terça-feira, 7 de abril de 2009

AO PÉ DO OUVIDO // Música para sair de órbita

Por Rosualdo Rodrigues

Procuro evitar discursos que me façam parecer mais velho do que sou, do tipo “antigamente era melhor” ou coisa parecida. Mas que o mundo está cada vez mais doido, ah isso está. E cansativo. Há excesso de informação visual e auditiva, excesso de carros nas ruas, de compromissos sociais, de decisões a tomar (açúcar ou adoçante? débito ou crédito? à vista ou parcelado?...), de contas a pagar, de assuntos sobre os quais refletir... E cadê tempo para tudo isso? Alguém sabe dizer aonde estamos indo com tanta pressa? Se existisse um Detran intergaláctico, o planeta Terra seria multado por estar acima da velocidade permitida, podem apostar. Mal amanhece e já é noite, fechamos os olhos para dormir e o despertador já está tocando.

Por isso existe um tipo de música que considero parte essencial do kit de sobrevivência de qualquer um que não seja um iogue ou não disponha de tempo e dinheiro para se recolher a um lugar paradisíaco com frequência. Música suave. Música que foge do tuntistun eletrônico, das distorções de guitarras, do baticum percussivo... Música que desacelera, que acalma. Há quem não suporte canções demasiadamente lentas, arranjos de apenas voz e mais um ou dois instrumentos. Acha triste, deprimente... Claro, a impaciência é parte dos dias de hoje. Além disso, música alta, acelerada, eletrizada tende a nos colocar para fora, dançar, cantar junto, sair de nós mesmos. Música lenta e suave nos faz introspectivos, reflexivos, provoca reminiscências e ruminações. E dar de cara com nós mesmos pode não ser uma experiência agradável.

Pensando nisso, comecei a lembrar músicas que de tão delicadas nos tiram de órbita e nos fazem esquecer o caos lá fora. As de que lembrei, listei abaixo. Recomendo ouvir qualquer uma delas na penumbra. A mistura de clássico, jazz e música brasileira é intencional, pois acredito que a riqueza e beleza melódica dessas composições as equiparam. E quem quiser que pense em outras...

1 Air, da Suíte nº 3, de J. S. Bach
2 I Vitelloni, Nino Rota
3 Born to be blue, Chet Baker
4 Um girassol da cor do seu cabelo, João Donato e Vanessa da Mata
5 1ª Suíte Brasileira I. Uma Velha Modinha, Camerata de violões
6 Voz e suor, Nana Caymmi e César Camargo Mariano
7 Resignation, Brad Mehdal
8 Senhorinha, Mônica Salmaso
9.La valse d’Amelie (Piano version), Yann Tiersen
10. Open montage (One from the heart), Tom Waits e Crystal Gayle

Ilustração: Erick Motta
www.designup.pro.br/pro/erickmotta

GASTRONOMIX // Ceviche, rápido e gostoso


Foto de um ceviche original, peruano, servido com milho cozido

Alguns países da América Latina disputam a paternidade do ceviche. No fundo, cada um deles tem sua receita. Mas pesquisando, a origem do prato mais próxima é no Peru. Não à toa, a culinária peruana está em alta.

A riqueza das comidas do Peru salta aos olhos de quem aprecia o bom paladar. Na cozinha, há uma mistura de temperos nacionais e outros ingredientes, devido a várias influências como a herança inca, os sabores africanos picantes trazidos pelos escravos e os temperos asiáticos dos chineses e japoneses, que ajudaram na construção da agricultura do país. Tudo isso vai para uma mesma panela. E aí, é só se deliciar.

Na minha casa, quis dar vazão a essa onda peruana e resolvi fazer uma versão de ceviche, um prato frio à base de peixe cru temperado com ingredientes específicos, todos misturados com caldo de suco de limões. O preparo é rápido. Pode ser feito na hora ou preparado de véspera. Quando for servir, use taças de martinis, potinhos ou pequenos pratos. É ótimo de entrada.

Ingredientes
Ceviche

- 200g de peixe branco picado
- 200g de salmão
- 100g de azeitona preta sem caroço
- 1 cebola roxa média picada em cubos bem pequenos
- 10 hastes de coentro (a gosto)
- 5 hastes de cebolinha (a gosto)
- 2 dentes de alho picados
- 2 pimentas dedo de moça
- 3 a 4 limões

Vinagrete de Maracujá
- 2 colheres de sopa de mostarda
- 1/2 xícara de chá de polpa de maracujá
- 1 xícara de chá de mel
- 1/2 xícara de chá de azeite
- pitada de sal

Rendimento: 4 porções

Preparo
Ceviche

Corte os peixes em cubos de 3 cm de lado. Reserve. Num refratário, coloque a cebola picada, azeitona preta, o coentro e a cebolinha picados, o alho, as pimentas dedo de moça também bem miudinhas e o suco de três a quatro limões. Misture bem. O suco de limão “cozinha” um pouco o peixe cru e os outros ingredientes vão se encaixando nesse sabor.

Vinagrete de Maracujá
Misture numa tijela pequena mostarda, polpa de maracujá, mel, azeite e
pitada de sal. Reserve.

Montagem

Pegue prato pequeno, taça de Martini ou um prato chapéu, coloque uma porção de ceviche e em volta ou por cima, junte um pouco do vinagrete de maracujá. Dá um toque especial.
Simples, chique e fácil, né?

Dois pontos:
(1) Quem quiser conhecer um pouco mais sobre a gastronomia peruana é só clicar aqui

(2) Em breve (fim de abril), em Brasília, será aberto o El Paso Latino, Ceviches & Latin Food. O dono do El Passo Texas, o peruano David Lechtig está investindo na ampliação do cardápio. Leia mais na matéria do site Quero Comer.

segunda-feira, 6 de abril de 2009

EU RECOMENDO // Frutos do mar em Barcelona


Por Pedro Landim (*)
Convidado especial do Gastronomix


“Frutos do mar vivos, criaturas frescas do Mediterrâneo a preço de fast food, a poucos metros da Sagrada Familia, o monumento fantástico de Gaudí em Barcelona. Foi um achado imperdível numa cidade que me hipnotiza. A'marisquería' La Paradeta é um misto de peixaria e restaurante 'bandejão', onde o cliente escolhe no gelo o que deseja comer - muitos dos moluscos e crustáceos estão vivos e se mexendo -, pesa na balança e aguarda o chamado.

Não há cardápio e tudo é feito conforme a tradição da casa. Os bichos marítmos são grelhados, fritos, salteados, com molhos de tomate ou azeite, alho e ervas, dependendo da escolha. Come-se com fartura, bebe-se vinho e, no final, a conta fica ali pelos 15 euros.

O ambiente é simples, lembra o de uma lanchonete. Há pessoas de todos os tipos e idades, famílias comendo com as mãos e chupando os 'ossos' de caranguejos e lagostins como se fossem galetos.

Quer dizer, o programa é completo: após explorar a Sagrada Familia e subira escada infinita que leva à torre, vai bater aquela conhecida fome deviagem. Pergunte na praça pelo restaurante. Fica ali pertinho, numa rua estreita e escondida chamada Calle Comercial. E prepare-se para uma encantadora viagem ao fundo do mar.”
La Paradeta
Passatge Simó 18, 08013
Sagrada Família - Barcelona (Espanha)
Telefone: 93 450 01 91
Site:
www.laparadeta.com

(*)Repórter de cultura e gastronomia do jornal carioca O DIA, Pedro Landim adora cozinhar, comer e falar sobre comida. No jornal, assina a coluna Boca no Mundo, publicada às terças-feiras no Guia O DIA - Michelin de Viagem. Na internet, conta suas aventuras culinárias no blog http://odia.terra.com.br/blog/bocanomundo.

domingo, 5 de abril de 2009

GASTRONOMIX // Contemporâneo de primeira


Numa esquina de Goiânia, uma casa ganhou corpo e virou um restaurante. O espaço é cheio de bossa. As mesas externas são dispostas perto de um belo jardim com flores e árvores e de uma ex-piscina, atual lago, que refresca o ambiente. Há também mesas na varanda e no espaço interno, onde fica a adega com mais de 500 tipos de vinho.

Estamos no Contemporane, antigo restaurante Naturale que recebeu um novo cardápio com toque mais moderno. Atualmente, são servidos 60 pratos da cozinha nacional e internacional. Há sanduíches, massas, risotos, carnes e entradinhas. Não experimentei, mas olha que legal: casquinha de robalo e de bacalhau (R$ 9,90). Quem quiser ainda tem sushi e sahimi.

Comecei pelo meu drink goiano predileto: o Cozumel, feito com cerveja, suco de limão, gelo e sal na borda (R$ 8,90). Tento reproduzir em casa e quase nunca consigo chegar ao mesmo ponto. Tem um quê de Margarita.

Éramos seis pessoas para almoçar. Cada qual pediu um prato diferente para alegria dos leitores do Gastronomix. Assim, a galera pode conhecer mais opções do cardápio.

Robalo Contemporane (R$ 54,90)
Filé de robalo com camarão e arroz com manga, shimeji, champignon, alcaparras, camarão. Acompanha pêssego balsâmico e purê de mandioquinha

Filé Primavera (R$ 33,90)
Filé mignon grelhado ao molho madeira, seleta de legumes e arroz integral ao vinho tinto

Bacalhau de Gala (R$ 36,90)
Bacalhau desfiado, tomates, cebolas, alcaparras, champignon, pimenta de cheiro, batata palha. Acompanha arroz branco ou com brócolis e batatas douradas

Filé Dijon (R$ 36,90)
Filé mignon grelhado ao molho de mostrada Dijon, tomate cereja marinado com ervas e alho. Acompanha arroz com brócolis

Filé Provence (R$ 33,90)
Filé mignon recheado com provolone ao molho de alecrim, legumes, galete de batatas. Acompanha arroz à Piamontese

O restaurante serve para quebrar algumas imagens equivocadas que algumas pessoas têm da cidade. Há sim comida regional de qualidade, assim como contemporânea.
Contemporane
Avenida T-12, nº 31
Setor Bueno – Goiânia
Telefone: (62)3281 6268
www.contemporane.com.br

sábado, 4 de abril de 2009

GASTRONOMIX // Cursos e degustações em abril


Uma noite de vinhos franceses
O sommelier francês Manuel Brandão vai apresentar seis vinhos franceses na Associação Brasileira de Sommeliers – Brasília. A degustação é de vinhos Bordeaux e Cahors, referência para todos os amantes da bebida. Para quem se interessar, anote aí:

1 - Malbec de France - AOC Cahors
2 - Chateau Fontblanche 2006 - AOC 1° Côtes de Blaye
3 - Impernal 2002 - AOC Cahors
4 - Chateau D Arvigny 2004 - AOC Haut Medoc
5 - Le Paradis 2001 - AOC Cahors
6 - Chateau Beauregard Lagupeau 2005 - AOC GRAVES

Data: 7 de abril de 2009
Horário: 20h
Local: Auditório da Administração do Pátio Brasil Shopping
Valor: R$ 35,00 (sócio) e R$ 80,00 (não-sócio)
Vagas: 40

Para quem aprecia a enocultura

Promovido pela ABS-Brasília, o Curso Básico de Vinhos tem seis aulas. Sempre uma vez por semana, com parte teórica e prática. Os alunos que assistem, no mínimo, a quatro aulas recebem certificado.

Data: Sempre às quintas-feiras, 16 de abril (início)
Local: Auditório da Administração do Shopping Pátio Brasil
Valor: R$ 330,00 (sócio) e R$ 360,00 (não sócio)
Horário: 19h30 às 22h00Telefone: (61) 3323.5321 ou 3322.7138
Site:
www.abs-brasilia.com.br
E-mail: abs@abs-brasilia.com.br


Primeiros passos na cozinha
A Escola de Gastronomia de Brasília oferece, nesse mês de abril, uma série de minicursos com preços promocionais (R$ 100,00). Nas aulas, os professores-chefs ensinam as receitas etapa por etapa e, no fim, os alunos-aprendizes podem degustar o prato. Há desde receitas espanholas a tailandesas e, é claro, pratos do cotidiano.
Veja a lista dos cursos no site Quero Comer.

Escola de Gastronomia de Brasília
Local: CLS 201 bloco B loja 9 – Asa Sul
Telefone: (61) 3226-5650
Funcionamento: segunda a sábado, 14h30 às 17h30 e 20h às 23h.

Aprenda a fazer delícias com bacalhau e chocolate
A Escola Madame Aubergine, em São Paulo, está com aulas bem interessantes para quem quer variar as receitas na época da Páscoa. Além disso, há outras opções para o mês. Confira outras informações no site
www.madameaubergine.com.br.

Dia 07/04 - 3ª f. - Bacalhau especial de Páscoa!
Aula demonstrativa com a Chef Clara Olivi e haverá degustação de três receitas:Torta dourada de bacalhau; Bacalhau à Mariazinha com pilaf de arroz basmati e mix de alfaces crespas roxas e brancas; Salada de bacalhau com cebolas confit e azeite de coentro, com brusquetas no alho e azeite.
Valor: R$ 161,00

Dia 08/04 - 4ª f. - Chocolate, chocolate: festival de bolos! Aula demonstrativa com a Chef Bruna Borrego, degustação das três receitas: - Bolo de chocolate com glacê; Bolo quádruplo de chocolate; Bolo de chocolate com gengibre
Valor: R$ 134,00.

As aulas acontecem sempre a partir das 19h30.
As degustações servem porções individuais para cada aluno.
Telefone: (11) 3168 7389.
E-mail:
contato@madameaubergine.com.br

sexta-feira, 3 de abril de 2009

DRINK_ME // O contexto, o preparo e a alma do drink


Por Juliana Raimo

Com pouco tempo de "drink women" (pois sou apenas apreciadora do assunto), comecei a perceber que o drink, assim como um bom prato de comida, tem sua alma. Por que duas pessoas, seguindo a mesma receita, o mesmo livro e com os mesmos ingredientes, conseguem fazer dois drinks tão diferentes?

O drink perfeito é aquele preparado com seriedade, adequado a um contexto (lugar, situação, clima) e que tem um responsável por seu preparo, que o finaliza com um toque de emoção.

Falo isso por experiência própria. Todas as vezes que preparei um drink por obrigação, com certa pressão ou num momento não inspirador, saiu terrível. Claro que um profissional da área não tem este luxo de escolher quando ele quer ou não preparar um drink, mas você ou alguém que apenas curte um bom Dry Martini tem.
Cor do texto
Sendo assim, a dica de hoje é: procure adequar seu drink à situação em que você está no momento. Não adianta preparar um Dry Martini durante o dia numa praia do Nordeste há 40 graus de temperatura ou uma caipirinha de cachaça num evento social chiquetérrimo do seu escritório.

Tem um site muito divertido da marca Patron de Tequila que, para os indecisos, pode ajudar nesta escolha. É super interativo. Entre no link:
www.patrontequila.com, depois acesse Cocktails e Mix me a drink.

Agora, se for você o bartender, procure sempre fazer aquilo que te deixa a vontade, algo que você goste, que beberia e tempere no fim com energia e alegria. Esta é a receita para um drink de sucesso!

quarta-feira, 1 de abril de 2009

GASTRONOMIX // A maravilhosa cozinha de Maria


Maria e Irlam: parceria de 26 anos, que começou por um anúncio de jornal

Marionildes Dias dos Santos é cozinheira de mão cheia. “Gosto de fazer comida simples, do dia a dia”, conta Maria, 56 anos. Em Brasília, há quatro décadas, ela veio de Teresina, com a família, tentar a vida na capital. Ainda adolescente, foi trabalhar ajudando a mãe em uma casa do Lago Sul, região nobre da cidade.

“Foi lá que aprendi a cozinhar. A patroa me mostrava e eu ia vendo”, relata. Vendo, fazendo, copiando receitas, Maria criou suas próprias. Nunca anotou nada. Faz tudo de cabeça. Suas especialidades, segundo ela, são as lasanhas de frango e carne moída, bolo de mandioca e mousse.

Quem tem o prazer de comer diariamente, há 26 anos, a comida caseira de Maria é o jornalista Irlam Rocha Lima, do Correio Braziliense. Irlam é conhecido entre os colegas como pessoa generosa, mas também exigente. Em casa, Maria comprova essa fama. Principalmente, quando cozinha para os amigos dele. Foi o caso na semana passada. Irlam convidou três colegas para um almoço especial.

Começamos pelos bolinhos de arroz. Crocantes, sequinhos e bem temperados. Depois, Maria serviu, já à mesa, uma salada bem caseira: alface, palmito, atum, azeitonas e tomates.

A próxima e mais aguardada etapa é o escondidinho de carne seca com abóbora (veja receita abaixo). O escondidinho da Maria, na verdade, é achadinho. Isso porque ela prefere que os ingredientes – purê de abóbora, carne seca e creme de batata com queijo – sejam servidos separadamente e misturados no prato.

Para finalizar, provamos uma de suas especialidades: uma mousse de maracujá que derretia na boca.

Toda a alquimia de Maria deu certo. As consistências diferentes acentuaram o sabor dos três ingredientes.Tudo quentinho e supersaboroso. Aprovadíssimo. A simplicidade é realmente para poucos.

Escondidinho de carne seca com purê de abóbora

Ingredientes
- 1/2kg de carne seca
- 2 cebolas
- Cheiro verde
-Tempero da Maria
- 600g de abóbora
- Manteiga
- Creme de leite
- Queijo parmesão ralado

Preparo
Ferva por 20 minutos a carne seca. Tire-a da panela e desfie. Coloque na panela duas colheres de sopa de mateira e duas colheres do tempero da Maria. Em seguida, refogue a carne. Mexa.
Coloque o cheiro verde e misture bem.

Para o purê, cozinhe a abóbora em água e sal. Quando amolecer, esmague-a. Junte meia lata de creme de leite, queijo ralado e leve ao fogo baixo até formar um creme homogêneo. Pronto.

Curiosidades
1 – O prato predileto de Irlam, segundo a cozinheira, é bifê role com bacon.
2 – Maria não come carne vermelha. Seu prato predileto é arroz integral e carne de soja. Acreditem!!!