segunda-feira, 8 de junho de 2009

EU RECOMENDO // Copa Café e o clima bossa nova


Por André Fischer (*)
Convidado especial do Gastronomix


“Tem crescido imensamente as opções gastronômicas no Rio nos últimos anos. A entrada de restaurantes paulistas no fim da década passada animou a cidade, que vivia acomodada com seus poucos restaurantes estrelados com cardápios pouco imaginativos. No entanto, ainda hoje, poucos são os lugares que conseguem oferecer uma boa cozinha com a vista para o mar. O Bar d´Hotel no Leblon já teve seus dias de glória, e até hoje os restaurantes de hotéis na orla nunca conseguiram emplacar como alternativas reais para não-turistas.

Uma das raras exceções é o Copa Café (foto), que desde sua inauguração mantém a boa cozinha contemporânea. Como não lota mais como no começo, voltou a ser uma opção viável para quem chega sem reserva ou quer comer depois da meia noite.

O cardápio sofre alterações eventuais, mas que, na verdade, apenas trocam os acompanhamentos e molhos entre pratos. Os patos e as carnes são sempre ótimas opções. O Copa Café tem ainda um excelente bar, clima bossa nova romântico e uma das melhores relações custo-benefício. E oferece ainda quatro mesas com vista para a praia de Copacabana no mezzanino. Insista com o maître por uma delas.

E uma diquinha paulistana para quem se arrisca na cozinha e gosta de sabores orientais é o Marukai, super mercado oriental no coração da Liberdade. Todo tipo de iguaria. Conservas de alga nori com gergelim, as mais baratas e bem servidas bandejas de todo tipo de cogumelos de São Paulo, bardanas parrudas e frescas, refrigerantes de aloe vera por menos da metade do preço dos Mundo Verde e uma enormidade de saquês a um terço do preço dos supermercados. Im-per-dí-vel. Aberto todos os dias das 9h às 19h”.

Copa Café
Avenida Atlântica 3056
Copacabana - Rio de Janeiro
Horário: 19h-2h
Telefone: (21) 2235 2947

Supermercado Marukai
Liberdade - São Paulo
Telefones: (11) 3208 0176, 3207 8202 e 3208 7225.
Site:
http://www.marukai.com.br

(*) André Fischer é editor-chefe da Revista Junior e criador do site Mix Brasil, o maior portal gay da America Latina. É autor de livros, como Dicas de sexo para mulheres e Sozinho na cozinha. Ele também escreveu a coluna GLS (Gays, Lésbicas e Simpatizantes) da Revista da Folha de 1996 a 2006, onde abordou os mais diversos problemas dos relacionamentos gays. Fischer o idealizador e co-diretor do Festival Mix Brasil de Cinema e Video da Diversidade Sexual . Atualmente, escreve o blog do André
http://afischer.blog.uol.com.br/ .

domingo, 7 de junho de 2009

GASTRONOMIX // As frutas do Mercado Municipal de SP

Fico em estado de êxtase quando chego ao Mercado Municipal de São Paulo. A vontade é de querer explorar cada metro quadrado do ambiente. Quem ainda não teve a oportunidade de passar por lá, vale a visita. É possível encontrar de tudo um pouco: temperos, queijos, azeites, frios, mariscos, peixe, legumes, verduras... e frutas.

Pronto. Cheguei ao ponto. As frutas. Nunca vi uma maçã tão grande quanto a de lá. Peguei, perguntei e tirei foto (acima). O dono da banca não gostou muito não, pois acabei meio que bagunçando a disposição - milimétrica - da barraca.

E as de origem asiática. Pitayas (branca, amarela e vermelha), lichias, rambutam. Elas têm aspecto meio estranho, áspero por fora. Mas, ao parti-las, uma explosão de cores e sabores. A pitaya e a lichia são suaves e refrescantes. Já experimentou fazer uma caipiroska de lichia?

Pitaya vermelha

Pitaya amarela

Lichia - a queridinha da estação

Andando pelo meio da multidão, também você encontra as frutas do Cerrado. Pequi, Baru, Araticum, Atemóia. Elas estão podendo, estão bem valorizadas pelos chefs que transformam seus aromas e gosto em iguarias à mesa. Na capital de Goiás (terra do pequi, de que não sou muito fã – ver ao lado Guia Goiânia), comi um purê surpreendente. Bem gostoso.
Atemóia

Olha essa banca de caju – eleita a fruta perfeita pelo chef espanhol Ferran Adriá, na sua visita ao Brasil no ano passado. Ele ficou estupefato em saber que tudo da fruta era aproveitado. A Revista Gula traz, na edição de maio, uma reportagem bem interessante esse mês com a fruta. Faz-se de um tudo com ela. No restaurante Oscar (ver Guia Brasília), tem um trio de sobremesas à base de caju.

Caju reluzente

As frutas vermelhas brilhavam na minha frente. Morangos, amoras e cerejas. São vendidas, na maioria das bancas, fora da caixa. Assim, você pode escolher e não passar raiva ao comprar uma caixa de morangos, que vem os grandões em cima e os minúsculos escondidos – o cúmulo da esperteza, né.

Cerejas

Tem as de nome esquisito. No Brasil, ditas exóticas: Mangosteen, Granadilla, Canisteu, Abiu.

Mangosteen e Granadilla (amarela)

Por último, queria falar da melancia. Pra mim, depois do Kiwi, é a fruta mais bonita que tem. Quando se corta, vê-se aquele contraste do verde com o vermelho pintadinho pelos caroços. Pode ser uma visão meio romântica, mas vejo beleza ali. Teve até um dia me deparei com um caminhão que, repleto de melancias, não se segurou em uma curva e cabummmm. Foi melancia para todos os lados. No chão, elas estavam belas, com seu vermelho sangue e verde rajado.

Bom, vem mais mercado em posts aqui do Gastronomix. Aguarde.

Mercado Municipal
Rua da Cantareira, 306
Centro - São Paulo
Telefones: (11) 3228 0673 e 3227 6879
Site: http://www.mercadomunicipal.com.br

sexta-feira, 5 de junho de 2009

DRINK_ME // Irish Coffee – opção para o inverno


Por Juliana Raimo

Particularmente, não sou muito fã de café. Mas levando em consideração que está fazendo um frio do cão, resolvi sugerir um drink quente para confortar nosso corpo e alma. Escolhi o drink Irish Coffee. Como também não tinha muita experiência com este drink resolvi além de passar a receita tradicional experimentá-lo em algum restaurante paulistano. O eleito foi o aconchegante *Zena. Então, seguem duas versões do drink.

Um pouco de história
Em 1942, a pedido de um cliente, o chefe de salão Joe sheridan, do bar do pequeno aeroporto Shannon, na cidade de Foynes, misturou uma dose de whisky irlandês com café preto bem quente. Mais para frente Joe aperfeiçoou seu coquetel acrescentando sobre o topo da bebida creme de leite fresco batido, tornando o cocktail mais suave e cremoso. Esta é a receita como conhecemos até os dias de hoje.

Irish Coffee (tradicional)

Ingredientes
- 40 ml de whisky irlandês
- 30 ml de creme de leite fresco batido
- 80 ml de café quente
- 1 colher de bar de açúcar

Preparo
Montar em um copo similar ao da foto acima. Misture o Whisky, o café quente e o açúcar. Coloque o creme de leite por cima despejando-o sobre as costas de uma colher de bar (para cair lentamente). Sirva sem misturar.

Irish Coffee (criado pelo barman Ivan do restaurante *Zena)

Ingredientes
- Whisky irlandês (Jameson)
- Chantily (versão mais prática)
- Café expresso quente
- Licor baileys (substitui o açúcar)

Preparo
Montar em um copo similar ao da foto acima. Misture o Whisky, o café quente e o licor. Coloque o chantily por cima. Sirva sem misturar.

Dica: Além do Irish Coffee, o barman Ivan nos serviu um after eight bitter criado no restaurante que vale a pena experimentar. O nome do drink é Gênova.

Restaurante Zena
Rua Peixoto Gomide, 1901
Jardim Paulista - São Paulo
Telefone: (11) 3082 9362
Site:
www.zenacaffe.com.br

Fonte: Portal dos coquetéis_barman Paulo Avelino Jacovos -
www.portaldoscoquetéis.com.br

quinta-feira, 4 de junho de 2009

GASTRONOMIX // O grego do Centro de SP


Renato Strauss e Priscila Lambert, dois colegas paulistas de trabalho, me disseram: “Quando for à São Paulo, não deixe de ir ao grego do Centro. É um senhorzinho que atende, Lá é bem legal”.

O grego referido é o restaurante Acrópoles, tocado pelo Thrassyvoulos Petrakis, desde 1959. O restaurante fica na Rua da Graça, perto do Museu de Língua Portuguesa, Estação da Luz e Pinacoteca. Dá para ir a pé almoçar, depois de ter feito um programa cultural.

O ambiente é bem simples. Azeites e vinhos em prateleiras pelo local, tons de azul claro e branco nas paredes e papel com o timbre forrando as mesas de madeira. O diferencial é que não há cardápio. Você é atendido, o garçon te explica o que tem e você monta seu prato no fim do restaurante, onde há um balcão pequeno que dá acesso à cozinha.

Primeiramente, é servida uma típica salada da região. Para temperá-la, sal e azeite grego que, segundo Seu Trasso (como é chamado), é o melhor de todos. Em seguida, você pode escolher alguma das opções do dia.

Como estava acompanhado por amigos, consegui experimentar um pouco de cada prato como o mussaká (foto - torta de berinjela, batata e carne), risoto de frutos do mar, lula recheada e o misto – um pouco de cada prato de frutos do mar.

A conta final (prato mais cerveja) deu cerca de R$ 50,00 por pessoa. Um pouco salgado, né? Mas o tempero do senhorzinho grego foi aprovado, assim como sua simpatia e atenção.

PS: Recentemente, abriu uma filial do restaurante Acrópoles nos Jardins. Esse é tocado pelos filhos do Seu Trasso. Ainda não fui lá para checar se o tempero é repassado também pelo DNA.

Restaurante Acrópoles
Rua da Graça, 364
Bom Retiro – São Paulo
Telefone: (11) 3223 4386

Rua Haddock Lobo, 885
Jardins – São Paulo
Telefone: (11) 3063 3991
Site:
http://www.restauranteacropoles.com.br

quarta-feira, 3 de junho de 2009

AO PÉ DO OUVIDO // Um livro, um show, um disco

Por Rosualdo Rodrigues

1 ) Ontem teve lançamento, no CCBB de Brasília, do livro Renato Russo - O filho da revolução, de Carlos Marcelo, colega do Correio Braziliense. Mal comecei a ler, mas já achei bem interessante. Quando se pensava que não havia mais nada para dizer sobre Renato, Carlos Marcelo traça uma interessante relação entre o músico e Brasília, relacionando a história pessoal com a da época. Chega sábado às livrarias.

2 ) E aproveitando a passagem de Olivia Byington por nosso EU RECOMENDO, aproveito para reforçar: ela apresenta A vida é perto, sábado e domingo, no Teatro da Fecap, na Liberdade, em São Paulo. Aliás, corrigindo o horário: sábado é às 21h e domingo, às 19h. O repertório é o do ótimo disco Perto e mais um pouco. De bossa nova a Björk, de Gilberto Gil e Caetano Veloso a Pense em mim, de Leandro e Leonardo, tudo em versão bem intimista. Ela e o violão.

3 ) Depois de um livro e um show imperdíveis, um disco: o novo de Ná Ozzetti, Balangandãs, em que ela canta músicas do repertório de Carmen Miranda. O mesmo repertório do show que ela apresentou aqui no Teatro da Caixa. Com seu jeito todo pessoal de cantar, Ná mostra como A Pequena Notável ainda é moderna. Depois volto ao assunto.

terça-feira, 2 de junho de 2009

GASTRONOMIX // A boemia passa pelo Leite


Ambiente discreto e acomchegante em tons esverdeados
Em Recife, quem foi ou é boêmio já se sentou à mesa do Restaurante Leite. Em visita recente à cidade, não pude deixar de passar por lá. Não que seja um autêntico, mas queria me encontrar com a boemia local. E assim, foi.

Estava com Carolina Oliveira, uma colega de trabalho, que, no início, não botou muita fé de ficarmos no local. Estava cheio para um rápido almoço. Os 160 lugares ocupados. Pelo que já li por aí, o Leite sempre enche. O restaurante é um dos mais antigos do Brasil em funcionamento. Quiçá o mais. Existe desde 1882 e foi fundado pelo português Armando Manoel Leite de França. Já passaram por aquelas mesas personalidades importantes como Assis Chateaubriand, Juscelino Kubitschek, Jean-Paul Sartre e Orson Welles.

Além da atenção do staff (contei 13 garçons), você é recepcionado por uma armadura de metal bem em frente à porta. Talvez, ela ganhe vida se algum engraçadinho sair sem pagar a conta. Aprumados em um canto com boa visão do Leite, fomos atendidos rapidamente. Para começar os “trabalhos”, um couvert farto e simpático (R$ 4,80 por pessoa) e uma taça de Martini (R$ 8,50).
Couvert tradicional e bem servido para duas pessoas

Martini com receita original
Papo vai, papo vem. Pedimos o almoço. Eu, um risoto com uma carne vermelha com molho de funghi. E Carol, um frango ao molho roquefort e um risoto à piamontesa. Estava gostoso, mas esperava um pouco mais. Talvez possa ter sido a enorme quantidade de arroz (não próprio para risoto).

Frango com roquefort e risoto à piamontesa

Carne com molho de funghi e risoto de cogumelos
A sobremesa foi devorada em poucos minutos: uma legítima cartola – banana, queijo coalho, açúcar e canela salpicados – acompanhada de sorvete de creme. Essa sem retoques.

Esse parto tem apenas meia porção da cartola

Se você for à Recife, vale uma visita ao Leite. Parece que você está num encontro de intelectuais que conversam embalados por drinks. Sua tradição, sua decoração antiga (bem cuidada, com móveis de mais de 70 anos), o atendimento e a comida valem o ingresso. É bom fazer parte dessa longa história.

Restaurante Leite
Praça Joaquim Nabuco, 147
Santo Antônio – Recife
Telefone: (81) 3224 7977

segunda-feira, 1 de junho de 2009

EU RECOMENDO // Um lugar no Jardim Botânico


Por Olivia Byington (* )
Convidada especial do Gastronomix

No passado, ele se chamava Lulu e sua dona, Nicky Chaves Barcelos, já servia bons quitutes da cozinha italiana com o charme diferenciado de mulher na cozinha. Depois veio a sociedade com o ilustre carioca João Luiz Garcia (o mesmo que deu nome ao delicioso Garcia e Rodrigues, point gastronômico do Leblon) e, juntos, transformaram o Lulu no Lorenzo Bistrô.

Em meio à paisagem bucólica do Jardim Botânico, os cariocas que adoram comer bem sem pompas e salamaleques ganharam o lugar mais agradável do Rio nos dias de hoje. Lá já encontrei Ed Motta, Renato Machado, Paulo Bertazzi, Vic Muniz, conhecidos apreciadores de bons vinhos e boa mesa.

O casal, que sempre viajou muito e tem enorme bom gosto, conseguiu fazer com charme um cardápio extremamente equilibrado e apetitoso. Começando pela cabeça de alho assada no couvert onde os dentes graúdos de alho se soltam de dentro da casca para se juntar à focaccia e ao grissini delicadíssimos feito in loco. Nas entradas, sugestões clássicas de bistrô, como steak tartare e les oeufs pochés, se apresentam ao lado de misturas ousadas como o Vitello Tonnato, rosbife de vitela com molho de atum, alcaparras, limão e parmesão.

Pratos principais de peso, como Boeuf Bourguignon (onde Janjão declara sua parceria com o papa da culinária francesa Paul Bocuse) e um já lendário Poulet rôti, cèpes et oignons caramelisées que corre a fama de ser melhor ou tão bom quanto o do L’Ami Louis de Paris. Uma sobremesa que leva os amantes do açúcar ao êxtase é o Cheese cake de banana com sorvete de baunilha.

Os vinhos mereceriam uma coluna exclusiva para eles, pois o nosso amigo Janjão é enófilo de primeira e foi buscar no Vale da Leyda a 14 km do oceano pacífico no Chile, sua “Single Vineyard Vintage Selection”, que é uma ‘assemblage’ de castas típicas de Bordeaux: Cabernet Sauvignon, Cabernet Franc, Syrah e Carmenere. O rótulo leva o nome do casal Nicky e Janjão. Custo benefício dez, com charme e boa gastronomia de sobra.

Lorenzo Bistrô
Rua Visconde de Carandaí, n° 2
Jardim Botânico - RJ
(21) 3114 0855
(21) 2294 7830

( * ) Olivia Byington é cantora e lançou recentemente o CD Perto (já comentado na coluna Ao Pé do Ouvido, aqui no blog). O disco traz parte do repertório do show A vida é perto, que ela apresenta nos próximos sábado e domingo em São Paulo, no Teatro Fecap (Liberdade), às 19h. Imperdível.