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segunda-feira, 2 de maio de 2016

EU RECOMENDO // Leveza em Paris

Clarissa Aldana (*)
Convidada especial do Gastronomix

“Há alguns dias, tive uma surpresa muito agradável. Fui convidada para jantar no Tradi, um restaurante tipicamente parisiense, estilo bistrô, bem intimista, no qual é servida a boa e tradicional cozinha francesa. Porém, com uma grande e valiosa diferença: uma cozinha leve!

Quem conhece as iguarias do país galo, bem sabe o quanto são divinas, porém sempre acompanhadas de quilos de manteiga, mil molhos... Enfim, por aqui, encontrar um equilíbrio entre a cozinha tradicional e a dieta, é praticamente uma missão impossível! Digo praticamente, porque o Tradi consegue fazê-lo com maestria.


Aconselho vivamente a degustação da ”soupe froide" (sopa fria à base de pepinos), do "daurade royale" (dourado grelhado servido com legumes variados), e do champanhe japonês para acompanhar... Vale salientar a simpatia e atenção dos donos, Pakal & Yohan, que me receberam com muito carinho.

Desde que lá estive, venho tentando me lembrar de outro restaurante francês no qual eu tivesse comido tão bem, sem extrapolar nas calorias! Mas, acredito que antes da minha experiência no Tradi isso nunca tenha acontecido...

Para quem curte sair do circuito turístico permanecendo no coração de Paris, fica a dica1"

(*) Clarissa Aldana é especialista em Comunicação e Estratégias de Luxo.

Tradi Bistro Français
4, rue du Mail – 75002
Paris -  França
Telefone: +33 1 44 82 07 83
tradi@gmail.com
facebook.com ∕ TRADI

segunda-feira, 25 de abril de 2016

EU RECOMENDO // Jantar com a história em Oxford

Rodrigo Orengo (*)
Convidado especial do Gastronomix

Foi como mergulhar em um livro de história e vivenciar os ares da dinastia Tudor até a vida contemporânea de uma das universidades mais prestigiadas do velho continente. Esse foi o sentimento ao sentar à mesa no imponente The Hall, o salão de refeições construído em 1520 para ser o palco de grandes encontros da Christ Church, Universidade de Oxford.
 Ao lado de retratos de Henrique VIII, o fundador, e dos mais proeminentes pensadores que passaram pelos bancos da universidade, uma outra surpresa. A pouco celebrada gastronomia britânica sabe ser encantadora. Um serviço de entrada, prato principal e sobremesa deixou um sabor inesquecível em todos os presentes.

Tive a oportunidade de ter a experiência única ao fazer um curso de Filosofia Política na universidade. Mas é possível agendar visitas e participar de eventos pelo http://www.chch.ox.ac.uk.
CAMARÃO TIGRE, SALADA DE FOLHAS, ABACATE E MANGA, COM PIMENTÃO E PARMESÃO 
MEDALHÃO DE LOMBO ASSADO LENTAMENTE, PURÊ DE MAÇÃS CARAMELIZADAS, REPOLHO E PRETO E O TRADICIONAL BLACK PUDDING 
PUDIM DE VERÃO COM CREME BRULEE DE BAUNILHA E SORVETE DE FLOR DE SABUGUEIRO


(*) Rodrigo Orengo é Chefe de Jornalismo da Rádio BandNews FM Brasília. Apresenta o BandNews Gente Brasília, na rádio, e o BandCidade 1ª Edição, na TV Band Brasília.  Orengo é formado em jornalismo pela PUC/RS, com MBA em Gestão Empresarial pela FGV Brasília. 

segunda-feira, 28 de março de 2016

EU RECOMENDO // Um paraíso escondido no ES

Alan De Nadai (*) 
Convidado especial do Gastronomix

Cresci na serra do Espírito Santo, mas hoje não moro mais por aquelas bandas. Troquei de cidade e de estado, então o que não me falta é saudade. Desde que me mudei os invernos sempre me trazem boas lembranças. Recordo-me do fogão à lenha da minha avó. De ajudá-la a pegar a lenha seca e ascender o fogo para aquecer o corpo. Hoje essas memórias aquecem a alma.

No almoço de domingo, legumes e verduras eram colhidos na horta, e o resto feito pelos meus próprios avós, assim, tudo tinha um gosto especial.
Explico isso porque eu poderia falar sobre qualquer restaurante que visitei em algum outro lugar distante, mas tenho paixão por comida caseira. Por isso me lembrei de que meu lugar favorito não era preferido à toa. Ele fica bem perto de onde cresci.

Domingos Martins e Venda Nova do Imigrante são municípios da região serrana do Espírito Santo, possuindo excelentes opções de hospedagem e gastronomia. A principal atração fica por conta da Rota do Lagarto, composta por cafés e restaurantes, que atendem a todos os gostos, e de onde sempre se vê a exuberante Pedra Azul.
De todos que já visitei naqueles municípios, a Fazenda Saúde me encanta pela culinária despretensiosa e tão caseira quanto a da minha avó. Criado pela família Caliman, o restaurante forma um dos vários agronegócios familiares da região e, ainda, divide espaço com a casa da própria família.

O lugar possui um grande salão aberto, sem paredes, o que permite total contato com a natureza ao redor, sendo possível sentir a brisa fria que sopra na montanha. As mesas compridas e de madeira maciça, formadas a partir de troncos rústicos, deixam tudo com um clima bem italiano, como uma grande mesa de almoço em família. A água, que vem direto da nascente, cai em um tanque bem simples na entrada do restaurante, formando uma pequena piscina de água translúcida, limpa e gelada.

O restaurante ainda possui na decoração alguns objetos antigos da própria família, e outros garimpados na região. A comida, simples e saborosa, me leva diretamente para minha infância.
Do leite se aproveita tudo, faz-se o queijo e a puína, saborosíssimos. A polenta forma aquela casquinha no interior da panela, que, com muita criatividade, após aderir ao seu formato, é usada para colocar os deliciosos bolinhos de arroz frito. Come-se até o prato.

O macarrão é de massa caseira, os legumes os mais frescos possíveis. A polenta frita é feita ali mesmo, na chapa do fogão à lenha, onde o almoço é servido.

O bufê é variado, mas permanece o mesmo desde minha primeira visita, há aproximadamente dez anos.
O restaurante possui uma ampla aérea verde externa, composta por um gramado - que mais parece um grande tapete - jabuticabeiras, goiabeiras, palmeiras e eucaliptos. No centro há uma grande lagoa, refletindo tudo que a vê.

Depois do almoço, não pense que acabou o programa. Deitar-se na grama sob a sombra de uma árvore, ou mesmo sob o sol, sentindo-o aquecer levemente suas roupas, é o que tradicionalmente se faz por lá. Eu, por exemplo, estendo sempre minha toalha para aproveitar esse momento de total desconexão com qualquer problema do mundo.

Os donos, que sempre estão trabalhando no restaurante, são extremamente atenciosos, deixando qualquer convidado ainda mais à vontade. Essa simplicidade e receptividade me faz retornar a este restaurante toda vez que volto ao meu estado, toda vez que sinto necessidade de me reconectar com minhas lembranças e com minha infância. Gostaria que todos tivessem esse canto mágico, que engorda e faz tão bem.

Fazenda Saúde
Rod. Pedro Cola, 4
Venda Nova do Imigrante – Espírito Santo
Telefone: (28) 3546-1528


(*) Alan De Nadai é bacharel em direito. 

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

EU RECOMENDO // Joia asiática do coração de NYC

João Villaverde (*)
Convidado especial do Gastronomix

Quem visita Nova York precisa fazer ao menos um passeio fora dos vários e vários pontos turísticos. Sem pestanejar, caro leitor, indico um: a Union Square. Como morador de NYC nesses tempos de dólar a quatro reais (e subindo...), escrevo essas linhas com grande certeza do que estou falando. Na Union Square, o leitor desse texto encontrará a cidade como ela era há 100 anos, com os prédios centenários sendo ocupados por tudo o que o século XXI tem de melhor: restaurantes com especiarias de todo o mundo a preços justos, uma feira com produtos orgânicos oriundos do próprio Estado de Nova York, quatro quadras (da 14th até a 18th Street) da Broadway voltadas a lojas de design de interiores (a preços camaradas), além da melhor livraria da cidade - a Strand, fundada em 1927.
É nessa região que o leitor encontrará uma joia chamada Republic. O restaurante de culinária asiática (especialmente vietnamita) tem tudo o que você pode querer: fica instalado no térreo de um edifício de apartamentos construído há quase 90 anos, tem iluminação baixa, mesas individuais e para até seis pessoas no começo, próximos ao janelão e mesas comunitárias ao fundo do salão, e decoração minimalista. A comida é bb (boa e barata) e a carta de bebidas é daquelas que te faz anotar os ingredientes do que está tomando para tentar repetir em casa.

Começamos (eu e minha esposa, Bárbara) com as bebidas. Ela escolheu o Asian Basil Lemonade (suco de limão natural, lima, manjericão asiático e açúcar) e eu fui de Vietnamese Iced Coffee (café expresso gelado com uma pitada de leite condensado). As bebidas custaram cerca de 4 dólares cada e todas podem levar ainda uma dose de sake (ou saquê). Há uma série de entradas no menu e se você for decidido a ficar somente nelas, será bem feliz. Mas recomendo fortemente a focar nos pratos principais porque eles são muito bem servidos. Mesmo. 
Bárbara decidiu pelo Seared Marinated Salmon (com limão, arroz com uvas passas, cenouras picadas e nabo). Optei pelo Vietnamese Beef (Noodles de trigo, carne de panela especialmente macia, tomates, cebolinha, broto de feijão e cenoura). Os pratos variam de 13 a 16 dólares e, repito, são muito bem servidos. Se você estiver com muita fome e pular a entrada, ainda assim ficará muito satisfeito.

A comida é servida sem demora, como de costume em NYC, mas não é super rápido. O atendimento solícito torna a experiência ainda melhor. Quando descobrimos o Republic, na companhia do amigo Daniel Omaki (que é fotógrafo e morou em NYC antes de nós), o atendimento fora espetacular. Voltamos um mês depois e a regra se manteve. Tudo isso torna a experiência ainda mais agradável. O Republic fica aberto até a madrugada e é possível experimentar as combinações de drinks que a casa oferece. Há um balcão largo que percorre quase todo o espaço do restaurante, onde é possível se acomodar sozinho, se for o caso.

***
E já que a experiência gastronômica fica completa quando o ambiente externo ao restaurante funciona tanto quanto a dinâmica interna, reforço a sugestão por uma boa caminhada pela Union Square, que fica na Broadway entre as ruas 14 e 15. Há uma estação de metrô dentro da praça (a 14th Street - Union Square, que faz parte da linha amarela). Na própria 14th vale visitar o número 11 no lado East. O prédio que você encontrar serviu de sede para a Biograph, o primeiro estúdio de cinema dos Estados Unidos. O cinema não começou em Hollywood (Los Angeles, Califórnia), mas em NYC e a Biograph foi a responsável pelos primeiros filmes americanos, dirigidos por D.W. Griffith (jogue no Google e no Youtube para assistir. Indico fortemente "The Musketeer's in Pig Alley", de 1912, filmado ali mesmo).

Descendo seis quadras, na 8th, vale visitar o Eletric Lady Studios, criado por Jimi Hendrix em 1970 e onde grandes grupos (como KISS) gravaram discos clássicos. Mais uns cinco minutos a pé, na esquina entre a Grove Street e a Bedford Street, está o prédio onde ficava a casa de Monica Geller, personagem do seriado Friends.
Republic
37 Union Square W,
Nova York – Estados Unidoos
Telefone: +1 212 627 7172

(*) João Villaverde é jornalista e está radicado em Nova York desde janeiro de 2016 como pesquisador na Universidade de Columbia. Estuda na School of International and Public Affairs (SIPA). Nos últimos 5 anos trabalhou em Brasília, para onde voltará quando a experiência em NYC terminar. É repórter de O Estado de S. Paulo, o "Estadão". Foi finalista do Prêmio Esso Exxon-Mobil de Jornalismo em 2015 e ganhou os prêmios de Melhor Reportagem da Agência Estado (2014) e do Estadão (2015). Viciado em cinema e fã de carteirinha do Bar da Dona Onça (SP).

segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

EU RECOMENDO // Cuba, "La Revolucion" gastronômica

Eliane Trindade (*)
Convidada especial do Gastronomix

Cuba costuma ser lembrada mais pelos drinques do que pela comida. Prova disso são as dicas recorrentes aos turistas que visitam a ilha caribenha: provar o mojito da Bodeguita del Medio e o daiquiri do Floridita.

Os dois célebres bares de Havana tiveram Ernest Hemingway (1899-1961) como frequentador assíduo. O escritor americano viveu duas décadas na capital cubana, tempo suficiente para fazer a fama internacional das duas bebidas à base de rum.
Com a suspensão do embargo econômico imposto aos cubanos, os visitantes que se aventuram no território dos irmãos Fidel e Raul Castro agora podem comprovar o fim da penúria também em termos de gastronomia.

Pouco mais de uma década separa as minhas duas visitas a Cuba. Na primeira, a comida era uma nota ruim no rodapé. Apenas começavam a surgir os "paladares", restaurantes autorizados a funcionar em residências e geridos por famílias.

Assim batizados em alusão à rede Paladar, como se chamava o negócio da personagem de Regina Duarte, em “Vale Tudo", prova da paixão cubana pelas novelas brasileiras.
 O mais famoso paladar de então era o La Guarida (Calle Concordia, 318 – Centro Havana), conhecido também por ter sido cenário do filme “Morango e Chocolate".

Ao retornar a Havana em agosto de 2015, desembarquei com várias dicas gastronômicas de amigos recém-retornados da ilha. Uma lista simpática e diversificada que ia muito além dos antigos paladares.
A primeira boa surpresa veio com uma frustração inicial: o restaurante Doña Eutimia (Callejon del Chorro # 60-C, Habana Vieja), localizado em uma charmosa rua sem saída nas cercanias da praça da catedral. 

De cara, eu me deparei com uma negativa peremptória do maître: a casa estava lotada e só atendiam com reserva. Já estavam cheios também para os próximos dias. O jeito foi agendar o retorno para o fim da viagem.E valeu a espera por entradas e pratos bem feitos da cozinha tradicional cubana a preços bem honestos.

Entre eles, o popular Ropa Vieja (a base de carne e molho de tomate) e opções de frutos de mar, como a Mariscada do Chef.Os preços dos pratos variam de US$ 8 a US$ 20, bem mais atraentes do que os valores praticados por restaurantes da mesma categoria e charme em outras paragens.

A viela do Doña Eutimia ainda tem o apelo especial de atrair músicos que passam o chapéu de modo respeitoso e simpático após apresentações na calçada de clássicos da música cubana como os sucessos do Buena Vista Social Club. 
Também em Havana Vieja fica o Los Mercaderes (Calle Mercaderes, 207). Mais caro e em um ambiente mais refinado, oferece um menu rico em pratos da tradição crioula e espanhola da culinária nacional.

Para quem busca sofisticação, uma boa pedida é o Vistamar (Ave. 1a., entre 22 y 24, Miramar). O casarão tem uma linda vista para o mar. O local pratica preços quase paulistanos (uma massa de frutos de mar custa US$ 25, mas de acordo com a relação preço /qualidade, especialmente pela bela apresentação dos pratos saborosos e com ingredientes frescos.
Além de contar com um serviço de primeira, pode-se escolher entre mesas espalhadas pelo terraço ou ao redor da piscina.O programa gastronômico vale também pela incursão por Miramar, o bairro onde se concentram as embaixadas, antigo reduto dos ricos que fugiram para Miami para escapar dos revolucionários que desceram a Sierra Maestra.

É possível ainda ir do luxo à utopia comunista sem escalas. Para tanto, recomendo um dos restaurantes populares frequentados por cubanos, onde um PF (Prato Feito) sai por US$ 1. A comida se parece com a de um bandejão universitário, menos farta e mais saborosa.

E dá sempre para fechar o tour de alta ou baixa gastronomia com um daiquiri no Floridita. O bar virou um típico "pega turista", o drinque não tinha nada de espetacular e os garçons se davam ares de mais famosos do que a bebida servida. 
Tudo isso com direito a boas surpresas no meio do caminho, como o minúsculo restaurante em frente ao Donã Eutímia, que não peguei o cartão, onde comi uma lagosta por meros U$$ 10, saborosa, no ponto. E o melhor: sem fila de espera.

Enfim, bons ventos gastronômicos que vão além do feijão com arroz à cubana e de pratos tradicionais como "Moros y Cristianos", que lembram o nosso baião de dois. 

Bom apetite e viva "la Revolucion" culinária cubana! 

La Guarida
Calle Concordia, 418
Centro Havana

Doña Eutimia
Callejon del Chorro # 60-C
Habana Vieja
Telefone: (+53) 7861 1332

Los Mercaderes
Calle Mercaderes, 207
Telefone: (+53) 7 861 2437

Vistamar
Ave. 1a., entre 22 e 24
Miramar 
Telefone: (+53)7  203 8328

(*) Eliane Trindade é jornalista da Folha de S.Paulo, onde é editora do Prêmio Empreendedor Social. Escreve a coluna Rede Social na Folha.com,  às terças, a cada duas semanas. O espaço mostra personagens e fatos dos dois extremos da pirâmide social.

segunda-feira, 30 de novembro de 2015

EU RECOMENDO // Bem-vindo ao Maido

Guilherme Dantas (*)
Convidado especial do Gastronomix

Em novembro de 2015, tive o prazer de conhecer o Maido Nikkei em Lima, Peru. Ele foi escolhido o 5º melhor restaurante da América Latina e havia sido muito bem recomendado por minha irmã, Roberta, uma entusiasta na culinária. Fui sem medo. E não devia mesmo.

Logo na entrada, Mitsuharu Tsumura já faz questão de nos saudar da melhor maneira! Todo o Staff do restaurante saúda cada novo cliente com um sonoro “MAIDO” ao entrar. Maido, segundo nosso garçom, trata-se de um “bem-vindo” acolhedor em japonês! Com uma decoração primorosa, que baseia-se em cordas do amarelo ao laranja instaladas no teto de um pé direito de respeito, fica mais fácil se sentir bem.

Escolhemos o menu degustação harmonizado, Amazon Nikkei Experience. Uma sequência de 15 passos, harmonizados com todos os tipos de bebidas alcoólicas ou não-alcoólicas. Foram incríveis 3 horas de refeição, a mais slow das foods que já tive. Com pontos excelentes e pontos bons, nunca abaixo disso, elegi os prediletos do meu paladar!

Logo no primeiro prato, uma arrojada disposição em algo que lembra um bonsai seco, nos deparamos com pele de frango frita acompanhada de molho Pachikay e um pequeno composto de arroz Sentei, salsicha regional, algas torradas e emulsão de tomate japonês. Ponto pro composto que harmonizado com um chardonnay Locura 1 foi simplesmente incrível!
Alguns pratos a frente, o sanduíche Paiche, com pão cozido, paiche crocante e lulo crioulo, já veio pedindo a faixa de melhor prato! Acompanhando de uma cerveja Pale Ale Panam então, não poderia ser diferente. Imediatamente na sequência, pra não diminuir o fôlego, um Gyoza incrível, acompanhado do Riesling Jean Baptiste, mostrava que o chef não estava para brincadeira.
Dois pratos depois, talvez o MEU ponto alto, um “Ceviche Amazônico”. Composto por peixe de água doce, camarões, pupunha em tiras, leche de tigre, farinha, charapita e chonta fizeram reconsiderar meu amor pelo ceviche tradicional.
Avançamos mais alguns pratos (não se enganem, igualmente marcantes), chegamos no Short Rib. Era de se esperar que depois de uma sequência nesse nível houvesse algum grau de desinteresse nos pratos seguinte mas a costela de Waguy cozida por 50 horas, coberta por uma gema e acompanhado de arroz seco frito e chilli amazônico mudou toda a regra. Prato primoroso, harmonizado da mesma maneira por um Pinot Noir Amayna, tornou-se marcante da entrada ao desfecho.
Por fim, mas não menos importante! Elegi uma sobremesa que foi a minha predileta (o Thiago escolheria a seguint e, mas chocólatra confesso, não poderia negar!). O creme de cacau Amador 70% acompanhado de sorvete shica shica, mochos, castanhas de bahuaja e sementes de cacau torradas não decepcionariam ninguém! Principalmente acompanhados do Mistela Antiguas Familias.

Enfim. Uma SENHORA experiência. Indispensável a qualquer entusiasta da boa culinária. Aliás, Lima não desaponta em nenhuma refeição. Com todo o mérito, talvez a Capital Gastronômica da América Latina, na minha humilde opinião. =)

Maido
Esq. con Colon, Calle San Martin 399
Miraflores - Lima
Telefone: +51 1 4442568
Site: www.maido.pe/en/

(*) Guilherme Dantas é médico e louco por gastronomia.

segunda-feira, 12 de outubro de 2015

EU RECOMENDO // 3 restaurantes exóticos em São Paulo

Carla Damasceno
Convidada especial do Gastronomix

“De mudança (temporária?) para a Austrália, onde, com certeza sentirei saudades dos sabores do Brasil, decidi que a minha despedida tinha de ser a altura do meu genuíno amor pela arte de comer bem. E que cidade personifica melhor esse prazer do que São Paulo, reunindo restaurantes consagrados e sabores dos quatro cantos do mundo?

Então, nos três dias de viagem pela Terra da Garoa, tinha como missão conhecer o DOM – restaurante que consagrou a culinária brasileira internacionalmente, sendo considerado o nono melhor do mundo, explorar lugares não tão óbvios, “exóticos”, e, claro, conhecer alguma novidade através de recomendação de amigos.

1. SMORGASBORD NO SVANEN
No primeiro dia em São Paulo, em um domingo, não tive dúvidas e reservei o Smorgasbord (banquete com 40 pratos diferentes) do restaurante nórdico Svanen, que fica na Associação Escandinava (Rua Morais de Barros, 1009, Campo Belo). Ali você pode desfrutar do que há de melhor da cozinha da Finlândia, Noruega, Suécia, Dinamarca e Islândia: gravlax, frekedeller e pickled herring, entre muitos outros pratos, tudo regado à aquavit, aguardente feita de batatas ou cereais, Taffel, da Dinamarca. Esse tipo de banquete tradicional escandinavo era cultuado pelos vikings em suas celebrações de retorno às aldeias após as batalhas.

Aguardam o visitante arenques em várias receitas, muito salmão defumado, anchova negra, panceta (barriga de porco fatiada), patê de fígado, muita batata (ingrediente obrigatório na cozinha escandinava), bof lindstrom (hambúrguer recheado com beterraba, alcaparra e aliche) e um frekedeller (bolinho de carne) dinamarquês muito mais saboroso do que seu “primo” alemão, já que na versão dinamarquesa é misturado com carne suína. O restaurante é comandado pelo casal Osnir e Vera Jacobsen.
Há 50 anos, Vera veio da Escandinávia, onde vivia, para administrar o restaurante. Você se sente transportado à Escandinávia: há fotos dos países nórdicos as paredes do salão e diversos folders divulgando viagens turísticas que a Associação organiza às Ilhas Faroé, países nórdicos, Groelândia e, até mesmo, Rússia. Eles são ainda os responsáveis pela organização da Feira Escandinava, que ocorre anualmente no Clube Pinheiros. O banquete dos deuses reúne ainda sobremesa: não deixe de provar a torta de maçã escandinava, feita com farofa caramelizada e muito creme de chantilly na cobertura.

2. CHÁ DA TARDE EGÍPCIO NO KHAN EL KHALILI
O domingo encerrou com uma pitada de exotismo, em uma casa de chá egípcia, que funciona desde 1982 na Vila Mariana (Rua Dr. José de Queirós Aranha, 320): o Khan el Khalili, que foge do lugar comum em todos os aspectos, a começar pelo nome do estabelecimento, em homenagem a um dos mais interessantes bazares no Oriente Médio, com mais de um milênio de existência.

Em um ambiente típico, com hieróglifos e decoração que remonta ao Egito antigo, os frequentadores assistem a apresentações de dança do ventre de hora em hora (durante a semana, de dia, funciona no local uma escola desta dança oriental), enquanto desfrutam das opções de “rituais de chá”, com doces e salgados árabes. Há vários ambientes de puro encanto e magia, sendo algumas salas com almofadas no chão, baixa iluminação e cortinas separando os ambientes.
Entre os três tipos de rituais do chá – Alexandria, Tebas e Saara – fiquei com a primeira, que já inclui bastante comida, servida aos poucos à mesa (a ideia é relaxar, dedicar um tempo a si e não ter pressa): cesta completa com diversas variedades de pães, como o libanês, de canela, sírio, pão de flores e pão folha etc; patês (homus, zaatar, geléia natural de banana, coalhada, babaganuche), bolos e doces árabes (halewe, mamul de tâmara egípcia, folheado de nozes) e salgados como quibe e esfiha, além de dois bules de chás quentes.

Para aproveitar o inverno de São Paulo, resolvi adicionar a tudo isso um típico bule de café árabe - daquele ultra forte, em que o líquido é espesso como um xarope e dá até vontade de tentar “ler a sorte” com o pó depositado ao fundo da xícara. Encerrei a experiência pedindo um dos chás “sultana”, que são deliciosas e refrescantes preparações de mate com frutas (prove o de pêssego e maçã verde), um suco de damasco turco e um Karkadêh, chá gelado que está entre as principais bebidas típicas egípcias.

3. PREPARANDO A PRÓPRIA COMIDA NO TANTRA
No dia seguinte, jantei no único restaurante no Brasil especializado em culinária típica da Mongólia, o Tantra (fui na unidade da Vila Olímpia). Em um ambiente sensual, tendo como atrações, além da experiência gastronômica exótica, dança egípcia com serpentes, shows acrobáticos e consultas de Tarot (?!), as várias opções incluem drinks bem diferentes, carpaccio de tubarão, camarões empanados com coco etc.

Mas segui a tradição de preparar a minha própria comida no restaurante. Isso mesmo: você vai ao restaurante para cozinhar, escolhendo entre as várias opções de ingredientes disponibilizados em um grande buffet. Já que não tinha muita ideia das combinações ideais (algumas iguarias bem exóticas, como tubarão, javali e carne de avestruz), resolvi apostar em uma das receitas sugeridas em cartazes logo atrás do buffet – e que seria “afrodisíaca”, de acordo com o restaurante.
Em uma cumbuca, selecionei tubarões e camarões, vários temperos e condimentos que deixaram meu prato deliciosamente apimentado, levei tudo à grelha mongol e voilà: Mongolian food by Carla Damasceno, “chef” por um dia, preparando um jantar especial... Para me, myself & I. Vale a pena a sensação de montar a sua comida com vários itens crus, entre molhos, vegetais, massas orientais e tantas especiarias. Você pode repetir, criando várias porções e testando novos sabores.

Svanen
Rua Morais de Barros, 1009
Campo Belo, São Paulo
Telefone: (11) 5041-9883

Khan el Khalili
Rua Doutor José de Queirós Aranha, 320
Vila Mariana, São Paulo
Telefone: (11) 5571-3209

Tantra
Rua Chilon, 364
Vila Olímpia, São Paulo
Telefone: (11) 3846-7112
Site: http://www.tantrarestaurante.com.br

segunda-feira, 28 de setembro de 2015

EU RECOMENDO // Hambúrguer não é só gastronomia – é política e sociologia

Diogo Ramos Coelho
Convidado especial do Gastronomix

“O que você pensa quando escuta falar de hambúrguer? Um esferoide robusto e suculento de carne moída, coberto por uma generosa porção de queijo derretido, prensado por dois pães macios? Ou um isopor redondo produzido com especificações industriais e servido por escravos assalariados para uma população obesa? É cozinha ou mercadoria? É um ícone de liberdade ou a quintessência da conformidade?

Não importa o que você pensa. O hambúrguer não é apenas um sanduíche. É um nexo social. É um símbolo cultural. Ele é maior do que a gastronomia – seu contexto apropriado, penso eu, é na política e na sociologia.
 Houston Original Hamburgers

O hambúrguer, tal como o conhecemos hoje, é um fenômeno dos EUA do pós-guerra. As histórias sobre sua origem, na verdade, variam. Li que a procedência do bife data do fim do século XVII, quando tribos nômades da Ásia Ocidental desenvolveram a técnica de temperar a carne bovina, finamente picada, a fim de evitar seu perecimento. Li também que teria sido levado aos EUA pelas mãos de imigrantes alemães vindos dos arredores de Hamburgo.

Pouco importa. A criação, a popularização e disseminação do hambúrguer são fenômenos americanos – e confunde-se com o desenvolvimento do país na segunda metade do século XX. Confunde-se, igualmente, com o fenômeno recente da globalização, que tantos ferozmente criticam. 
Respeitável Burguer
Em 1961, a revista Time descreveu o produto retirado dos drive ins do McDonald's como "alimentação barata de linha de montagem" (low-priced assembly-line feeding). Naquela época – e até hoje – algumas pessoas enxergam em hambúrgueres apenas conformidade e baixo custo. O hambúrguer, como os EUA, seria símbolo da sociedade de massas e da homogeneização dos gostos. O fast food representaria tudo de ruim sobre a América – sua padronização, sua conformidade, sua banalidade. É a gastronomia sem identidade, plastificada e industrializada, alastrada pelo mundo como uma praga.

Mas eu penso diferente. O hambúrguer pode também representar o melhor do capitalismo contemporâneo. Verdade: ele é produzido e vendido em escala. Entretanto, que outra forma haveria para alimentar, de modo simples, massas e massas de indivíduos? Os maiores beneficiários são pessoas que, em outras circunstâncias, jamais teriam acesso à iguaria. Mas o hambúrguer não se define por sua padronização. Ele é, sobretudo, uma commodity, por meio da qual é possível inventar novos produtos. 
Twelve Bistrô
Onde quer que você vá, um hambúrguer significa uma esfera de carne moída servida em um pão enriquecido branco. O hambúrguer tem um caráter de inevitabilidade – é, nesse sentido, um ponto de referência gastronômico, como o sushi, a pizza ou a batata. Mas sua essência básica pode ser melhorada. Ele pode ser aperfeiçoado, de acordo com as tradições e gostos locais – ou, até, individuais. Cada hambúrguer é, portanto, uma experiência única, apesar de seu formato comum.
Z Deli

Experimente as variações. Em Brasília, vá ao Houston Original Hamburgers e prove uma autêntica versão americana. Ou, quem sabe, vá ao Respeitável Burguer e exerça sua criatividade, combinando ingredientes. Destaque também para a Hamburgueria do Francês e o trailer do Morceguinho. Foi a São Paulo? Não deixe de ir ao Twelve Bistrô, em Pinheiros, e prove – com um pouco mais de aporte financeiro – uma versão com Foie Gras e cebola em balsâmico. Vale também uma ida ao Z Deli, nos Jardins, para versões mais simples e deliciosas, como o famoso Manhattan, que leva cheddar inglês, picles, cebola roxa e tomate. Até as grandes redes possuem variedades: um tradicional Big Mac não é igual a um Shake Shack ou a um Whopper.
 Minetta Tavern
O hambúrguer, afinal, não é apenas a plastificação da gastronomia. Sua essência não está restrita à carne e ao pão. Falar de hambúrguer é falar de reinvenção. O hambúrguer exerce fascínio porque é uma comida entendida universalmente. Sua beleza está na forma como atravessa fronteiras sem perder a essência, porém adquirindo novas identidades. Ele é um veículo, um símbolo e um ícone – de um país, de uma época e de um mundo cada vez mais plano. Essa simbologia, entretanto, é apenas o chiado; a real importância do hambúrger reside na forma como eleajuda a interpretar a história do mundo – igualmente deliciosa”.

Houston Original Hamburgers
412 Norte Bloco C Lojas 56 e 62
Asa Norte, Brasília
Telefone: (61) 3257.5004

Respeitável Burguer 
SHC/S CL 402, Bloco B, Loja 25
Asa Sul, Brasília
Telefone: (61) 3224.8852

Twelve Bistrô
R. Simão Álvares, 1018
Pinheiros, São Paulo
Telefone: (11) 3562-7550

Z Deli
R. Francisco Leitão, 16
Pinheiros, São Paulo
Telefone: (11) 2305.2200

Minetta Tavern
113 Macdougal St
New York, NY
Telefone: +1 212-475-3850

(*) Diogo Ramos Coelho, 28, pernambucano, é diplomata, mora há dez anos em Brasília e é, óbvio, aficionado por hambúrgueres.

segunda-feira, 21 de setembro de 2015

EU RECOMENDO // Um japonês em Amsterdam

Gustavo Pereira
Convidado especial do Gastronomix


“Toda vez que planejo uma viagem para Amsterdam meus amigos dizem para não deixar de ir ao Momo, um restaurante japonês super conceituado e premiado em Amsterdam. Confesso que faço propaganda dele para quem vai visitar a cidade, porém toda vez que ligo para reservar uma mesa está sempre lotado.

Nessa quarta vez pela cidade, como de costume, liguei para o Momo e estava lotado por todo o período que eu ficaria por lá. Mas não fiquei triste, afinal não sou um apaixonado pela cozinha japonesa. 
No meu último dia em Amsterdam, numa tarde de quarta-feira, fazendo um calor de 40 graus na sombra, passei em frente ao restaurante Momo. Hesitei algumas vezes para entrar, até que achei melhor arriscar e tentar uma mesa, afinal eu estava sozinho e a chance de conseguir um lugar seria maior.

Pronto. Lá estava eu sentado sozinho e com medo de errar na escolha do prato. No restaurante, muitas mesas vazias, pois o almoço estava quase se encerrando. O restaurante é bem bonito e descolado, mas nada pretensioso. Sentei numa mesa perto do balcão onde se pode ver a preparação dos pratos.
A garçonete muito simpática me sugeriu o prato da casa que é a unanimidade no almoço, um pato grelhado com legumes frescos num molho feito a base de leite coco e especiarias. E, para acompanhar, uma tigela de arroz. Antes do prato chegar, fui recepcionado com um missoshiru, que é um dos pratos mais básicos da culinária japonesa feito por uma base de caldo de pasta de soja. No caso do Momo, ele ainda é servido com vôngole.

Se você tem preconceito assim como eu por missoshiru, pode esquecer quando tomá-lo no Momo. Ele é perfeitamente equilibrado e suave, e cria o desejo de quero mais.
Só não pedi outro porque a expectativa pelo prato principal era grande. E em nada me frustrou quando ele chegou. A textura do pato e o seu cozimento estavam no ponto certo, assim como os legumes. O sabor singular do molho levemente picante equilibrava com o sabor agridoce do pato. Tudo estava incrivelmente bem temperado e na cocção perfeita.

Como manter o preconceito por uma milenar gastronomia oriental depois de saborear pratos tão incrivelmente preparados? Impossível. O restaurante Momo conseguiu despertar um novo paladar em mim.
Calma, a sobremesa também foi um espetáculo a parte, para encerrar o almoço, escolhi uma cheesecake de caramelo com castanhas e servido com sorvete e café. É de comer rezando.

Agora se você é fã da culinária japonesa vai se deliciar por lá, e se você não é fã e estiver por Amsterdam dê essa chance ao seu paladar assim como eu fiz. E aproveite muito. Depois me conte sua experiência”.
MOMO - Hobbemastraat 1
Telefone: +31 (0)20 671 7474
info@momo-amsterdam.com

(*) Gustavo Pereira é chef gastronômico e publicitário.