junina gourmet. Ela acontece aqui na capital no dia 20 de junho no Clube da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), a partir das 19h30.

A festa será open food – paga-se um preço e come-se de tudo um pouco, quantas vezes quiser. Para quem é associado da OAB, o preço será de R$ 35,00. Para o público em geral, R$ 45,00. Segundo a organização, são preços promocionais até o dia 15/06.

A animação da festa fica por conta da Banda Casanova & Capital Sertanejo, de Goiânia, e dos Djs Sérgio Blake e Elias (SP)

Confira a lista dos restaurantes que vão participar:
Baco Pizzaria, Parrilha Madrid, Oliver, Toca do Chopp, Feitiço Mineiro, Armazém do Ferreira, Mercado Municipal, Bsb Grill, Dudu Camargo, Cacauá, Confeitaria Francesa, Villa Borguese, Família Capelli.

Festa Junina Gourmet na Roça
Local: SCES Q. 02 CLUBE DA OAB
Em frente ao CCBB, próxima á ponte JK
Pontos de venda: Sede OAB 516 norte, Fratello 103 sul, Madri 408 sul, Gran Cru QI 09/11, conj. L Loja 6 – Lago Sul
Informações: (61) 3035 7279 e 3363 7551

sexta-feira, 12 de junho de 2009

DRINK_ME // Para aquecer o dia dos namorados


Por Juliana Raimo

Para os adeptos ao espumante, existe uma variação muito feliz desta que a torna sofisticada e muito saborosa: o Kir - ótima dica para o dia de hoje.

Um pouco de história
Na França, o Cocktail Kir harmoniza o vinho branco seco da Borgonha (Aligoté, depois também o Chablis) na versão original e, em outra versão borbulhante, o champanhe francês é adicionado ao creme de cassis - licor bastante comum, produzido e originário desta região gaulesa também. Fabricado desde o século XVI pelos monges da região, o cassis era um licor inicialmente considerado como um remédio por ser muito rico em vitamina C. Feito a partir de aguardente vínica e groselhas pretas, sua graduação alcoólica varia entre os 17º e os 20º alcoólicos.

Coube a Félix Kir - prefeito da Cidade de Dijon, mais conhecido como o Abade Kir - a criação deste aperitivo. Outras versões um pouco menos conhecidas fora da França são as variações do Kir Rouge ou Cardinal feito com vinho tinto e cassis e o Imperial Kir ou Kir Royal com licor de amoras (creme de cassis) e champanhe e ainda o Kir Normand feito com cidra e cassis.

- Categoria: Long Drink
- Classificação: Pre-Dinner
- Copo Ideal: taça flute

Kir

Ingredientes
- 90ml de vinho branco seco
- 20ml de creme de cassis
Montar em taça flute previamente gelado colocar o creme de cassis depois completar com vinho branco gelado. Se desejar acrescentar um cereja.

Kir Royal
- 90ml de espumante brut
- 20ml de creme de cassis
Montar em taça flute previamente gelado colocar o creme de cassis depois completar com o espumante. Se desejar acrescentar um cereja.

A Vinea, uma importadora de vinhos que costumo frequentar, gentilmente me presenteou com um Spumante Muller Thurgau Extra Dry Incontri 2007 para que eu inventasse algum drink diferente. Reuni então alguns amigos em casa para testar uma versão diferente do Kir. Adicionei ao espumante o licor de grenadine (frutas vermelhas) ao invés do tradicional crème de cassis. Ficou com um sabor mais adocicado, mas também muito saboroso e com uma coloração vermelho vibrante. Uma idéia para decoração é adiocinar um morango pequeno ao final da mistura.

Para os que não são tão fãs de misturas, a dica também encontrada na Vinea é o Spumante Rosé Dry Cuvee Incontri. Simplesmente, a medida certa para a comemoração a dois. Por ser um rose, já possui uma coloração púrpura fantástica e um sabor incrível.

Para todos os gostos, feliz dia dos namorados.

Vinea
Rua Manoel da Nóbrega, 1014
Paraiso - São Paulo
Telefone: (11) 3059 5200
Site:
www.vinea.com.br

quinta-feira, 11 de junho de 2009

GASTRONOMIX //Chef Rachel Caetano ensina crepe light


Na Revista do Correio, do jornal Correio Braziliense, saiu uma receita light feita pela minha irmã, Rachel Caetano. Ela é chef, mestre em Microbiologia pela Universidade Viçosa (MG) e professora do curso de Gastronomia do Iesb, um centro universitário em Brasília.

Eita orgulho que tenho dela. Andei com o jornal o dia inteiro mostrando a quem encontrasse. Não por protecionismo familiar ou nepotismo, mas porque ela é muito boa no que faz e extremamente dedicada.

Separei uma das receitas light que a chef Rachel Caetano fez a pedido do jornal. Ela substituiu o leite integral por leite desnatado, a manteiga por margarina light e usou o cream cheese light para valorizar o sabor do prato. Rende 8 porções com 196 calorias cada, enquanto a versão original ficaria com 300 calorias.

Crepe light de espinafre com camarões

Ingredientes
Massa
- 2 xícaras de farinha de trigo
- 1 xícara de leite desnatado
- 1 ovo
- 2 colheres de sopa de azeite para untar
- sal a gosto

Recheio
- 1 limão
- 2 colheres de sopa de azeite
- 200g de camarão cinza
- 1 cebola
- 2 dentes de alho
- 5 folhas de espinafre
- 100g de cream cheese light
- 1 colher de sopa de salsinha
- 1 colher de sopa de manjericão
- 1 tomate
- sal e pimenta branca a gosto

Preparo
Massa - Bata no liquidificador o leite, a farinha e o sal e deixe descansar por 15 minutos. Unte a frigideira com o azeite e frite porções da massa (1 concha pequena).Vire para que frite por igual dos dois lados.

Recheio - Corte a cebola e o alho.Limpe os camarões,coloque o limão,sal e a pimenta e deixe na geladeira por 10 minutos.Em seguida tempere com as ervas,sal e pimenta.Reserve.Numa frigideira, frite o alho no azeite,depois acrescente a cebola,tomate picado e o espinafre.Refogue bem.Depois acrescente o camarão e deixe por alguns minutos.Em seguida retire do fogo e misture com o cream cheese light e recheie o crepe.

quarta-feira, 10 de junho de 2009

AO PÉ DO OUVIDO // O disco do rapaz da novela

Por Rosualdo Rodrigues

Daniel Boaventura acaba de lançar um disco, Songs 4 U. Mas não é que o ator esteja aproveitando a repercussão do “Adriano de Malhação” para se lançar como cantor romântico. Antes de atuar, Daniel já era envolvido com a música e foi por meio dela que virou ator. Tanto que, fora das novelas da Globo, é um dos profissionais mais requisitados para estrelar as montagens brasileiras de musicais — esteve em Company, A bela e a fera, Vitor ou Vitória, Chicago…

Com seu vozeirão de barítono, Daniel tinha tudo para ser lançado como espécie de Michael Bublé brasileiro, mas consegue fazer um disco a sua maneira, sem cair na tentação dos standards ou temas de musicais, vasculhando sua memória atrás de canções que ele adequa à própria voz.

Outra coisa interessante é que ele usa suas habilidades de ator ao cantar. Pode convencer como um cantor negro de voz áspera em Wake up call (do Maroon 5) ou como um homem maduro, cansado e melancólico em Send in the clowns, por exemplo.

Sabe também dar leveza à interpretação de canções pop, como The captain of her heart (aquela do Double, dos anos 80) e Baby, now that I’ve found you (antigo sucesso do The Foundations), sem excesso de empostação vocal — uma tentação na qual barítonos podem cair facilmente.

O repertório tem ainda a clássica Fly me to the moon, If (hit do Bread nos anos 1970)... Como se vê, é bem diverso, mas a habilidade vocal de Daniel Boaventura e a leveza os arranjos de Ricardo Leão tiram qualquer ranço de mistureba.