quinta-feira, 21 de maio de 2009

GASTRONOMIX// Cafe del Sol e Cuidadela


GIJÓN (Espanha) - Saí do almoço no Casa Zabala com a idéia de achar um lugar para tomar café. Andando de acordo com o vento, passei por lugares bem bonitos como esse da foto: Campiños de Begoña. Ao lado, tem um parque com o mesmo nome. Puxa, que jardim lindo. Parece até que a vida anda mais devagar em lugares assim.



Encontrei o modernoso Cafe del Sol (com wi fi, uma gl[oria para quem está pagando cerca de R$ 30,00 a hora no hotel). Aconchegante e despretensioso. Há partes do piso em vidro. Debaixo, dá para ver areia e uma decoração com motinos marítimos. Num segundo ambiente, o amarelo grita. Paguei 1,30 euros pela dose do expresso forte

À noite (em Gijón, o dia escurece às 22h), esqueci a máquina no hotel. Mas vale a pena anotar essa dica também. É outro restaurante com classificação especial. Chama-se Cuidalela. O nome já diz tudo. O restaurante parece uma pequena cidade pequena. Cada ambiente representa uma parte da cidade. A decoração é bem rústica e lembra aqueles filmes europeus antigos em que aparecem tabernas. Comi um magret de pato com molho de frutas vermelhas, servido com batata palha e maçãs cozidas (18 euros) e tomei uma taça de vinho tinto (2,50 euros).

Cafe del Sol
San Bernardo 87
Gijón – Espanha
Telefone: 984 190 528

Cuidadela
Capua 7
Gijón – Espanha
Telefone: 985 347 732

GASTRONOMIX // Mariscos no As de Picas


GIJÓN (Espanha) - É isso mesmo: As de Picas. Traduzindo do espanhol é Ás de Copas. Quando o simpático presidente da Sociedade Internacional de Bioética, Dr Marcelo Palacios, disse onde jantaríamos na terça me deu uma crise de riso. Ninguém entendeu nada, claro. E também não dei explicações da minha gargalhada. O povo deve ter pensando que sou doido. Paciência, né? Galhofas a parte, recomendo o As de Picas. Todos vão gostar.

A especialidade desse restaurante ao lado de um cassino é frutos do mar. Mas logo na entrada, eles quiseram mostrar por que a Espanha é a terra do jámon (presunto). Uma entrada simples, mas deliciosa. Tomates temperados com flor de sal e azeite extra-virgem e fatias de presunto em cima.


Na sequência, foi servido um mix de camarões e lagosta em cama de batatas com ervas. Comi também um peixe ao sal com cogumelos. O interessante é o preparado dele. Faz-se uma crosta de sal grosso em ambos lados, coloca-se na geladeira e, antes de cozinhar, quebra-se essa crosta. O sal não penetra na carne do peixe, mas deixa-o bem temperado.

Para sobremesa, um cheesecake. O casal de norte-americanos, de Chicago, deixou o doce pela metade. Realmente, estava sem graça. Esse foi o único porém do menu. Pelo fato de sermos palestrantes do Congresso Internacional de Bioética, pagamos apenas 22 euros, com direito a vinho à vontade. Que beleza!!!

As de Picas
Padilla 4
Gijón – Espanha
Telefone: 985 362 936


quarta-feira, 20 de maio de 2009

AO PÉ DO OUVIDO // Música para coquetéis

Por Rosualdo Rodrigues

O Nouvelle Vague pode não ter sido o primeiro, mas foi quem detonou a onda de regravações de pop e rock em versões, digamos, para trilha sonora de coquetel. O grupo francês – na verdade um coletivo de músicos, com vocalistas que se revezam – lançou dois discos com músicas dos anos 80 completamente transformadas. Joy Division, The Cure, Echo and the Bunnymen, Blondie... Tudo virou bossa nova, jazz ou qualquer coisa mais amena nas mãos do Nouvelle Vague.

Não sei o que os roqueiros ortodoxos pensam a respeito, mas acho divertido e de bom gosto. E um monte de gente também. Tanto que daí vieram centenas coletâneas de lounge, cada uma trazendo uma novidade. Uma que acaba de sair, Sarau – Casa do saber, tem uma versão de Never there, do Cake, meio sambinha, vocal feminino, supercool, e Lithium, do Nirvana, feito chorinho. Outra coletânea, Hotel Emiliano, traz Born to be alive, sucesso dançante dos anos 70, de Patrick Hernandez, quase irreconhecível.

Tem outros discos ótimos, como Martini Time Vol. 3 - Exotic lounge and jazz treats for cocktails, que traz Spinning wheel, do George Michael, Message in a bottle, do The Police, e Dancing queen, do Abba, todas deliciosamente vestidas para um drink no fim de tarde. Outra, L'aperitivo italiano style, faz o mesmo com Can’t get you out of my head, de Kylie Minogue, Please, please, please, let me get what I want, do The Smiths, e Psycho killer, do Talking Heads. Imperdíveis.

E não dá para não falar do Montefiori Cocktail, dupla de irmãos italianos, Francesco e Federico Montefiori, que desde 1997 cultiva a mania de pegar tudo quanto é música e dar uma roupagem anos 50, 60... De Jump, de Madonna, a Seven nation army, do The White Stripes. De Crazy, do Gnarls Barkley, a Light my fire, do The Doors.

Fiz uma listinha de 10 mais do gênero:

1. Crazy (de Gnarls Barkley), Montefiori Cocktail
2. Born to be alive (de Patrick Hernandez), Julie Depardieu & Moto
3. Blue monday (de New order), Nouvelle Vague
4.This is not America (de David Bowie), Juliette Lewis
5. Never there (de Cake), Vanessa Falabella
6. When doves cry (de Prince), Nadeah
7. Material girl (de Madonna), Cassandra Beck
8. Billie Jean (de Michael Jackson), Jamie Lancaster & Karen Souza
9. Love will tear us apart (de Joy Division), Nouvelle Vague
10. Call me (do Blondie), Skye

Para quem quiser ouvir na internet:

Martini Time Vol. 3 - Exotic Lounge and Jazz Treats for Cocktails
http://www.emusic.com/album/Montefiori-Cocktail-Martini-Time-Vol-3-Exotic-Lounge-and-Jazz-Treats-MP3-Download/11336178.html
L'Aperitivo Italiano Style
http://www.emusic.com/album/Montefiori-Cocktail-L-aperitivo-Italiano-MP3-Download/11083547.html
Nouvelle Vague
http://www.nouvellesvagues.com/

terça-feira, 19 de maio de 2009

GASTRONOMIX // Gijón, fabada e sidra...


Gijón é muito simpática. De clima ameno, a cidade tem um parque belíssimo, chamado Isabel La Católica, cheio de patos, lagos, pontes, esculturas e muitos bancos para desfrutar o dia. Atravesso-o todos os dias. Caminho do hotel até o Palácio dos Congressos, onde está acontecendo o VI Congresso Mundial de Bioética, que participo.

Antes de embarcar para Gijón, perguntei ao meu colega de trabalho, o jornalista Wladimir Gramacho, que já morou por essas bandas da Espanha, o que era mais tradicional na gastronomia daqui. Ele me disse que não poderia deixar de comer fabada e tomar sidra, um espumante feito de maçã.

A fabada (foto) está provada e aprovada. É uma espécie de feijoada “espanhola”, mas feita com feijões grandes e brancos com algumas carnes e lingüiças. Bem saborosa. Há um caldo em que esse feijão é cozido igualmente saboroso. Acreditem, consegui a receita da original (depois passo)!!! Ainda não consegui tomar sidra, por conta do ritmo intenso do congresso.

Na primeira noite, o grupo de bioeticistas foi para o restaurante Amalur, que está no Hotel Abba Playa Gijón (4 estrelas). Estava meio tímido para pegar a máquina e registrar os pratos do jantar com mais de 20 dos maiores especialistas mundiais em Bioética. Só no dia seguinte, perdi esse pudor e tirei fotos (ahhh, tirei mesmo) na hora do almoço, que foi no mesmo restaurante do jantar. Chamou minha atenção o tempero picante da azeitona. Parecia mergulhada numa sardela. Vejam a sequência que foi acompanhada pelo vinho Viñas Del Vero 2008 (Cabernet Sauvignon e Merlot):

Azeitonas temperadas

Manteiga com damascos para os pães

Salpicão de peixe e lagostins com molho especial Amalur

Baby porco assado no formo com salada

Torta especial de amêndoas

À noite, o grupo latino americano de especialistas, do qual faço parte, foi ao Parador Molino Viejo – uma casa tradicionalíssima na Espanha com 80 anos de vida. O ambiente é interessante, pois o restaurante funciona num antigo moinho – reformado para abrigar um hotel. A decoração é clássica; as mesas, bem postas e os lustres, com estilo europeu e medieval.

A tradição de uma boa comida foi comprovada com o confit de pato, extremamente macio. O atendimento também é impecável. Duas pessoas para atender cada mesa. Não dei conta de comer a sobremesa, mas tomei um café expresso esplêndido, da Guatemala

Salada de bacalhau, laranja e vinagrete de beterraba

Confit de pato com alcachofras

Amalur
Hotel Abba Playa Gijon
Avenida Doctor Flemming, 37
Gijón - Espanha
Telefone: 985 000 000

Parador Molino Viejo
Parque Isabel La Católica s/n
Gijón - Espanha
Telefone: 985 370 511

GASTRONOMIX // Salada de espinafre, rúcula e pêra

Esta receita é supersimples para ser servida como entradinha em algum jantar. Já até falei dessa salada aqui (ver post dia 5 de maio). Prometi repassar como fazê-la. Ela é superrefrescante e combina com molho picante, do qual também darei a receita. Vamos lá, sem enrolações:

Ingredientes

Salada
- 1 maço de rúcula
- 1 maço de agrião
- 2 pêras maduras cortadas em quartos
- 1 cebola roxa pequena cortada em cubinhos
- Pimenta rosa moída na hora
- Suco de dois limões sicilianos
- 100 gramas de nozes
- Lascas de parmesão
- croutons a gosto

Molho
- 2 colheres de sopa de de aceto balsâmico
- 1 colher de sopa de vinagre de framboesa
- 1 colher de sopa de mostarda dijon
- ½ dente de alho picado
-1/2 colher de chá de sal
- ½ colher de chá de pimenta

Preparo

Salada
Lave bem as folhas. Corte as pêras em fatias de 1 cm. Coloque os pedaços de fruta numa vasilha pequena com pimenta moída na hora e 1 colher de suco de limão, para a pêra não escurecer. Em outra, misture a cebola e o restante de suco de limão para marinar um pouco.

Disponha numa saladeira um punhado de espinafre, rúcula e as pêras. Jogue um pouco do molho e as cebolas por cima. Raspe na hora uma lasca de parmesão e acrescente alguns croutons. Está pronta a sua salada.

Molho
Junte todos os ingredientes num pote, tampe, agite bem para misturar. Experimente e regule sal e pimenta a gosto.

Rendimento
8 porções

segunda-feira, 18 de maio de 2009

EU RECOMENDO // Vá ao Ribouldingue em Paris


Por Josimar Melo (*)
Convidado especial do Gastronomix

“Já falei desse lugar, na Folha de S.Paulo, em blog, por aí. Mas não custa repisar. Quem for a Paris, reserve um tempinho para visitar o restaurante Ribouldingue. Por quê? Porque é gostoso, fica numa casa simpática, não é caro – coisas que existem aos montes em Paris. Mas também porque ele é o único que eu conheço que é especializado em miúdos e outras partes menos festejadas dos animais.

A cultura humana convivia com a morte dos animais de uma forma respeitosa: se eles serão abatidos para nos alimentar, tudo deve ser usado. Mas como a raça humana tem uma capacidade espantosa de andar para trás, foi se tornando comum uma noção esnobe de que só devemos comer as partes “nobres” dos animais (em geral aquelas que “cansam menos” o paladar). E o resto vai virar ração para outros bichos que nem carnívoros são.

Pois no Ribouldingue, tudo se aproveita. Ou melhor, as partes “nobres” nem aparecem, ficam em algum outro lugar para os pretensos nobres; e o que fica para nós, clientes, são os deliciosos, nutritivos e baratos miúdos. Foi o que constatei num jantar – infelizmente fotografado porcamente com um celular – onde provei: terrine de pele de porco; miolo de cordeiro à meunière (com alcaparras e alho crocante); testículos de cordeiro com batatas; ris de veau (timo de vitelo) na frigideira, com legumes de outono; um queijinho (tomme de Savoie) com salada. E para beber, um Corbières baratinho, La Pompadour, Castelmaure 2005, 23 €. Vá lá”.

Ribouldingue
10, rue Saint Julien le Pauvre
Paris 5
Telefone: 01 46 33 98 80

(*) Josimar Melo é jornalista, crítico gastronômico da Folha de S.Paulo, diretor do site
Basilico (http://www.basilico.com.br), autor do Guia Josimar Melo e de um monte de coisas mais.

domingo, 17 de maio de 2009

GASTRONOMIX // Diretamente da Espanha


GIJÓN (Espanha) – Holla, que tal? Acabo de desembarcar no país das tapas e da cava. Vim pra cá, pois sou palestrante, o único brasileiro, do VI Congresso Internacional de Bioética, que acontece na cidade de Gijón (norte da Espanha), entre os dias 18 e 22. Farei uma palestra em inglês sobre Pobreza, Bioética e Imprensa – como a mídia brasileira vê os excluídos. Fico na Espanha por 15 dias. Aqui para o norte, o tempo está nublado.

Nesse período,o blog Gastronomix continua com força total e sendo atualizado todos os dias. Deixei textos e fotos prontos para as próximas duas semanas. Contarei com a ajuda do nosso colunista de música, Rosualdo Rodrigues, para inserir os posts. Depois de Gijón, desbravarei pela terceira vez Madrid e Barcelona.

Meu olhar para essas cidades, com certeza, será diferente. Quando vim pra cá, já curtia gastronomia, porém não era muito íntimo dela. Prometo anotar e fotografar lugares legais para, em seguida, dividir as dicas para quem vier por essas bandas. Quem sabe, até durante a viagem, passo por aqui para atualizá-los.

Abraços e continue nos acompanhando...

Dois pontos:
- Fui lanchar em Garulhos e já havia mês esquecido como é caro comer em aeroporto. Não sei qual a explicação de preços tão exorbitantes. Paguei R$ 5,00 por uma lata de Coca-Cola e R$ 8,50 por um croissant de presunto e queijo. Com três mordidas, o bicho acabou.

- No embarque, presenciei uma cena inusitada. Cerca de 40 mulheres vestidas de camisa rosa com uma marca de cosmético estampada no peito, todas muito falantes, entraram no avião e sentaram nas poltronas perto de mim. Minha gente, parecia que a convenção era ali mesmo. Uma falação alta, regada a uma mistura de perfumes. Como dizem os baianos, Afe Maria.